quarta-feira, junho 05, 2013

Notas de Traje no Porto - do argumento igualizador.

Um artigo assaz interessante, datado de 1888, em plena época de mudança de paradigma do traje estudantil (com o abandono das vestes talares, de feição eclesiástica, para o modelo burguês, anti-clerical), onde a Academia do Porto (ainda sem Universidade - que só será criada em 1911) se une a pedir a obrigatoriedade do porte do traje nas suas escolas de instrução secundária e superior (o traje estudantil já estava em uso, mas sem a mesma obrigatoriedade que na Universidade).

Durante uma investigação feita ao acervo do Comércio do Porto (Arquivo Municipal de Gaia)encontrámos, pela 1ª vez, o argumento do traje como meio de esbater as diferenças sociais (não para explicar a sua origem, mas, aqui, para expor uma das suas grandes virtudes, segundo os signatários).

Esse pedido, que encontrámos no periódico em causa, ilustra o desejo dos estudantes portuenses serem equiparados com os de Coimbra (e isso sucederá também em Lisboa e resto do país), dentro do movimento que se alastrou a todo o território e que reclamava defesa da identidade (estética, nomeadamente) do estudante português, através do uso obrigatório de um uniforme inequívoco e transversal.


Foi essencialmente a pressão dos alunos do 3º ano da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, que dá novo fulgor ao uso capa e batina, a qual já estava em uso pelos escolares do Liceu, nomeadamente.
Com a formação da Tuna Académica do Porto (Estudantina Portuense), em Março de 1888 (com alunos do liceu, da Politécnica e da Médico-Cirúrgica, entre outros), o empurrão do nacionalismo gerado pelo Ultimatum e requentado pelo 31 de Janeiro de 1891, e, finalmente, o debutar de festividades carnavalescas e de fim de ano (Enterro da Farpa, Festa da Pasta), estavam lançados oa alicerces para o sedimentar da capa e batina no seu novo modelo burguês, na cidade do Porto
, de que este artigo acusa essa  ferverosa adesão.

Se é sabido, e comprovado, que o traje estudantil, ao longo dos séculos, nunca teve pretensão de distinguir ricos de pobres, mas tão somente o foro académico (distinguir os estudantes do resto da população - de que os regulamentos vários ligados ao foro académico e ao uso da indumentária atestam), não deixa de ser preciosa esta menção, entre os vários argumentos apresentados para suportar o pedido (aliás, se virmos bem, qualquer predicado serve quando queremos justificar algo), porque nos situa cronologicamente no ponto a partir do qual o mero argumento irá, mais tarde, tornar-se, erroneamente, explicação.

Torna-se, assim, este artigo, um documento ímpar que refere, embora apenas como argumento (ou seja, como consequência), que uma das virtudes do traje era o de nivelar e igualizar os estudantes, quanto ao seu estatuto social.

Os argumentos que constam do manifesto, então dirigido ao Rei, D. Luís I,  (e pedindo diferimento através da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino) foram os seguintes:

  1. Economia aliada à máxima decência no vestuário;
  2. Evitar distinção e rivalidades de aparências de fortuna em uma classe onde somente devem fomentar o desenvolver-se de distinções e rivalidades de talento, aplicação e bons costmes;
  3. Provocar maior união, não só do estudante portuense, mas do estudante português (...);
  4. Facultar aos menos favorecidos de meios pecuniários, mas foverecidos de talento e de vontade, mais fácil ingresso nos templos da ciência com manifesta utilidade do estado sem prejuízo algum das suas finanças.

Como podemos ver, enaltecem-se as virtudes do traje, sendo que o artigo nos dá a entender que o pano em questão (o modelo burguês de que deriva a actual capa e batina) estaria mais ao alcance da bolsa dos estudantes do que o anterior uniforme talar (e mais em consonância com o ideário político em voga) . Qual o preço praticado, isso, não sabemos, para afiançar com toda a segurança.

Parece-nos, igualmente, que o argumento da igualização entre estudantes (em clara oposição às anteriores vestes que nunca foram totalmente uniformes entre escolares) poderá, quiçá, advir desse mesmo sentimento ou ideário republicano (e inspirado na França revolucionária da "Liberté, Égalité et Fraternité", que é a pátria da "Déclaration Universelle des Droits de l'Homme", de 1789) de tornar todos iguais (algo que, como sabemos, será sempre utópico).

Estamos, assim, em crer que este documento nos vem indiciar a origem dessa explicação truncada sobre a origem do traje que, durante anos, foi, erradamente, doutrinada nas praxes, onde se dizia que o traje tinha sido criado com esse propósito.
Convém relembrar que, mesmo depois de se generalizar, o modelo burguês, a "actual" capa e batina, não deixou de possibilitar a exibição de diferenças, bastando (re)lembrar, a título de exemplo, que os coletes, durante as primeiras décadas do séc. XX, se apresentavam de várias cores e feitios, tal como as gravatas).

Sabemos, agora, um pouco mais.


O Comércio do Porto, de 29 Fevereiro de 1888, página 1.

terça-feira, junho 04, 2013

Notas sobre a Mocidade Portuguesa e a Praxe


Em 2008, Joaquim Vieira lançou uma obra de enorme valia, editada pela Esfera dos Livros, sob o título Mocidade Portuguesa, na qual encontrei alguns apontamentos muito interssantes sobre a forma como as tradições académicas e o uso da capa e batina eram vistas por certos sectores do Estado Novo, nomeadamente pelos que tinham por missão doutrinar os muitos milhares de jovens e crianças desta organização, misto de escutismo e falange para-militar (embora menos radical que a Juventude Hitleriana, mesmo se comungando de muitos dos mesmos princípios educativos).

Nessa obra, nas páginas 140, 149, respectivamente,  damos de caras com  algumas bandas desenhadas que, em breves episódios, que quinzenalmente preenchiam o Jornal da MP, tratam de forma depreciativa os estudantes que teimavam em usar capa e batina.
Uma mordaz propaganda anti-tradições académicas, promovida pelos dirigentes da Moçidade Portuguesa,  a qual via com maus olhos a Praxe e as tradições estudantis universitárias, de que o traje era expressão mais visível.

Já na página 231 dessa obra magnífica, temos um cartoon que ilustra o quão inconformada está a academia de Coimbra com a politização da juventude (neste caso contra os jovens mais próximos do PCP).

A seu tempo, o N&M irá investigar as várias publicações do Jornal da MP (e toda a imprensa que em torno da organização existiu), procurando trazer-vos mais uns quantos exemplos e documentos históricos, os quais vêm, de certa forma, desfazer um enorme equívocos que se gerou na sociedade portuguesa: de que quem trajava capa e batina com isso exprimia a sua simpatia e adesão ao regime, coisa que, como podemos verificar, não corresponde à verdade.


  O "Caspa e Batina" - Jornal da MP da 1ª série, 1938, p.4







 O "Caspa e Batina" - Jornal da MP, Nº 1, Ano 1, de  01 Dezembro 1937, p.2





Cartoon de Júlio Gil contra a MUD Juvenil 
(Movimento Unidade Democrática), em 1947.








sábado, maio 11, 2013

Notas sobre Teorias Praxístico-Conspirativas (II)


Fui ler o emaranhado de patacoadas do tal Gillian, que o WB tão bem dissecou na parte I.

Devo dizer que dali só consegui extrair sentido dos sinais de pontuação.

Para memória futura, aqui ficam dois comentários que lá deixei:


Não perceber que a praxe – e em particular os seus “símbolos” – é uma sátira social em si mesma, é falhar redondamente na sua interpretação. Não passa de paródia: a utilização de símbolos pseudo-maçónicos é parodística; a inclusão de objectos como a colher de pau, a moca ou o penico é, mais uma vez, uma paródia à heráldica; o tom pomposo e a utilização de latim macarrónico em decretos e proclamações é, uma vez mais, sátira e paródia à solenidade académica e doutoral.
Infelizmente, os primeiros a não perceberem que tudo tem de ser levado na brincadeira e como paródia são os seus próprios protagonistas – com os resultados desastrosos das infelizes tragédias (os casos de polícia que muito bem relata) que são produzidas em nome dessa mesma praxe.
Há muito quem goste de exibir a sua boçalidade, acreditando piamente que os títulos aberrantemente pomposos (e, por isso mesmo, satíricos) são efectivamente descritivos da sua importância. Pobre e triste do que precisa da praxe para se sentir importante.
Dito isto, resta-me dizer que fui praxista (não era difícil de adivinhar) e sou um dos co-autores do tal livro que se vende por aí a 22€ – e cujo título lhe custa tanto referir (eu respeito a sua vontade e também não vou fazer aqui publicidade). Congratulo-me com o facto de o ter lido, o que deve querer significar que o comprou. Só posso depreender que o leu, pois fala da suposta charlatanice do mesmo com um ar de quem tem conhecimento de causa.
Afirma, entre outras coisas, que não passa da colagem de ideias de outros através de palavras nossas. Resta-me então concluir que todas as afirmações que faz nesta 1.ª parte são de sua lavra. Não sendo você contemporâneo(a) de Gerónimo; não tendo pertencido à Skull and Bones; não tendo vivido em 1870, resta que pelo menos a parte que diz respeito a estas informações foi bebida nalgum lado. E ou foi bebida em livros, ou foi bebida em sites. Se você é realmente possuidor de todos os livros onde constam todas as informações que aqui articula, tem de facto uma biblioteca de fazer inveja. Se não obteve as informações em livros (duvido de que o dicionário que cita ainda esteja protegido por direitos de autor…) nem em sites, então ou as ouviu a alguém, ou já nasceu informado delas todas.
Ou então não passam de vontades suas.
Se você pesquisou e se informou, fez muito bem. Está a acusar os co-autores de terem feito exactamente o mesmo que você fez. O.K. Com uma diferença: os co-autores do tal livro (etc., etc.) são tão intelectualmente “desonestos” que até indicam a obra, a página e até chegam mesmo a citar (crime hediondo!) as obras, para que o leitor possa chegar às suas próprias conclusões. Desafio-o a citar uma só passagem em que os co-autores imponham as suas conclusões como as únicas verdadeiras e possíveis.
Se o que consta neste artigo são vontades suas… bom. A liberdade de expressão é uma coisa muito bonita.
Mas sabe do que eu desconfio? De que você não faz a mínima ideia do que o livro contém e que se limitou a fazer aqui um rol de acusações gratuitas e infundadas.
Se me permite o conselho, não compre o livro. Não o leia. E digo-o sem a menor ironia. Ia desperdiçar os 22€ (e dar-nos uma margem de lucro imerecida).
Só um exemplo das suas patranhas neste artigo: a explicação absolutamente ridícula e fantasiosa da palavra “Intelligence”. Em primeiro lugar, “intelligence” é uma palavra inglesa que deriva do latim “intelligentia”, que por sua vez deriva de “intelligere”, que deriva de “legere” (ler). É a aglutinação da preposição “inter” (entre) e o verbo “legere” (ler). Literalmente, significa “ler nas entrelinhas” e, por arrastamento, compreender o verdadeiro sentido do texto, ser arguto.
Foi pena ter deixado de consultar o dicionário ao fim de um terço do artigo. Qualquer dicionário lhe explica a etimologia de inteligência.
Pena também que todo o resto do artigo (que até prometia) tenha resvalado para “ciência” do mesmo calibre.
Fico à espera da segunda parte (de uma série de 3 – o número maçónico por excelência… suprema ironia…)
Ah! E as relações entre o gorro frígio vermelho (1910, Portugal) e o comunismo chinês são absolutamente deliciosas! Ainda seria preciso esperar por 1917 pela Revolução Russa! A revolução comunista chinesa deu-se em 1949… ou seja, os portugueses inspiraram-se em 1910 num facto que só viria a acontecer em 39 anos mais tarde… Notável!
Ainda bem que o seu blogue é gratuito. Imagine o que seria ter de pagar por “ciência” deste calibre…
Honra lhe seja, pois aconselha os seus leitores a informarem-se. É que por aqui… não vão lá.”

Eduardo

terça-feira, abril 30, 2013

Notas sobre Teorias Praxístico-Conspirativas




Um artigo que vem responder a uma pseudo-tentativa de explicar as origens da Praxe ou das praxes, onde o autor assume posições, no mínimo, questionáveis e, acima de tudo, pretendendo que é um messias iluminado que descobriu a pólvora.
Considerar aqueles escritos como “estudo” ou como suportados em rigor e metodologia científicos é destratar todos quantos fazem do estudo sério, da investigação criteriosa um forma de ser e estar, e possuem formação e percurso académico sólidos.

É lerem as teorias conspirativas e entrar nesse mundo confuso de contradições, de colagens ad hoc, de ficção e deturpação de factos ou interpretação fantasiosa, para perceberem que nem é preciso saber muito para notar a falta de credibilidade do teor do texto. Se a isso somarmos o facilitismo no uso do palavrão……..fica caracterizado o conteúdo e a forma destas teorias da conspiração, e a competência de quem as formulou.

Segue-se (para quem tiver lido o “The Manuale Scholarium – Parte 1 – Praxes Académicas”) o desmontar das teorias da conspiração.



Sobre definições de Praxe, é pena que se fique por dicionários online, ao invés, sei lá, de procurar fazer um estudo comparativo sobre o termo, ao longo dos anos e a sua constância nos dicionários. Daria para assim poder perceber a evolução do termo.
Deixou de fora alguns diconários de referência da lexicologia, mas isso obrigava a sair de casa e procurar em várias bibliotecas. Ora é mais fácil mandar bitaites no PC do que vir até à BNP, por exemplo, e começar a investigar desde a 1ª ocorrência do termo Praxe nos dicionários da nossa língua (pelo menos).

Fala o autor do artigo (se assim se pode chamar) em “(latim ritus, -us) Cada um dos sistemas de organização maçónica.”
Nota-se bem, aqui, que o investigador apenas escolhe a informação que lhe convém, omitindo tudo o resto, de maneira a que as conclusões possam bater certo com o que pretende. Mas isso é rigor investigativo ou deturpar as coisas para só darem o resultado que se pretende?
 É que o termo “Rito” designa práticas organizadas, as quais não nasceram na maçonaria, não lhe são exclusivas sequer.
Ritos temos desde o início da humanidade, por isso é pena que se queira obrigar o leitor a concluir o que o autor pretende, sem contudo fornecer ao leitor todos os dados, com toda a isenção e rigor.
Sobre as pirâmides e símbolos maçónicos.
Só quem nada percebe de história é que alguma vez vai achar que sempre que se usa uma pirâmide isso tem a ver com maçonaria.
Já existiam pirâmides antes, e depois, que nunca tiveram nada a ver com maçonaria.
Só falta dizer que a pirâmide do Louvre, foi desenhada e construída por um maçon!
Ou que as pirâmides que se ensinam nas escolas são  porque os maçons mandam nos currículos escolares.

O facto de haver um ou outro logótipo adoptado por organismos de praxe, semelhantes aos atribuídos a sociedades secretas, apenas ocorre por cópia do facilitismo e fascínio por coisas “misteriosas”, muitas vezes pro ignorância da própria simbologia.
Mas o autor desta teoria teima que sim, embora lhe falte provar que os elementos em causa são de lojas maçónicas.
Como o iluminado é aluno (ex-aluno?) do ISVOUGA, até na forma piramidal do logótipo da sua instituição ou associação de estudantes viu presença da maçonaria.
Viu ele e mais ninguém, note-se. Faltam provas documentais de tal, que ele não apresenta.
Conclusões destas são assim fáceis de tirar numa mente retorcida.
E quando refere que os ritos diários são para manter uma máquina diabólica a funcionar, não sei se ria ou se chore, tal o ridículo da interpretação. É preciso ser muito doente, para achar que os nossos ritos diários, os nossos horários, a nossa organização familiar existem por força de uma força malévola chamada maçonaria.

Até agora, não vi nenhuma luz nem nenhum esclarecimento.
Mas o autor destas teorias diz que há que iluminar (coitado, tem a presunção de ser ele o novo Messias), porque da discussão nasce a Luz (pena é que a sua noção de discussão seja insultar, empregar palavrão ou censurar os comentários que não lhe agradam, um pouco como aqueles miúdos que estando a perder no jogo de futebol lá do bairro, acabam com o jogo e vão-se embora, porque a bola é deles).

Depois fala em Apocalipse.
Eu até agora gostava de saber a relação disso com maçonaria e Praxe.
O rapaz passa de um assuntos para o outros, sem estabelecer ligações ou provar as mesmas. Mistura tudo num leitmotiv que só ele deve compreender.
Só falta dizer que S. João (apóstolo) era maçon ou praxista e que a ilha de Patmos, onde ele escreveu o último livro do Novo Testamento (apocalipse) era a Atlândida.

 O que não se entende, de todo, é a relação entre ritos maçónicos e Praxes Académicas. O autor diz que são a mesma coisa, que são sinónimas, coisa que nunca nenhum documento referenciou, nenhum dicionário ou enciclopédia alguma vez sequer sugeriu.
Nem sei como não estabeleceu ele uma relação entre o noviciado da igreja e o percurso hierárquico dentro da mesma, também com a maçonaria e as Praxes.
É estranha essa tentativa de relacionar ambos, quando durante tanto tempo o ensino universitário (Estudo gerais) era reservado ao clero, que mais tarde teria nos maçons um inimigo (a Maçonaria – esqueceu-se o rapaz de explicar -  nasce institucionalmente só a partir do séc. XVII, inspirada nas associações de artesãos, nomeadamente na época da construção das grandes Catedrais – época do Gótico – altura em que já existiam ritos de iniciação nas universidades, pelo que a existir, seriam as praxes a influenciarem a maçonaria, coisa sem sentido, obviamente).

Outra teoria tão parva quanto a investigação do autor em causa, é sobre o termo Caloiro.
A sua ignorância é tal que consegue dizer que o termo é resultado de uma justaposição lexical (Cal+loiro) com aférese do “L”, porventura (isso ele não diz, porque não percebe patavina de linguística, claro está).
Só que ele acha que colocar definições de dicionários do séc. XIX valida que ele os interprete. Ora ele não tem competência ou saber para tal, nem os dicionários permitem tal.

Em nenhum dicionário que ele cita e ilustra, ou noutro qualquer, se fundamenta que o termo Caloiro provém da junção de 2 termos. Porque não vem.
Depois é fácil, quando se quer perverter as coisas, conseguir, ainda por cima, dizer que Loiro (coloração do cabelo) tem ocorrência em Louro (planta) ou vice-versa, esquecendo que o facto de haver dupla grafia em certos termos (toiro-touro, ouro-oiro), não significa que Louro e Loiro sejam sinónimos, que não são.
Com a Cal, depois, é fácil naturalmente, inventar-lhe atributos que venham a chegar perto de qualquer misticismo maçónico ou conspirativo (nem sei como não estabeleceu que Alfred Nobel, como químico, vinha de uma família de alquimistas, e por isso inventou a dinamite, usada pelos mestres veteranos para explodirem caloiros, e fazer a ligação aos Talibãs).

Essa interpretação asurda do termo seria como dizer que computador fosse resultante de “com+puta+dor,” que significaria, sei lá, alguém com uma doença venérea. lol
Pena que o autor seja tão limitado intelectualmente que nunca se tenha dado ao trabalho de ler algumas teses de doutoramento e algumas publicações de historiadores, sociólogos e etnólogos reconhecidos sobre as tradições estudantis.
Que do seu estudo nem sequer conste nada sobre o “Palito Métrico”, o “In Illo Tempore”, “Praxe Académica - Fontes de Informação Sociológica, Tese de Doutoramento de Rita Alberto – UC, 2003”, “Tradições Universitárias e Patrimonialização  – Oficina CES, de Paulo Peixoto, 2006”, “Costumes Académicos de Antanho 1898-1950”, “Rituais e Cerimónias – editado pela Fac. Letras da UC em 1993”, “Costumes estudantis de Coimbra (Mª Eduarda Cruzeiro)  - Análise Social 1979", “A sociedade tradicional académica coimbrã - introdução ao estudo etno-antropológico de LOPES, António Rodrigues, Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1982”…..entre tantos outros títulos.

Pena que o autor destas teorias descabidas, nem sequer saiba (tal a ignorância) que o termo Caloiro aparece apenas no séc. XIX, como sinónimo de provinciano ou rústico, como aliás o termo “pastrano”, e que os alunos que estavam pela 1ª vez na universidade eram apelidados de novatos.
 Pena que não tenha investigado a questão dos “Bachileres de pupilos”, origem das relações hierárquicas entre novatos (pardillos) e veteranos (veterano era qualquer aluno que não fosse novato), que nos vem de Espanha, Salamanca nomeadamente, sendo que os ritos iniciáticos (novatadas) são depois trazidos para Portugal (ou influenciam fortemente as práticas).
São-lhe coisas desconhecidas, certamente. É que nem tudo vem na net e muito do saber ainda exige conhecimento livresco e competências metodológicas que o teórico da conspiração não possui, claramente.


Depois, certamente que o autor deve ter algum trauma social, por achar que a praxe é, como ele refere, “corporativismo hierárquico maçónico dos vícios báquicos universitários, isto é, sexo-drogas-e-rock’n-roll!” porque vivemos numa sociedade hierarquizada, corporativa. De facto, associamo-nos de muitas formas, umas mais formais que outras, sejam entre condóminos, associações culturais, partidos, clubes, grupos profissionais, grupso artísticos, turmas, escolas, empresas……todos com regras, com práticas, usos e costumes próprios.
Dizer que as praxes são uma iniciação ao álcool, sexo e música…… é de quem não diz coisa com coisa!
Tem razão o rapazola ao condenar o Rally das Tascas. Mas isso é uma invenção de finais dos anos 80, e não uma tradição. Aliás, nem sequer tem nada a ver com ritos com caloiros.
O rally das tascas ocorria (e ainda ocorrerá, numa o noutra instituição, infelizmente) durante a Queima, pelo que entre isso e praxes…..não vejo relação, porque quem participava não eram exclusivamente caloiros (a maioria eram mesmo estudantes de todos os anos, finalistas à cabeça muitas vezes).
O que tem isso a ver com maçonaria e praxes? Também há rally das tascas repertoriado nos ritos maçons?

 Depois, segue-se uma imagem de um anjo com crianças. Não se percebe. É para falar do cabelo loiro? Mas então há pouco era o loiro planta, agora é loiro cor de cabelo….decida-se, homem!
Depois fala em “Halo”, em vez de auréola, e de constelações do Touro, misturando misticismo com astrologia……. Tudo a ver com maçons e praxes.
Vem depois  nova teoria: de que afinal o polimento dos caloiros aos veteranos vem da Roma e Grécia antigas. Mas então não era dos Maçons?

Já havia praxes ainda antes de existirem universidades? Essa é fantástica!!!!!
Que documento atesta essa relação entre rituais báquicos e pagãos, festas dionisíacas e as praxes?
QUE DOCUMENTOS??????
Depois só referiu festas romanas, mas gregas, essas,……nenhumas!!!!!!

Vai na volta e os festivais de verão (Optimus Alive, Sudoeste, Paredes de Coura, Rock in Rio, Super Rock-Super Rock, entre outros) são todos sucedâneos das festas romanas.  Por que só as praxes? Ou descobriu algum documento que estabelece inequivocamente que essas festas báquicas estão na origem da Queima das Fitas? Hehehehehe

Se o ditado diz que não se deve conduzir depois de beber, eu aconselho-o a fazer o mesmo: “Se beber, não escreva!”.
Obviamente que, depois, tenta o “estudioso” explicar as insígnias, mas escuda-se com argumentação sem nexo.
Continua, agora sim, com um ataque cerrado ao Notas&Melodias, com uma argumentação tão parva como a idiotice do autor.
Claro que os textos do N&M estão protegidos pela legislação, porque o saber e a investigação exigem esforço, tempo, e dinheiro também.

Não, desengane-se o rapazola que não se ganha dinheiro com isso, mas apenas se protege o trabalho sério..
Baseado em muitas e diversas fontes? Naturalmente.
Ao contrário do autor das teorias conspirativas, a investigação do N&M não passa por ir à net fazer copy-paste e depois inventar elos estapafúrdios e fazer afirmações que não são corroboradas por nenhum historiador, especialista ou quejandos, mas ir pesquisar às fontes, ler e não omitir informação.
O N&M não inventa factos ou teorias, mas limita-se a explicar e dizer onde encontrou essa explicação, seja em documentos antigos, seja em estudos mais recentes, mas procurando sempre documentar-se ou solicitar  a ajuda de especialistas, citando-os ou pedindo-lhes colaboração directa.
O rapazola, esse, a única coisa que sabe fazer é linkar para artigos que, em lado nenhum confirmam as ligações e interpretações apresentadas, para além de quase sempre serem sites sem autor, como é o caso da Wikipédia (fonte cuja credibilidade.......lol).
O restante que faz o teórico da conspiração é um exercício de inveja. Nunca o menino escreveu um livro nem investigou,  mas para isso tem bom remédio: que o faça. E ao menos leia, antes de mandar bitaites, pois até agora mostrou apenas que manda postas sobre coisas que nunca viu, leu ou estudou (e sem fazer referências bibliográficas devidas).
 Andou na mesma faculdade do Relvas ou do Sócrates?
Mas, pelos vistos, pedir-lhe que fundamente, investigue e seja rigoroso cientificamente seria exigir competência a mais a quem manifestamente a não tem.


Quer depois o rapazola dar numa de querer explicar as insígnias de Praxe, pretendendo fazê-lo melhor que um historiador doutorado, como é o professor António M. Nunes (Sobre a verdadeira origem das insígnias, ler AQUI)
É triste. Só mesmo de alguém que vive noutra dimensão e não tem noção do ridículo.
Não se percebe, depois, nenhuma relação entre a última ceia e uma nativa americana, esquecendo-se o rapaz que as tesouras não existiam no tempo de Cristo.
Aliás, o que tem a ver o cabelo com tudo isto? E desde quando ele pode afirmar que todos esses povos  deixavam o cabelo comprido em razão de motivos religiosos?  Que referências e documentos pode apresentar em defesa de tal afirmação?
Também deu em antropólogo? Essa é boa!
Estranhamente, o rapazola não fala do exército romano, o primeiro a impor o cabelo curto (por razões de higiène, e depois, para não serem agarrados pelo inimigo). Afinal os romanos, que estão na origem das praxes e dos males do mundo, foram os primeiros a ter água canalizada, sistema de esgotos e medidas sanitárias, lol. Depois essa coisa dos cabelos compridos não se entende para justificar as tonsuras na praxe. Também é um rito maçon? lol
Não tarda e os barbeiros e cabeleireiras são todos de uma sociedade maçónico-romanao-greco-qualquer coisa.

Depois, informar o “estudioso” que a Caveira não é uma insígnia de praxe.
Usada em certos grupos como figuração dos seus brasões e heráldicas, nunca contudo a caveira esteve alguma vez associada à Praxe. Nenhum documento o refere, NENHUM!!!!
É mais uma introdução recente? É, mas figurativa.


Segue-se depois um chorrilho de “notícias” sobre abusos nas praxes. Não vejo a co-relação com a teoria dos maçons e dos Romanos/Gregos!
Que são abusos e que são condenáveis? São!
Que os infractores deviam ser (sempre) punidos? Claro que sim.

Mas são isso praxes? Não. São abusos e actos do foro criminal, coisas que não dignificam nem se aceitam.
Quem os praticou é maçon?
 

Depois dizer que as insígnias de praxe têm origem nos EUA, é obra!!
Primeiro porque a caveira nunca foi insígnia de praxe, de facto, e apenas começa a aprecer tardiamente (anos 80) e certamente que não por inspiração americana (o filme sobre o assunto é ainda amais tardio na sua emissão em Portugal)
Depois porque as insígnias como a tesoura, a moca, a colher….nunca foram insígnias da sociedade “Skull and Bones” . Ma so que me faz rir e contorcer de riso é a afirmação que essa sociedade “secreta” americana está por detrás, e passo a citar, “Agenda Comuno-Maoísta-Globalista de um Único Governo Mundial, dos illuminati, do satanismo e das repúblicas maçónico-satânicas como a de Portugal” ou seja por detrás de eventos ou grupos ocorridos ainda antes de existir tal sociedade. É obra, que os homens do “Skull and Bones” conseguissem agir retroactivamente no tempo. Deviam ter uma máquina do tempo trazida pelos aliens que visitaram os Maias e os Egípcios, lol.
Deve também estar na origem da Queima das Fitas (elas próprias inspiradas nos Autos de Fé onde se queimavam caloiros e outros bruxos, lol)., não?

Depois vem a do barrete frígio cuja cor vermelha é atribuída à China e ligada ao comunismo. lol
Pena que o rapazola nem sequer saiba que a cor não tem nada a ver e que o vermelho só aparece na bandeira chinesa com a revolução maoísta, enquanto o barrete frígio, ligado iconograficamente à revolução francesa (1789), e depois ao busto da república francesa (Marianne) está em uso no séc. XVII e XVIII. Aliás, se o "alumiado" souber ler francês (e perceber), veja o significado das cores da bandeira francesa, implementada na época da revolução, em vez de aqui vir com “chakras” (você é brasileiro?).
Ora afirmar que a praxe é maçonico-carbonária, seria dizer que data de, pelo menos, finais do séc. XIX e inícios do XX. E mesmo assim é influenciada pela revolução chinesa ocorrida décadas depois? Ah, já sei, os praxistas são seres com poderes sobrenaturais que dominam o espectro espacio-temporal, é isso?

Vai na volta e os comunistas satánicos viajaram no tempo par adizer aos romanos para criarem rituais para os praxistas se inspirarem.

Depois diz o rapazola que os valores da revolução francesa, e depois o republicanismo, servem para, e passo a citar, “fazerem o que quiserem quando lhes apetece com quem lhes apetecer, sem prestar contas a ninguém e muito menos obedecer a valores e princípios morais e de senso-comum, violando constantemente os Direitos Humanos!” . É de alguém totalmente ignorante, ignorando mesmo que é da revolução francesa e ideário republicano do qual emana a “Declaração Universal dos Diretos Humanos!” Nem um monárquico anti-republicano iria tão longe!
É triste a ignorância do rapazola!

Depois dizer que Júlio César usava uma coroa de louro para esconder a calvície ou por vaidade é nem sequer perceber coisa de coisa nenhuma da organização da sociedade romana (e como se Júlio César tivesse sido o primeiro a fazê-lo ou a usar).
Ele há coisas que deviam constar do Guiness do absurdo.

Entramos depois na área da deturpação total:


  • Afirma que os intelectuais consideravam o povo como bestas com doenças. Isso é um claro exagero e uma invenção. E dizer que os chamavam de caloiros é igualmente erróneo. Mas gostava que me fosse apresentado um documento onde isso se revela e onde o povo é apelidado genericamente de caloiro.
  • Depois dizer que o ir às unhas e cortar cabelo tem a ver tem a ver com o nojo que tinha do povo que achavam imundo é, no mínimo, parvo de todo. Principalmente quando a alta sociedade tanta importância dava aos longos cabelos, de que as perucas do séc. XVI a XVIII são disso prova). Também nenhum documento o comprova!
  • Depois vem o cromo dizer que a cor preta dos trajes tem a ver com obscurantismo e falta de pureza, quando nem sabe que essas cores eram usadas pelo clero, a par com o castanho e o pardo, não por imposição mas porque, nas universidades, havia indicações de não usar cores garridas (vermelhos, laranjas, verdes...)
  • Depois essa teoria de que os povos consideravam o cabelo uma ligação telepática, só mesmo de quem tem problema telepáticos.
  • Mas há pior: dizer que no norte de Portugal há uma mais forte ocorrência e cabelos louros. Isso tem por base que estudo antropológico? Influência de povos germânicos? Quais? Essa é boa!
  •  As praxes são uma prática tipicamente portuguesa? Essa é boa! Então não são maçónico-carbonário-satanico-romano-greco-skullianas-qualquer coisa?
  • França é um país maçónico? EUA também? Essa é boa! Diz quem? Um país para ser maçónico teria de ter a maioria da população maçon. Você sequer lê os disparates que escreve (já que não os pensa)?
  •  Noutros países não há praxes? Como sabe disso? Foi lá inquirir?
  •  Inteligência vem de onde mesmo? Eu que pensava que tinha a ver com “inteligir” (intelligere e inteligens), entender, compreender. (termo composto de íntus: dentro e lègere: recolher, escolher, ler - como sinónimo de “entendere” ou o acto de entender pro dentro a natureza das coisas……………… mas isso não é para todos e nem todos estudaram linguística, latim, lexicologia ou evolução das palavras. Pena é que alguns se armem em áreas que não dominam de todo.
  • Depois fala em”The Manuale Scholarium – Século 19, ano 1868”dizendo que é época medieval. Muito bom. Nem sabe distinguir os séculso e as épocas (mas isso já tínhamos notado).
  • Depois as praxes são reflexo da sociedade portuguesa (depois da maçonaria, dos romanos e gregos, dos americanos…….) vindo, depois, com conceitos fabulosos como, e passo a citar: “não fazem a mínima o que é Geometria Sagrada e Proporção Áurea aplicada nas construções, chegam mesmo a destruir Património Histórico Nacional, porque só lhes interessa uma coisa”. Mas quem destruiu património histórico? Os praxistas?
    Tanta coisa com os maçons e depois vem adular a proporção áurea ou geometria sagrada? Mas estamos a falar de quê afinal?

    Querem ver que agora estamos no mundo da metafísica e do espiritismo?
  • E vem depois dizer que, não sei bem quem, impede o livre arbítrio? Essa é boa. Impede como? Quem?
  • Segue-se depois a acusação de que as associações académicas baptizam os caloiros e que são uma máfia e que perseguem as pessoas. O rapazola nem sabe a diferença entre uma associação académica (estudantes) e praxe (ou organismos de praxe). E tem a distinta lata de dizer que até impedem o relacionamento entre pessoas.

    Mas este tipo saiu de que buraco, afinal?


E acaba o “iluminado” a dizer que a praxe vem da época medieval, depois de ter dito que vinha da maçonaria, depois dos romanos e regos, depois das sociedades secretas americanas, depois que era reflexo do povo português…………mas que grande volta ao mundo par anão dizer coisa nenhuma de jeito, não provar nada do que diz e estabelecer teorias sem qualquer nexo ou fundamento.
A praxe é pagã (apesar de nascer em instituições religiosas e os ritos de iniciação serem inicialmente e praticados entre membros do clero), para depois ser da burguesia para com o povo e depois ser de quem está no topo da pirâmide (da sociedade) para cok os coitados da plebe!
Mas que confusão vai naquele vazio cerebral.

E como grande messias que é, o nosso “iluminado” assume-se como dono da verdade, aquela que nos permitirá entrar, como ele diz, e passo a citar: “ numa Nova Era Espiritual, com um novo alinhamento galáctico, em que deixamos de ser influenciados pelas energias negativas de Orion!”

De gente assim está o Júlio de Matos cheio.

Lamento é que tenha anunciado no início do artigo que iria falar das latadas, da queima, das fitas e das tunas, mas sobre isso nem uma linha.
E sobre Tunas, então é que estou mesmo expectante, a ver o que consegue desta vez inventar.
Mas cá esperamos que venha o sabichão querer “ensinar a missa ao padre”.




Termino com esta tirada sublime do autor do dito texto (que no Facebook se apresenta como Gillian):

"Foram todas esssas entidades, [os Illuminati, os Maçons, os satânicos, os extraterrestres] que são uma só, que inventaram isso [a praxe] assim como todo o tipo de manipulação e controlo mental humano que por esse mundo imunda!"
in https://www.facebook.com/events/521059081291252/521088994621594/?comment_id=521382551258905&notif_t=like

Depois disto............. I rest my case.


terça-feira, abril 23, 2013

Os Mitos da Praxe - Das origens aos equívocos.



Evento no Facebook

Tradição;
Praxe e suas origens;.
A Queima das Fitas (origens e evolução);
Traje (origem, evolução....) e apêndices (emblemas, pins, relógios, rasgões, dobras, nº ímpar.....);
Fitas e pasta da Praxe, "insígnias" de finalista (o que são e de onde vêm);
Grito académico, FRA;
Traçar da capa (equívocos);
......................






terça-feira, abril 09, 2013

Notas a um livro sobre Praxe


O insígne historiador António M. Nunes, porventura o maior especialista da actualidade em idumentária e insígnias académicas, bem como sobre tradições estudantis, acaba de publicar o seu mais recente trabalho:

Identidade(s) e moda.

Percursos contemporâneos da capa e batina e das insígnias dos conimbricenses 

(clique no título para aceder ao link)

 
 
 
O livro pode ser encomendado em formato normal (22€) ou comprado em versão E-book (10€) na editora Bubok.

Mais um trabalho que ´permitirá conhecer melhor as tradições e a evolução da praxiologia académica, nomeadamente a da sociedade estudantil conimbricense.

Parabéns pela inicitativa.

segunda-feira, abril 08, 2013

Notas à Pasta e Fitas de Finalista

Poderia aqui discorrer sobre as origens da Pasta, mas não é isso que agora importa ao caso.

Importa, isso sim, e de forma expedita, ou seja sendo curto e grosso, alertar para aquilo que é uma Pasta da Praxe, que os finalistas usam com as fitas, e para aquilo que para alguns parece (ou até será), mas não passa de uma imitação introduzida por duvidosas lógicas comerciais, e que atentam à tradição.

Já em anterior artigo (clique AQUI) se falou sobre esse verdadeiro circo de fitas e de pseudo-pastas que inundam o mercado por força das novas praxes criadas não por estudantes, mas inventadas pelo comércio que vive das tradições estudantis, como também nos mereceu artigo (ver AQUI)

Aliás, os códigos (pelo menos os que têm algo de pés e cabeça) não contemplam sequer essas falsificações, esses estúpidos "faz de conta" de Pasta.

Pasta da Praxe é preta, em pele (ou imitação de pele), lisa e simples. Serve para transportar livros, sebentas, apontamentos.

A Pasta da Praxe não foi expressamente criada para transportar fitas.
Se a sua foi, não é Pasta da Praxe, nem é da Praxe.

Pasta da Praxe, como manda a Tradição, é assim (e só assim) e só permite 8 fitas (8 apenas):


As fitas são da cor da faculdade (área de estudos) que se frequenta. Mais recentemente (anos 90), vieram as "cores de curso" (outra parvoíce), e as fitas passaram a contemplar essa subdivisão (por isso temos pastas com fitas de mais de  uma cor, pois temos cursos com 2, e por vezes 3, cores).
As fitas, no total de 8, são "pregadas" pasta por meio de colchetes ou de velcro, sendo que por serem poucas, a escolha de quem as assina é usualmente muito criteriosa. Há sempre a possibilidade de permutas, caso uma das fitas fique por assinar, como disso pode ser exemplo a fita reservada a professores ou a irmãos que se não tenha (podendo nesse caso serem reservadas a colegas, amigos...).
As fitas dos finalistas têm origem nas fitas que eram utilizavadas para abotoar a pasta dos estudantes, sendo inicialmente 6  (duas talas de cartão dobradas, fechando com o auxílio de 3 ordens de pequenas fitinhas de cada lado, que serviam para atar a mesma com nós e laçarotes.Mais tarde passaram a 8, dividindo-se em 4 pares, ocupando, assim, cada lado da pasta.
A partir dos anos 70 do século XIX, começam a surgir as chamadas "Pastas de Luxo", começando as pastas a  já apresentar fitas largas, caídas para fora, presas às telas.

As 8 fitas de finalista são simples, lisas, sem brasones, estampados, desenhos ou quejandos. Todo o seu espaço é para assinatura das pessoas e não devem ser ostentadas com iconografia, como se fossem emblemas da capa.


As Fitas dos Fitados, apresentam-se com cerca de 7,5 cm de largura e 40 cm de comprimento.

Simplicidade e sobriedade, sem espaço a show-off, por muito que isso possa irritar os mais vaidosos ou ainda certas indústrias, mais ou menos caseiras. 

A fazer negócio à conta das tradições, que estas sejam respeitadas.



O resto, o que vemos por aí (e que abaixo exemplificamos) são contrafacção, são anti-praxe, são a subordinação da Praxe à lógica comercial, e só usa quem se está realmente nas tintas para a tradição.
A Praxe não é um traço pessoal ou individual e, nestas coisas, há que saber distinguir o nosos umbigo daquilo que é a pertença e observância de uma cultura transversal, usualmente regrada em código.

Poderiam, alguns (apesar de nunca esse argumento ter sido apresentado - indiciando claramente que não era, nem é, essa, sequer, a intenção) alegar que as actuais pastinhas da treta são como que uma cópia das antigas Pasta de Luxo que vigoraram até inícios do séc. XX, como que uma reabilitação da mesmas, tendo em conta que estas eram, e passo a citar:

"... pastas de acabamentos de veludo e monogramas de prata, que de tão estreitas para nada serviam, mas que tinham umas fitas largas, imponentes e lustrosas como as fitas largas de hoje. Eram oferecidas aos quartanistas pelos padrinhos ou pelas noivas e, naturalmente, não serviam para transportar nada, muito menos sebentas. Mas também não era preciso, porque diz a tradição que depois do 4º ano nunca se chumbava." in Penedo d@ Saudade - As (verdadeiras) Origens da Queima -  artigo de de 17 Maio 2010

Contudo as pastas de luxo eram isso mesmo: um luxo; pelo que de uso não generalizado, mesmo se bem presente.
Ainda assim, estamos a falar de algo que já há décadas que não faz parte da praxis e e que em momento algum foi sequer contemplado em qualquer código. Para além disso, caberia sempre a organismso de Praxe reintroduzir e definir as Pastas de Luxo e nunca a empresas ou lógicas comerciais (que não têm legitimidade para tal).
A única Pasta da Praxe consagrada é pois a que acima ilustramos em imagem e não outra. Só ela pode receber as ditas fitas que, repetimos, são 8 apenas.


Fixando um ponto de referência, podemos dizer que na segunda metade do séc. XIX apenas os estudantes Quintanistas, usavam Pasta – Pasta de Luxo.
Já utilizadas em 1850, estas eram de qualquer cor (mas normalmente da faculdade), em tudo similares às pastas vendidas nas livrarias da especialidade: duas talas de cartão dobradas, fechando com o auxílio de 3 ordens de pequenas fitinhas de cada lado, ou seja, cada Pasta tinha 6 pequenas fitas que serviam para atar a mesma com nós e laçarotes.
Mais tarde, com a magnificência das Récitas dos Quintanistas é que se definiram as famosas Pastas de Luxo nas Faculdades de Direito e Teologia, já de Fitas Largas, caídas para fora, presas às telas forradas de rico cetim bordado, veludos com embutidos de prata, ouro e mármore.
 
As Pastas de couro ou cabedal, embora menos vistosas, mas bem  mais baratas, generalizam-se na primeira década do séc. XX, introduzidas nomeadamente pelos estudantes militares (e também em voga nos geógrafos, arqueólogos e outros especialistas nos seus trabalhos de campo, contrastando com o luxo ostensivo das pastas dos quintanistas e podendo ser usadas pelos demais estudantes no seu quotidiano, então sim, para transportar sebentas (as de luxo serviam apenas para a festividade de fim de curso).
O seu uso generalizado no Porto  desde finais do séc. XIX, alargou-se a Coimbra e a todo o país.



NÃO É DA PRAXE O QUE SE SEGUE:




A imagem acima ilustra uma outra "versão": que a cor das fitas é conforme quem as assina (uma cor para pais, outra para colegas, outra para professores....) numa concepção sem nexo, sem senso algum.










Quem quer respeitar a tradição segue a mesma e não a que é ditada pelas lojas ou pela "lógica da carneirada" em que se copia o vizinho (e de preferência se ultrapassa o mesmo) sem sequer se atender ao código, ao respeito que deve merecer a Praxe.
Obviamente que os Conselhos de Praxe ou de Veteranos, as comissões e afins têm enorme culpa no cartório, mas a incompetência generalizada dos organismos de praxe não pode justificar o surto de ignorância colectiva que, repentinamente se verifica nos finalistas, nesta época do ano.

O mesmo se aplica a certos fundamentalismos como o que diz que caloiros não podem traçar a capa sem ser antes o padrinho ou que só usam traje pela 1ª vez na serenata (ver AQUI), que é mais um mito alimentado pelo ignorância de uns ou má fé de outros.

Fica este reparo, uma vez mais, para quem o quiser levar em linha de conta.


Para os estudantes que, contudo, pretendam ter muitas outras fitas, pois que o façam e as guardem, evitando ostentar na sua pasta mais que as 8 que a Tradição contempla.

Para os finalistas, o nosso FRA!


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As fotos utilizadas foram obtidas na net, via motor de pesquisa google.