segunda-feira, dezembro 07, 2015

Notas a um Shower Pracheiro (ESART, Castelo-Branco)


Vídeo publicado por Catarina Paulo a 24-07-2015,
referente a um mini-Documentário realizado por Ana Marta Serra e Carina Batista.
In https://www.youtube.com/watch?v=JCjsKj_MA70, acedido a 07-12-2015.




TOMANDO UM DUCHE DE PRACHEIRISMO NA ESART



Bastava termo-nos ficando pela primeira declaração deste pseudo-Dux, para ficarmos desde logo cientes do resto.
Como podemos nós almejar a promoção e defesa das Tradições e da Praxe, quando quem é suposto saber fazé-lo, consegue precisamente o contrário?
3 intervenções teve o moço (o dito "Dux"), redundando em 3 monumentais argoladas que mereciam, essas sim, a aplicação de sanções secundum praxis.

Vamos recordá-las:


"- Eu não conheço muitas experiências de praxe nas noutras, nem faço muita questão de conhecer (a de) outras escolas e instituições, e Coimbra.....não faço questão de perceber porquê.....vejo demasiado pegados à palavra "tradição" e pouco pegados á palavra da frente que é "inovação."

- Pois isso é desde logo mau. Aliás um Dux dizer isso é como escrever na sua própria testa "sou um ignorante".
Quando um Dux, que supostamente é o zelador da Praxe, adianta que se está a borrifar para o conhecimento, e especialmente sobre as raízes da Praxe e Tradição (Coimbra), as quais servem de modelo legitimador, então perguntamo-nos que raio de gente anda a ocupar determinados cargos. Quando o líder demonstra tão pouca tarimba, o resto adivinha-se.

E termina com algo que nem mesmo um imbecil diria na qualidade de Dux, ao referir-se à "tradição".
Ora, se a tradição deve dar lugar à inovação (qual inovação, já agora?), a que propósito este senhor é Dux? A que propósito possui código de praxe, festeja queima das fitas, latadas, etc.? Ou esquece este senhor que é precisamente a Tradição que justifica a Praxe e que a inovação em detrimento da tradição impede precisamente tudo aquilo que este senhor supostamente representa, desde logo o traje que veste?


"- Aquele filme de "são muitas actividades, é muito tempo de festas", é fruto um bocadinho, e como temos visto na comunicação social, de má informação. As pessoas não conhecem a realidade, mas decidem opinar, só porque sim!"

- Para quem afirma que não quer saber do que se faz noutros lados, e muito menos da matriz (Coimbra) que legitima a Praxe e a Tradição como académicas, é o que se chama "dar um tiro no pé".
Como dizia o Eduardo Coelho, "Opiniões toda a gente tem. Infelizmente, também toda a gente as dá.", que se aplica perfeitamente neste caso, a este senhor.


"- Todas as praxes mudam, todos os órgãos mudam, os Dux mudam. O único nome que se mantém sempre é o "caloiro" e, portanto, todos nós fomos caloiros. Nem todos vamos ser Dux ou comissões de praxe; portanto a praxe existe pelos caloiros."

- Uma vez mais, este senhor, que se diz Dux, nem sequer consegue fazer a devida distinção entre gozo ao caloiro ("praxes") e Praxe. Também não se apercebe que os organismos não mudam (por norma), antes sim os seus componentes, tal como a figura do Dux que se mantém, mudando, isso sim, seu titular.


Mas quando afirma que apenas o termo "caloiro" se mantém igual, faz, uma vez mais, prova da sua incompetência e ignorância em matéria de Tradições (mas que podemos nós mais querer, se ele próprio faz gala desse tolhimento intelectual ao recusar estar informado?), algo que não se coaduna com o desempenho das funções de Dux.
O termo caloiro nem sempre foi usado na gíria académica universitária para designar o aluno do 1.º ano (que se matricula pela 1.ª vez no ensino superior), pois esse termo designava, isso sim, o aluno do liceu já com exames de preparatório feitos (enquanto que "Bicho" era o nome atribuído ao aluno do liceu sem exames de preparatório feitos, mais tarde passando a designar qualquer aluno do liceu, até ser substituído pelo termo "cabaço").
O termo usual, e usado, durante séculos foi o de "Novato".
Portanto, até o termo "Caloiro" foi alvo de mudança.


Diz, e bem, que nem todos serão Dux ou farão parte de Comissões de Praxe: pena é que pareça demasiado comum que essas funções sejam ocupadas por pessoas que demonstrem tão pouca preparação e competência para tal. No caso deste "Dux", até diríamos que teria sido um grande favor, se tivesse optado por não ocupar tal lugar.

De facto, e abordando outra afirmação, o gozo ao caloiro, ou seja as ditas "praxes", são actividades destinadas aos caloiros. Só que ele não disse "praxes", disse "praxe". São coisas totalmente diferentes e a Praxe não existe para o caloiro apenas, pois é lei que rege a comunidade, quanto ao modo de proceder, ser e estar em determinadas situações e eventos próprios da Tradição Académica, estando trajado.


Se as festas são importantes, aconselharia este moço a procurar menos festa e menos sesta, optando por estudar um pouco mais do assunto e ganhar as devidas competências e saber para ser merecedor do cargo que des(em)penha.



Nota: O tema está em debate no grupo do FB "Tradições Académicas&Praxe"

quarta-feira, outubro 14, 2015

Notas a trapos velhos na Praxe


Dux com 20 matrículas, personagens trintonas, quarentonas e sexagenários autênticos ainda à frente dos destinos dos organismos de Praxe ou com assento nos mesmos é algo parece corrente na actualidade (e de há vários anos a esta parte) que nos deveria, a todos, revoltar.
Não existe, na história da Praxe e dos organismos de praxe, qualquer registo de veteranos ou líderes com números tão avultados de matrículas como os que se registam desde os anos 90 em diante.
Se, num passado já distante (que ainda hoje parece surtir influência) se criticavam os alunos bons, chamando-lhes, na gíria estudantil de "ursos", tal não significava que fosse próprio e bem visto um aluno arrastar-se anos e anos sem fim para tirar um curso.
Por que razão andam esses senhores na Universidade a parasitar, literalmente, uma vivência que é exclusiva e própria de jovens estudantes a sério?
Não estamos aqui a condenar quem chumbou meia dúzia de anos, mas há limites. E há limites especialmente quando se trata de pessoas que já nem estudam de facto, porque trabalham, mas cujo o único acto oficial que operam na instituição de ensino é matricular-se.
A cultura estudantil tem uma idade própria para ser vivida, porque tudo tem um tempo.


RUGAS DE JUVENTUDE OU MIRRADOS PELA SECURA INTELECTUAL?

Nada mais ridículo que um velho (em praxe, um jovem com mais de 30 anos é certamente um "velho)  ter comportamentos infantis ou ainda andar a brincar aos jovens, quando isso implica, necessariamente, que esteja a tirar e ocupar o lugar e uma experiência de vida a quem é jovem, a quem é moço. Falo, naturalmente, dos estudantes de faz de conta.
Se for com o pretexto que os jovens não saberão governar-se e tratar bem das coisas que herdaram, estamos perante um paradoxo e uma incoerência, e uma enorme presunção, pois esses velhos que se arrastam na Praxe foram também jovens e vieram tomar o lugar dos que, entretanto, passaram a idade e terminaram a sua frequência normal.

Se for por "amor à camisola", apenas expressam que são pessoas claramente desequilibradas que, apesar da idade, ainda não cresceram nem maturaram. Não poucas vezes, contudo, a isso se alia igualmente uma outra falha psíquica que é a do ego e da necessidade de terem um qualquer cargo ou poleiro para se sentirem alguém. Para todos os efeitos, estamos a falar em falta de maturidade e de dois dedos de testa.

Veteranos "Ad Aeternum" não existem, nem são Praxe, são, isso sim, pessoa ad aeternum caloiros de espírito.

Pessoas que inventam matrículas e subterfúgios para se manterem matriculados só para "inglês ver", não sendo, de facto, estudantes (condição que designa aquele que estuda e frequenta as aulas), não passam de parasitas que vivem para tronos e enchem a Tradição de pestilenta gangrena.

A Praxe tem sofrido, e muito, com esta falta de renovação geracional e o fosso enorme que se cava entre figuras de cabelos brancos e jovens estudantes que podiam ser seus filhos e, até, em alguns casos, seus netos.
Também é facto que essa falta de renovação, promovida por pessoas que se eternizam nos organismos, quase sempre às custas de matrículas fantasma (muitos já trabalham, mas mantém a inscrição para poderem continuar "em jogo"; e outros nem isso) ou de invenções legislativas, feitas por encomenda (legislando em causa própria), na criação de conceitos veterânicos que dão assento e poder a antigos alunos numa cultura que só devia permitir alunos, de facto.
Nada menos prestigiante do que ter como referência, até na Praxe, supostos alunos (muitos deles de "faz de conta") que são um hino à incompetência e à burrice, incapazes de sequer concluir um curso, mesmo após 2 ou mais décadas a cursar a universidade. Vergonhoso (aliás, note-se que, em Braga, o líder da Praxe foi, há uns anos, retirado do protocolo académico, precisamente por o reitor julgar inapropriado que uma figura académica, como um Dux, "Papa", neste caso - e nem o nome sequer ajuda, fosse exemplo pela sua falta de estudo e por chumbar anos a fio).
E se ainda essas pessoas, pelo menos fossem competentes em assuntos de Praxe e Tradição Académica, mas não: mostram-se tão ineptos e tapados nestas matérias como incapazes de concluir uma qualquer licenciatura.
Em bom português, estamos perante nada menos que parasitas e inúteis.

Um trintão ou quarentão (e até os há com mais de 60) a fazer parte de um organismo de Praxe não apenas é contranatura, mas é passar um atestado de menoridade, desconfiança e incompetência a todas as gerações de estudantes que por eles passam, sem lhes dar possibilidade de exercerem plenamente a sua cidadania académica, vetados que ficam a meros cordeiros que ordeiramente servem para passar lustro ao ego dos "veteranos", serem como que um contingente obediente ao serviço do comodismo desses senis dinossáurios.
Mas mais: este actual estado de coisas tem sido igualmente acompanhado de uma verdadeira letargia, num "deixa andar" de pessoas incapazes de se renovar, também não renovam a Praxe, antes a mantendo refém dos seus caprichos, não apresentando nenhum progresso e intervenção para melhorar seja o que seja, desde logo os códigos pelos quais (des)governam e criam situações, no limite, anti-Praxe.
Não fazem nem deixam fazer, portanto.
Não defendem a Praxe, porque continuam a mantê-la com os mesmos erros em que eles próprios foram induzidos ou criaram.  
Vivem num regime autocrático e ditatorial e, na maioria das vezes, destilando incompetência total e absoluta ao permitirem quer a permanência de erros quer invenções absurdas, para contentarem o povo e garantir os seus poleiros e regalias.


MUDANÇA DE PARADIGMA



Se, tradicionalmente, e desde o código da UC de 1957, o Dux apenas cessa funções quando conclui o curso, tal se devia a algo muito simples: os Dux pouco tempo ficavam no exercício de funções, pois entretanto formavam-se.

Não se entende que, com os actuais exemplos de velhos sentados no poleiro quais galinhas chocas, numa época de democracia, ainda se permita este tipo de regime absoluto, em jeito de monarquia de segunda.

Há muito que os códigos, também nesse ponto, deveriam ter sido revistos, limitando os mandatos de um Dux e dos elementos de um organismo de Praxe, pois as pessoas devem estar ao serviço e não as funções ao serviço das suas conveniências.

Ninguém é insubstituível, nomeadamente na Praxe e ninguém faz falta se nem sequer permite que essa falta se faça sentir.

Já não é aceitável, no actual quadro social e evolucional, que continuem no cargo pessoas que mostram não apenas falta de senso e de decência, mas enorme falta de sentido de oportunidade. A Praxe sempre foi acompanhando as normas de civilidade de cada época. A actual configuração e enquadramento das funções de Dux e papel do organismo de praxe, acaba por contrastar dolosamente com tal.

"CADA QUAL NO SEU LUGAR, NUNCA MAL SE HÁ-DE ACHAR".


O papel dos antigos estudantes mais envolvidos no seu tempo, dos antigos líderes, dos que sentiram e viveram intensamente a academia, deveria ser aquele que também nós aqui nos prestamos fazer: aconselhar, fazer reparo, com base em algo mais do que mera experiência.
Se concedemos que, enquanto estudantes, os praxistas estão pouco vocacionados para estudarem e investigarem as suas tradições, sendo por isso suficientemente críticos e conhecedores para distinguirem as coisas, quão precioso seria para a Praxe e organismos de Praxe que os seus antigos protagonistas o fossem a municiar os mais jovens com o seu trabalho de procura de fundamentos e (re)descoberta das tradições genuínas.
Aliás, só assim, e com o devido distanciamento e isenção é que é possível fazer a autocrítica e análise, de modo a poder, com propriedade, dizer aos mais novos: "Não vão por aí que nós fomos e fomos mal".
 
Claro está que isso só é possível a que exige de si algum rigor e excelência intelectual e moral e tem idoneidade para tal.
Na verdade, a boa parte desses indivíduos diríamos que o melhor era mesmo ofuscarem-se e remeterem-se a um silêncio definitivo.
É preciso dar oportunidade aos jovens de também fazerem caminho, de errarem e aprenderem com os erros. Isso é o curso normal da vida. Ver eternizadas velhas figuras que continuam a errar como se nada tivessem aprendido é que releva de uma escatológica incoerência.


ACORDAI!

Mas enquanto os estudantes aceitarem esta situação, apenas podemos dizer que têm o que merecem, já que se acham bem representados e governados assim.
Quando os estudantes disserem "basta" e exigirem serem governados interpares,  ignorando estes organismos que mais parecem lares estalinistas de terceira idade, então sim será possível dar à Praxe a oportunidade de se renovar nela própria, de se (re)descobrir e de se libertar das correntes que a prendem aos conceitos, muitas vezes, distorcidos implementados ad hoc por esses senhores
Quando tal suceder, certamente que os estudantes não deixarão de procurar aviso e ajuda dos mais velhos para o devido conselho e esclarecimento, pois é esse o papel dos mais velhos: partilhar o seu conhecimento e experiência e não viver a vida dos mais jovens, como se eles não fossem capazes de o fazer.
Necessariamente, a mudança geracional implica sempre o risco do erro, pois a juventude é menos ponderada, contudo faz parte do processo de crescimento e maturação (errar, aprender com os erros...), sempre foi assim, e certamente que os erros próprios da juventude não poderão ser mais graves que os actuais erros resultantes da falta de senso que esses senhores mais velhos demonstram e operam.
Todos fomos jovens, saibamos agora ser adultos.

terça-feira, outubro 13, 2015

Notas à Copitraje que vende enganos

Verdadeiramente vergonhoso que a Copitraje publique no seu site verdadeiros atentados à Tradição e à Praxe.
Engana meio mundo com determinações totalmente falsas sobre colocação de emblemas e pins, introduz e apresenta como próprio essas coisas esquisitas chamadas "madeirinhas" e ainda tem a distinta lata e suprema estupidez de considerar o grelo, uma secular insígnia, como sendo duas fitas presas a um pin.
Já tínhamos, em tempos, alertado (ver AQUI) para o abuso das lojas que comercializam artigos académicos, parece que, também elas, estão a ultrapassar a própria Praxe no intuito de estabelecer a sua própria praxice.

Uma empresa que assim atenta à tradição não pode merecer a confiança dos estudantes.
A Copitraje é algum organismo de Praxe para ditar algo sobre a mesma?
Não, não é. Contudo, parece querer substituir-se aos mesmos e à própria Tradição.
Enquanto esta empresa não souber ocupar o seu devido lugar e deixar de ser uma difusora de enganos, não deve ser escolha para servir os estudantes e a sua cultura.

 

FIQUE CLARO

1.º Não há, segundo a tradição, qualquer ordem de colocação de emblemas, nem emblemas obrigatórios nem número par ou ímpar.
Existe uma praxis tradicional e uma razão de ser dos emblemas que se dividem apenas em os que são próprios e os que são impróprios.
ver AQUI.
 
2.º Os pins seguem a mesma praxis dos emblemas, com a diferença que na lapela apenas se coloca um.
Ver AQUI.

3.º As ditas "madeirinhas" são impróprias e atentam à Praxe. Madeirinhas não são nem pins nem emblemas e muito menos insígnias pessoais ou de praxe. São folclore para quem gosta de transformar a Praxe e o traje num carnaval ambulante.
 
4.º O Grelo é uma insígnia secular que se apresenta como sendo uma fita com 3,5 cm de largura e 200 cm de comprimento, usado em torno da pasta. Só isso é Grelo e nenhuma outra coisa.
Assim, essas ditas fitinhas são um atentado e desrespeito à Tradição Académica.
Ver AQUI.
 
5.º Acabe-se com essa fixação do número ímpar, porque em Praxe e segundo a tradição, tanto vale o número par como o número ímpar. Nenhum tem ascendente sobre o outro.
Ver AQUI.


Espero que os estudantes e organismos de Praxe saibam agir em conformidade. Integridade e respeito não podem comprar-se nem vender-se.
 
Imagem do site da Copitraje, em http://copitraje.com/site/index.php (acedido a 13-10-2015)
 

segunda-feira, setembro 21, 2015

Notas ao Código de Praxe do ISEC Lisboa



Vou tentar, na medida do (im)possível, analisar este "código", sem me saltar a tampa.
Trata-se do Código de Praxe em vigor no ISEC de LIsboa (Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa), datado de 2012, e que podem encontrar AQUI.


Pensava eu ter visto tudo em matéria de acefalia legislativa em Praxe, mas este "código" ultrapassa em parvoíce e estupidez tudo o que, até agora, me foi dado conhecer e ver.

Esta análise não se dirige propriamente a quem fez este "código" e muito menos a quem o implementa, porque duvido que essas pessoas tenham capacidade intelectual de perceber (e para esses ficam apenas os reparos e as críticas).
Destina-se, por isso, aos alunos dessa instituição que não têm culpa de serem enganados por quem não tem escrúpulos em fazer vigorar tonterias e ignorância, fazendo gala da sua incompetência total e absoluta.
Que os alunos do ISEC de Lisboa possam aproveitar esta análise para pensar pela sua própria cabeça.






Começamos por questionar o que diabo tem a Associação de Estudantes a ver com um Código de Praxe.
Não é da sua competência tal assunto. Contudo, se a dita associação se afiança como guardiã e entidade oficial a quem pedir contas deste documento, creio que arranjou boa maneira de sujar o seu nome e de ter arranjado lenha para se queimar (dado que o documento promove ilegalidades perante a nossa lei e constituição).
Dado o conteúdo do documento, é vergonhoso ver uma AE associada a tal.

Depois, naturalmente, questionamos a definição de Praxe, a qual está, obviamente, errada.

Pior ainda, quando determina que, quanto à vinculação à Praxe, qualquer outro aluno deve respeitar o presente código. Em abono da verdade, estar em Praxe é precisamente não respeitar nem uma linha do que está neste documento.







Depois temos esta noção totalmente errónea de "matrícula", ao afirmarem que não reconhecem matrículas que não as feitas no ISECL. Ora a questão de matrículas não é de Praxe, nem a Praxe ou qualquer organismo praxístico tem competência sobre o assunto.
Só os serviços administrativos da instituição e o Ministério da Educação têm jurisdição nesse aspecto.







A seguir, essa noção estapafúrdia de "Caloiro", não percebendo que caloiro é qualquer aluno matriculado pela 1.ª vez no ensino superior, seja ele qual for; e que só se é caloiro uma vez na vida.
Quanto ao "Caloiro Vadio", não se percebe, de todo. Andam os praxistas do ISEC a contabilizar as faltas dos alunos às aulas? Faltar mais ou menos é assunto de Praxe? Presunção e estupidez, foram tomadas em doses excessivas por aquelas bandas.



Depois essa coisa de que as "troupes" (actualmente escreve-se "trupes") são representantes da Comissão de Praxe dá vontade de umas boas gargalhadas, tal a ignorância verificada.
Sobre trupes, aqui fica o que são AQUI.


E termina este fabuloso artigo, com a definição de Dux, onde se percebe que não possuem qualquer noção de que Dux é o nome atribuído ao líder, ao chefe que tutela o organismo de Praxe.




Uma vez mais, vemos essa parvoíce das categorizações dos caloiros, quando não existe nenhuma. É-se caloiro desde a hora da 1.ª matrícula no ensino superior até à queima desse ano lectivo que marca a sua emancipação definitiva.
Depois algo incompreensível: ser preciso participar em 50% das actividades da associação de estudantes para se poder praxar. O que têm as actividades da associação a ver com Praxe. Verifica-se a assiduidade nas AGA, nas festas na discoteca ou bar X? Mas anda tudo doido?
Isso é feito a meias com os órgãos associativos? 



- Errado, obviamente, que se diga que está sujeito à Praxe 24 horas por dia. Desde logo porque Praxe nada tem a ver com "praxes" (o nome correcto é, até, "gozo ao caloiro"). 


- Isso de ter de estar de olhos fechados é ideia tão disparatada e sem fundamento algum que fico convencido que de olhos e cérebro fechado estava quem escreveu essa treta.



- Depois uma infracção muito grave, ao proibir permanência num local de estudo, que nada tem a ver com Praxe, a um aluno por ser caloiro. Isso é coação e dá direito a denúncia na reitoria e na polícia. Se há coisa que a Praxe nunca se permitiu foi impedir os alunos de cumprirem a sua primordial função: estudarem e irem ás aulas, usufruindo das instalações da instituição. Querem vocês ver que agora este piralhos acham que mandam acima do reitor e do regulamento da instituição?



- Não pode o caloiro ser visto nas proximidades de determinado bar? Mas isso agora é praxe ou é só mesmo estupidez em acção?



- Cumprimentar com uma vénia? E que mais? Que presunção é essa de merecerem vénia dos caloiros? A ajuizar por este código, bem fariam os caloiros em  vos fazer um pirete, isso sim.

- Não pode trajar? Com base em que fundamento histórico defendem tal?
O CALOIRO PODE TRAJAR!! Ver AQUI.

E, já agora, essa dita "tuna", bem que podia ter perguntado a alguém de latim como se declina Tuna, porque Tunis é nome de cidade que nada tem a ver com tunas.






Ora quem são so graduados? Usam divisas nos ombros e são como na tropa?
São graduados nos estudos. É que se são, não podem estar em Praxe, porque a obtenção de grau implica automaticamente a cessação do estauto de praxista. 
Em que ficamos? Julgo que o(s) autor(es) deste documento exageraram em graduação, e não foi intelectual.
Quanto a só poderem exercer praxe depois de baptizados, nem vale a pena comentar. Uma vez mais um mito sem nexo.



Aqui temos pano para mangas e para nos indignarmos. Escolhemos 13 aspectos a considerar:


1.º - Não deve obediência cega coisa nenhuma. Determinar tal obrigatoriedade é coagir, e coagir é crime;

2.º - Ninguém é obrigado a acatar seja que ordem for e muito menos a sorrir ou com qualquer gratidão., especialmente perante quem aplica este código e demonstra total falta de senso, espírito crítico e inteligência;

3.º - Se o ISEC é um templo de sabedoria, então não se entende como admitiram os autores deste documento e os que o aplicam e seguem. Há claramente aqui um contra-senso. Seja como for, ninguém é obrigado a venerar edifícios e muito menos a por-se de 4 e tocar com a teste no chão por nele estar/entrar. É estúpido, simplesmente;

4.º - Quanto ao "empinar", concedendo que há aqui uma gralha qualquer, abstenho-me de comentar;


5.º - Depois essa de ter de dar lugar a todos os colegas mais velhos numa fila qualquer de almoço ou de bar, é simplesmente parvoíce e falta de civismo e respeito. Isso não é Praxe, mas autoritarismo gratuito;


6.º - Depois essa pérola pidesca de não permitir aglomerados de 3 ou mais caloiros é tão nojento, tão ofensivo e tão estúpido que acreditem que, depois desta análise, será endereçada uma denúncia ao reitor desta instituição. Transformar a Praxe numa PIDE e num Estado Novo, reabilitando o que de pior tal teve, não é apenas de garotos burros e ignorantes que nem percebem o que foi a PIDE e 40 anos de ditadura, mas igualmente de gente sem senso, sem escrúpulos, sem nível e que tem o cérebro directamente ligado aos intestinos. Inadmissível;

7.º - Isso de não ser permitido pensar, opinar, etc. como regra para os caloiros não faz naturalmente sentido. Que os promotores deste "código" não pensem ou queiram pensar é uma coisa, mas obrigarem os outros a seguir-lhe o exemplo.................. é de todo contrário a ser-se estudante, mormente estudante universitário;


8.º - As referências à roupa interior são abjectas. Como se, porventura, fosse lícito legislar sobr eo assunto ou a Praxe permitisse qualquer revista para verificar;

9.º - As referências de cariz sexual ou limitação das liberdades enunciadas quanto ao que pode ou não olhar o caloiro até podia ser levada na brincadeira, mas num código são ofensivas e estúpidas;


10.º - Quanto a não poder o caloiro olhar nos olhos do doutor, é de tamanha falta de senso que nem vale a pena explicar a essa gentalha que olhar nos olhos é próprio de gente educada e civilizada. Neste caso, contudo, até acho que se poderá abrir uma excepção, porque olhar para os olhos de quem segue este código é capaz de ser traumatizante;

11.º - E mais um caso de coação e usura, legalmente punidos pela lei. A isso chama-se roubar e roubar é crime. Desde quando o caloiro é obrigado a dar seja o que for ao doutor?Então agora o caloiro para fumar tem de dar o seu maço de tabaco ao doutor? E se gastar 50 cêntimos entrega a carteira ao doutor? mas esta gente é parva ou só mesmo desnaturada?


12.º - E não pode o caloiro livremente beber o que bem quiser? estamos outra vez a fazer a apologia da coação, cerceando as liberdades e garantias das pessoas? sabem que isso é crime?

13.º - E acaba com "chave de ouro": "O Caloiro não pode "pinar". Mesmo concedendo o tom jocoso ou de brincadeira que quereriam imprimir à coisa, isto posto num código de praxe, num documento ainda por cima sob chancela da Associação de Estudantes é vergonhoso, nojento e inqualificável - algo que o reitor da instituição ficaria radiante em tomar conhecimento.



E vamos ao traje.

Não, meus caros, a batina do traje abotoa-se apenas em determinadas ocasiões formais, fora isso anda-se com ela abotoada ou desabotoada, conforme quisermos.


Não, meus caros, o último botão do colete é para estar abotoado. É para isso que ele serve. E deverá estar em situações formais, quando se exige estar trajado a rigor. Caso contrário, desabotoem à vontade.

Não, meus caros, os atacadores nem coisa nenhuma tem de ter nº ímpar. Aliás, nunc atal foi Prax eou Tradição. Sobre os número ímpares, leiam AQUI. Mais a mais, quem destina os modelos de sapatos, quanto a atacadores são as fábricas.
Não, meus caros, os finalistas não usam gravata de cor, mas laço. Sobre as "insígnias" de finalista, queiram ler AQUI.

Não, meus caros, a saia das meninas não tem de estar 3 dedos acima do joelho, mas sim cobrir o mesmo, o que é diferente, E quanto às meias (onde misturam ligas com meias, coitados), também não é bem assim. Sobre o tamanho da saia e cor das meias do traje feminino, queiram ler AQUI.

Não, meus caros, o relógio de pulso não é proibido, como nunca o foi. Queiram ler AQUI.

Não, meus caros, os brincos não têm de ser bolas. Onde foram buscar essa? Querem-se brincos pequenos, apenas isso. Queiram ao menos espreita ro código de Praxe da UC de 1957, o primeiro a definir este tipo de coisas.

Não, meus caros, os óculos de sol não são proibidos. Usam-se aliás há muito tempo com traje. O que não é da etiqueta é estar com eles postos em lugares fechados, cobertos e, consequentemente, sem sol que os justifique.

Não, meus caros, o gorro é permitido a qualquer estudante. Sobre o gorro académico (gorro da praxe) leiam AQUI.

Não, meus caros, nada existe na tradição que proíba o uso de unhas pintadas ou de maquilhagem. recomenda-se apenas que seja discreto o uso, nada mais.




Erro crasso, esse, de afirmar e determinar que o caloiro não pode trajar. Pode, secundum praxis, desde o momento em que se matricula na Universidade. Voltamos a indicar leitura AQUI.
Qualquer traje negado a um caloiro ou a qualquer estudante em razão da não participação em praxes (gozo ao caloiro) é um traje não-académico (ler AQUI).

Com que então, só se pode traçar a capa quando se chega a finalista? E isos tem por base que fundamento ou tradição? Já li muita parvoíce, mas esta é digna de alguém que ultrapassa em estupidez tudo quanto conheci até hoje.
E, já agora, para adiantar a questão da capa e suas formas de traçar, queiram ler AQUI.

Depois alguém nos explique o que isso de "faixa de finalista". Andam com faixas tipo "Miss Universo"? E que tal uma faixa que seja usada por quem promove este código a dizer "sou incompetente e ignorante"?
Insígnias de finalista são a pasta da praxe e suas 8 fitas.

Com que então o aluno não se pode afastar da sua capa mais que X distância? Onde foram buscar essa? Como justificam essa palermice?
Andam de fita métrica a medir ou dono e capa têm um dispositivo electrónico que apita se for ultrapassada a dita distância? E se o fizer, leva um choque eléctrico, é praxado, é-lhe confiscada a capa? Digam-me lá que porcarias de sanções previram para tal "infracção". Haja pachorra para tanta falta de senso e tanta mediocridade intelectual.

Depois vêm os emblemas na capa.
Ora digam-me lá, a que propósito o emblema da terra do pai e da mãe? Há justificação plausível?
Mas pior: que é isso do emblema "da sorte", dos emblemas "diversos", dos emblemas "mascotes" ou mesmo do emblema "finalista"??????
E que tal arranjarem um emblema a dizerem que são verdadeiramente néscios e anti-Praxe? Penso que esse todos concordariam em aceitar como excepção, especialmente para vós.
Não, meus caros, o que dizeis não tem pingo de fundamento, antes de verborreia inventiva.
Se querem saber qual a tradição dos emblemas, sua história e lógica, leiam AQUI.

Quanto a pins, estamos igualmente conversados.
Não, não tem de ser em número ímpar (já facultámos link sobre a explicação do nº ímpar, mas caso vos tenha passado em claro, AQUI está ele.
E quanto à correcta colocação dos pins e os que são próprios da Tradição, leiam AQUI.

Quanto a insígnias, lamentavelmente ou pouco que sobre elas referem (nem dizem quais nem quando se usam (e ainda bem - evitamos mais disparates).
As insígnias são o grelo (que s eus ana pasta) e as fitas (que também se usam na pasta). Nenhum insígnia, seja ela pessoal ou da praxe (estranhamente nada referem no vosso "código" sobre tal), vai para a capa.

E quanto às "madeirinhas", certamente que não são própria sou permitidas. Afinal quem manda na Praxe também já são as lojas de comércio?
Sobre as madeirinhas e a má influência das lojas, ler AQUI:



Quanto a insígnias de praxe, leiam AQUI.




E termina esta rápida análise com esta "pérola".
Como é possível conceber tal quadro? Eu até conceberia, se fosse para consta ro nome dos autores deste código e os que o aplicam e seguem.
Estamos quase perante listas judaicas que os nazis elaboravam.
Exclusão de actividades académicas? Com que direito, se nem são sequer Praxe? E fazem como: utilizam a coação e violência física?
Punições que passam pro serviços académicos? Mas quem pensou nisso ficou traumatizado porque teve de cumprir serviços cívicos para não ir parar à cadeia?
E a Associação de Estudantes pactua com tal?
Mas que raio de associação é essa?

Como é possível conceber que uma associação de estudantes, que existe para representar e defender os interesses de todos os estudante da instituição, sem acepção de pessoas, embarca depois nestas normas fascistas que ostracizam e discriminam os alunos?
Está a reitoria a par dessa ilegalidade?

CONCLUSÃO




Muito provavelmente o documento mais escabroso que me passou pelas mãos, digno de fascizóides disfarçados de praxistas.
Um pseudo-código de praxe que de Praxe nada tem, omitindo, até, muitíssimos aspectos sobre Praxe, sendo um documento quase exclusivamente virado para a relação entre doutores e caloiros, reduzindo assim Praxe a mero gozo ao caloiro e mostrando uma visão pequena e afunilada de Praxe.

Mas tem este documento uma coisa "boa": só tem 30 artigos, poupando-nos a mais disparates e a mais comprimidos para o enjoo.

Os alunos do ISEC de Lisboa que ponderem, e percebam que estão literalmente a ser enganados e a seguir regras e conceitos que não são Praxe, mas invenção que a desrespeita totalmente.
Não é um código de praxe, mas um "tóxico de praxe" a destilar veneno e engano.

Não foram poupados diversos adjectivos, mesmo assim com a tal (im)possível tentativa de não nos exacerbarmos, mas perante a gravidade do conteúdo, são porventura não apenas justificadíssimos, como até contidos.

É preciso saber e conhecer, e tal só com algum esforço intelectual e espírito crítico, próprios de universitários, cujo o saber deve assentar na prova factual e documentada, no método científico e não dando ouvidos a o boato, e a doutrinas que carecem de qualquer justificação.



Nota: seguiu hoje mesmo denúncia ao Reitor do ISEC, a dar conhecimento de alguns artigos deste "código".


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Após ter sido enviado mail ao presidente do ISEC de Lisboa, eis a resposta obtida:

 

quarta-feira, setembro 16, 2015

Notas estatísticas (500 mil visitas ao N&M)

São já mais de meio milhão de visitas ao N&M, o que nos leva humildemente a agradecer a todos.


quinta-feira, setembro 03, 2015

Notas às Colheres no Traje


Importa meter uma colherada, e bem grande, neste assunto de colheres que infestam pandemicamente as gravatas de tantos e tantos trajes académicos.

São ainda muitos os que acreditam ser "da praxe" meter uma, ou mais, colheres na gravata ou lapela do seu traje, emprestando-lhe uma quantidade enorme de significados e explicações fantasiosas que, contudo, não encontram qualquer fundamento histórico ou praxístico na tradição académica portuguesa.

Pior ainda quando, em alguns códigos, podemos ler que a colher (de café, ainda por cima) deve ser roubada (leram bem: ROUBADA).
Mas de onde vem essa moda das colheres que, ainda há menos de 20 anos não existia?

Sabemos que, tradicionalmente, a colher de madeira é uma insígnia de praxe usada, como tal, desde finais do séc. XIX, supostamente como referência aos antigos sopistas. No entanto, ela surge de facto como substituta da palmatória, ou seja como instrumento repressivo (que, juntamente com a moca e tesoura, forma a trindade das "armas" que os alunos mais velhos usavam para exercer os castigos sobre os novatos - embora convenha dizer que, no caso da moca, ela era muito mais utilizada como arma de defesa do que propriamente para aplicar sentenças ou punições).

A colher que vemos por aí disseminada, tal doença contagiosa, por gravatas e lapelas, parece ter surgido por cópia equivocada e romanceada da tradição tunante espanhola (volta e meia, um ou outro tuno aparecia de bicórneo e com as ditas colherinhas de madeira no mesmo)
Com efeito, era bastante comum, entre a segunda metade do séc. XIX e primeiros anos do séc. XX, vermos tunos espanhóis ostentando, nos seus bicórneos (chapéu de 2 bicos), uma ou duas pequenas colheres de madeira cruzadas.

As explicações (bastante posteriores) dadas a tal era uma suposta evocação das colheres que os sopistas de antanho supostamente usavam para ir à "sopa boba", ou seja um sinal da sua mendicidade.
Só que até isso é lenda.

Desenho publicado por
Vicente de la Fuente em 1842,
Conforme informações adicionais dadas por Félix Martín Sárraga, presidente do Tvnae Mvundi, e um dos mais conceituados investigadores tunantes a nível mundial, tal colher teria surgido, ela também, por uma cópia de um desenho inventado no séc. XIX.
A primeira referência ao uso de uma colher num chapéu de um (suposto) tuno/estudante  é de Vicente de la Fuente que publica um desenho no "Semanário Pitoresco Español" em 1842[1], onde se vê uma figura de um tocador com colher no chapéu. 
Com efeito, e sem se percebe porquê (pois não era uma tradição ou prática existente), ele pintou uma colher no chapéu da personagem (fictícia, note-se). 

Décadas mais tarde o próprio autor, e segundo testemunho do próprio, ficou espantado com a importância que teve  tal desenho na rápida apropriação por parte das estudiantinas carnavalescas, passando os seus membros a ostentar tal colher que, contudo, nunca antes o fora.

Obviamente que, mais tarde ainda, surgiram as explicações costumeiras dos sopistas, quando questionados sobre o porquê de tais colheres, ganhando laivos de verdade histórica o argumento da evocação dos sopistas (sopistas esses que não eram todos estudantes, note-se; com efeito apenas os estudantes mais pobres viviam de esmola e caridade, mas não eram os únicos a quem se chamavam sopistas) que, fique claro, não ostentaram nunca qualquer colher no seu traje estudantil, fosse a capa y gorra ou no mantéu (Vd. Qvid Tvnae? A Tuna Estudantil em Portugal, pp. 48-62).

Uma estudiantina em França, ca. 1900
Fica, pois, claro que nunca  se usou qualquer colher num traje estudantil e que, a partir da 2ª metade do séc. XIX, só os tunos espanhóis, até sensivelmente as primeiras décadas do séc. XX (depois é já mais pontual ver-se, pois o bicórneo, entretanto, cai igualmente em desuso generalizado a partir da década de 1920[2]  - altura, também, em que vemos tunos a ostentar as colheres no peito) o fizeram, mas num traje de tuna, não num traje estudantil (em Espanha, o traje estudantil foi abolido em 1834, quando cessou o foro académico).

Em Portugal, entretanto, não há nenhuma tradição de colheres seja em que traje for; e sopistas, tendo-os havido, não tiveram sequer a expressão que marcou a cultura do país vizinho - além de que não existe qualquer referência a andarem de colher, note-se.

Portanto, caros leitores, ir em busca de argumentos de antanho, recuperando a desculpa dos sopistas para justificar colheres no traje estudantil não tem ponta por onde se lhe pegue, senão como neo-romantismo ficcionado

Quanto à imitação histórica das antigas estudiantinas e tunas do país vizinho, parece-me, uma vez mais, pretender enxertar-se, ad hoc, na nossa tradição académica, algo que lhe é de todo alheia.

Neste preciso momento, o leitor mais atento ao Notas&Melodias lembrará o caso da influência das tunas espanholas no uso dos emblemas nas capas.
Tem razão. 
De facto, a partir da década de 1980, tal prática dos tunos espanhóis aparece em força nas tunas portuguesas e rapidamente se cristaliza pelos restantes estudantes (uma "tradição" que, como sabemos, surge em Espanha apenas a partir dos anos 60, por força da "moda mochilera"). 
Mas se o leitor reparar bem no artigo que explica a origem dos emblemas nas capas (ver AQUI), verá que já bem antes os estudantes costumavam coser emblemas no fundo da sua capa, nomeadamente em Coimbra, cosendo o símbolo da Briosa ou o caso dos orfeonistas e coral de letras.
Há, pois, um antecedente; um antecedente português de feição estudantil.

Mas outro aspecto assoma  em oposição ao uso desbragado e infundado de colheres de café nos trajes: a colher, como insígnia, é insígnia de Praxe e não como insígnia pessoal.

Faz toda a diferença, quando, na verdade, temos uma tradição secular em torno da colher de pau, enquanto instrumento da prática praxista e o uso de colheres mais pequenas a modos de coisa nenhuma.

- Nunca a tradição académica portuguesa contemplou outra colher que não a colher de pau (e não de metal; e não de café), e como insígnia de praxe apenas.
- Nunca a tradição académica contemplou colheres no traje estudantil; nem ela nem qualquer das primeiras codificações ou documentos que, ainda hoje, nos ilustram as práticas e tradições estudantis mais antigas.
- Não há qualquer referência a estas seja em que documento ou código for, anterior a ca. 2000. O primeiro Código de Praxe existente em Portugal (1957) nada refere também, como é óbvio.

Infelizmente, quando a falta de senso reina e os estudantes são menos criteriosos, temos estas invenções, acompanhadas das simbologias e significados tão diversos quanto fantasiosos e disparatados (nº de matrículas, amizades, amores, chumbos, provas de amizade, grau hierárquico ......), quase lembrando as que costumam acompanhar as dos dos rasgões e tranças (uma aberração, note-se, essa das tranças) nas capas.

Continua a ser preciso questionar e perceber de onde vêm as práticas que copiamos, seguimos (demasiadas vezes com cego fundamentalismo) ou que nos impingem, de modo a aferir da sua validade e fundamento.
É dever de um estudante universitário saber, de forma mais criteriosa e alicerçada, a razão de ser das "tradições" que segue, evitando "comer gato por lebre" e andar a defender precipitada e emocionalmente aquilo que não consegue com a razão.

Há quem queira seguir e respeitar a Tradição. Outros optam pela Tra(d)ição.
Uma escolha que implica saber, para bem se viver.





[1] Edição de 08 de Maio de 1842
[2] A partir dessa altura, o bicórneo vê-se muito pontualmente num ou noutro tuno.

sexta-feira, julho 03, 2015

Notas ao Rasganço

O rasganço é um ritual que, ao longo de décadas, poucas alterações sofreu.
Parece ter origens em finais do séc. XIX inícios do XX, sem certezas absolutas.
Surgirá, estamos em crer, em razão, também, do "ódio de estimação" que os alunos tinham pelo uniforme estudantil, de uso obrigatório, e para quem ele constituía, na época, mais um símbolo de submissão às normas disciplinares do que identificação do foro privativo.
Com o rasgar do traje, terminava o tempo das liberdades cerceadas e os jovens alunos podiam, finalmente, na sua perspectiva, serem livres e emanciparem-se definitivamente como homens.

Inicialmente, tinha lugar no último dia de aulas e os alunos mais novos ficavam à espera dos alunos do 5º ano para lhes esfrangalharem as roupas.
Era, de certo modo, o exorcizar de anos de "duras penas", um grito de libertação do jugo dos estudos, o fim das sebentas, dos exames, das orais, das farras perdidas para ficar em casa a "marrar"..............
Nessa altura, era todo o traje, capa incluída, que eram feitos em farrapos.
Nessa altura, o rasgado valia-se da capa de algum caloiro ou colega mais novo, senão ia mesmo a correr em pelota até casa, para gáudio das sopeiras, tricanas e população que, com os estudantes em festa, dava vivas ao finalista, entre risos puritanos e gargalhadas desbragadas aos fugitivos nudistas.

Com o tempo, o ritual "civiliza-se".
Essencialmente partir do pós-guerra, o rasganço passa a ocorrer já não no último dia de aulas, o famoso "dia do ponto" (marcado, tradicionalmente, pelas latadas), mas após o último acto de formatura, ou seja, e como hoje se observa, aquando do último resultado afixado nas pautas que atestava o fim do curso.
Entretanto, a capa deixou de ser alvo dos ataques destrutivos, passando a ficar a salvo do rasganço e passando a significar, romanticamente, lembrança dos tempos de estudante. O resto, ia tudo ao ar!

Outra evolução que ocorreu foi que este ritual do rasganço passou para o foro privativo, já não como acto público, espontâneo e por vontade de terceiros, mas em data escolhida pelo próprio estudante, convidando para o ritual as pessoas chegadas, os colegas (podendo ter mais ou menos visibilidade na via pública, conforme desejo do rasgado).
A capa, que então era poupada, servia para cobrir o pobre rapaz, evitando infringir a lei respeitante ao decoro na via pública.

Actualmente, algumas partes do traje também já não são retiradas, mas permanecem no rasgado, a modos de gozação, de brincadeira: os punhos da camisa e o colarinho, bem como a gravata ou laço (por vezes, meia gravata apenas).
Mais recentemente ainda, as mulheres entraram no rito, havendo, já, vários registos de rasganços femininos, embora, por norma, com maior recato na hora de passar a tesoura (mesmo se, tradicionalmente, o rasganço se fizesse sem recurso a tal utensílio), proibida de ad libitum à roupa interior.

 in revista Rua Larga, nº 53, de 31 Maio de 1961, pp.1334-135

In Coimbra, o Tempo De História, de Sofia Rosário.
Coimbra, Dpt. Gráfico da AAC, Março de 1989