terça-feira, dezembro 23, 2008

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Notas sobre a Tuna e a Praxe

Já, por diversas vezes, foi o assunto tocado em variados sites e portais, mas porque, volta e meia, o Notas&Melodias recebe mails a perguntar da relação entre Tunas e Praxe, julguei oportuno voltar a ocupar algumas linhas sobre o assunto.
Ainda assim, informo que o assunto foi já referido neste blogue.

Para evitar a redundância e repetição, dizer que a Tuna, ao contrário do que muitos por aí apregoam, não é uma manifestação da Praxe, da Praxis Universitária.
São realidades que se tocam, por vezes cruzam e colaboram estreitamente, mas distintas.
A Tuna é, isso sim, uma das muitas maneiras em que ela se manifesta (quiçá a mais apetecível); não por ser tuna, mas pelo facto dos seus elementos serem, ou terem sido, estudantes universitários ligados à praxe.

Em muitos casos, pelos mais diversos motivos e com mais, ou menos, consentimento de ambas as partes, Praxe e Tunos chegam a confundir-se, contudo a Tuna é distinta e bastaria tomar o exemplo das muitas que não estão directamente ligadas a uma instituição de ensino, seja no passado seja na actualidade.
Se olharmos para o país vizinho, a diferença, então, é notória. Com a abolição do porte do traje universitário, acabou por ser a tuna espanhola o único resquício da memória das tradições estudantis, algo que, por cá, não sucedeu, como sabem.

O que sucedeu, isso sim, foi que a praxe, os seus protagonistas, se apropriaram, nem sempre de maneira consciente mas, contudo, de forma bem intencionada (obviamente) dessa "arma" de promoção e divulgação poderosa  que era Tuna, para potenciar e exponenciar as tradições académicas.
Num primeiro momento, pois, foi a praxe o suporte para o lançamento de muitas tunas, pejadas de praxistas que viam na Tuna um meio privilegiado de vivência académica.
Com maior ou menor grau de subservência, a Tuna cooperou com a praxe e definiu (ou definiram-lhe) o seu posicionamento perante a lei académica (vulgo Código).
Com o passar do tempo, cresceu a folga nos laços e nós que ligavam ambas as realidades, tendendo as coisas a assumirem o seu lugar devido.

Mas existem, certamente que sim, aspectos que ligam estas duas realidades, sendo que o Traje Académico, quando o adoptado é o da faculdade que se representa, implica um lugar comum em que se partilham regras, também elas comuns.
O Traje Académico pertence à praxe; é o traje do estudante universitário, foi assim ainda bem antes de existirem tunas por cá. O Traje Académico não é, por isso, traje de tuna, mas sim o traje que os tunos usam por serem, ou terem sido, estudantes do ensino superior, e é esse um dos traços mais característicos e identifictivos das tunas de cariz académico/universitário: o seu património académico que partilham em tuna.

Nesta relação, a tuna encontra-se a juzante.
O respeito e normativos que são devidos ao traje provêm da praxis académica que a tuna adopta.
Acaba aqui, quase sempre, a relação entre estas duas realidades, no que respeita ao cumprimento de regras comuns.
Quando o traje adoptado é traje apenas de tuna, a relação com a praxe, neste caso, vive mais numa prática romântica do que em efeitos práticos (que nem existem) de observação de um qualquer código de praxe.

O estudante universitário, em termos legais (de cumprimento de leis académicas) tem um primeiro dever para com a praxe e só depois, para com a tuna (seja ela qual for); assim se estabelece a hierarquia.
Apesar da tuna, por norma, não se subordinar às instâncias da praxe, não deixa de estar "obrigada" a reconhecer-lhes jurisdição, para com os tunos que ainda são praxistas.
Algo natural, já que são primeiramente académicos antes de serem tunos (aliás, não fosse essa condição, não seriam tunos) em condições que, obviamente, devem estar bem desenhadas e acordadas.

Em assuntos exclusivamente de praxe, a tuna não pode gozar de imunidade diplomática/tunante, pelo que os lugares comuns devem estar muito claros, tal como as fronteiras, de modo a evitar colisões indesejadas.
Na face oposta a esta moeda, devem os organismos que regem a praxe, perceber a natureza singular da tuna, deixando-lhe o seu espaço próprio.

Se a Tuna e a Praxe são, por natureza, coisas distintas, tal não impede que cada um, de acordo com o contexto em causa, estabeleça as relações que achar pertinentes, sejam elas de mera cooperação, de subservência, coloque-se a tuna sob alçada da praxe ou autónoma desta...........importa é que a tuna seja, antes de mais, Tuna e saiba respeitar todo o património histórico que lhe diz respeito.