segunda-feira, setembro 23, 2013

Notas às Capas Negras. Tradição com passado.

Não é especialmente pelo filme, numa detalhada análise técnica, mais ao gosto de verdadeiros cinéfilos, mas um olhar arguto para algo que muitos esqueceram de ver: o que é genuino, essência e fundamento das coisas.

É uma análise sobre um filme que documenta como era, de facto, a Praxe e a Tradição, longe dos papismos e invenções que se vieram a introduzir, nomeadamente do Código de Praxe de 1957 em diante.
Um artigo delicioso, pela mão do colega, e professor, Eduardo Coelho, e que deveria fazer pensar muito gente que acha saber de Praxe, a começar pelos que ocupam funções nos organismos que coordenam ou tutelam a praxis académica.
 
 
Aqui fica o texto (publicado em 1ª mão em 2012, no Blogue "Portvs Cale Tvnae", do meu querido amigo, o Dr. Ricardo Tavares):
 
 

“Capas Negras é um filme português, realizado por Armando de Miranda em 1947. Tem argumento de Alberto Barbosa e José Galhardo. Os principais actores são Amália Rodrigues, Alberto Ribeiro e Artur Agostinho, Vasco Morgado, Barroso Lopes, Humberto Madeira, António Sacramento e Graziela Mendes.
O filme foi estreado em Maio de 1947 e bateu todos os recordes de exibição até então. A seu lado está Alberto Ribeiro. Foi gravado na Real República do Rás-Teparta, na Rua dos Estudos, em Coimbra. Esta república viria mais tarde a mudar-se para o n.º 6 da Rua da Matemática, onde ainda hoje se encontra, em virtude da demolição de casas de habitação da alta coimbrã para construção das Faculdades. "Capas Negras" esteve 22 semanas em cartaz, tornando-se no maior sucesso do cinema português. Amália obteve o maior sucesso como actriz.”
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Capas_Negras

Não admira que o filme (http://www.youtube.com/watch?v=2wK6oQzd07g) tenha feito tanto furor à altura – atente-se no elenco. O enquadramento, em si, num espaço físico, social e “etário” que assume quase as proporções de mito – a Coimbra dos relatos humorísticos e saudosos de Trindade Coelho, de Antão de Vasconcelos e de tantos outros que dão sentido à famosa quadra do Vira de Coimbra:

Coimbra, terra de encantos,
Fundo mistério é o seu:
Chega a ter saudades dela
Quem nunca nela viveu.

O encanto do filme reside precisamente na evocação desse espaço-tempo de sonho, que faz com que cada português sinta Coimbra um pouco também como sua e se reveja nas aventuras, venturas e desventuras de uma cidade eternamente jovem.

E é como “documentário” desse “sonho” - passe a contradição – que a película se torna especialmente eficaz.

Para nós, o filme começa a ter interesse a partir de 0:51:41, altura em que a acção se transfere para o Porto

Particularmente interessante é o discurso feito no jantar de despedida do “Coca-Bichinhos”. Antes de anunciar a partida do colega para o Porto, prática corrente à época – e que explica os fortíssimos laços que unem as duas academias e a influência (e até certo ponto descaracterização) que a praxe portuense sofreu por parte da praxe coimbrã(1), o “Manecas” (Artur Agostinho) proclama:

Estamos aqui reunidos na tasca da Ti’ Zefa para festejar o honroso convite que foi dirigido à Tuna e ao Orfeão de Coimbra para se irem exibir triunfalmente em terras de Espanha.

O filme segue o seu curso, com imagens do Porto dos anos 40 (Estação de S. Bento, pontes de D. Maria e D. Luís, Aliados, a Foz, o Coliseu...)

A 1:20:09, surge uma página de jornal com a seguinte “notícia”:

Partiu para Espanha a Tuna Académica de Coimbra que leva como cantor de fados o distinto advogado Dr. José Duarte.
O Jornal de Notícias prossegue:
MADRID, 9 – Estreou-se a Tuna Académica de Coimbra. Êxito extraordinário do Dr. José Duarte.
O Diário de Coimbra dá a seguinte nota:
VIGO, 26 – A Tuna e o Orfeon de Coimbra obtiveram um triunfo completo nesta cidade.
E, n’O Comércio do Porto:
De regresso da Galiza chegam hoje ao Porto a Tuna e o Orfeon da Academia de Coimbra.

Este destaque dado às deslocações dos agrupamentos tuneris portugueses ao estrangeiro (sobretudo a Espanha) era prática corrente. E era indiferente que a tuna fosse do Porto ou de Coimbra: a simpatia era idêntica, sendo os estudantes acarinhados pela imprensa de norte a sul do País.

Especialmente interessante para o “Portus Cale Tunae” é o facto de uma tuna ser filmada nesta cidade.

Em 1:20:46, vemos os tunos de Coimbra a sair da estação de S. Bento, onde foram recebidos pelos colegas do Porto e população em geral, saindo do recinto sob um fortíssimo aplauso e vivas a Coimbra. E nova cena deliciosa: o “Zé Duarte”, ainda trajado, acabado de chegar da digressão, corre ao Tribunal a defender a sua amada “Maria de Lisboa” (Amália Rodrigues), que desprezara injustamente. A quantos de nós não sucedeu já irmos para o trabalho ainda trajados, depois de uma digressão ao estrangeiro... ou às janelas das vizinhas...

Contudo, é a partir de 1:30:39 que assistimos a algo inédito – e, cremos nós, irrepetido - em todo o cinema português: uma tuna no grande ecrã.

A cena é filmada na escadaria do Tribunal de S. João Novo (Tribunal da Relação). A música – e sobretudo a letra – transportam o presidente do Tribunal para os seus tempos de juventude em Coimbra e abafam por completo o discurso moralista do Procurador do Ministério Público. A assistência já não consegue ouvir os argumentos sisudos, legalistas e eloquentes do esforçado tribuno. Debalde tenta fazer-se ouvir, mas já ninguém lhe presta atenção, transportados que estão todos pela música que chega do exterior.

E o filme termina justamente nessa nota etérea e quase onírica. A Tuna vem salvar uma inocente das garras de uma lei que se refugia nos aspectos formalistas para obter uma condenação exemplar. No entanto, e pela voz da Tuna, “outro valor mais alto se alevanta”: o amor redime mais que a justiça – um acto de justiça poética, na verdadeira acepção da palavra.

Pelo meio da trama ingénua, alguns aspectos importa retirar, no que à tuna concerne:
1) A popularidade e a estima de que a tuna estudantil goza junto da população em geral;
2) O sentido de fraternidade entre os elementos das duas academias, sem bairrismos bacocos e despropositados;
3) Curiosamente, o “estigma” social de que o “Dr. José Duarte” foi vítima, pelo facto de ser “fadista”, manifesto na ausência de clientes, que desconfiavam das competências científicas do “advogado-cantor”, preconceito que ainda hoje se faz sentir sobre os tunos;
4) A postura da tuna, que interpreta o tema de pé, na escadaria, algo absolutamente incomum numa altura em que as tunas actuavam sentadas;
5) Sendo de Coimbra, a tuna actua de capa pelos ombros, não de capa traçada, ao contrário do que tanto se tem apregoado e praticado;
6) A nível de instrumentos, temos bandolim, guitarras portuguesas e guitarras clássicas, sem qualquer instrumento de percussão visível.

Vimos isto e muitas mais coisas. Mas tão importante como o que vimos é aquilo que não vimos:

a) Vimos camaradagem franca e leal entre estudantes, independentemente da sua posição hierárquica, e entre academias;
b) Vimos uma espera de uma trupe a um caloiro;
c) Vimos que o veterano aparece para pedir protecção para o caloiro, não para agravar ainda mais a situação;
d) Vimos que a trupe pergunta “O que é pela praxe?” – não disparates em latinório macarrónico, como “Quid Praxis?”;
e) Vimos veteranos sempre trajados;
f) Vimos o à-vontade com que o caloiro “Já-cá-canta” (Humberto Madeira) convive com os outros repúblicos, mesmo com os veteranos, tratando-os por “tu”;
g) Vimos colegas mais velhos a brincar com colegas mais novos;
h) Não vimos imbecis a mandar “encher” e a berrar aos ouvidos;
i) Não vimos caloiros de olhos no chão, em posições humilhantes e com ar assustado;
j) Não vimos tanta imbecilidade a que hoje em dia se assiste gratuitamente, praticada em nome de uma invenção doentia a que infelizmente se colou com cuspo o nome de “praxe”;
k) Não vimos pretensos manda-chuvas em bicos de pés, a quererem ficar numa fotografia para a qual não foram convidados e onde fazem tanta falta como uma viola num enterro;
l) Não vimos a tuna a pedir licença fosse a quem fosse para ir onde lhe apeteceu ou fazer o que bem entendeu.

Pouco mais de uma hora e meia passada com um sorriso nos lábios. Definitivamente, um filme a ver e divulgar.

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(1) De entre os nomes destes “imigrantes”, avulta o de António Pinho Brojo, que se deslocou para a Invicta pelas mesmas exactas razões que o nosso “Coca-Bichinhos”: frequentar a Faculdade de Farmácia. Este trânsito foi uma constante até aos anos 80, sendo frequente os estudantes de ambas as academias concluírem o curso na outra, fosse para seguirem planos de estudos que as respectivas universidades não ofereciam (Engenharia era um caso paradigmático), fosse para tentarem concluir uma cadeira cujo catedrático os tivesse “tomado de ponta”.

 
 
 




quinta-feira, setembro 12, 2013

Notas a um Despacho Reitoral digno de Nota!

Aplaude-se a serenidade e clareza de propósitos:

  • apoiar o que é de Praxe - da boa, da rija, da sã;
  • proscrever o que cheira a doença mental, a bafio, a arroto.



Despacho do MAGNÍFICO REITOR DA UNIVERSIDADE DO PORTO, Prof. Doutor José Carlos Marques dos Santos

=== Praxes Académicas na Universidade do Porto ===

"Considerando que:

1. O processo de acolhimento e integração dos novos estudantes reveste elevada importância no âmbito da missão da Universidade, que deve colaborar e até proporcionar as melhores condições para o início da vida universitária aos que nela ingressam;

2. Na integração dos novos estudantes tomam parte ativa os atuais estudantes, estando entre as formas de aproximação por si dinamizadas as apelidadas por "praxe" académica;

3. Todos os rituais integrados na dita praxe devem constituir momentos de divertimento sem assumir formas inaceitáveis, atentatórias dos direitos humanos, da liberdade e da dignidade individual ou de grupo;

4. Os atos de violência ou de coação física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das ditas "praxes" académicas, configuram verdadeiros ilícitos de natureza civil, criminal e disciplinar;

5. O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, Lei nº62/2007, de 10 de Setembro, através da alínea b) do nº4 do artigo 75º, qualifica como infracção disciplinar "a prática de atos de violência ou coação física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das "praxes" académicas", admitindo que a sanção possa ir da advertência à interdição da frequência da instituição, e o Regulamento Disciplinar dos Estudantes da Universidade do Porto, Regulamento nº442/2011, publicado a 19 de Julho de 2011, na 2ª série D.R., considera como um dos deveres do estudante da Universidade do Porto não praticar qualquer ato de violência ou coação física ou psicológica sobre outros estudantes, inclusive no âmbito das ditas praxes académicas;

6. Cabe aos responsáveis pelas instituições de ensino superior intervir, de forma a não permitir que os rituais das ditas praxes académicas, em especial as aplicadas aos novos estudantes, se assumam como de rituais violentes, prepotentes ou atentatórios da liberdade e da dignidade individual, eventualmente passíveis de originar acidentes graves ou deixar marcas profundas nas suas vítimas.


Assim, determino que não são permitidas praxes académicas nas instalações da Universidade do Porto que atentem contra a dignidade, liberdade e direitos dos estudantes.

Apelo ao contributo ativo das associações de estudantes, no sentido de não acolherem nem apoiarem ações que ponham em causa os valores da liberdade e dignidade humana dos estudantes, antes desenvolvendo iniciativas no sentido de uma efetiva e autêntica integração destes na comunidade académica de nível superior.

Divulgue-se pela Equipa Reitoral, Diretores das Unidades Orgânicas, Provedor de Estudante, Diretor dos Serviços de Ação Social e Associações de Estudantes, assim como no Sistema de Informação da U.Porto.

Porto, 12 de Setembro de 2013

O Reitor,
José Carlos D. Marques dos Santos


quarta-feira, setembro 04, 2013

Notas ao Tricórnio ficcionado



Já em tempos aflorámos a questão do traje Tricórnio, quando dedicámos um artigo ao traje Traje Académico e ao Traje de Tuna, e têm sido recorrente os debates sobre a validade de certos trajes académicos no que diz respeito à sua fundamentação histórica e/ou etnográfica.

Não é tanto o direito dos alunos de cada instituição poderem optar por ter um traje próprio que aqui questionamos (nem sequer é essa a questão de fundo), mas sim (sublinhamos) as razões que alegaram, na altura, para tal e, pior ainda, as justificações estéticas que deram para os referidos uniformes.

Muito provavelmente, a quase totalidade dos novos trajes assenta em premissas ficcionadas e motivações erróneas (como pensar-se que a capa e batina é traje de Coimbra ou exclusivo dos seus estudantes e, por isso, sendo necessário “criar diferença identitária), cujos resultados foram, na sua esmagadora maioria, gorados (com tanta diversidade continua o mesmo problema: não se consegue distinguir a proveniência; como se fosse assim tão importante um traje só para sinalizar a geografia e reclamarem o ridículo paradoxo de “novas tradições”).

Se um traje académico se baseia na etnografia regional, e depois se diz estudantil, entra logo em contradição com o ser "académico", pois ou bem que é estudantil ou bem que é civil (popular). Se o traje existe para distinguir a corporação estudantil (o "foro" académico, precisamente para identifica ro mester de estudante), por que razão se vão buscar origens folclóricas e etnográficas aos trajes de peixeiros, de lavadeiras, trajes domingueiros, traje de lavoura ou de pastor (entre outros)????
Estranho, no mínimo, que se opte por importar o folclore regional, no qual não existe sequer a figura do estudante como ostentando vestes próprias de tal condição.
Se a própria etnografia faz questão em distinguir os vários trajes entre si (trajes de trabalho, de romaria, de passeio.....) por que carga de água o estudante haveria de querer fazer o oposto?
Ficam estas dúvidas no ar.
Para além disso, uma outra enorme falácia existe no facto de se ter achado que o traje esdtudantil existiria, também, para identificar o local (cidade) e/ou instituição de ensino, quando nunca o traje académico teve essa função ou propósito, mas apenas o de identificar a condição de estudante, não a sua proveniência ou residência.

Vamos hoje aqui analisar um dos trajes mais conhecidos do nosso país, esse sim, porventura, aquele que realmente criou uma identificação inequívoca do estudante minhoto (e que não se baseia na etnografia/folclore regional), em contraponto aos restantes, contudo erradamente apelidado de “Traje da UM” (quando, na verdade, é apenas o traje dos seus estudantes, pois Traje da UM é o traje professoral, note-se, reconhecido formalmente por diploma), nas suas justificações históricas, e no dito “estudo” feito por Luís Novais, que daria origem ao actual uniforme dos seus estudantes.

Para o efeito, foi solicitada a ajuda preciosa do historiador, Professor António M. Nunes, especialista em trajes e protocolo académicos, cujo teor da informação que nos enviou por mail, autorizou que fosse, aqui, integralmente reproduzida.
Desde já o nosso agradecimento por mais esta colaboração preciosa.


“Traje Tricórnio


1-Vários são os signatários de estudos publicados desde ca. 1990 que referenciam a existência de uns “estudos gerais” na cidade de Braga, governados pela Companhia de Jesus até ao tempo da expulsão desta congregação, no século XVIII (1756).


1.1-Ilustram o caso referenciado em 1:

 José Viriato Capela, professor de História na UM, que sinalizou no Arquivo Distrital de Braga e leu documentos manuscritos assinados por José Ignácio Peixoto, informa que nesse autor constam afirmações relativas ao funcionamento de uns “estudos gerais” em Braga. Não consegui aceder aos trabalhos de José Viriato Capela, estando referidos pelo menos: «Os jesuítas bracarenses e o seu papel no ensino e nas reformas morais e espirituais do século XVIII», In Cadernos do Noroeste, Volume 3, n.º 1, 1990, pp. 245 e ss.;

Margarida Miranda, «O humanismo no Colégio de São Paulo (Séc. XVI) e a tradição humanística europeia», In Humanitas 62 (2010), 243-263, http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas62/13_humanismo.pdf, nada acrescenta de substancial que nos permita perceber com rigor se o colégio de S. Paulo tinha recebido privilégios, quem os possa ter atribuído, em que data foram atribuídos, e qual seria o teor desses privilégios num registo de comparação com o estatuto jurídico das duas universidades existentes em Portugal, que eram a de Coimbra e a do Espírito Santo de Évora (Companhia de Jesus);

Aurélio de Oliveira, «A Universidade Bracarense. Duas notícias históricas inéditas sobre os Estudos Gerais Bracarenses», In Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, http://lerletras.up.pt/uploads/ficheiros/2013.pdf, é mais concreto e pormenoriza que os dados sobre o Colégio de São Paulo da Companhia de Jesus em Braga visto como uns “estudos gerais” foram retirados das “Memórias particulares de Ignácio José Peixoto», que se encontram depositadas no Arquivo Distrital de Braga. Em anexo ao seu artigo, Aurélio de Oliveira transcreve a “Memória 1” apresentada por Ignácio José Peixoto ao arcebispo de Braga em 1.08.1805.  

O documento não é muito confiável. Trata-se de um parecer encomendado pelo arcebispo ao desembargador Ignácio José Peixoto com o objectivo de canalizar para o Seminário de Braga rendas que a Mitra de Braga reclamava para si mas que o governo central mandava entregar à Fazenda da Universidade de Coimbra. Percebe-se que havia um ambiente muito tenso entre o arcebispo de Braga e a Reitoria da Universidade de Coimbra. O desembargador eclesiástico e procurador geral da Mitra de Braga Ignácio José Peixoto advoga a causa do arcebispo de Braga, apresentando argumentos cuja credibilidade nos parece francamente discutível:(…) Pode dizer-se que era Braga como hua Universidade a ella concorriam estudantes de todo o arcebispado (…). Todos trajavam como os da Universidade (…)” [refere-se a Coimbra]. Só na "Memória 2" se percebe as entrelinhas desta retórica. O arcebispo não quer entregar à Universidade de Coimbra determinadas rendas, que deseja canalizar para o seu Seminário (de São Pedro), pelo que encomenda a um dos seus jurisconsultos um discurso onde sustenta que Braga não é menos do que Coimbra porque ao tempo da Companhia de Jesus teve uma espécie de universidade frequentada por centenas de estudantes. Contudo não se consegue provar que o Colégio de São Paulo, que funcionou entre 1531 e 1756 tenha em algum momento da sua existência conseguido ter estatuto universitário.

No site institucional da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica/Pólo de Braga, também se invoca este antigo colégio, acrescentando-se que teve traje corporativo e que concedeu atos académicos segundo certas regalias próprias das universidades. Admitamos que seja historicamente verdade o que se tem escrito. O problema é que as afirmações devem ser provadas e até ao momento nem a Universidade do Minho nem a Universidade Católica de Braga apresentaram qualquer documento que prove que a argumentação apresentada por Ignácio José Peixoto em 1805 tem por base um documento assinado por uma autoridade legítima (papa, rei de Portugal, Geral da Companhia de Jesus) onde se autorize que possa conceder graus académicos, em que disciplinas poderá conceder esses graus, a partir de que datas pode conceder esses graus e quem é a autoridade religiosa que fará as funções de cancelário com precedência sobre o reitor/director do colégio (arcebispo de Braga?).

Ignácio José Peixoto diz uma coisa completamente diferente do que foi descodificado, constrói um discurso no estilo dos juristas que arengavam nos tribunais, com o qual pretende convencer que a Mitra de Braga quer usar em proveito do Seminário as rendas que devia entregar à Universidade de Coimbra, tanto mais que Braga é uma cidade com grande tradição em escolas públicas, pois teve durante três séculos um colégio tão concorrido e prestigiado que mais parecia uns “estudos gerais”. Ora estes estudos eram por natureza estatutária, e por semelhante com todos os colégios geridos pelos jesuítas em Portugal, ilhas e Brasil, escolas menores ou de nível médio/secundário.


Concluindo a apreciação deste ponto, enquanto não for(em) apresentado(s) o(s) documento(s) que prova(m) que a Companhia de Jesus teve, em Braga, uma universidade com estatuto semelhante à Universidade [católica] de Évora, devemos considerar que não estão reunidas provas seguras e irrefutáveis para sustentar esta retórica.


Quanto a todos trajarem como os da Universidade de Coimbra, Peixoto estava muito mal informado pois o traje oficial generalizado entre os estudantes da mesma instituição não era nessa época o traje de mantéu e abatina mais sim o de loba talar de dois corpos e abatina. Não quer dizer que não houvesse em Coimbra alunos a trajar abatina no século XVIII, o que acontecia certamente, mas mais como traje de passeio campestre e de viagem (viatório), e não como traje diário predominante nem como veste de cerimónia.



2-Fontes de suporte à criação do “traje do tricórnio”


Teresa Augusto Ruão Correia Pinto, A comunicação organizacional e os fenómenos de identidade. A aventura comunicativa da formação da Universidade do Minho, 1974-2006. Braga: UM/ISC, 2008, p. 320 e ss., (tese de doutoramento) http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/88417/1/tese%20final.pdf, refere os processos de criação do traje professoral e do traje estudantil. Relativamente ao último (p. 324) reproduz a narrativa vulgarizada, que existiram uns Estudos Gerais em Braga (sic) cujos alunos usavam um traje “imortalizado nos painéis de azulejo localizados no edifício da Reitoria (…)”. Esta informação foi mediatizada pelo estudante de História da UM e então Presidente da Associação Académica Luís Novais nos manuscritos de Ignácio José Peixoto (1732-1808). Ou seja, os dados apresentados por Teresa Ruão são informação em segunda mão que reproduz o discurso vulgarizado na Academia Minhota e na internet.
Em 2001 foi publicada a obra de testemunhos colectivos e artigos de vários autores intitulada Tradições Académicas de Braga (Braga: AAUM, 2001), coordenada por Henrique Barreto Nunes e outros. Na capa desta obra reproduzem-se 3 figuras dos painéis de azulejo da Reitoria da UM que não correspondem à figura masculina existente no mesmo edifício a partir da qual foi redesenhado em 1989-1990 o traje do tricórnio. O livro é na generalidade dedicado às antigas tradições do Liceu de Braga e à sua recuperação e reinvenção pela UM.
Nesta mesma obra consta uma longa entrevista de Luís Novais (pp. 97-116) na qual recorda o processo de invenção do traje do tricórnio (1989), mas é mais adiante que Luís Tarroso assina o artigo “O traje académico. Perspectiva histórica” (pp. 129-131), texto que permite perceber o que Ignácio José Peixoto escreveu sobre o modo de trajar dos alunos matriculados no Colégio de São Paulo de Braga.
Percebe-se de imediato que o texto foi descodificado com desconhecimento dos preceitos básicos da história da indumentária nos meios católicos congrecionistas, universidades e seminários episcopais. Peixoto enuncia e descreve não um traje masculino uniformizado em feitio e em cor, mas um enxoval de estudante do século XVIII.
NOTA: Enxoval era o conjunto indumentário usado pelos eclesiásticos, professores e alunos de determinadas escolas menores e maiores, tanto externos como internos (regime de internato). Um enxoval completo tinha obrigatoriamente peças para verão e para o inverno, vestes de gala, de passeio (viatórios) e de câmara/domésticas. Trata-se de uma situação que ainda se mantém nos colégios internatos e que também foi praticada em Portugal, na Universidade de Coimbra, na antiga Universidade de Évora, no Real Colégio dos Nobres e na Escola Agrária de Coimbra.
A descrição legada por Peixoto não coincide em nenhum aspeto com a morfologia do traje desenhado em 1989 sob orientação de Luís Novais.
·      Os alunos do Colégio de São Paulo trajavam em geral abatina, traje perfeitamente datado na Europa (remonta à década de 1660) que foi um dos trajes corporativos dos estudantes do Real Colégio dos Nobres. Quando iam passear aos campos e arredores da cidade, os estudantes punham sobre as abatinas uns capotes de lã; para cobrir punham na cabeça o tricórnio preto. Peixoto acrescenta que os estudantes no geral não usavam a capinha curta plissada à francesa e à italiana, mas a capa talar. Ou seja usavam o traje de abatina com capa comprida, como no Colégio dos Nobres e como o vinham a fazer alguns estudantes da Universidade de Coimbra desde 1718. Acrescenta ainda que os estudantes que se preparavam para seculares, ou seja que não pretendiam seguir vida religiosa, usavam vestia (casaca escura debruada), tricórnio e capote que podia ter capuz nas costas. O que se retira desta descrição, sem contar com as peças próprias para uso doméstico (camisas, camisas de dormir, gorras, sandálias, socas de madeira, bragas), é a coexistência de dois trajes masculinos, o de abatina com capa talar e o de casaca e capote. Falta acrescentar um terceiro traje que era o dos alunos da Companhia de Jesus, composto por capa e roupeta talar, o qual estranhamente não chega a ser referido por Peixoto.
O problema seguinte é tentar perceber como é que Luís Novais estabeleceu um nexo entre os textos de Peixoto e os azulejos setecentistas da Reitoria da UM. O actual edifício da Reitoria da UC é o antigo paço episcopal de Braga. Mas ainda existe em Braga e bem conservado o edifício do Colégio de São Paulo da Companhia de Jesus. Por que motivo teria o arcebispo de Braga encomendado azulejos com estudantes do extinto Colégio da Companhia de Jesus, uma congregação expulsa de Portugal e muito mal vista junto da casa real? Seriam azulejos aplicados nalguma parte do Colégio de São Paulo que o arcebispo de Braga mandou transferir para o paço episcopal em 1805 para reforçar a sua posição quando pretendeu canalizar as rendas da Mitra de Braga para o Seminário?
Não há nenhum elemento seguro que nos permita estabelecer uma conexão entre os textos de Peixoto e o painel de azulejos das escadarias do antigo paço episcopal de Braga. Se os figurantes de casaca nobiliárquica são efectivamente estudantes laicos matriculados no Colégio de São Paulo, porque não apresentam tricórnio e capote conforme descreve o documento? Se os figurantes de abatina, capa comprida e tricórnio são efectivamente alunos do Colégio de São Paulo (e aqui a descrição de Peixoto coincide com o desenho), porque estão de cabeleiras compridas quando o privilégio de peruca era exclusivo dos estudantes da Universidade de Coimbra, regalia que Peixoto conhece e anota?
Em sede de primeira conclusão, no Colégio de São Paulo de Braga usavam-se três trajes, conforme a categoria e estatuto dos alunos. Luís Novais seleccionou em 1989 apenas um e o que seleccionou não coincide nem com os textos de Peixoto nem com as figuras presentes no painel de azulejos da Reitoria. Corresponde sim a um figurante masculino que enverga um traje civil à base de calções, jaquetão curto e tricórnio, sem capa nem capote. Segundo o código vestimentário da época, este tipo de jaquetão não era admitido a estudantes nem a clérigos. Era próprio de almocreves, criados de servir, boleeiros, camponeses de certa abastança.
Tudo parece indicar que Luís Novais fixou a sua atenção no traje de abatina, que é o antecedente do traje de capa e batina usado pelos estudantes do sexo masculino nas universidades de Coimbra, Évora, Porto, entre outras, mas ao escolher o modelo para redesenhar acabou por seleccionar outro figurante também presente nos azulejos. 
(...)"

António M. Nunes (Julho de 2013)






Painel de azulejos existente no largo do Paço (Episcopal) de Braga, hoje ocupado pela Reitoria da UM. 

 

Cardeal romano com traje de abatina avivado em escarlate (meias, orlas). Portugal é o único país onde se regista este traje de passeio, viagem e audiência usado simultaneamente com capa comprida.
 

Traje de abatina com capa curta e tricórnio, Roma, 1860

Moda, política e indumentária eclesiástica: dois padres franceses fotografados em 1864. Um com a batina à francesa, de confecção simples, o velho tricórnio de feltro, o plastron e a capa no braço. O outro trajando as novidades introduzidas pelo clero francês nos anos da descristianização que se seguiram à Revolução de 1789: o novo chapéu que nas décadas seguintes ficará com a aba plana de anel de saturno e o famoso casacão.  

O acual traje dos estudante da UM, apelidado de "Tricórnio", tomando o nome do característico chapéu que é parte da indumentária.

segunda-feira, julho 29, 2013

Notas de Luto Académico

Reza a tradição que, aquando do falecimento de um pessoa cuja importância e relevo seja  digna dessa honra, se decrete luto académicos por 3 dias, devendo usar-se a capa descaída pelos ombros e abotoada com o respectivo colchete.
No caso, por exemplo, da morte de um estudante, sem outro relevo que não o de ser aluno da instituição, de um funcionário ou de um docente não titular de cadeira, decreta-se luto apenas para o dia das exéquias.
Erradamente se afirma que a Praxe é suspensa (muitos decretos cometem esse lapso), quando isso é, de todo, impossível.
A partir do momento em que se participa na cerimónia ou apenas se envergue o traje, trajando secundum praxis em função do acontecimento, está-se, obviamente, em Praxe.
O que usualmente se suspende é quaisquer actividades de gozo ao caloiro. Pode, no entento, de acordo com o momento e contexto, suspenderem-seoutras actividades (por exemplo se sucede algo incomum durante a Queima).

Manda, também, a tradição que, em qualquer cerimónia fúnebre, os estudante se apresente, para além da capa descaída e abotoada, com a respectiva batina (carcela) fechada até ao pescoço (hoje em dia a larga maioria não apresenta o mecanismo próprio para tal, algo que o estudante deve exigir ou colocar por sua conta).
De notar que tal preceito (fechar a batina), é algo que surge depois da década de 20 do séc. XX.

Luto Académico, funeral de Veiga Beirão, lente da UC,
in Ilustração Portuguesa Nº561, de 20de Novembro de 1916
Com efeito, conforme a imagem acima, ainda não estava convencionado o fecho da batina. A esse propósito, diz-nos António M. Nunes que os  "Estudantes de capa e batina desfilam no cortejo fúnebre levando as capas conforme usança nos bandos precatórios (peditórios na via pública) e nas arruadas das tunas estudantis;
 -estudantes com as batinas desabotoadas, sinal óbvio de que a "tradição" que associa a carcela fechada ao luto ainda estava para nascer" (in blogue Virtual Memories, artigo de 16 Fevereiro de 2013)



Como já o referimos, o luto académico e etiqueta a observar em cerimónias fúnebres, faz parte do protocolo, dos ritos próprios, ou seja da Praxis (da Praxe), pelo que paradoxal e incoerente quando se decreta a sua suspensão.

Observa-se o luto académico quer a título pessoal (morte de familiar ou pessoa próxima) quer quando tal é decretado pelo organismo que tutela a Praxe.
Quando o luto é decretado local ou nacionalmente, pelas autoridades competentes, e caso não seja acompanhado de declaração do organismo de Praxe, cabe conscientemente ao próprio estudante observar esse luto e usa o traje em conformidade.
Foto de Francisco José Carvalho Domingues, em 1969,
enquanto aluno de Coimbra, enviada pelo próprio (a quem desde já agradecemos).


Em certos casos, o féretro da pessoa é coberto com as capas dos estudantes, na falta de uma bandeira, por exemplo.
Assisti, há uns largos anos, a um caso em que a urna foi coberta apenas com uma capa (comprada para o efeito), na qual algumas pessoas (em representação dos estudantes e de vários grupos académicos ou instituições) procederam aos rasgões da praxe (amizade), em jeito de homenagem. Nesse caso, por uma questão de ordem prática e respeito, os cortes não foram feitos com os dentes, mas com uma pequena tesoura (abrindo-se o restante rasgão com as mãos, naturalmente).


Deixamos aqui alguns registos fotográficos, já com alguns anos, diga-se, de estudantes trajados em actos fúnebres, embora em nenhum deste clichés (referentes a Faro e Lisboa) os alunos estejam com as batinas fechadas, mas apenas apertadas. Também as capas não estão, em alguns casos, totalmente descaidas (estão-no, mas com dobras) nem abotoadas.


Estudantes do Liceu de Faro no préstito fúnebre aos náufragos do navio "Faro".

 Illustração Portugueza, II Série, Nº 317, de 18 Março 1912, p.364 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).




Estudantes de luto, durante as exéquias de Guerra Junqueiro




Ilustração Portuguesa, 2ª série, Nº 909, de 21 Julho de 1923, pp.73-78 (Hemeroteca Municipal de Lisboa)


quinta-feira, julho 25, 2013

Notas à Vida de Coimbra


Como a própria reportagem refere, tratam-se de "episódios da vida e da paizagem de Coimbra".
Ainda se consegue vislumbrar bem que o traje dos estudantes de Coimbra apresentava variantes, fosse nos coletes ou até no tipo de gravatas (que tanto eram pretas, como coloridas, às listas...).

Vale a pena recuar no tempo e revisitar a Coimbra de 1914.







                     Illustração Portuguesa, II Série, Nº 421, de 16 Março de 1914, pp.346-350 (Hemeroteca Municipal de Lisboa)



Notas ao percurso de um Bacharel de Coimbra



Um artigo que nos dá conta do percurso académico de um estudante em Coimbra (até se fazer bacharel - curso de 4 anos), as praxes, o estudo,...... um retrato muito interessante sobre a praxis na primeira década do séc. XX.
De notar que este artigo é acompanhado de imagens preciosas (forma de trajar, a pasta e fitas...), realçando-se uma que julgo profundamente importante: a trupe; pois são raros os clichés sobre este tipo de grupos.







Illustração Portugueza, II Série, Nº 302, de 04 Dezembro 1911, pp.710-713 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).


Terminamos este artigo, recorrendo à citação transcrita por João Baeta (a quem desde já agradeço):

"SAUDADES DE COIMBRA
Dizem-me, porém, que apezar de tudo, apezar da frivolidade pautada dos dias da Coimbra academica d'hoje, terei saudades
d'estes dias. Ter saudades de Coimbra é para o bacharel um tributo tão obrígatorio como o pagamento da congrua para o cidadão inscripto na matriz. Seria menos attentatorio dos nossos preceitos sociaes visitar alguém em chinellos, do que sahir de Coimbra sem a alma retorcida de saudades.
Póde representar torturas, difficuldades monetarias ou inteIlectuaes de toda a especie a conquista da bacharelice. EIIa póde equivaler a um numero sem fim de humilhações, de desalentos, de anciedades, de faltas d'ar e de confôrto, de revoltas e de desdens. Mas conduido o quinto anno, preparadas as malas, o bacharel observador dos bons costumes começa a desdobrar o lenço para enchugar lagrima. E enchuga a lagrirna ao chegar á Estação-Velha, ao perder de vista a silhueta ondulada da cidade, ao entrar na terra abraçado por parentes e amigos. E a todos assevera, os olhos humidos em alvo, a voz rouca da commoção, a mão espalmada sob peito:
- Ai, aquillo sim, meninos! Vida como aquella não torna!... "
 
SOUSA COSTA: 191?; 218/219

Melodias do Orfeon Académico de Coimbra em Paris (1911)






                 Illustração Portugueza, II Série, Nº 264, de 13 Março 1911, pp.329-333 (Hemeroteca Municipal de Lisboa)





                Illustração Portugueza, II Série, Nº 270, de 24 Abril 1911, pp.536 e 357 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).






quarta-feira, julho 24, 2013

Notas de Meio Século de Vida Coimbrã

Um extenso artigo de 1906 que retrospectiva Coimbra, publicado sob o título  "Meio Século de Vida Coimbrã", onde surgem diversos testemunhos que nos transportam ao interior de uma Coimbra tradicionalistas, a Coimbra do romantismo e cavalheirismo, sita nos anos de 1860-70.

Para quem tiver vagar de ler, vale a pena.











Ilustração Portugueza, II Série, Nº 22, de 23 de Julho de 1906, pp.685-695 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).

Notas de Imprensa à Greve Académica de 1907

O N&M já tinha dado conta de alguns informes sobre a crise académica de 1907 (ver AQUI) - que teve lugar nos meses de Março e Abril, complementando-os, agora, com alguns artigos publicados na época.
Sem estarmos a querer alongar-nos, apenas referir que esta greve teve como rastilho um incidente relativo ao chumbo de um aluno, sendo tal pretexto para o eclodir de velhas reivindicações, numa academia politizada, é certo, mas que, antes de mais, ansiava por reformas e progresso.

Os clichés constantes permitem-nos, igualmente, apreciar o traje estudantil em uso nos liceus, escolas superiores e universidade (já que a greve não se confinou a Coimbra).




Ilustração Portugueza, III Volume, Nº 55, de 11 Março de 1907, pp. 294-296 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).








  Ilustração Portugueza, III Volume, Nº 66, de 15 Abril de 1907, p.450 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).











 Ilustração Portugueza, III Volume, Nº 61, de 22 Abril de 1907, p.505 (Hemeroteca Municipal de Lisboa).