sexta-feira, novembro 19, 2010

Notas de Repúdio

Não sei que diga, não sei que comente. Ainda estou em estado de choque..

Não é apenas pelo uso da língua inglesa (que nada tem a ver com Tunas), em temas que nada se coadunam com o mester tunante, mas é a abjecta facilidade e falta de decoro nna mensagem subjacente das letras cantadas que enxovalham tudo quanto é civismo e boa educação.

Uma Tuna não pode achar ser pau para toda a colher e que em Tuna vale tudo. Há limites, e começam desde logo pelo bom-senso e por saber ser e estar dentro de uma comunidade que tem balizas.
Desrespeitar assim a cultura e a imagem da Tuna Portuguesa é lamentável.

Lastimável, a todos os títulos, que a cultura tunante seja assim desvirtuada, espezinhada e que a sua imagem seja tão levianamente ignorada.
Não é por falta de qualidade musical, mas a falta de tudo o resto.

Haja dignidade, a qual não passa por subliminares referências obscenas e por reduzir a Tuna a esses preparos, ao show-off medíocre, à libertinagem verbal escatológica, independentemente do público e evento em causa.




Mas o facto é que o video não mostra uma Tuna. Não pode, porque Tuna não é aquilo, definitivamente. Qualquer semelhança  é pura ficção.
Geograficamente, é um deserto de tuna.

PS - No video em causa, na actuação em causa (exclusivamente o que aqui é analisado), não posso cognominar Tuna a quem assim não soube ser ou estar. Não se confunda tal com ajuizar sobre se é ou não uma Tuna, apenas de deixar claro que naquele momento que o video retrata, não o foi.

domingo, outubro 17, 2010

Notas e impressões

Impossibilitado que fiquei, à última da hora, de rumar ao Porto e assistir ao FITU, fui assistir ao XV TAFUL, evocativo do 15º aniversário da Tuna de Farmácia.
Revi alguns amigos, num ambiente morno e com uma casa cheia q.b. (encher a Aula Magna não deixa de ser tarefa difícil à hora em que joga o Benfica, hehehehe).
Aproveito para não apenas dar os parabéns à TAFUL, mas também saudar o facto de, no guião do certame, se referirem os componentes do Júri. Um bom exemplo de transparência que, infelizmente, a larga maioria dos certame omite.

Não assisti ao certame até ao fim, em boa verdade, mas do que vi e ouvi, achei, na generalidade, medíocre a qualidade do que foi apresentado ao público pelas tunas a concurso.

Mas se escrevo estas linhas, é mais para salientar alguns aspectos que continuam a verificar-se generalizadamente de norte a sul do país.

Uma vez mais, não existe qualquer noção entre o que é um estandarte de tuna e o respeito que o mesmo merece.
Uma vez mais se fazem malabarismos com bandeiras disto e daquilo que depois vão pró chão.
Uma vez mais, se dá lugar à misturas de panos, uns da cidade, outros da universidade, outros da tuna, outros ainda de coisa nenhuma: uma mistura que apenas visa o circo e o malabarismo enão coloca, de facto, o estandarte ou bandeira da Tuna em exclusividade no lugar que deve ter.

Outro aspecto que também voltei a notar, e de aqui falo pela 1ª vez, prende-se com a disposição em palco:

Por que razão os "bandeiras" e pandeiretas ficam quase sempre nas pontas do meio-círculo, da disposição em palco?
Será que os responsáveis não se dão conta que, no que toca ao aproveitamento vocal, é malta que canta "pró boneco"?
Por que razão eles não estão colocados no enfiamento dos micros, mesmo que na 2ª fila? Se só aparecem à frente pontualmente, certamente que no restante tempo deveriam ser aproveitados vocalmente, estando alinhados dentro do grupo e do alcance dos mircros e não fora (até porque esteticamente é aspecto que falha).

Não pude deixar de constatar, também, e uma vez mais, a moda das lapelas das batinas e/ou casacas repletas de pins (depreende-se, em alguns casos, ser uma lapela, porque de facto, ela nem sequer se vê de tantas medalhas de guerra).
Continua a moda dos generalíssimos da ex-URSS, numa proporção de pins igual à estupidez desses preparos. Um espelho em casa e 2 dedos de testa é o que precisariam alguns/algumas, ao fazer tão patética figura de árvore natalícia.

São estes os considerandos que o assistir a mais um certame me sucitou.
Não foram todas as tunas/tunos assim, mas foram demais.

domingo, outubro 10, 2010

Melodias aos 25 anos da EUC

Já lá vai um quarto de século que Coimbra viu nascer a sua Estudantina Universitária.
Este passado sábado, dia 9 de Outubro, assinalou-se essa efeméride sobre o acto pioneiro que marcou, há 25 anos, o início do denominado "boom" tunante.
Esta data mereceu nota no telejornal da TVI, com direito a uma breve reportagem e intervenção de alguns dos seus actuais elementos (pena que não tivesse sido registado o testemunho de um dos fundadores).

Embora não seja a tuna estudantil mais antiga do país (A UTAD é de 1983, e já existiam as centenárias TUP, TAUC e Tuna do Liceu de Évora), não subsiste qualquer dúvida que à EUC cabe o ónus do novo fulgor que contagiará rapidamente todo o país. Após a fase embrionária do "boom", o fenómeno explodiu definitivamente nos anos 90, muito por força, e fundamentalmente, do seu 1º trabalho discográfico (primeiro em vinil e depois em CD), "Estudantina Passa".

Foram os temas da estudantina cantados por toda a parte, presentes que estevam na esmagadora maioria dos repertórios das tunas que, entretanto, viriam também a formar-se. Se cancioneiro tunante houvesse em Portugal, certamente que os temas do António Vicente (figura incontornável sem a qual a EUC não teria sido a mesma) ocupariam o topo da lista.

25 anos de história, que é também a história recente da tuna estudantil do nosso país.
Muito gratos podemos, pois, estar, aos fundadores e primeiras gerações da EUC que semearam, sem saber, os frutos que hoje ainda se vão colhendo.

Parabéns à instituição EUC e sentida homenagem aos pioneiros a quem cabe todo o mérito da efeméride.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Fasquia das Notas - 100 Mil acessos


Há 1 ano, em Outubro, registávamos com natural agrado, que tínhamos sido visitados por 50.000 cibernautas, dobrando em menos de um ano a anterior marca dos 25 mil.
Desta feita, também no mesmo espaço de tempo, duplicou-se o nº registado anteriormente (quadriplicando o de há 2 anos), atingindo esta sempre considerável marca.
O Notas&Melodias registou, pois, um aumento substancial de acessos este ano, o que não deixa de ser motivo de regojizo e satisfação pela preferência dos leitores e muitos amigos, começando pelos fiéis seguidores, inscritos no blogue, e que, à data, são um total de 82.

100.000 acessos são sempre 100 mil acessos - coisa sem grande relevo para certos blogues e sites (uma gota no oceano, diga-se), mas pouco comum em blogs dedicados ao fenómeno Tuna e afins.
Para os que, no passado, puseram em causa a validade dos números, cá estão eles. Para os demais, desde já o nosso bem-haja sincero.
Não nos batemos por isso. Outros blogues existem sobre o fenómeno Tuna com superior mérito, mas deixem-nos, ao menos por hoje, o direito a uma certa vaidade, como que um [esperamos]  merecido reconhecimento pelo tempo dedicado a este hobby.

Obrigado aos apoiantes, amigos e todos os que visitam este espaço, e aos que o enriquecem com os seus comentários. Obrigado também aos que também colaboram pontualmente nos artigos publicados.

Esperamos poder continuar a merecer a preferência e confiança ditados pelos números. Poupamos os leitores ao elenco de quadros estatísticos sobre a proveniência dos visitantes, idade, sexo, etc,.
Dizer, contudo, que o artigo mais lido nos últimos 2 anos foi o Notas sobre praxes e Praxe.

Obrigado a todos!

segunda-feira, julho 26, 2010

Notas de desalento

Lamentavelmente, a Biblioteca Nacional de Portugal irá encerrar portas para obras. Um enorme transtorno para quem investiga, sem dúvida, mas também uma necessidade para preservar o acervo e melhorar as condições de preservação e prestação de serviço. Pena o anúncia fazer-se tão em cima da hora ou não se ter pensado em transitar parte dos arquivos para um local provisório (em articulação com a Torre do Tombo, por exemplo).

Serão cerca de 10 meses (embora saibamos que nisto de prazos, somos dados às costmeiras, e tão lusas, derrapagens).
Reza assim o artigo do DN Artes de 11 de Julho:

É preciso fechar a biblioteca?
Grande parte da Biblioteca Nacional estará fechada dez meses, a partir de Outubro. Críticas e explicações


São mais de 1200 toneladas de livros que terão de ser encaixotados em 15 mil caixas. A equipa da Biblioteca Nacional (BN) fez experiências cronometradas e chegou à conclusão de que a operação de retirar todos os livros da Torre de Depósitos iria demorar cerca de três meses, e outro tanto para os desempacotar e recolocar no lugar. A isto acresce o período das obras propriamente ditas: 20 dias úteis (um mês, na prática) para cada um dos andares da torre. Feitas as contas, e concertando todas as operações para que a intervenção "demore o mínimo de tempo possível", são dez os meses durante os quais será impossível consultar o fundo geral da BN.
 "Mas acham que não considerámos todas as hipóteses? Acham que se decide fechar uma Biblioteca Nacional durante tanto tempo de ânimo leve?" Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BN, não esconde a estupefacção perante os artigos que vai lendo, na imprensa e na blogosfera, que criticam a decisão de, na sequência das obras de ampliação e remodelação da Torre de Depósitos, a BN encerrar os principais serviços de leitura a partir de Outubro.

Ainda esta semana, foi entregue uma petição na Assembleia da República com 3700 assinaturas na qual se propõe que a transferência de livros seja faseada e se afirma que este encerramente compromete a investigação em Portugal. "Não deixa de ser curioso que as pessoas que mais protestam são aquelas que não costumam usar os nossos serviços. Até agora, desde que o encerramento foi anunciado, há um mês, apenas tivemos duas reclamações escritas, às quais já respondi", diz a subdirectora, deixando nas entrelinhas críticas aos "agitadores" que falam sem conhecimento de causa.




Não se trata só (e já seria muito) da construção de uma nova ala, praticamente concluída, que representa mais um terço do espaço - mais 33 metros de comprimento - e que vai permitir ter mais espaço para arquivar livros, ter, finalmente, uma "casa forte" em condições para as peças mais raras e antigas e até uma nova sala de leitura. Trata-se também de renovar todos os equipamentos eléctricos, de segurança e de climatização da actual torre. "Tal como está, é um perigo", sublinha o arquitecto João Pardal Monteiro, responsável pela obra. Introduzir sistemas anti-incêndios e anti-roubo, renovar os elevadores, dar aos livros as condições que eles merecem. São intervenções profundas e que, de acordo com os especialistas, não poderiam ser feitas com os livros nas habituais prateleiras.


Durante o tempo da obra, as caixas com livros, pesadíssimas, não podem ser colocadas em qualquer lugar, "nem todos os pisos aguentam". E, por isso, um dos espaços a usar para depósito será a sala de leitura da BN. Mas há mais: "Não há um sítio suficientemente grande para onde os pudéssemos levar e disponibilizar, mas imaginando que local existia, alguém já pensou no tempo que demoraria a reabrir a biblioteca noutro espaço?" Para já não falar das questões de segurança.


"Acredito que tomámos a melhor opção", afirma a subdirectora da BN, que visitou as principais bibliotecas do mundo para poder dizer que, apesar das dificuldades, dos elevadores que se avariam, dos canos em mau estado, da constante manutenção necessária, a BN funciona "muito melhor do que muitas bibliotecas". Além disso, sublinha, a BN tem 6500 leitores activos, com o cartão em dia. No ano passado, a sala de leitura geral teve ocupação média de 100/120 pessoas que consultaram 1200 volumes por dia. "Claro que a BN é importante, mas a investigação em Portugal não pára se estiver fechada", garante Maria Inês Cordeiro. "Há excelentes bibliotecas públicas e universitárias. Demora mais tempo, mas quem quiser pode continuar a investigar."

(Maria João Caetano, in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1615688&seccao=Livros)


Deixo aqui o artigo publicado no jornal O Público de 18 de Julho:

Biblioteca Nacional garante não ter alternativa ao encerramento

Mais de 3800 pessoas assinaram uma petição contra o encerramento da Biblioteca Nacional durante nove meses para obras. Dizem que "é insubstituível", que os trabalhos vão ficar parados e que há bolsas em risco.

É inaceitável, dizem os investigadores. É incontornável, respondem os responsáveis da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP). Quando, no início de Junho, foi anunciado que a BNP iria encerrar durante nove meses e meio - de 15 de Novembro a 31 de Agosto de 2011 - para obras de remodelação, a comunidade de investigadores lançou o alarme: as investigações vão ficar paradas, há bolsas em risco, o aviso não foi feito com antecedência suficiente para permitir uma reorganização do trabalho. Uma petição contra o encerramento, na Internet, recolheu em pouco tempo 3800 assinaturas.
Os responsáveis da BNP argumentam que não havia outra forma de fazer este tipo de obras, absolutamente essenciais para evitar a degradação dos livros e que envolvem sistemas que percorrem todo o edifício onde os volumes estão depositados (ver texto nestas páginas), garantem que existem alternativas noutras bibliotecas do país, e asseguram que reduziram ao mínimo o tempo necessário para as obras.

"A BN é absolutamente insubstituível. Não há outra em Lisboa comparável. Não só tem fundos arquivísticos como tem tudo o que foi publicado em Portugal desde o século XIX até à actualidade", diz o historiador Nuno Monteiro, um dos subscritores da petição. "Em relação aos livros do Fundo Geral [a maior parte das colecções, excluindo os Reservados] há mais alternativas", contesta Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BNP, dando como exempo, para o caso do livro antigo, as bibliotecas da Academia das Ciências, da Sociedade de Geografia, a Biblioteca Central da Marinha, a Biblioteca de Évora, a da Universidade de Coimbra ou a Biblioteca Municipal do Porto. Além disso, acrescenta, várias bibliotecas municipais pelo país têm todos os livros publicados desde que existe a obrigatoriedade de depósito legal.


"A minha primeira reacção é de indignação, quase de revolta", diz o sociólogo António Barreto, sublinhando, contudo, que lhe faltam alguns da-dos para avaliar se as obras podiam ter sido feitas de outra forma - faseada, por exemplo, como defendem muitos investigadores. O que António Barreto sabe é que noutros países - e cita os casos das Bodlien de Oxford, ou da Biblioteca Nacional de Paris - foi possível fazer obras praticamente sem interromper o funcionamento.


"Creio que aqui se poderia fazer de outra maneira", continua António Barreto. "O que é que os bolseiros vão fazer agora? Receber as bolsas para depois não poderem trabalhar?" O argumento de que poderão requisitar com antecedência alguns documentos que serão digitalizados não convence o sociólogo. "Uma investigação não se pode planear assim. Um livro leva a outros. Quando vou a uma biblioteca acabo sempre por ler três vezes mais coisas do que o que estava à espera." E conclui: "Não faz sentido que em 2010 se faça como no século XIX."


Nuno Monteiro lembra também que "há uma população universitária que tem prazos a cumprir, que com Bolonha foram enormemente encurtados, e avisar com três meses de antecedência que [a biblioteca] vai fechar por um ano é uma irresponsabilidade". O historiador, que refere também o caso dos investigadores estrangeiros (ver depoimentos nestas páginas), admite que se poderia "ir fechando andares, para as pessoas racionalizarem os seus tempos de consulta, ou manter serviços a funcionar noutros sítios, restringindo um pouco as entradas".

Os responsáveis da biblioteca dizem que as obras são essenciais
para evitar a degradação dos livros (Rui Gaudêncio (arquivo)
"Não é uma transferência"

Maria Inês Cordeiro considera que as críticas - e até as sugestões que tem recebido sobre sítios alternativos para colocar a biblioteca - partem de um desconhecimento da situação. "Estudámos todas as alternativas. Mas não era possível fazer de outra maneira." A obra implica que se esvazie toda a torre de depósito de livros - será preciso retirar 1200 toneladas de material bibliográfico (serão tiradas 20 toneladas por dia e cada piso será depois remodelado em 20 dias úteis), que tem que ser colocado (empacotado) em espaços alternativos que possam suportar o peso (400 quilos por metros quadrado). Para isso terá que se usar, entre outros locais, a própria Sala de Leitura Geral. "Isto não é uma transferência", sublinha a subdirectora da BNP. E essa é a diferença em relação a obras noutras bibliotecas que têm sido dadas como exemplo. Aqui os livros terão que voltar para o mesmo sítio porque o que existe é um depósito central único e não colecções distribuídas por diferentes espaços.


Quanto ao facto de o aviso ter sido feito com pouca antecedência justifica-o por uma necessidade de conciliação com a primeira fase da obra - a da construção de um acrescento da torre do depósito. "Tínhamos que saber exactamente quando estaria concluída para perceber quando é que esta segunda fase poderia começar, e não queria estar a fazer um anúncio com datas erradas."


Rui Tavares, historiador, eurodeputado e colunista do PÚBLICO, onde escreveu uma crónica criticando a BNP, defende também que "nenhum [aviso de] encerramento de uma biblioteca nacional se faz com poucos meses de antecedência, faz-se com anos", mas acha que a questão é mais profunda e que se devia aproveitar estas obras para repensar a função da biblioteca. "Devíamos ter uma biblioteca pública nacional, na Praça do Comércio ou outro lugar central. A câmara muncipal tem as Galveias, que é interessante mas antiquada. Nos tempos do liberalismo, a Biblioteca Nacional, que era nas Belas-Artes, era muito frequentada. Lisboa deixou de ter isso."


O que Rui Tavares defende é que a BNP se assuma como uma biblioteca para investigadores e que seja criada outra grande biblioteca pública - "sem a qual uma cidade não é uma capital" - que esteja aberta à noite, e onde as pessoas possam passar para ler um jornal, um livro de BD ou o que lhes apetecer. "A BNP negligenciou o público em geral, ninguém vai lá fazer leitura recreativa."


Maria Inês Cordeiro garante que a BNP está aberta a todos, que não tem de forma nenhuma dificultada a entrada (os procedimentos foram facilitados desde o início de 2008), e sublinha que, para minimizar o impacto negativo do encerramento, este ano a biblioteca não fará horário de Verão (Sala de Leitura Geral aberta até às 19h30 durante a semana e até às 17h30 aos sábados) e o Serviço de Referência continuará aberto, permitindo a leitura de microfilmes.


Obras para "tratar a saúde dos livros"


Estamos num dos estreitos e longuíssimos corredores da chamada "torre" da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) - o local onde estão guardados mais de três milhões de livros - e faz imenso calor. Este é o sítio onde os leitores nunca entram. À nossa frente vêem-se apenas corredores paralelos, ligados por prateleiras com livros do chão ao tecto. Resta muito pouco espaço para os novos volumes que não param de chegar à biblioteca, e essa é uma das razões que justificam as obras: é preciso mais espaço para guardar mais livros.


Maria Inês Cordeiro, subdirectora da BNP, segura num pequeno aparelho que mede a qualidade do ar e lê os números: neste momento estão 28 graus, quando, indica o sensor, 18 seria a temperatura indicada para garantir a preservação dos livros. O nível de humidade também é superior ao recomendado.


"Não se deveria nunca atingir estas temperaturas aqui dentro. As temperaturas mais baixas são essenciais para evitar que as bactérias e os fungos ataquem os livros", diz Inês Cordeiro, segurando um exemplar antigo para mostrar como a humidade se entranha no papel. "E depois há a poluição do exterior. O ar que entra aqui dentro não é limpo, não é tratado."E esta é a outra grande razão para as obras: é preciso substituir sistemas eléctricos, sistemas anti-intrusão, de tratamento de ar, refrigeração, de con- trolo de temperatura, de protecção contra incêndios, etc. Os que existem estão obsoletos (o edifício, do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, é dos anos 60), não respeitam as novas regras de segurança. Algumas componentes, como o sistema de limpeza do ar, simplesmente não funcionam há muitos anos. E o controlo de temperatura e humidade está praticamente sem funcionar também. "As obras tinham como prioridade tratar da saúde dos livros", sublinham a subdirectora e o arquitecto João Pardal Monteiro.


Há dez anos que o projecto de ampliação e renovação da BNP estava feito. Só não ia para a frente porque não havia dinheiro. Finalmente, em 2008, foi possível avançar - 9,6 milhões de euros de fundos do PIDDAC ficaram disponíveis para a obra.


A primeira fase (que começou no final de 2008, terminou agora e corresponde à parcela menor do investimento) foi a construção de um acrescento da torre, ou seja, o prolongamento em mais 33 metros destes longos corredores que temos à nossa frente (e que tinham já 99 metros por 15 de largura) em todos os dez pisos. Os depósitos da BNP cresceram assim 6300 metros quadrados. Esta obra não interferiu com o funcionamento da biblioteca porque se tratou de construir uma parte nova.


Terminada essa primeira fase, a BNP prepara-se agora para a segunda - a mais cara, a mais complexa e a que está a provocar polémica por obrigar ao encerramento dos serviços: a substituição das infra-estruturas e sistemas técnicos. Esta vai, segundo explicaram ao PÚBLICO o arquitecto e o engenheiro Correia Abrantes, responsáveis pela obra, implicar a instalação de cabos e condutas, que atravessam a torre de cima a baixo. É por isso que, dizem, a obra não pode ser faseada. Envolve a manipulação de sistemas que atravessam todo o edifício.


A primeira fase, a da ampliação - que está prestes a ser concluída - permitirá não só ter mais espaço de depósito de livros mas também uma nova sala de leitura, próxima da actual Sala de Leitura Geral, e uma casa-forte subterrânea, que até aqui não existia. Aí serão colocados as obras e documentos mais importantes que a BNP guarda - não todos os que actualmente se encontram nos Reservados, mas a parte mais preciosa e rara destes. Aqui dentro, os livros mais valiosos - e a BNP tem vários tesouros nacionais, peças como uma Bíblia hebraica do século XIII, manuscritos do padre António Vieira, cartas de Vasco da Gama e todo o espólio de Fernando Pessoa - estarão protegidos por grossas paredes de cimento e ferro, e o ar será não combustível. Até agora estavam numa zona à parte, com acesso muito reservado (um funcionário sozinho não podia lá entrar e eram necessários códigos de acesso), mas havia apenas um sistema de detecção de incêndio. "Vamos passar a poder fa- zer prevenção", diz a subdirectora. "Se se acender um fósforo dentro da casa-forte, não arde."

(Isabel Coutinho, Alexandra Prado Coelho, in http://www.publico.pt/Cultura/biblioteca-nacional-garante-nao-ter-alternativa-ao-encerramento_1447634?all=1)



segunda-feira, julho 19, 2010

Notas Brasileiras de Estudiantina Portuguesa

Conforme o texto que acompanha, no youtube, o video:

Irene Coelho Brasileira com Coração Português. Dedicou sua vida as canções de Portugal! Faleceu dia 07 de junho de 2008 em São Paulo- Brasil.



Irene Coelho canta Estudiantina Portuguesa.


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"Estudiantina Portuguesa" é um pasacalles (ou fado-marcha) da autoria do Maestro José Padilla fazendo parte da opereta espanhola "La Hechicera en Palacio ", protagonizada pela cantora argentina Celia Gámez no início da década de 50.

sexta-feira, junho 11, 2010

Notas de "Gritos". Arr(E) I(é) Qua(L) ?

Muito breve este apontamento.

Serve este mini-artigo para fazer, mais uma vez, o reparo à forma como é MAL entoado o chamado "Grito Académico".

Recentemente, num Festival de Tunas, em Lisboa, pude assistir e ouvir, mais uma vez, e por repetidas tunas, ao "aRRiqua RRiqua RRi qua".
É de perguntar se as pessoas não aprendem, de uma vez por todas.

O meu colega do Aventuras, recentemente, reiterou este mesmo tipo de reparo, mas para a forma como se escreve Pasacalles (que é mais um "Passa ao Calhas"), sintomático de uma grave iliteracia que grassa no meio académico, e tunante em particular, no que concerne a aspectos que continuam a ser deturpados pela ignara falta de saber (e desejo de saber), onde se reproduz sem reflectir, e ter conhecimento, sobre o que é reproduzido.

Assim, repito: Não é "aRRiquà", mas ALIQUA.

Sobre o Grito (origens, história, curiosidades e fórmulas) dedicou este blogue um artigo de investigação:

Notas sobre O Grito Académico "F.R.A."

sábado, junho 05, 2010

Notas às Origens do Fado

Um livro que ronda os 70€, mas que vale, sem dúvida, a pena (como as demais obras de José Alberto Sardinha).
Transcrevo um artigo que fala sobre este novo livro e sobre a "revolução" que traz na tese da origem do Fado.



AS ORIGENS DO FADO - José Alberto Sardinha
O investigador José Alberto Sardinha defende a origem portuguesa do fado, e não brasileira, num livro a apresentado na segunda-feira, dia 17 de Maio, em Lisboa, no Tartro Trindade pelas 18,30 horas. "O fado nasceu em Portugal a partir de um substrato comum a todo o território nacional que é o romanceiro tradicional. É este canto narrativo que dá origem ao fado", defendeu o autor em declarações à Lusa. O livro "A Origem do Fado", agora editado, é o resultado de uma investigação de 22 anos. José Alberto Sardinha realçou que "antes de ser um género musical, o fado é um texto poético, um poema narrativo", e situa a sua origem no século XVI. "Ainda hoje os fadistas afirmam que o fado tem de contar uma história, e essa é a origem nacional do fado: contar uma história que emocionasse primeiro o fadista e, através deste, a audiência", sustentou. "Na verdade, a origem do fado está naquilo que nós chamamos pejorativamente o 'fado da desgraçadinha' ou o 'fado de faca e alguidar'. Esse é que é o fado primitivo, a origem do fado", argumentou. Para o investigador, as origens do fado "situar-se-ão no século XVI quando se dá a passagem do romanceiro histórico para o romanceiro novalesco, como já Carolina Michaëlis o tinha referenciado sem fundamentar", disse. A tese defendida por José Alberto Sardinha contraria a vigente de que o fado tem origem no lundum e numa dança brasileira, a umbigada. "Ninguém até agora explicou porque chamavam fado àquela dança, e umbigadas há em várias partes", referiu. Sardinha reconhece que a sua tese poderá "parecer estranha" e que é "audaciosa porque é inovadora", mas garante que "está devidamente fundamentada, é coerente, lógica e tem sequência. Tal como está demonstrado, tudo encaixa". "Eu comparo o fado que é uma tradição oral com a restante tradição oral portuguesa e não vou buscar origens a outras partes", acrescentou. Na obra, o autor referencia a evolução desde o século XVI até às "canções narrativas do século XVIII" e destas ao fado, como é citado no século XIX, quando surgiu a Severa e até o rei D. Carlos o tocava. As primeiras notícias conhecidas são do começo do século XIX e surgem do Brasil.



Em Portugal "há uma noticiazinha na década de 1830 e a partir de 1840, mas uma investigação mais aturada na Torre do Tombo dará textos anteriores às datas brasileiras", afirmou, confiante, o investigador. Para o autor, "a origem brasileira do fado está por documentar, assim como ninguém explica como se passa do fado dança para o fado canção". Por outro lado, acrescentando mais um argumento à tese nacional, Sardinha afirmou que a palavra fado significava, no contexto popular, o contar de uma história de vida e no sentido erudito é sinónimo de destino. "Quando se contava a vida da Isaurinha, por exemplo, o que a audiência pedia era, 'conta aí o fado - a história da vida - da Isaurinha", disse. O livro, amplamente ilustrado e integrando quatro CD, na apresentação no Teatro da Trindade, numa palestra musicada do autor, na qual os vários temas musicais serão exemplificado por Ana Guerra acompanhada à guitarra e à viola. José Alberto Sardinha, advogado, tem nove títulos publicados, todos na área da música popular, entre eles, "Tunas do Marão" (2008), "Portugal, raízes musicais" (1997), "Modas estremenhas" (1989) e "Recolhas musicais da tradição oral portuguesa" (1982).

Dois pequenos excertos, retirados desta obra que nos aponta o objectivdade da investigação levada a efeito, AS ORIGENS DO FADO, que é português, genuínamente português.

"...Assim, o Fado não é exclusivamente lisboeta ou coimbrão. Nem sequer se pode dizer que teve seu berço em Lisboa, ou em Coimbra. Nasceu por todo o país, onde quer que um grupo de ceguinhos ou outros músicos itinerantes, na esteira da tradição jogralesca, se juntavam para cantarem romances novelescos ou quaisquer histórias de vidas que chamavam a atençãodo povo frequentador das feiras, mercados e romarias. Essas produções podiam ser apenas poéticas, que esses intérpretes introduziam em melodias pré-existentes, ou podiam mesmo ser novas composições musicais da autoria desses músicos de rua, naturalmente dentro dos parâmetros que a tradição musical romancística lhes fornecia. Não obstante ser, pois, um fenómeno nacional – e isto desde a sua génese -, o certo é que foi de Lisboa e de Coimbra que saíram os primeiros “heróis do fado”. Em primeiro lugar, porque Lisboa possuía uma população mais numerosa e esmoler e, por outro lado, um maior número de tabernas, o que tudo atraía mais músicos ambulantes. Depois, porque foi em Lisboa que a fidalguia frequentadora das tabernas “descobriu” o Fado e o elevou aos salões e à fama. Uma vez caído em moda, aí se criaram retiros e restaurantes especialmente destinados à apresentação pública dos artistas do Fado."



"…O nome “Fado” surgiu a partir do facto de os poemas narrativos contarem histórias ou episódios das vidas das pessoas, geralmente de desenlace triste ou mesmo trágico: a morte dos jovens amantes por verem o seu amor contrariado; o assassínio por ciúme; o suicídio da donzela enganada, ou o seu retiro para o convento; o castigo da mulher adúltera, ou do seu amante; a triste vida do soldado; a vida de dor e pena dos ceguinhos; a vingança da mulher abandonada; a história da mãe que mata os filhos e acaba na prisão; enfim, as vidas, (...)"

Vitor Marceneiro, in http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/210459.html, artigo de Sábado 15 de Maio,  citando a Agência Lusa.

segunda-feira, maio 03, 2010

Melodias Eborenses

Um video evocativo do 107º aniversário da Tuna do Liceu de Évora, a qual entoa o Hinodo 1º Dezembro, festividade que era, no passado, uma das que marcava o calendário das tunas estudantis, nomeadamente as de Liceu.

quinta-feira, abril 22, 2010

Notas sobre Pseudo-Sapientes II

Por uma questão, também, de respeito pela instituição referida no artigo anterior, a Universidade Fernando Pessoa do Porto, foi enviaod um mail ao Professor Doutor Rui Torres, docente coordenador da área de estudos onde se insere a cadeira que promoveu a criação dita wikipágina sobre Tradições Académicas, nomeadamente a respeitante à "Música Popular", que esmiuçámos, e cujo conteúdo criticámos, no artigo "Notas sobre Pseudo-Sapientes".
A resposta obtida, que nos parece oportuna e pertinente, foi a seguinte:



Caros autores de Notas & Melodias
Agradeço o vosso email com o reparo, embora lamente a disseminação de "duras críticas" feitas antes de me darem conhecimento dessa falta de rigor científico apontado. O artigo será removido, ou pelo menos reformulado, tendo em consideração aquilo que apontam. Seria importante compreender porém que se trata de uma ferramenta de aprendizagem, mais do que um site com intenções de se tornar referência de pesquisa na web.
Nesse sentido, e tendo em conta a vossa contestação, vou ponderar a possibilidade de tornar o acesso a esse mesmo site restrito, evitando desse modo a disseminação de conhecimento em progresso.
Com os meus melhores cumprimentos
Rui Torres




Obviamente que o N&M não julga que houvesse qualquer obrigação, de ordem alguma, em notificar fosse quem fosse, tanto mais que cabe aos envolvidos e a toda a estrutura de ensino zelar pela qualidade daquilo que é produzido e que, após publicação, se torna de domínio público e, por isso, passível de crítica. Além disso, na própria wikipágna são tecidos inúmeros reparos a vários artigos dessa rubrica das Tradições Académicas (no item "discussão"), tendo em conta que o mesmo tipo de erros estão patentes.


Também se discorda do argumento de que o objectivo da página fosse meramente para consumo interno, como ferramenta de aprendizagem, dado que, assim sendo, ela não deveria estar online e acessível ao público (mas ainda bem que estava, pois, assim, foi possível dar conta dos erros existentes e da falta de seriedade e qualidade do trabalho académico de alguns alunos e respectiva desatenção do docente dessa cadeira - que, de outro modo, teriam passado incólumes).
Mais: se a cadeira em questão promoveu uma trabalho que incidia sobre o formato (wikipágina como plataforma de comunicação), então por que razão se preencheu, depois, essa moldura, com "qualquer" conteúdo, sem verificação do mesmo?
Será que, em comunicação, vale mais o meio com que se comunica do que aquilo que se quer comunicar e veicular? A validade e veracidade da informação decorre do formato ou é-lhe secundária?


Pessoalmente, seja em pergaminho ou em formato holográfico, importa é o conteúdo, importa é que, neste caso, o que se lê resulte de investigação e estudo sério, que não seja mero adereço onde se priveligia o cenário.
Seja como for, louvamos e enaltecemos a pronta resposta dada, esperando que, quanto mais não seja, sirva este episódio para alertar as consciências sobre a necessidade de maior rigor e acompanhamento dos conteúdos dos trabalhos que os alunos realizam, e são publicados.


O artigo em causa foi retirado, embora subsistam muitíssimos outros, cujo conteúdo merec eo mesmo repúdio, pela mesmíssima falta de rigor dos mesmos: http://cmultimedia.ufp.pt/index.php/Tradi%C3%A7%C3%B5es_Acad%C3%A9micas#Traje
(sobre Praxe, latada, Pasta, capa, Fado Académico, etc.). Alguns destes artigos, pasme-se, apresentam, como fonte, informações colhidas de entrevistas feitas a funcionárias de uma loja comercial de artigos académicos (neste caso, a Toga). É motivo para dizer que, quando alguém quiser informações sérias sobre agropecuária, por exemplo, basta falar com o dono de uma mercearia; sobre literatura, com um dos funcionários da Bertrand ou, ainda, sobre medicina, com o securitas ou funcionário de secretaria de um qualquer hospital.


domingo, abril 18, 2010

Notas sobre pseudo-sapientes

Não sei se ria ou se chore, perante a atitude de certos pseudo-sapientes que acham que o saber se fundamenta no "parece-me" ou no "acho que". Quando a presunção incauta e irresponsável assenta na falta de estudo sério, obviamente que o resultado é o que se vê (ou lê, neste caso).
Bem sabemos que a Wikipédia é uma fonte falível de informação. Tanto lá encontramos informação credível como textos repletos de erros, dado que o seu conteúdo deriva da participação dos utilizadores. A falta de uma política de revisão séria dos conteúdos colocados e a de colaboradores/administradores que possuam formação nas áreas abordadas leva-nos a olhar para esta "fonte" com extremos cuidados. Parece que o mesmo se pode dizer de certas Wiki páginas, como é o caso da que é alvo deste reparo da nossa parte.
É pois na Wikipágina da Univ. Fernando Pessoa que se encontra o artigo em causa:
http://cmultimedia.ufp.pt/index.php/M%C3%BAsica_Popular, o qual se apresenta sob o título "Música Popular".
É datado de 2007 e escrito por um tal Carlos Cardoso.

De salientar que o texto faz parte de um conjunto mais vasto de produções, sob o título "Tradições Académicas", artigos produzidos na disciplina de Comunicação Multimédia no ano lectivo 2007-08. Também neles se verificam os mesmos erros a atitudes inqualificáveis de ignorância e incompetência, mas que escusamos, por hora, esmiuçar (lamenta-se, isso sim, a publicação de trabalhos com tão pouco rigor e perguntamos que critérios avaliativos presidem aos mesmos).
Classificar o conteúdo do artigo não é tarefa fácil, se quisermos manter alguma ecologia intelectual, mas não é menos verdade que não deixa de nos dar volta ao fígado a sucessão de palermices, roçando a estupidez.
 
De seguida, um breve olhar sobre o conteúdo:

"Música Popular
A Música Popular é muito utilizada pelas tunas hoje em dia, devido ao facto de a geração de hoje ter como gosto o género musical alternativo. Considera-se Música Popular Alternativa a música de bandas ou artistas portugueses contemporâneos, intérpretes mas principalmente autores de temas originais, da área da música popular ou tradicional, mas com pouco reconhecimento comercial e mediático, e cujas vendas se verificam sobretudo no formato "cassete". Consideram-se ainda como parâmetros para esta classificação, a exposição mediática principal ao nível das rádios locais e as actuações ao vivo condicionadas ao formato de baile.
A Música popular é a música feita pelo povo, fazendo parte das suas raízes históricas. É a evolução natural, na era da globalização, da anteriormente chamada música folclórica, que seria a música de um povo transmitida ao longo das gerações. "

Esta explicação é de deixar a boca aberta. Mais ainda esta classificação de Música Popular Alternativa. Não sei onde se desencantou essa nova teoria, mas não a encontro em nenhuma obra de referência da musicologia ou etnomusicologia. O argumento comercial do reconhecimento e exposição mediática é tão ridículo que só pode ser trailer de uma tragicomédia. A própria definição de Música Popular deixa muito a desejar.
Quem não sabe deveria ter o bom-senso de se documentar, antes de se armar em sabichão.
Lastimável!

"O Nascimento da Música Popular
 
O nascimento da musica popular deu-se durante o ducado de Guillaume IX d`Anquitaine, o avô de Eleanor, surgiu por inspiração dele uma classe de poetas líricos e músicos chamados de “Trovadores”. Esta nova maneira de fazer música, contrariava profundamente a maneira tradicional dos compositores da época para os quais a música e a poesia deviam só ser escritas para Deus, sobre deus e só em latim. O louvor uníssono à deus, estava rompido, tanto no tema como na linguagem. Por esta razão e por ter fama de mulherengo, foi excomungado pelo Papa. Seguindo essa inspiração familiar vivenciada pelo seu avô e pelo seu pai, Eleanor foi o elemento de difusão da nova maneira de fazer música para o povo, que falava de amor e da natureza , na lingua deles. Enquanto durou o casamento com Louis VII, ela continuou a apoiar os Trovadores, recebendo-os na Corte de França.
Esta nova música que era de alguma forma revolucionária para os padrões franceses da época, começou imediatamente a ser aceita pelo povo. Eleanor ajudava financeiramente os jovens artistas, procurando agradar os nobres que os recebessem em qualquer cidade da Europa onde fossem. Foi nesta época que surgiram os músicos viajantes, que cantavam em troca de alimento e pousada, em busca de possíveis patronos. Quando esteve casada com Henry II da Inglaterra não perdeu tempo em traduzir a nova maneira de cantar o amor cortesão, estimulando novas criações da língua bretã. Novamente o sucesso foi instantâneo, tanto na nobreza como nas classes mais populares da sociedade. Os filhos de Eleanor e Henry Iinão só cantavam temas dos trovadores como compunham pequenas peças musicais. Nesse particular, destaca-se o Príncipe Richard. Todos os trovadores que passavam pelo reinado eram convidados a cantar na Corte, inclusive o famoso Bernart de Ventadorn. Apesar se eleanor nunca ter tocado qualquer instrumento musical e nem se ter notícia de qualquer composição feita por ela, foi uma das mais importantes personagens musicais de toda a Idade média e da música no Ocidente. Sem o seu interesse e empenho em patrocinar a música e as artes de uma maneira geral, a música popular seria certamente bem diferente nos dias actuais. Eleanor colocou a música nas mãos de pessoas comuns, permitindo-lhes expressar seus sentimentos e temas que eram importantes para as suas vidas. "

Ora começamos já com uma contradição com o anteriormente dito. Se a música popular deriva da produção espontânea do povo (que reproduz, adapta, cria corruptelas, etc.), como é possível que ela nasça de forma tão individualizada, por mão de um(a) iluminado/a que, depois, serviu de modelo ao resto do mundo?
Depois fala-se em "nova música, revolucionária para os padrões da época", como se, antes disso, o povo não cantasse, tocasse e criasse, mas só estivesse restrito a música religiosa. Mais ainda, e aí a estupidez ganha contornos de acefalia aguda, pretende-se dar a entender que a música popular é um formato, uma tipologia devidamente demarcada que é exportada de França, que é copiada e se dissemina pela Europa fora.
Gostava, contudo, que esse tal sabichão que escreve estas patranhas, me desclarecesse sobre o tipo de música dessa época, o tipo de composição literária e me desse exemplos disso mesmo, nomeadamente quando aplicado a tunas.
Parece-me que não percebeu bem, isso sim, os conceitos de música profana e litúrgica, e muito menos é versado no estudo das formas musicais e literárias medievas, mas, contudo, avança com estes teoremas ficcionados.
Depois, mistura música popular e trovadores, num claro exercício de ignorância, de quem não conhece os conceitos de música erudita em contraponto com as composições profanas (muitas delas, num primeiro tempo, corruptelas de composições sacras) e as hierarquias e códigos sociais/culturais da época.
E vai, assim, de fazer de Eleanor a patrona da música popular, a que a coloca nas mãos das pessoas comuns. Faz lembrar a Raínha Santa, com as rosas - só que Santa Isabel era santa e não consta que conhecesse tunas (nem ela, nem ninguém nessa altura).
Haja paciência, para tamanha falta de decoro intelectual.

"A origem da Música Popular nas Tunas

A origem da Música Popular nas Tunas terá acontecido no ano de 1212, em Espanha, surgido o primeiro "Studium Generale" que seria o antecessor das actuais Universidades. Pouco tempo depois, D. Diniz manda construir os Estudos Gerais de Lisboa (1285) que, devido a diversos problemas entre a população e os estudantes foram transferidos pouco depois para Coimbra - surgindo a primeira Universidade Portuguesa (com esta designação). Aos Estudos Gerais que foram sendo criados acediam jovens de todo o país e mesmo de outros países vizinhos. Assim surgem, em Espanha, os Sopistas, predecessores dos actuais Tunos. Os Sopistas eram estudantes pobres que, com as suas músicas, simpatia e brincadeiras percorriam casas nobres, conventos, ruas e praças em troca, muitas vezes, de um prato de sopa (daí o seu nome - sopistas) ou de uma moeda que os ajudasse a custear os estudos. Quando caía a noite e tocavam os sinos de recolha cantavam serenatas às donzelas que queriam conquistar, sendo, muitas vezes, perseguidos pelas policias universitárias (visto que o recolher era obrigatório para os estudantes). Daí que os sopistas começaram a utilizar longas capas negras para, na noite escura, se poderem esconder dos polícias. Os Sopistas, eram conhecidos por transportarem sempre consigo um garfo e uma colher de madeira, o que lhes permitia comer em qualquer lado. Assim, quando se formaram as primeiras Tunas, ainda com muitas tradições sopistas, os símbolos adoptados (essencialmente em Espanha) foram, justamente a colher e o garfo de madeira. "

Depois de ler, atentamente, este parágrafo, acabo na mesma como o comecei: sem saber, afinal, qual a origem da música popular nas tunas, porque tal não é respondido.
O que li foi uma inócua tentativa de fazer uma diegese geneológica de sopistas e tunos, numa sucessão de erros e falsidades uma vez mais derivados do copy-paste sem critério; de muita informação errónea e equivocada, que pulula na net: as tais estórias da carochinha que todos professam dogmaticamente sem procurar, sequer, verificar da sua validade.
 
Começava por relembrar que, no caso de Portugal, é o Papa Nicolau IV que, através da Bula STATU REGNI PORTUCALIAE (1290), confere, então, a Lisboa o tão ansiado estudo geral, sendo nesse mesmo ano confirmado o estudo, em Carta promulgada por El- Rei D. Dinis: “ Dada em Leiria a 1 de Março. Por mandado d´El - Rei a notou Afonso Martim. Era de 1328.” (1290).
Quanto à música popular e às tunas, dizer que, no séc. XIII, não existem tunas, muito menos sopistas, e muito menos tunos. Seja como for, gostava que o douto autor do texto me esclarecesse da tipologia e características dos temas interpretados por esses sopistas e tunos, já agora. Sobre estas "histórias" que não passam de contos, leia-se "A Aventura das 5 Mentiras Tunantes Nacionais" ou ainda "Notas a 600 Anos de Pseudo-Tradição Tunante".
 
Parece-me que, afinal, tem o literato Carlos Cardoso muito pouca propriedade em matéria de musicologia, etnomusicologia e tunologia e que ainda vive dos expedientes fixados no mito e nas estórias ficcionadas. Sugeria que ponderasse o o que diz o artigo "Notas de Mitos sobre a História das Tunas", de modo a poder fazer uma profiláctica reflexão crítica.
Quanto à explicação sobre o uso das longas capas, mais uma vez estamos perante a imaginação fértil da iliteracia, o ficcionar do "ouvi dizer" (já era hora de sair do país do faz de conta). Não sei onde foi buscar essa teoria. Se está no direito de inventar, pelo menos que o faça de forma plausível. Sobre o assunto, sugiro a leitura do artigo Notas de Cor sobre a Capa e Batina.
Seja como for, parece-me lamentável que os leitores sejam induzidos em erro, ao "prometer-se-lhes" esclarecer da origem da música popular nas tunas e, depois, nada explique ou ilustre, nada exponha de tangível. Por uma questão pedagógica, e para desfazer qualquer equívoco sobre essa errada teoria de ligar tunas e música popular, sugeria a leitura do artigo "A Aventura do Mito Popular".
 
 
"O Aparecimento das Primeiras Tunas

A primeira Tuna formou-se em Coimbra, a partir da visita da Tuna de Santiago de Compostela e depois da Tuna de Salamanca e foi chamada Tuna Académica de Coimbra ou Estudantina Universitária de Coimbra."


 
Ora, aqui, estava à espera de algo mais do que citar, apenas, a Estudantina de Coimbra, já que o título diz falar das primeiras tunas. Não tem mais tunas para apresentar?
Desde já, fique o omnisciente Carlos Cardoso seguro que a Estudantina de Coimbra (só mais tarde, cerca de 10 anos, adopta o nome de Tuna Académica de Coimbra e, depois, TAUC) não é a primeira tuna em Portugal, mas sim a primeira a nascer em âmbito universitário, mesmo se não era composta, exclusivamente, por estudantes da U.C. (situação que se continuará a verificar pelo séc. XX adentro).
Por outro lado, a Estudantina de Coimbra nasce em resposta à vista da Tuna Compostelana, e não de Salamanca (lamentável a falta de precisão histórica!).
Para quem tem a veleidade e presunção de publicar na Wiki página da sua instituição de ensino, seria bom que estudasse melhor a lição (e que quem coordenou o trabalho dessa disciplina fizesse outro tanto). Nem todos são papalvos que fazem do copy-paste e da mediocridade intelectual a sua metodologia; nem todos assobiam pró lado quando lhes atiram arreia para os olhos.
 
 
"Exemplos

A caminho de Viseu
Indo eu, indo eu,
A caminho de Viseu, [Bis]
Encontrei o meu amor,
Ai Jesus, que lá vou eu! [Bis]
[Refrão]
Ora zus, truz, truz,
Ora zás, trás, trás,
Ora chega, chega, chega,
Ora arreda lá pr’a trás!
Indo eu, indo eu,
A caminho de Viseu,
Escorreguei, torci um pé,
Ai que tanto me doeu!
[Refrão]
Vindo eu, vindo eu,
Da cidade de Viseu,
Deixei lá o meu amor,
O que bem me aborreceu!
Letra e música: popular; (canção infantil, canção de roda) "

Ora, só podia o artigo terminar com "chave de ouro", com a "pièce de résistance".
O tema popular "Indo Eu a Caminho de Viseu" (que o autor chama de "A Caminho de Viseu") é escolhido como paradigma da música popular nas tunas. Só não percebi se o é desde o séc. XIII. Pode dizer o grande académico Carlos Cardoso de quando é datado, aproximadamente, o tema?
Que eu saiba, só as tunas viseenses têm por costume cantar esta canção e, com excepção da Infantuna que, recentemente, lhe fez um belíssimo arranjo - pela mão do Dionísio V. Maior- e incluiu no seu reportório, sempre foi entoado de modo informal.
Que outras de fora o cantassem, sempre que rumavam Viseu, é natural, mas daí a fazer do tema ícone popular nas tunas...... parece-me claramente exagerado. Além disso, Tunas, em Viseu (exceptuando o caso da Estudantina Viseense de 1895 - que não consta que o tocasse ou cantasse, pois nem se sabe se o tema já existiria na altura), só há 2 décadas, pelo que não percebo esta infeliz escolha.

CONCLUINDO

Se a intenção era falar de Música Popular, não vejo, nem percebo, a inclusão de Tunas. Quando muito, poderia dizer-se que também as tunas incorporam no seu repertório música popular. Agora, colocá-las como expressão da mesma é lacunar e errado. Se o artigo é sobre Música Popular, onde estão as referências rurais e urbanas, os grupos, os instrumentos, as características, as tipologias musicais?
Se a intenção era falar sobre a Música Popular nas Tunas, não se percebe o título do artigo (Música Popular), além de que não explica coisa alguma.
Se o pretendido era falar sobre Tunas, errou completamente a tabuleta!
O facto é que nem faz uma coisa nem outra e o que faz é coisa nenhuma!
É lamentável, e vergonhoso até, que estudantes do Ensino Superior passem esta imagem de medíocre falta de rigor e saber. É isso que aprendem na faculdade? Duvido (e, por isso pergunto-me como chegaram ao Ensino Superior), mesmo se algum ônus da culpa recaia sobre quem coordenou esse trabalho no ãmbito da dita disciplina de comunicação multimédia.
Ao que tudo indica, o autor, Carlos Cardoso, não só empalidece a imagem dos alunos da Univ. Fernando Pessoa, instituição que merece todo o respeito - algo que o pseudo-sapiente não teve em conta - mas do estudante em geral, e do tuno em particular.
Ao que parece, estudante (ou ex-aluno) em comunicação multimédia, estou seguro que terá contrato num qualquer órgão de comunicação social sensacionalista.
Termino o artigo pedindo, desde já, desculpa, pelo tom acertivo impresso nesta intervenção, mas, actualmente, com os meios informativos disponíveis, quando se trata de pessoas supostamente letradas, quando se trata de promover a excelência e o rigor sobre uma cultura e história que todos deveriam conhecer melhor - a Tuna (de que fazem, ou dizem fazer, parte), já farta ver tanta palermice e falta de exigência académica e científica.
Que já exista o mau hábito de ler sites de tunas com patetices deste género é uma coisa, mas fazer disso facto credível com direitos de publicação numa Wikipédia de uma consagrada Instituição de Ensino..................
Ninguém está isento do erro (até porque a verdade pode ser sempre contradita por novas descobertas investigadas), mas haja o bom-senso de, ao escrever, fazer o esforço por estudar, investigar e documentar-se (e confrontar fontes) o melhor possível, de modo a que, mesmo passível de erro ou correcção futura, se mantenha a idoneidade e credibilidade de quem escreve.
Neste caso, não me parece desculpável que, existindo dados credíveis e acessíveis, se cometam tantas argoladas.
Quem não sabe pergunta e "quem não tem competência não se estabelece!".

terça-feira, março 30, 2010

Notas de um Manifesto Tunante

Apareceu na Blogosfera um manifesto dirigido a todos os tunos desta praça, a todos quantos se revejam no seu conteúdo e no seu propósito.
Eu já o subscrevi.

http://manifestoantiimunodeficienciatunante.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

IV Aniversário do Notas&Melodias


O Notas&Melodias cumpre hoje o seu 4º aniversário.

Mais de 60 mil visitas e mais de 500 posts, no sempre renovado intuito de partilhar conteúdos que possam, de alguma forma, serem úteis aos leitores.
Nos tempos mais recentes, tem decrescido o nº de intervenções e de artigos, dado que o autor destas linhas tem gasto quase todo o seu tempo livro na edição de autor que está em fase de ultimação. No intuito de também não cai rna tentação de veicular informações que compete à obra apresentar é que este blogue tem andado menos activo do que, até aqui, vinha sendo usual.
Seja como for, uns dias mais, outros menos, não deixará este blogue de ir mantendo o contacto.

Obrigado pela preferência.



sábado, fevereiro 13, 2010

Melodias Canavalescas

Evocativo desta época festiva (que o Notas&Melodias aproveitará para uma breve pausa), aqui ficam uns videos interessantes da Comparsa denominada "La Tuna del Loco" (1993), cujos temas têm letra de Francisco Villejas Mejias e música de Aurelio de Real.

A todos os foliões, bom Carnaval!