quinta-feira, setembro 01, 2011

Notas de par em (ím)par.

Bem sei que este assunto será, desde logo, observado pelos meus dilectos leitores mais avisados, como um "fait divers", um exercício sobre uma matéria que, em Praxe, nada tem de essencial e fulcral. Mas é porque a comunidade académica de hoje parece estar tão presa a periferias e picuinhices que achei ser necessário também abordar este "tema".

A questão prende-se com a importância dada ao N.º ímpar, no que respeita a assuntos de Praxe.
De onde vem essa fixação e todas as determinações dai resultantes, relativamente ao traje ou outros quejandos praxéticos?

Daquilo que foi possível pesquisar (mais do que fazer apelo à memória), nada se encontra, documentalmente, que explique o quando, como e porquê dessa convenção como sendo um uso antiquíssimo e ancestral. Aliás, recuando ao tempo anterior aos anos 90, nunca tal foi considerado praxis ou tradição, nunca!
Assim sendo, não é Tradição sequer, nem Praxe.

A explicação mais comum, que podemos encontrar em diversos sites, e que é a mais reproduzida, não passa, claramente, de um argumento "a posteriori", para justificar algo que, ao que tudo indica, é mais um fruto do "boom académico" dos anos 80 do século passado (a reabilitação das tradições académicas) ou pelo menos a formalização de uma convenção algo recente de uma errónea interpretação.


A explicação avançada, para a importância no N.º ímpar é um exercício de analepse e reabilitação da ligação clerical das universidades. Assim, explica-se a sua importância religiosa/mística/bíblica porque:

"São 3 as pessoas da SS. Trindade, 3 os mensageiros que se dirigem a Isaac (antigo testamento), 3 os apóstolos no monte Tabor durante a Transfiguração, 3 as hierarquias do juízo final: inferno, purgatório e paraíso, 7 ospecados capitais, ou 7 as vitudes teologais. 
Também porquea  Criação se fez em 7 dias  e o sábado é tido como o sétimo dia , relativo ao descanso após a Criação (segundo o Génesis) , pelo Pentecostes que sucede 7x7 dias depois da Páscoa, pelo facto de cada sétimo ano ser sabático ou, depois de 7x7 anos se seguir o Jubileu; tal como a bíblica recomendação de se perdoar 70x7, as 9 bem-aventuranças...........)."

Estranhamente, e principalmente se pensarmos no traje (capa e batina), que é um corte com o hábito talar, por força dos anti-clericais, dos laicos republicanos (de que bem conhecemos os ódios à Igreja, nomeadamente às ordens religiosas, sobretudo aos Jesuítas)  que, a partir de finais do séc. XIX impõe um modelo burguês - de que provém o actual figurino da capa e batina, parece-me incoerente que tão atiçados anti-clericais impusessem no protocolo da Praxe (e do traje) convenções com base em simbologias judaico-cristãs.

Pelo que se pode observar em diversos clichés, desde o séc. XIX, o colete, por exemplo, tanto apresenta 4, como 5 ou 6 botões, tal como a casaca (que manteve o nome de "batina" por força do uso - apesar de, certamente, muito contrariar os anti-clericais) que tanto tem 3, como 4, 5 ou mais botões.

Recordemos que o actual figurino do traje resulta da produção em série de trajes (pelas unidades fabris), deixando de ser segundo cada alfaiate ou modista (uns faziam assim outros mais assado), para ser segundo um modelo de fábrica onde se produziam em série.

Mas se alguns defendem com unhas e dentes, embora com muita cegueira intelectual, que na Praxe é só N.º ímpar, porque é, supostamente, inspirado na simbologia numérica do cristianismo ou misticismo numérico bíblico, que dizer, então, dos 4 os evangelistas, de serem 12 os apóstolos, 14 mandamentos da Stª Igreja, 10 os Mandamentos, 12 as tribos de Israel, 4 os cavaleiros do Apocalipse, 40 os anos do povo israelita no deserto (após saída do Egipto), 40 os dias de Cristo no deserto, como o são os dias da Quaresma ou os 50 dias da época pascal (até ao Pentecostes)...........?
Lá está: dir-me-ão que se somarmos aos nºs pares o n.º três, obtemos um nº ímpar.......parece-me tão óbvio quanto insignificativo, e que tem bem cara de ser mais um procurar, precisamente, o que se quer encontrar.
 
Conforme se quiser, encontraremos as explicações mais "lógicas" noutras áreas que não a mística ou religiosa, seja na geometria, na própria matemática ou noutra área qualquer, para tanto defender o par como o ímpar. Sejam as rebuscadas explicações do sujeito como alguém ímpar e único, o tempo de praxe que é singular, etc&tal, tudo é muito giro, mas ditos e contos de embalar não, por favor!

Não sejamos ímpares de inteligência!

Ora se em Praxe é o N.º ímpar que reina e que domina, em alguns sítios, penso que encontramos nisso falíveis casos que contrariam essa ideia e disposição.
O facto é que tanto encontramos Nºs pares e ímpares, tanto mais de uns do que de outros conforme assim o quisermos ou der jeito.
Se os botões de um colete são em n.º ímpar, acabam por formar um par com as respectivas casas. Os buracos dos atacadores são em número par, tal como usamos um par de sapatos, um par de calças ou meias. E contudo, as fábricas de calçado não fazem sapatos tendo em conta isso. os estudantes compram o que as fábricas propõem e não são as fábricas a fazer sapatos sob indicação regulamentar da Praxe.
Veja-se, também que o mítico termo "Dura Praxis Sed Praxis" é composto por 4 palavras, embora com 19 letras e 7 sílabas, tal como os termos "Praxe" ou "Praxis" ora são com letras em n.º ímpar ou par, mas ambas par no n.º de sílabas.
As fitas da Pasta da Praxe, por outro lado, são 8, a qual é composta, por sua vez, por 2 abas.
Do mesmo modo, os logótipos de Praxe mais correntes utilizam 4 insígnias: Colher, Tesoura (um par de tesouras), moca e penico. Mas temos, igualmente, para o n.º ímpar, as "insígnias" de finalista que são 3«4: cartola, bengala, laço e roseta. É o grelo 1, mas termina em 2 pontas; é "Dux" ímpar, mas "veterano" e "doutor" são par (nº de letras e de sílabas).
Conforme o que queremos ver/defender, ambos os nºs aparecem.
 
Não me parece que haja qualquer fundamento em ligar tal a misticismos ou religiosidades por conveniência, sobretudo porque, claramente, essa explicação aparece depois para tentar legitimar algo que foi "inventado" por alguns, há largos anos atrás.

Em algumas casas, determinou-se ser assim, convencionou-se ser o N.º ímpar aquele que se sobrepunha, mas não entremos em exageros e ficção, nomeadamente numa matéria que não é, de todo, essencial ou essência da Praxe.
Os fundamentalistas praxistas que parem para pensar um pouco sobre o ridículo de querer tornar esta questão em cerne e fulcro da Praxe (juntamente com outras questões - que são tantas - deste género).
Em Coimbra, a título de exemplo, isso não é Praxe nem da Praxe. Aliás, falando em Tradição Académica Nacional, essa coisa dos números ímpares não tem fundamento algum: nunca foi, nem é Tradição ou Praxe.

Pedir discernimento e alguma inteligência não é pedir muito, ou é?

Existe a convenção do n.º ímpar em algumas situações, nomeadamente quanto à composição de organismos colegiais, com o intuito de evitar situações de empate nas decisões tomadas, embora possamos acudir com o facto de  pro alguma razão existir a figura do voto de qualidade.
Convenciona-se um n.º que tanto pode ser par ou ímpar, sem precisarmos de o justificar seja onde for. Se são 3 bengaladas na cartola, ou se são 4 tesouradas; se são 2 flexões ou se são 21, isso nada tem de místico, significativo ou se assume como dogma.

Ainda assim, quando nos deparamos, por exemplo, com a publicaçao de coisas do tipo " Latada, dia 20+1 de Outubro de 2008+1" (em que o "+1" é para não terminar é n.º par) isso não merece qualquer respeito, porque a estupidez não se respeita nem é Praxe.
O mesmo sucede com a estupidez de colocar as horas nesse mesmo preparo: 21:59 para não serem 22h00 ou 00.01 para não ser meia noite.
Nada tem de Praxe, nem nunca teve. É preciosismo bacôco e parvo e quem acredita, e defende isso, exemplo de pequenez intelectual.

segunda-feira, agosto 29, 2011

Notas sobre os Emblemas/Escudos nas Capas

Não é de hoje que a questão dos emblemas (que também se chamam "escudos"), que os estudantes colocam nas suas capas, tem sucitado vários debates, muitas dúvidas e muitas mais patetices.
Basta passar os olhos nos muitos fóruns sobre Praxe e Tradição Académica, para se verificar aquilo que é, hoje, uma enorme profusão de confusões, invenções e mitos, todos eles geradores de interpretações ad hoc e de uma "terra de ninguém" onde reina uma certa anarquia e a
crescente moda do "na minha capa meto o que bem me apetece", sob a desculpa esfarrapada do "a capa é minha" ou daqueles ridículos argumentos que alguns usam de que colocaram este ou aquele emblema porque tem um determinado significado (mesmo que nada tenham a ver com a praxis), como é o caso daqueles emblemas abonecados do "Tio", da "Avó" (onde se esquece/desconhece, que a capa não é montra de homenagens - e que a capa só tem essa função  - homenagem/agraciamento -  quando deitada no chão, e em condições bem definidas) ou aqueles simpáticos escudos que dizem, por exemplo "Sou de Engenharia", para só citar alguns.

Isto, caros leitores, para não falar, depois, nos denominados "emblemas obrigatórios", outra patetice, pois uma coisa é indicar os que são permitidos, outra é obrigar a colocar este ou aquele, quando se pretende meter emblema na capa. Coitado do pobre que só pretende ter 3 ou 4 emblemas na capa e se vê, de repente, na obrigação de meter mais 4, 5 ou 6 que os que desejava, só porque o código manda (e quem esfrega, naturalmente, as mãos de contente são as lojas que comercializam os emblemas).

SITUAÇÃO/PROBLEMA

Reveste-se, assim, tantas vezes de verdadeiro autismo, arrogante teimosia, e outras tantas de argumentação patéticos, o pensar-se que sendo a capa de cada um isso lhe confere o direito de fazer o que bem lhe dá na real gana ou a presunção que por estar em código significa estar correcto.
Mostra esse exercício não apenas ignorância, mas uma jactância  repleta de incoerência.
 
Para umas coisas segue-se a Praxe e o código à risca, para outras segue-se o umbigo, a própria vontade, a interpretação pessoal.....as conveniências.
Resume essa atitude que muitos estudantes não são, de facto, praxistas, querendo 2 pesos e 2 medidas: o genérico e o pessoal, defendendo a praxe com unhas e dentes, excepto quando isso melindra o seu espaço e comodismo, quando impede o pedestal da montra, da vaidade, do querer diferença e regime de excepção.
Outras vezes, defende-se a letra da lei que resulta não de uma base assente em tradição, mas do desvirtuar das coisas, normalmente por desconhecimento.

OS CÓDIGOS
Muitos dos actuais códigos legislam sobre a colocação dos emblemas, mas demonstram que os
seus autores desconheciam (ou fizeram vista grossa)  a real origem desse costume, abrindo portas à invenção e à profusão de um verdadeiro desfile de carnaval. Uma vez mais, o desconhecimento levou à interpretação sem critério e, consequentemente, à ficção, ao mito........ao erro.
Um dos grandes erros, pois, dos códigos, foi quererem legislar ao centímetro, burocratizando, complicando, tornando miudinho o que sempre se quis, e foi, simples e pragmático, que sempre foi prático e directo.
 
A Praxe em Portugal, esta mais recente, invencionada e baralhada nestes últimos anos, tornou-se mais papista que o Papa e pormenorizou exaustivamente sobre coisas e matérias sem real interesse, que não eram, nem são, essência - traduzindo-se tal em quantidades de artigos e mais artigos que tem tanto de inútil e pesado, quanto, muitas vezes, de ridículo (e de errado), em detrimento de questões bem mais importantes. Por outro lado, legislam sem explicar coisa nenhuma, o que é outra coisa que não se entende.

Veja-se, por exemplo, que, em certos casos, os códigos obrigam à colocação de certos emblemas, depois misturando os que são próprios da vida académica com disparates como o emblema da terra da mãe e o emblema da terra do pai.
Justificação para tal? Nenhuma que não seja a invenção de quem decidiu que era assim, porque sim, porque lhe pareceu. Explicação preto no branco do porquê e origem dos emblemas e adequação das práticas e regras à Tradição?  Nenhuma, claro está.

Obviamente que quando se desconhece, mais facilmente se inventa e, na cópia da cópia, no "acrescentar pontos ao conto", se vai delapidando, desvirtuando o paradigma e o que é genuino na Tradição.

COMPRA/OFERTA
 
Outro mito, resultante desse desconhecimento é, em diversos casos, a ideia propalada de que os emblemas não se compram, mas são recebidos por oferta, ou seja que os estudantes só podem colocar na capa os que lhes forem oferecidos (comprados por outrém), coisa que, além de errada, se reveste de algum ridículo.
Com efeito, não há, segundo a Tradição, qualquer determinação que limite a forma como os emblemas se adquirem, tanto podendo ser comprados ou ofertados.
Muito menos a questão de terem de se colocar em nº ímpar (regra que aplicada a botões e afins, se quis estender a tudo, sem muitos sequer perceberem que simbologia/superstição encerra).
Que o valor do nº ímpar tenha a sua razão (que aqui não importa discutir, mas sobre o qual pode o leitor AQUI procurar o artigo respectivo), pois assim seja, mas que se queira meter a questão dos emblemas, parece-me artificialismo, quando nunca isso foi determinação do uso, do costume, da praxis original.


A ORIGEM, A PRAXIS
 
O uso de emblema na capa  remonta, grosso modo, aos anos 30/40, mas restringia-se quase só ao monograma da Briosa (datado de 1929) que os jogadores usavam no equipamento. Sendo eles quase todos alunos da UC, passaram a cosê-lo também nas suas capas.
Rapidamente os adeptos e simpatizantes fizeram igual.
Na década de 1940 ,os orfeonistas também o começam a coser na capa o emblema do Orfeão, por dentro da capa. Nos anos 50 aparecem o Coro Misto e o Coral das Letras, que replicam as práticas anotadas para os anos 30 e 40.

Será essencialmente com a influência das Tunas espanholas (por contágio da “moda mochilera” e dos inter-rails, nos anos 60-70 e seguintes) que, a partir dos anos 80 do séc. XX (boom das tunas e das tradições académicas em Portugal), se generaliza o uso de emblemas nas capas.

Com efeito, era costume os jovens viajantes colocaram nas malas ou mesmo nas caixas de instrumentos (e até nos próprios), autocolantes com os emblemas das cidades/instituições visitadas (e/ou países).
É esta a origem dos emblemas no contexto da recuperação das tradições académicas, operado a partir dos anos 80 do séc. XX; um costume rapidamente aculturado pelos estudantes portugueses, com especial incidência nos tunos.
 
Os tunos compravam nas lojas de "souvenirs" os emblemas locais (cidade, país) e, muitas vezes, também, os recebiam das tunas congéneres ou instituições visitadas os respectivos escudos/emblemas (ou também os compravam na loja associativa, na reprografia ou secretaria caso existisse).
Uma vez mais, se verificou, e verifica, a contínua troca de usos e costumes que, entre Tunas e Praxe se foi operando, sendo, neste caso, a Praxe a (re)inspirar-se na tradição das Tunas (neste caso das do país vizinho).


Sobre esta questão dos emblemas, recupero, ainda, o avançado pelo historiador António M. Nunes, o maior especialista em questõesde trajes e etiqueta académica que temos em Portugal, e que colabora muitas vezes com o N&M:

"A UC tem heráldica e cores institucionais consagradas nos vários estatutos. A par da heráldica oficial (faculdades, cursos, cadeiras), os estudantes de Coimbra inventaram no século XX inúmeros selos e emblemas para a sua associação de estudantes, grupos corais, tunas, etc. Estes últimos são em geral bicolores (apenas admitem preto e branco) e podem estampar-se em crachás e pines. O motivo mais comum em todos eles é a Torre da Universidade. O mais antigo é o da Académica, Equipa de Futebol, desenhado por 1929 (se não me falha a memória), que das camisolas dos atletas passou poucos anos depois para a bandeira e papel timbrado da AAC.

 O emblema da Académica/Equipa de Futebol começou a ser usado primeiramente nas camisolas. Como a maior parte dos futebolistas da Académica estudavam na UC, estes começaram a usar o emblema futebolístico no canto interior direito e ao fundo da capa. Na segunda metade da década de 1930 criaram-se em Coimbra várias claques de apoio à Académica e estes grupos de adeptos também começaram a coser na capa, por dentro, o emblema da Académica, sempre em tecido estampado preto e branco.

 Na década de 1940 afirma-se o emblema do Orfeon e os orfeonistas também o começam a coser na capa, por dentro. Nos anos 50 aparecem o Coro Misto e o Coral das Letras, que replicam as práticas anotadas para os anos 30 e 40.

 Após 1974, com a fundação da Estudantina aí por 1984 tudo muda. Os emblemas passam a ser multicolores e abrangem um universo ilimitado de representações: escudo de Portugal, clube de futebol, município, curso, cidade visitada em digressão...

 Cheguei a Coimbra em 1985 e por essa altura havia uma "guerra" de palavras entre os praxistas que condenavam o uso abusivo de emblemas e os que defendiam a liberdade de uso de emblemas. A matéria chegou a ser regulada pelo Conselho de Veteranos, mas a corrida aos emblemas continuou.

 A par dos emblemas que acabo de referir há ainda os distintivos oficiais que decorrem dos estatutos e da cultura greco-latina. A Reitoria tem selo próprio e cor oficial (verde). Cada Faculdade tem cor própria e distintivo. O distintivo de uma Faculdade é sempre um deus ou uma deusa greco-romano, com determinados atributos. Dentro de cada Faculdade, cursos há que têm representação autónoma como Música, Geometria ou Astronomia.
A partir das insígnias da alegoria masculina ou feminina a tradição autoriza criar distintivos que a UC representou em pinturas de tectos, paredes, e os alunos podem usar em crachás, pines, alfinetes e emblemas. Por exemplo, num crachá alusivo à Faculdade de Direito, não se figura a deusa Justitia, mas apenas a espada e a balança no interior de uma moldura oval ou circular de folhas de louro. Esta matéria não tem sido alvo de estudos e a própria UC não tem publicado um manual ou regulamento de haráldica, símbolos e alegorias.
Os códigos de praxe também não regulam a matéria. Na prática o que acontece é que os cursos inventam pseudo distintivos kitsch que não obedecem às normas heraldísticas. Há muitos exemplos. Posso citar emblemas com uma língua humana a sair de um medalhão circular, que supostamente quereria significar um curso de línguas e literatura. Ou uma serpente enrolada numa palmeira, que supostamente representaria Farmácia, quando na verdade representa uma farmácia de venda de remédios. Ou o escudo/euro que supostamente representaria Economia.

Em suma, 50% dos distintivos de curso, mesmo os que existem na UC, são puras invenções kitsch sem fundamento heraldístico nem suporte na cultura greco-romana."


NA CAPA

A Tradição manda, pois, que o estudante, que assim o deseje, e sem haver nº mínimo ou obrigatório, nem ordem de colocação, coloque na sua capa (seja à sua conta ou também por oferta):
 
- os emblemas/escudos da cidade/país de origem;
- cidade/país onde se cursa (União Europeia, também);
- instituição e/ou faculdade frequentada;
- curso em que se está/esteve (pois há quem mude de curso);
- instituições a que se pertença, no estrito âmbito académico (nada de colocar o da associação cultural lá da terra só porque se foi, ou é, vogal da direcção ou mero sócio);
- emblemas das cidades/países e instituições/grupos visitados/contactados em representação oficial académica (visita da de estudo, Erasmus, digressões da Tuna ou de outro grupo ou associação de índole académica).


Relembramos, uma vez mais, que não existe nenhuma obrigatoriedade em pôr todos estes emblemas, seguir uma determinada ordem (por norma, é cronológica apenas) ou pôr um nº X mínimo. O que dita a Tradição é que seja este o âmbito da colocação, seja este o princípio basilar. Quem só quiser colocar 1 emblema põe apenas um; quem quiser colocar 3, põe 3 e quem quiser colocar 50 (acontece muito com os tunos) mete 50. Deve é a colocação obedecer ao princípio acima enumerado, dentro do estrito âmbito académico e tradicional.

Também, se verifica, em muitos casos, o uso do emblema do clube do coração, embora seja, concedamos, um despropósito (pois nada tem a ver com a vida académica - tal como o não são as questões de preferência religiosa ou política).
Contudo, há que diferenciar, por exemplo, a ligação existente, formal, entre academia e desporto (extra-académico), quando, por exemplo, o clube local está fortemente ligado aos estudantes, como é o caso da Briosa em Coimbra (que é organismo pertencente à AAC).
Exceptuaremos, a título de exemplo, o caso dos alunos que joguem numa equipa desportiva da Associação Académica e que, naturalmente, podem colocar esse emblema, caso exista.

Todos os demais emblemas, que não representem formalmente a actividade académica do estudante (no associativismo/organismos académicos oficiais ou em âmbito pedagógico - as referidas visitas de estudo ou intercâmbios científicos/culturais) são circo, carnaval, invenção. Assim, emblemas da terra dos pais e outros tantos não têm âmbito ou precedente académico que justifique constarem numa capa estudantil (ou outra peça do traje, chame-se ela como chamar).
O mesmo dizer dos emblemas que dizem "Praxe" ou com bonecos alusivos à praxe, ou os que identificam o "Finalista" (a identificação do finalista faz-se através das insígnias pessoais e não com um rótulo na capa), salvo o monograma do organismo de Praxe a que se pertence ou está ligado.

Em suma,

Sejam eles 3 ou 30, comprados ou oferecidos, importa é que eles traduzam o real exercício da cidadania académica e não carnavalescas desculpas para enfeitar a capa (que ela não é árvore de Natal ou a parede lá do quarto de um qualquer imberbe teenager).

Quem quiser respeitar a Tradição, observará a mesma. Quem preferir outros caminhos, mesmo que consignados em código, fá-lo-á, ciente de que está a seguir invenções.
Não é por um erro estar consagrado num código, disfarçado, assim, de lei, que tal o legitima ou o torna numa virtude (e muito menos numa tradição).
E é pena que os legisladores, os praxis-makers, nunca se tenham dado ao trabalho de pesquisar a origem dos emblemas, para adequarem devidamente as regras de uso.

Mas lá está: quando nem os líderes sabem de Praxe e Tradição, o exemplo a seguir pelos demais é quase sempre o que sabemos.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Notas Burlescas (Burra Praxis Sed Praxis)


Uma pequena sucessão de episódios imaginários, de pequenas sátiras, reproduzindo, apesar de tudo, situações similares que ocorrem na vida real, no dia-a-dia da praxe, e em muitos fóruns dedicados/sobre tradições académicas.

Como o leitor perceberá, ridiculariza-se, aqui, o saber assente no “ouvi dizer”, no “acho que”, a verdadeira ignorância e iliteracia que reina no meio académico acerca da sua própria vivência, história e significado.

"doutores" destes, infelizmente, há muitos (como os “chapéus” do Vasco Santana), assim como demasiado poucos caloiros verdadeiramente interessados em saber e perceber, ao invés de meros reprodutores acéfalos.



Na Recepção ao caloiro

(Caloiro) - Sr. doutor, para que servem estas actividades que mais parecem jogos tradicionais ou os que eu fazia nos escuteiros e grupo de jovens da minha paróquia?
(doutor) - Isto, meu burro, é praxe! Serve para te integrares.
(caloiro) - Então e dizer palavrões, gritar e andar de quatro, andar a rebolar pelo chão e esfregar-me nos colegas também é praxe?
(doutor) - Claro, meu anormal! No final vais ter saudades e ver que conseguiste arranjar muitos amigos!
(caloiro) - Ora isso é um pouco tontice, porque até agora safei-me bem a arranjar amigos e amigas, e nunca fui praxado, e ao mais andei num liceu com perto de 3 mil alunos.
(doutor) - Caloiro é estúpido. Isto não é o liceu. Aqui é assim e não é para meninos da mamã ou gajos que têma mania que sabem tudo! Tu, meu anormal, estás na minha lista negra. No tribunal de praxe vais pagá-las!

--------------------

(Caloiro) – Sr. doutor, por que andam com tesouras e colheres?
(doutor) – Porque são insígnias da praxe.
(caloiro) – E porque são da praxe (essas, e não outras)?
(doutor) – Porque é tradição, sempre foi assim. A tesoura para cortar cabelo e a colher para dar nas unhas.
(caloiro) – O meu primo disse-me que também há a moca.
(doutor) – Sim, mas isso já não se usa.
(caloiro) – Ah, mas pode dizer-me a origem desses símbolos?
(doutor) – Não são símbolos, caloiro burro, são insígnias. Se queres saber, lê o código.
(caloiro) – Mas, lá não diz!
(doutor) – Se não diz, é porque não é para saber!
(caloiro) – Então o Senhor doutor não sabe!?
(doutor) – Já de 4 e a encher! Um tribunalzinho é o que vais ter por te armares em chico-esperto e vires com esse nariz empinado.
(caloiro) – Desculpe, não era intenção. Já agora, que é isso de tribunal e de onde vem essa coisa de fazerem tribunais?
(doutor) – Acho que te vais declarar anti-praxe, antes do dia acabar! Está a encher! Olha-me esta ameba: queria saber o que sei. Era o que faltava: ficar a saber tanto como eu.


Na Latada

 (Caloiro) – Sr. doutor, por que vamos todos assim com latas?
(doutor) – Porque é tradição, é a apresentação dos caloiros à cidade.
(caloiro) – Ah, que giro! E desde quando se faz aqui? De onde vem a tradição da latada e do baptismo?
(doutor) – Já se faz há muitos anos, é uma tradição muito antiga que nasceu em Coimbra.
(caloiro) – E pode explicar-me essa origem? É que o código não diz.
(doutor) – Com que então armado em curioso; o espertinho a querer saber mais que os outros? Vê lá se levas com a moca na tola! Toca a andar e a cantar, a abana-me essas latas! Queres saber? Vai à Wikipédia!


Na Serenata da Queima

 (Caloiro) – Sr. doutor, tenho aqui uma dúvida: qual a origem da Serenata Monumental (que abre a Queima)?
(doutor) – Eh pá, isso tem muitos, muitos anos. É uma tradição que veio de Coimbra.
(caloiro) – Pois, mas como assim?
(doutor) – É uma questão de pesquisares.
(caloiro) – Mas acho uma coisa estranha: sempre tive a ideia que serenata era cantar à janela de uma donzela, cantar o amor, tentar conquistar a nossa amada, só que estes tipos cantam fados e baladas que falam do adeus à faculdade e outras coisas do género.
(doutor) – É, mas isso são serenatas diferentes.
(caloiro) – Como assim?
(doutor) – Umas são para conquistar e outras para a despedida.
(caloiro) – Mas chama serenata a ambas. De onde vem essa tradição de serem diferentes?  Procurei no código, mas nada!
(doutor) – Shuuuut, na Serenata não se fala! E não aplaudas, que não se bate palmas na serenata.
(caloiro) – Não se pode bater palmas? Então, porquê? (a malta não pode aplaudir, mas fala alto e fuma, bebe e faz barulho....)
(doutor) – Ira, cala-te e sente este momento, ou ainda te traço a capa de maneira a esganar-te! Olha, vou mas é ali à barraca beber um fininho que isso é que é fado!



Na Queima

 (caloiro) – Ó senhor doutor, diga-me uma coisa: agora que estou todo aperaltado, gostava de saber de onde vem o traje que usamos e que chamam capa e batina, porque este casaco não tem nada de batina, que batina é a que usavam os padres antigamente, não era?
(doutor) – O traje vem de há muitos séculos, de quando eram os padres a mandar na praxe.
(caloiro) – Ah…… (?!?), pois…… mas olhe lá: por que razão é assim?
(doutor) – Simples: o traje é igual para todos porque assim não há ricos e pobres.
(caloiro) – E por que razão é de cor preta? E qual o significado da nossa capa?
(caloiro) – É para não se sujar tanto; e a capa, também preta, era para, noutros tempos, fugir à polícia universitária ou então andar escondidos em trupes, na noite, à caça dos caloiros.
(caloiro) – É que eu fiz como disse e fui pesquisar, mas encontrei também explicações que dizem que não é nada assim, que o traje não foi para tornar todos iguais, que a capa e batina veio substituir o traje clerical (e por isso não é continuação dele) e que o traje foi criado como uniforme; que o preto tem a ver com os votos do clero e que a capa até esteve para ser abolida; e é usada como mera peça de resguardo……
(doutor) – Olha-me este gajo! Mal acabado de trajar já pensa que sabe alguma coisa. Ó meu granda cromo, a praxe não se aprende nos livros, mas no dia-a-dia. O que precisas de aprender ouves da boca dos teus superiores, o resto não interessa.
(Caloiro) – Mas, eu farto-me de colocar perguntas e só me respondem que é assim ou assado, porque sim ou porque sopas, sempre com explicações que não esclarecem(só sabem dizer que é antigo e vem de Coimbra). Além disso, para que serve o código se não explica o porquê das coisas?
(doutor) – Ó meu amigo, estás-te a habilitar a uma sanção de unhas. Aqui não importa perceberes. Deves ver como fazemos e depois fazes o mesmo. O código é para dizer o que podes e não podes fazer, quando, onde e como.
(caloiro) – E quando é que sabemos que fazemos bem ou mal; quando há coisas que não sabemos, sequer, por que as fazemos (e o código não explica)?
(doutor) - É uma questão de bom senso. Com mais um ano em cima e ficas a perceber, que agora estás muito verde nestas andanças.
(caloiro) - Estou a ver: É  o obscurantismo medieval: quanto mais burro e obediente melhor, que saber alguma coisa pode perigar a ignorância revestida de sapiência!
(doutor) - Heim?
(caloiro) - Nada, nada!


Na noite de Tunas

 (caloiro) – Isto das tunas é muito fixe!
(doutor/tuno) – Gostas?
(caloiro) – Adoro.
(doutor/tuno) – É uma das mais antigas tradições da praxe; e tem praí uns 600 anos!
(caloiro) – Hum? Li algures que isso era invenção e que as tunas tinham nascido no séc. XIX.
(doutor/tuno) – Tás enganado, pá. As tunas vêm dos goliardos e dos sopistas; e há quem diga, até, que vieram da Tunísia, inspiradas por um Califa que era um boémio.
(caloiro) – E quem disse, e em que obra, para eu consultar?
(doutor/tuno) – Mas importa, isso, alguma coisa? Estou-te eu a dizer, e foi assim que me disseram; e todos sabem que é assim.
(caloiro) – E nunca procurou saber se era mesmo assim? Não se podem ter enganado?
(doutor/tuno) - Já ando nisto de tunas há uns anos, por isso percebo da coisa, tas a ver?
(caloiro) – Também falo e escrevo português desde que nasci e isso não quer dizer que perceba de linguística ou de gramática (apesar da minha mãe ser prof. de português), que tenha um curso de literatura (eu que até sou de engenharia).
(doutor/tuno) – Ó meu, vê se atinas e te deixas de manias. És algum marrão que encontra todas as respostas nos livros? Achas que é lá que vais encontrar resposta a tudo?
(caloiro) - A tudo não, mas também estou a ver que a mera prática não chega, e que praticar o que não se percebe é algo…….
(doutor/tuno) – Está a encher, bicho d’um raio! Olha-me o puto a desafiar-me e por em causa o meu saber! Era o que mais faltava. Vou chamar o teu padrinho que ele vai-tas cantar!

Na imposição de insígnias

 (Caloiro) - Sr. doutor eu já li o código, sei como se processa, mas tenho uma pergunta: de onde vem esta tradição de queimar o grelo, de por o grelo na pasta, de soltar as fitas, etc.? Além do mais por que se chama queima das fitas se elas não são, afinal queimadas?
(doutor) – Nós fazemos isso, aqui, já há muito tempo, mas a origem é da praxe de Coimbra.
(caloiro) – OK (é sempre a mesma resposta), mas qual o significado desses momentos, qual a sua história para que ainda hoje se repitam?
(doutor) – O que sei é que é para assinalar a passagem de uns anos para outros, basta leres o código e vês que nuns anos impõem-se uns nos demais outros, que simbolizam que vamos avançando na praxe.
(caloiro) – Não era bem isso…
(doutor) – Cala-te e olha; a ver se aprendes! Já te disse que é olhando que aprendes e percebes!



 Termina-se com a seguinte citação:

"Há tantos burros mandando em homens de inteligência,
que ás vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência."

                                                 '' António Aleixo'

ou, adpatando:

"Há tantos burros mandando em caloiros
que às vezes fico pensando, se a burrice não será praxe"

segunda-feira, janeiro 03, 2011

O N&M informa que a sua actividade está temporariamente suspensa, gozando um retiro retemperador.

Esperamos, brevemente, regressar à actividade normal.

Desde já pedimos desculpa aos leitores, por esta ausência.

sábado, janeiro 01, 2011


A todos os leitores e amigos os votos de um
próspero, cheio de saúde e feliz
Ano Novo
de

sexta-feira, novembro 19, 2010

Notas de Repúdio

Não sei que diga, não sei que comente. Ainda estou em estado de choque..

Não é apenas pelo uso da língua inglesa (que nada tem a ver com Tunas), em temas que nada se coadunam com o mester tunante, mas é a abjecta facilidade e falta de decoro nna mensagem subjacente das letras cantadas que enxovalham tudo quanto é civismo e boa educação.

Uma Tuna não pode achar ser pau para toda a colher e que em Tuna vale tudo. Há limites, e começam desde logo pelo bom-senso e por saber ser e estar dentro de uma comunidade que tem balizas.
Desrespeitar assim a cultura e a imagem da Tuna Portuguesa é lamentável.

Lastimável, a todos os títulos, que a cultura tunante seja assim desvirtuada, espezinhada e que a sua imagem seja tão levianamente ignorada.
Não é por falta de qualidade musical, mas a falta de tudo o resto.

Haja dignidade, a qual não passa por subliminares referências obscenas e por reduzir a Tuna a esses preparos, ao show-off medíocre, à libertinagem verbal escatológica, independentemente do público e evento em causa.




Mas o facto é que o video não mostra uma Tuna. Não pode, porque Tuna não é aquilo, definitivamente. Qualquer semelhança  é pura ficção.
Geograficamente, é um deserto de tuna.

PS - No video em causa, na actuação em causa (exclusivamente o que aqui é analisado), não posso cognominar Tuna a quem assim não soube ser ou estar. Não se confunda tal com ajuizar sobre se é ou não uma Tuna, apenas de deixar claro que naquele momento que o video retrata, não o foi.

domingo, outubro 17, 2010

Notas e impressões

Impossibilitado que fiquei, à última da hora, de rumar ao Porto e assistir ao FITU, fui assistir ao XV TAFUL, evocativo do 15º aniversário da Tuna de Farmácia.
Revi alguns amigos, num ambiente morno e com uma casa cheia q.b. (encher a Aula Magna não deixa de ser tarefa difícil à hora em que joga o Benfica, hehehehe).
Aproveito para não apenas dar os parabéns à TAFUL, mas também saudar o facto de, no guião do certame, se referirem os componentes do Júri. Um bom exemplo de transparência que, infelizmente, a larga maioria dos certame omite.

Não assisti ao certame até ao fim, em boa verdade, mas do que vi e ouvi, achei, na generalidade, medíocre a qualidade do que foi apresentado ao público pelas tunas a concurso.

Mas se escrevo estas linhas, é mais para salientar alguns aspectos que continuam a verificar-se generalizadamente de norte a sul do país.

Uma vez mais, não existe qualquer noção entre o que é um estandarte de tuna e o respeito que o mesmo merece.
Uma vez mais se fazem malabarismos com bandeiras disto e daquilo que depois vão pró chão.
Uma vez mais, se dá lugar à misturas de panos, uns da cidade, outros da universidade, outros da tuna, outros ainda de coisa nenhuma: uma mistura que apenas visa o circo e o malabarismo enão coloca, de facto, o estandarte ou bandeira da Tuna em exclusividade no lugar que deve ter.

Outro aspecto que também voltei a notar, e de aqui falo pela 1ª vez, prende-se com a disposição em palco:

Por que razão os "bandeiras" e pandeiretas ficam quase sempre nas pontas do meio-círculo, da disposição em palco?
Será que os responsáveis não se dão conta que, no que toca ao aproveitamento vocal, é malta que canta "pró boneco"?
Por que razão eles não estão colocados no enfiamento dos micros, mesmo que na 2ª fila? Se só aparecem à frente pontualmente, certamente que no restante tempo deveriam ser aproveitados vocalmente, estando alinhados dentro do grupo e do alcance dos mircros e não fora (até porque esteticamente é aspecto que falha).

Não pude deixar de constatar, também, e uma vez mais, a moda das lapelas das batinas e/ou casacas repletas de pins (depreende-se, em alguns casos, ser uma lapela, porque de facto, ela nem sequer se vê de tantas medalhas de guerra).
Continua a moda dos generalíssimos da ex-URSS, numa proporção de pins igual à estupidez desses preparos. Um espelho em casa e 2 dedos de testa é o que precisariam alguns/algumas, ao fazer tão patética figura de árvore natalícia.

São estes os considerandos que o assistir a mais um certame me sucitou.
Não foram todas as tunas/tunos assim, mas foram demais.

domingo, outubro 10, 2010

Melodias aos 25 anos da EUC

Já lá vai um quarto de século que Coimbra viu nascer a sua Estudantina Universitária.
Este passado sábado, dia 9 de Outubro, assinalou-se essa efeméride sobre o acto pioneiro que marcou, há 25 anos, o início do denominado "boom" tunante.
Esta data mereceu nota no telejornal da TVI, com direito a uma breve reportagem e intervenção de alguns dos seus actuais elementos (pena que não tivesse sido registado o testemunho de um dos fundadores).

Embora não seja a tuna estudantil mais antiga do país (A UTAD é de 1983, e já existiam as centenárias TUP, TAUC e Tuna do Liceu de Évora), não subsiste qualquer dúvida que à EUC cabe o ónus do novo fulgor que contagiará rapidamente todo o país. Após a fase embrionária do "boom", o fenómeno explodiu definitivamente nos anos 90, muito por força, e fundamentalmente, do seu 1º trabalho discográfico (primeiro em vinil e depois em CD), "Estudantina Passa".

Foram os temas da estudantina cantados por toda a parte, presentes que estevam na esmagadora maioria dos repertórios das tunas que, entretanto, viriam também a formar-se. Se cancioneiro tunante houvesse em Portugal, certamente que os temas do António Vicente (figura incontornável sem a qual a EUC não teria sido a mesma) ocupariam o topo da lista.

25 anos de história, que é também a história recente da tuna estudantil do nosso país.
Muito gratos podemos, pois, estar, aos fundadores e primeiras gerações da EUC que semearam, sem saber, os frutos que hoje ainda se vão colhendo.

Parabéns à instituição EUC e sentida homenagem aos pioneiros a quem cabe todo o mérito da efeméride.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Fasquia das Notas - 100 Mil acessos


Há 1 ano, em Outubro, registávamos com natural agrado, que tínhamos sido visitados por 50.000 cibernautas, dobrando em menos de um ano a anterior marca dos 25 mil.
Desta feita, também no mesmo espaço de tempo, duplicou-se o nº registado anteriormente (quadriplicando o de há 2 anos), atingindo esta sempre considerável marca.
O Notas&Melodias registou, pois, um aumento substancial de acessos este ano, o que não deixa de ser motivo de regojizo e satisfação pela preferência dos leitores e muitos amigos, começando pelos fiéis seguidores, inscritos no blogue, e que, à data, são um total de 82.

100.000 acessos são sempre 100 mil acessos - coisa sem grande relevo para certos blogues e sites (uma gota no oceano, diga-se), mas pouco comum em blogs dedicados ao fenómeno Tuna e afins.
Para os que, no passado, puseram em causa a validade dos números, cá estão eles. Para os demais, desde já o nosso bem-haja sincero.
Não nos batemos por isso. Outros blogues existem sobre o fenómeno Tuna com superior mérito, mas deixem-nos, ao menos por hoje, o direito a uma certa vaidade, como que um [esperamos]  merecido reconhecimento pelo tempo dedicado a este hobby.

Obrigado aos apoiantes, amigos e todos os que visitam este espaço, e aos que o enriquecem com os seus comentários. Obrigado também aos que também colaboram pontualmente nos artigos publicados.

Esperamos poder continuar a merecer a preferência e confiança ditados pelos números. Poupamos os leitores ao elenco de quadros estatísticos sobre a proveniência dos visitantes, idade, sexo, etc,.
Dizer, contudo, que o artigo mais lido nos últimos 2 anos foi o Notas sobre praxes e Praxe.

Obrigado a todos!

segunda-feira, julho 26, 2010

Notas de desalento

Lamentavelmente, a Biblioteca Nacional de Portugal irá encerrar portas para obras. Um enorme transtorno para quem investiga, sem dúvida, mas também uma necessidade para preservar o acervo e melhorar as condições de preservação e prestação de serviço. Pena o anúncia fazer-se tão em cima da hora ou não se ter pensado em transitar parte dos arquivos para um local provisório (em articulação com a Torre do Tombo, por exemplo).

Serão cerca de 10 meses (embora saibamos que nisto de prazos, somos dados às costmeiras, e tão lusas, derrapagens).
Reza assim o artigo do DN Artes de 11 de Julho:

É preciso fechar a biblioteca?
Grande parte da Biblioteca Nacional estará fechada dez meses, a partir de Outubro. Críticas e explicações


São mais de 1200 toneladas de livros que terão de ser encaixotados em 15 mil caixas. A equipa da Biblioteca Nacional (BN) fez experiências cronometradas e chegou à conclusão de que a operação de retirar todos os livros da Torre de Depósitos iria demorar cerca de três meses, e outro tanto para os desempacotar e recolocar no lugar. A isto acresce o período das obras propriamente ditas: 20 dias úteis (um mês, na prática) para cada um dos andares da torre. Feitas as contas, e concertando todas as operações para que a intervenção "demore o mínimo de tempo possível", são dez os meses durante os quais será impossível consultar o fundo geral da BN.
 "Mas acham que não considerámos todas as hipóteses? Acham que se decide fechar uma Biblioteca Nacional durante tanto tempo de ânimo leve?" Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BN, não esconde a estupefacção perante os artigos que vai lendo, na imprensa e na blogosfera, que criticam a decisão de, na sequência das obras de ampliação e remodelação da Torre de Depósitos, a BN encerrar os principais serviços de leitura a partir de Outubro.

Ainda esta semana, foi entregue uma petição na Assembleia da República com 3700 assinaturas na qual se propõe que a transferência de livros seja faseada e se afirma que este encerramente compromete a investigação em Portugal. "Não deixa de ser curioso que as pessoas que mais protestam são aquelas que não costumam usar os nossos serviços. Até agora, desde que o encerramento foi anunciado, há um mês, apenas tivemos duas reclamações escritas, às quais já respondi", diz a subdirectora, deixando nas entrelinhas críticas aos "agitadores" que falam sem conhecimento de causa.




Não se trata só (e já seria muito) da construção de uma nova ala, praticamente concluída, que representa mais um terço do espaço - mais 33 metros de comprimento - e que vai permitir ter mais espaço para arquivar livros, ter, finalmente, uma "casa forte" em condições para as peças mais raras e antigas e até uma nova sala de leitura. Trata-se também de renovar todos os equipamentos eléctricos, de segurança e de climatização da actual torre. "Tal como está, é um perigo", sublinha o arquitecto João Pardal Monteiro, responsável pela obra. Introduzir sistemas anti-incêndios e anti-roubo, renovar os elevadores, dar aos livros as condições que eles merecem. São intervenções profundas e que, de acordo com os especialistas, não poderiam ser feitas com os livros nas habituais prateleiras.


Durante o tempo da obra, as caixas com livros, pesadíssimas, não podem ser colocadas em qualquer lugar, "nem todos os pisos aguentam". E, por isso, um dos espaços a usar para depósito será a sala de leitura da BN. Mas há mais: "Não há um sítio suficientemente grande para onde os pudéssemos levar e disponibilizar, mas imaginando que local existia, alguém já pensou no tempo que demoraria a reabrir a biblioteca noutro espaço?" Para já não falar das questões de segurança.


"Acredito que tomámos a melhor opção", afirma a subdirectora da BN, que visitou as principais bibliotecas do mundo para poder dizer que, apesar das dificuldades, dos elevadores que se avariam, dos canos em mau estado, da constante manutenção necessária, a BN funciona "muito melhor do que muitas bibliotecas". Além disso, sublinha, a BN tem 6500 leitores activos, com o cartão em dia. No ano passado, a sala de leitura geral teve ocupação média de 100/120 pessoas que consultaram 1200 volumes por dia. "Claro que a BN é importante, mas a investigação em Portugal não pára se estiver fechada", garante Maria Inês Cordeiro. "Há excelentes bibliotecas públicas e universitárias. Demora mais tempo, mas quem quiser pode continuar a investigar."

(Maria João Caetano, in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1615688&seccao=Livros)


Deixo aqui o artigo publicado no jornal O Público de 18 de Julho:

Biblioteca Nacional garante não ter alternativa ao encerramento

Mais de 3800 pessoas assinaram uma petição contra o encerramento da Biblioteca Nacional durante nove meses para obras. Dizem que "é insubstituível", que os trabalhos vão ficar parados e que há bolsas em risco.

É inaceitável, dizem os investigadores. É incontornável, respondem os responsáveis da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP). Quando, no início de Junho, foi anunciado que a BNP iria encerrar durante nove meses e meio - de 15 de Novembro a 31 de Agosto de 2011 - para obras de remodelação, a comunidade de investigadores lançou o alarme: as investigações vão ficar paradas, há bolsas em risco, o aviso não foi feito com antecedência suficiente para permitir uma reorganização do trabalho. Uma petição contra o encerramento, na Internet, recolheu em pouco tempo 3800 assinaturas.
Os responsáveis da BNP argumentam que não havia outra forma de fazer este tipo de obras, absolutamente essenciais para evitar a degradação dos livros e que envolvem sistemas que percorrem todo o edifício onde os volumes estão depositados (ver texto nestas páginas), garantem que existem alternativas noutras bibliotecas do país, e asseguram que reduziram ao mínimo o tempo necessário para as obras.

"A BN é absolutamente insubstituível. Não há outra em Lisboa comparável. Não só tem fundos arquivísticos como tem tudo o que foi publicado em Portugal desde o século XIX até à actualidade", diz o historiador Nuno Monteiro, um dos subscritores da petição. "Em relação aos livros do Fundo Geral [a maior parte das colecções, excluindo os Reservados] há mais alternativas", contesta Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BNP, dando como exempo, para o caso do livro antigo, as bibliotecas da Academia das Ciências, da Sociedade de Geografia, a Biblioteca Central da Marinha, a Biblioteca de Évora, a da Universidade de Coimbra ou a Biblioteca Municipal do Porto. Além disso, acrescenta, várias bibliotecas municipais pelo país têm todos os livros publicados desde que existe a obrigatoriedade de depósito legal.


"A minha primeira reacção é de indignação, quase de revolta", diz o sociólogo António Barreto, sublinhando, contudo, que lhe faltam alguns da-dos para avaliar se as obras podiam ter sido feitas de outra forma - faseada, por exemplo, como defendem muitos investigadores. O que António Barreto sabe é que noutros países - e cita os casos das Bodlien de Oxford, ou da Biblioteca Nacional de Paris - foi possível fazer obras praticamente sem interromper o funcionamento.


"Creio que aqui se poderia fazer de outra maneira", continua António Barreto. "O que é que os bolseiros vão fazer agora? Receber as bolsas para depois não poderem trabalhar?" O argumento de que poderão requisitar com antecedência alguns documentos que serão digitalizados não convence o sociólogo. "Uma investigação não se pode planear assim. Um livro leva a outros. Quando vou a uma biblioteca acabo sempre por ler três vezes mais coisas do que o que estava à espera." E conclui: "Não faz sentido que em 2010 se faça como no século XIX."


Nuno Monteiro lembra também que "há uma população universitária que tem prazos a cumprir, que com Bolonha foram enormemente encurtados, e avisar com três meses de antecedência que [a biblioteca] vai fechar por um ano é uma irresponsabilidade". O historiador, que refere também o caso dos investigadores estrangeiros (ver depoimentos nestas páginas), admite que se poderia "ir fechando andares, para as pessoas racionalizarem os seus tempos de consulta, ou manter serviços a funcionar noutros sítios, restringindo um pouco as entradas".

Os responsáveis da biblioteca dizem que as obras são essenciais
para evitar a degradação dos livros (Rui Gaudêncio (arquivo)
"Não é uma transferência"

Maria Inês Cordeiro considera que as críticas - e até as sugestões que tem recebido sobre sítios alternativos para colocar a biblioteca - partem de um desconhecimento da situação. "Estudámos todas as alternativas. Mas não era possível fazer de outra maneira." A obra implica que se esvazie toda a torre de depósito de livros - será preciso retirar 1200 toneladas de material bibliográfico (serão tiradas 20 toneladas por dia e cada piso será depois remodelado em 20 dias úteis), que tem que ser colocado (empacotado) em espaços alternativos que possam suportar o peso (400 quilos por metros quadrado). Para isso terá que se usar, entre outros locais, a própria Sala de Leitura Geral. "Isto não é uma transferência", sublinha a subdirectora da BNP. E essa é a diferença em relação a obras noutras bibliotecas que têm sido dadas como exemplo. Aqui os livros terão que voltar para o mesmo sítio porque o que existe é um depósito central único e não colecções distribuídas por diferentes espaços.


Quanto ao facto de o aviso ter sido feito com pouca antecedência justifica-o por uma necessidade de conciliação com a primeira fase da obra - a da construção de um acrescento da torre do depósito. "Tínhamos que saber exactamente quando estaria concluída para perceber quando é que esta segunda fase poderia começar, e não queria estar a fazer um anúncio com datas erradas."


Rui Tavares, historiador, eurodeputado e colunista do PÚBLICO, onde escreveu uma crónica criticando a BNP, defende também que "nenhum [aviso de] encerramento de uma biblioteca nacional se faz com poucos meses de antecedência, faz-se com anos", mas acha que a questão é mais profunda e que se devia aproveitar estas obras para repensar a função da biblioteca. "Devíamos ter uma biblioteca pública nacional, na Praça do Comércio ou outro lugar central. A câmara muncipal tem as Galveias, que é interessante mas antiquada. Nos tempos do liberalismo, a Biblioteca Nacional, que era nas Belas-Artes, era muito frequentada. Lisboa deixou de ter isso."


O que Rui Tavares defende é que a BNP se assuma como uma biblioteca para investigadores e que seja criada outra grande biblioteca pública - "sem a qual uma cidade não é uma capital" - que esteja aberta à noite, e onde as pessoas possam passar para ler um jornal, um livro de BD ou o que lhes apetecer. "A BNP negligenciou o público em geral, ninguém vai lá fazer leitura recreativa."


Maria Inês Cordeiro garante que a BNP está aberta a todos, que não tem de forma nenhuma dificultada a entrada (os procedimentos foram facilitados desde o início de 2008), e sublinha que, para minimizar o impacto negativo do encerramento, este ano a biblioteca não fará horário de Verão (Sala de Leitura Geral aberta até às 19h30 durante a semana e até às 17h30 aos sábados) e o Serviço de Referência continuará aberto, permitindo a leitura de microfilmes.


Obras para "tratar a saúde dos livros"


Estamos num dos estreitos e longuíssimos corredores da chamada "torre" da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) - o local onde estão guardados mais de três milhões de livros - e faz imenso calor. Este é o sítio onde os leitores nunca entram. À nossa frente vêem-se apenas corredores paralelos, ligados por prateleiras com livros do chão ao tecto. Resta muito pouco espaço para os novos volumes que não param de chegar à biblioteca, e essa é uma das razões que justificam as obras: é preciso mais espaço para guardar mais livros.


Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BNP, segura num pequeno aparelho que mede a qualidade do ar e lê os números: neste momento estão 28 graus, quando, indica o sensor, 18 seria a temperatura indicada para garantir a preservação dos livros. O nível de humidade também é superior ao recomendado.


"Não se deveria nunca atingir estas temperaturas aqui dentro. As temperaturas mais baixas são essenciais para evitar que as bactérias e os fungos ataquem os livros", diz Inês Cordeiro, segurando um exemplar antigo para mostrar como a humidade se entranha no papel. "E depois há a poluição do exterior. O ar que entra aqui dentro não é limpo, não é tratado."E esta é a outra grande razão para as obras: é preciso substituir sistemas eléctricos, sistemas anti-intrusão, de tratamento de ar, refrigeração, de con- trolo de temperatura, de protecção contra incêndios, etc. Os que existem estão obsoletos (o edifício, do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, é dos anos 60), não respeitam as novas regras de segurança. Algumas componentes, como o sistema de limpeza do ar, simplesmente não funcionam há muitos anos. E o controlo de temperatura e humidade está praticamente sem funcionar também. "As obras tinham como prioridade tratar da saúde dos livros", sublinham a subdirectora e o arquitecto João Pardal Monteiro.


Há dez anos que o projecto de ampliação e renovação da BNP estava feito. Só não ia para a frente porque não havia dinheiro. Finalmente, em 2008, foi possível avançar - 9,6 milhões de euros de fundos do PIDDAC ficaram disponíveis para a obra.


A primeira fase (que começou no final de 2008, terminou agora e corresponde à parcela menor do investimento) foi a construção de um acrescento da torre, ou seja, o prolongamento em mais 33 metros destes longos corredores que temos à nossa frente (e que tinham já 99 metros por 15 de largura) em todos os dez pisos. Os depósitos da BNP cresceram assim 6300 metros quadrados. Esta obra não interferiu com o funcionamento da biblioteca porque se tratou de construir uma parte nova.


Terminada essa primeira fase, a BNP prepara-se agora para a segunda - a mais cara, a mais complexa e a que está a provocar polémica por obrigar ao encerramento dos serviços: a substituição das infra-estruturas e sistemas técnicos. Esta vai, segundo explicaram ao PÚBLICO o arquitecto e o engenheiro Correia Abrantes, responsáveis pela obra, implicar a instalação de cabos e condutas, que atravessam a torre de cima a baixo. É por isso que, dizem, a obra não pode ser faseada. Envolve a manipulação de sistemas que atravessam todo o edifício.


A primeira fase, a da ampliação - que está prestes a ser concluída - permitirá não só ter mais espaço de depósito de livros mas também uma nova sala de leitura, próxima da actual Sala de Leitura Geral, e uma casa-forte subterrânea, que até aqui não existia. Aí serão colocados as obras e documentos mais importantes que a BNP guarda - não todos os que actualmente se encontram nos Reservados, mas a parte mais preciosa e rara destes. Aqui dentro, os livros mais valiosos - e a BNP tem vários tesouros nacionais, peças como uma Bíblia hebraica do século XIII, manuscritos do padre António Vieira, cartas de Vasco da Gama e todo o espólio de Fernando Pessoa - estarão protegidos por grossas paredes de cimento e ferro, e o ar será não combustível. Até agora estavam numa zona à parte, com acesso muito reservado (um funcionário sozinho não podia lá entrar e eram necessários códigos de acesso), mas havia apenas um sistema de detecção de incêndio. "Vamos passar a poder fa- zer prevenção", diz a subdirectora. "Se se acender um fósforo dentro da casa-forte, não arde."

(Isabel Coutinho, Alexandra Prado Coelho, in http://www.publico.pt/Cultura/biblioteca-nacional-garante-nao-ter-alternativa-ao-encerramento_1447634?all=1)



segunda-feira, julho 19, 2010

Notas Brasileiras de Estudiantina Portuguesa

Conforme o texto que acompanha, no youtube, o video:

Irene Coelho Brasileira com Coração Português. Dedicou sua vida as canções de Portugal! Faleceu dia 07 de junho de 2008 em São Paulo- Brasil.



Irene Coelho canta Estudiantina Portuguesa.


*****************


"Estudiantina Portuguesa" é um pasacalles (ou fado-marcha) da autoria do Maestro José Padilla fazendo parte da opereta espanhola "La Hechicera en Palacio ", protagonizada pela cantora argentina Celia Gámez no início da década de 50.

sexta-feira, junho 11, 2010

Notas de "Gritos". Arr(E) I(é) Qua(L) ?

Muito breve este apontamento.

Serve este mini-artigo para fazer, mais uma vez, o reparo à forma como é MAL entoado o chamado "Grito Académico".

Recentemente, num Festival de Tunas, em Lisboa, pude assistir e ouvir, mais uma vez, e por repetidas tunas, ao "aRRiqua RRiqua RRi qua".
É de perguntar se as pessoas não aprendem, de uma vez por todas.

O meu colega do Aventuras, recentemente, reiterou este mesmo tipo de reparo, mas para a forma como se escreve Pasacalles (que é mais um "Passa ao Calhas"), sintomático de uma grave iliteracia que grassa no meio académico, e tunante em particular, no que concerne a aspectos que continuam a ser deturpados pela ignara falta de saber (e desejo de saber), onde se reproduz sem reflectir, e ter conhecimento, sobre o que é reproduzido.

Assim, repito: Não é "aRRiquà", mas ALIQUA.

Sobre o Grito (origens, história, curiosidades e fórmulas) dedicou este blogue um artigo de investigação:

Notas sobre O Grito Académico "F.R.A."

sábado, junho 05, 2010

Notas às Origens do Fado

Um livro que ronda os 70€, mas que vale, sem dúvida, a pena (como as demais obras de José Alberto Sardinha).
Transcrevo um artigo que fala sobre este novo livro e sobre a "revolução" que traz na tese da origem do Fado.



AS ORIGENS DO FADO - José Alberto Sardinha
O investigador José Alberto Sardinha defende a origem portuguesa do fado, e não brasileira, num livro a apresentado na segunda-feira, dia 17 de Maio, em Lisboa, no Tartro Trindade pelas 18,30 horas. "O fado nasceu em Portugal a partir de um substrato comum a todo o território nacional que é o romanceiro tradicional. É este canto narrativo que dá origem ao fado", defendeu o autor em declarações à Lusa. O livro "A Origem do Fado", agora editado, é o resultado de uma investigação de 22 anos. José Alberto Sardinha realçou que "antes de ser um género musical, o fado é um texto poético, um poema narrativo", e situa a sua origem no século XVI. "Ainda hoje os fadistas afirmam que o fado tem de contar uma história, e essa é a origem nacional do fado: contar uma história que emocionasse primeiro o fadista e, através deste, a audiência", sustentou. "Na verdade, a origem do fado está naquilo que nós chamamos pejorativamente o 'fado da desgraçadinha' ou o 'fado de faca e alguidar'. Esse é que é o fado primitivo, a origem do fado", argumentou. Para o investigador, as origens do fado "situar-se-ão no século XVI quando se dá a passagem do romanceiro histórico para o romanceiro novalesco, como já Carolina Michaëlis o tinha referenciado sem fundamentar", disse. A tese defendida por José Alberto Sardinha contraria a vigente de que o fado tem origem no lundum e numa dança brasileira, a umbigada. "Ninguém até agora explicou porque chamavam fado àquela dança, e umbigadas há em várias partes", referiu. Sardinha reconhece que a sua tese poderá "parecer estranha" e que é "audaciosa porque é inovadora", mas garante que "está devidamente fundamentada, é coerente, lógica e tem sequência. Tal como está demonstrado, tudo encaixa". "Eu comparo o fado que é uma tradição oral com a restante tradição oral portuguesa e não vou buscar origens a outras partes", acrescentou. Na obra, o autor referencia a evolução desde o século XVI até às "canções narrativas do século XVIII" e destas ao fado, como é citado no século XIX, quando surgiu a Severa e até o rei D. Carlos o tocava. As primeiras notícias conhecidas são do começo do século XIX e surgem do Brasil.



Em Portugal "há uma noticiazinha na década de 1830 e a partir de 1840, mas uma investigação mais aturada na Torre do Tombo dará textos anteriores às datas brasileiras", afirmou, confiante, o investigador. Para o autor, "a origem brasileira do fado está por documentar, assim como ninguém explica como se passa do fado dança para o fado canção". Por outro lado, acrescentando mais um argumento à tese nacional, Sardinha afirmou que a palavra fado significava, no contexto popular, o contar de uma história de vida e no sentido erudito é sinónimo de destino. "Quando se contava a vida da Isaurinha, por exemplo, o que a audiência pedia era, 'conta aí o fado - a história da vida - da Isaurinha", disse. O livro, amplamente ilustrado e integrando quatro CD, na apresentação no Teatro da Trindade, numa palestra musicada do autor, na qual os vários temas musicais serão exemplificado por Ana Guerra acompanhada à guitarra e à viola. José Alberto Sardinha, advogado, tem nove títulos publicados, todos na área da música popular, entre eles, "Tunas do Marão" (2008), "Portugal, raízes musicais" (1997), "Modas estremenhas" (1989) e "Recolhas musicais da tradição oral portuguesa" (1982).

Dois pequenos excertos, retirados desta obra que nos aponta o objectivdade da investigação levada a efeito, AS ORIGENS DO FADO, que é português, genuínamente português.

"...Assim, o Fado não é exclusivamente lisboeta ou coimbrão. Nem sequer se pode dizer que teve seu berço em Lisboa, ou em Coimbra. Nasceu por todo o país, onde quer que um grupo de ceguinhos ou outros músicos itinerantes, na esteira da tradição jogralesca, se juntavam para cantarem romances novelescos ou quaisquer histórias de vidas que chamavam a atençãodo povo frequentador das feiras, mercados e romarias. Essas produções podiam ser apenas poéticas, que esses intérpretes introduziam em melodias pré-existentes, ou podiam mesmo ser novas composições musicais da autoria desses músicos de rua, naturalmente dentro dos parâmetros que a tradição musical romancística lhes fornecia. Não obstante ser, pois, um fenómeno nacional – e isto desde a sua génese -, o certo é que foi de Lisboa e de Coimbra que saíram os primeiros “heróis do fado”. Em primeiro lugar, porque Lisboa possuía uma população mais numerosa e esmoler e, por outro lado, um maior número de tabernas, o que tudo atraía mais músicos ambulantes. Depois, porque foi em Lisboa que a fidalguia frequentadora das tabernas “descobriu” o Fado e o elevou aos salões e à fama. Uma vez caído em moda, aí se criaram retiros e restaurantes especialmente destinados à apresentação pública dos artistas do Fado."



"…O nome “Fado” surgiu a partir do facto de os poemas narrativos contarem histórias ou episódios das vidas das pessoas, geralmente de desenlace triste ou mesmo trágico: a morte dos jovens amantes por verem o seu amor contrariado; o assassínio por ciúme; o suicídio da donzela enganada, ou o seu retiro para o convento; o castigo da mulher adúltera, ou do seu amante; a triste vida do soldado; a vida de dor e pena dos ceguinhos; a vingança da mulher abandonada; a história da mãe que mata os filhos e acaba na prisão; enfim, as vidas, (...)"

Vitor Marceneiro, in http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/210459.html, artigo de Sábado 15 de Maio,  citando a Agência Lusa.

segunda-feira, maio 03, 2010

Melodias Eborenses

Um video evocativo do 107º aniversário da Tuna do Liceu de Évora, a qual entoa o Hinodo 1º Dezembro, festividade que era, no passado, uma das que marcava o calendário das tunas estudantis, nomeadamente as de Liceu.

quinta-feira, abril 22, 2010

Notas sobre Pseudo-Sapientes II

Por uma questão, também, de respeito pela instituição referida no artigo anterior, a Universidade Fernando Pessoa do Porto, foi enviaod um mail ao Professor Doutor Rui Torres, docente coordenador da área de estudos onde se insere a cadeira que promoveu a criação dita wikipágina sobre Tradições Académicas, nomeadamente a respeitante à "Música Popular", que esmiuçámos, e cujo conteúdo criticámos, no artigo "Notas sobre Pseudo-Sapientes".
A resposta obtida, que nos parece oportuna e pertinente, foi a seguinte:



Caros autores de Notas & Melodias
Agradeço o vosso email com o reparo, embora lamente a disseminação de "duras críticas" feitas antes de me darem conhecimento dessa falta de rigor científico apontado. O artigo será removido, ou pelo menos reformulado, tendo em consideração aquilo que apontam. Seria importante compreender porém que se trata de uma ferramenta de aprendizagem, mais do que um site com intenções de se tornar referência de pesquisa na web.
Nesse sentido, e tendo em conta a vossa contestação, vou ponderar a possibilidade de tornar o acesso a esse mesmo site restrito, evitando desse modo a disseminação de conhecimento em progresso.
Com os meus melhores cumprimentos
Rui Torres




Obviamente que o N&M não julga que houvesse qualquer obrigação, de ordem alguma, em notificar fosse quem fosse, tanto mais que cabe aos envolvidos e a toda a estrutura de ensino zelar pela qualidade daquilo que é produzido e que, após publicação, se torna de domínio público e, por isso, passível de crítica. Além disso, na própria wikipágna são tecidos inúmeros reparos a vários artigos dessa rubrica das Tradições Académicas (no item "discussão"), tendo em conta que o mesmo tipo de erros estão patentes.


Também se discorda do argumento de que o objectivo da página fosse meramente para consumo interno, como ferramenta de aprendizagem, dado que, assim sendo, ela não deveria estar online e acessível ao público (mas ainda bem que estava, pois, assim, foi possível dar conta dos erros existentes e da falta de seriedade e qualidade do trabalho académico de alguns alunos e respectiva desatenção do docente dessa cadeira - que, de outro modo, teriam passado incólumes).
Mais: se a cadeira em questão promoveu uma trabalho que incidia sobre o formato (wikipágina como plataforma de comunicação), então por que razão se preencheu, depois, essa moldura, com "qualquer" conteúdo, sem verificação do mesmo?
Será que, em comunicação, vale mais o meio com que se comunica do que aquilo que se quer comunicar e veicular? A validade e veracidade da informação decorre do formato ou é-lhe secundária?


Pessoalmente, seja em pergaminho ou em formato holográfico, importa é o conteúdo, importa é que, neste caso, o que se lê resulte de investigação e estudo sério, que não seja mero adereço onde se priveligia o cenário.
Seja como for, louvamos e enaltecemos a pronta resposta dada, esperando que, quanto mais não seja, sirva este episódio para alertar as consciências sobre a necessidade de maior rigor e acompanhamento dos conteúdos dos trabalhos que os alunos realizam, e são publicados.


O artigo em causa foi retirado, embora subsistam muitíssimos outros, cujo conteúdo merec eo mesmo repúdio, pela mesmíssima falta de rigor dos mesmos: http://cmultimedia.ufp.pt/index.php/Tradi%C3%A7%C3%B5es_Acad%C3%A9micas#Traje
(sobre Praxe, latada, Pasta, capa, Fado Académico, etc.). Alguns destes artigos, pasme-se, apresentam, como fonte, informações colhidas de entrevistas feitas a funcionárias de uma loja comercial de artigos académicos (neste caso, a Toga). É motivo para dizer que, quando alguém quiser informações sérias sobre agropecuária, por exemplo, basta falar com o dono de uma mercearia; sobre literatura, com um dos funcionários da Bertrand ou, ainda, sobre medicina, com o securitas ou funcionário de secretaria de um qualquer hospital.


terça-feira, março 30, 2010

Notas de um Manifesto Tunante

Apareceu na Blogosfera um manifesto dirigido a todos os tunos desta praça, a todos quantos se revejam no seu conteúdo e no seu propósito.
Eu já o subscrevi.

http://manifestoantiimunodeficienciatunante.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

IV Aniversário do Notas&Melodias


O Notas&Melodias cumpre hoje o seu 4º aniversário.

Mais de 60 mil visitas e mais de 500 posts, no sempre renovado intuito de partilhar conteúdos que possam, de alguma forma, serem úteis aos leitores.
Nos tempos mais recentes, tem decrescido o nº de intervenções e de artigos, dado que o autor destas linhas tem gasto quase todo o seu tempo livro na edição de autor que está em fase de ultimação. No intuito de também não cai rna tentação de veicular informações que compete à obra apresentar é que este blogue tem andado menos activo do que, até aqui, vinha sendo usual.
Seja como for, uns dias mais, outros menos, não deixará este blogue de ir mantendo o contacto.

Obrigado pela preferência.