terça-feira, setembro 23, 2008

Notas sobre praxes e Praxe.

O presente artigo pretende reflectir sobre um dos fenómenos que mais paixões e acesas discussões têm levantado na comunidade académica, quase desde sempre:
Qual a validade e pertinência das “praxes”, que sentido tem a Praxe e, neste caso, as ditas “praxes”?

Escusado será fazer, aqui, uma exposição histórica e social da praxe (até porque abordado em artigos anteriores).
Muito do que hoje é todo como definição de Praxe, decorre do que consta do 1º código de Praxe, editado em Coimbra em 1957, quando se verifica o que o prof. António Nunes apelida de "esforço de praxização", ou seja a tentativa de colocar sob jurisprudência da Praxe, aspectos e eventos (queima das fitas, serenata, tunas...)  que não são Praxe, em sentido estrito.
Deste modo, surge a confusão de definir Praxe como conjunto de usos e costumes, quando tal não é correcto.

CONTEXTO

Antes do termo "Praxe" se introduzido (séc. XIX), várias foram as designações que expressaram os actos, práticas e ritos exclusivamente ligados à relação entre veteranos e caloiros (investidas, caçoadas, assuadas, troça, gozo...).
Assim, e durante muito tempo, Praxe designava exclusivamente os ritos e regras que orientavam as relações hierárquicas entre doutores e novatos.
Era por isso uma mescla de regras com o gozo ao caloiro.
Mais tarde, especialmente com a institucionalização das regras da tradição oral em documento escrito (código de 1957), a Praxe alarga o seu âmbito, deixando de se centrar apenas naquilo que até então se considerava, para incluir toda uma panóplia de recomendações, restrições, regras e etiquetas a observar enquanto trajado e, ao mesmo tempo, praxizando diversos aspectos que, até então, estavam à margem.
Obviamente que daí resultaram erros que ainda hoje fazem doutrina.
 

DEFINIÇÃO DE PRAXE
 
 
Por Praxe, de facto, se deve entender, apenas e só, o conjunto de regras, normas de etiqueta e protocolo que regem as relações sociais dos estudantes trajados que livremente aderem.
Deste modo, a Praxe assume-se como "Lei Académica", o conjunto de leis, de obrigações, direitos e deveres a observar em diversos contextos (das protecções ao modo como trajar numa determinada situação, como usar insígnias, etc.).
Poderemos incluir igualmente as práticas (usos e costumes) estritamente ligados à recepção e percurso da vida de caloiro, como é o caso do "gozo ao caloiro (vulgo praxes)" e cerimónias que marcam as etapas e vivência dessa condição (latada, baptismo, julgamento, trupes).
Contudo não é Praxe nenhuma outra actividade onde existem regras de comportamento que, contudo, pertencem à esfera da Praxe, mas que em si não o são (Missa de Finalistas, uso de insígnias, Serenata, Desfile, direito a trajar .....).
Por exemplo: a Praxe define como trajar durante a Serenata Monumental, mas a Serenata não é Praxe. A Praxe define como usar a a pasta com fitas (e com quantas), assim como se deve trajar, na Missa de Finalistas, mas a Missa de Finalistas não é Praxe.
A Praxe define como trajar, mas o traje não é Praxe (porque uniforme identificativo da condição estudantil), pelo que ilegal proibir um estudante de trajar (caloiro ou não).
 
O que fazemos do traje é Praxe. Mas o que fazemos de traje não o é forçosamente.
 
A Tradição Académica é bem mais vasta do que a Praxe, a qual é apenas um dos seus aspectos.
Assim sendo, é também erróneo confundir Praxe com Tradição, pois a Praxe resulta da Tradição (e só assim tem legitimidade).

ESTAR NA/EM PRAXE não é "estar" nas praxes.
 
Observar a Praxe é cumprir com o que ela determina para cada situação. Não existe, pro isso, qualquer precedente, e muito menos qualquer direito de aferir pessoas em relação à participação no gozo ao caloiro.
Desde logo por isso se não pode, nem deve, impedir um estudante de estar na Praxe só porque não aderiu às "praxes".

As praxes não são recruta ou condição obrigatória para se exercer praxe, trajar, fitar, etc.
Não é Tradição que, para se estar na Praxe (e com isso signficando participar das actividades tradicionais: serenata, queima, benção, cortejo...), seja obrigatório ter sido praxado, nem mesmo para praxar caloiros no ano seguinte.
Nenhum argumento histórico suporta tal concepção, excepto a ignorância de quem inventou papismos e criou códigos(zecos) repletos de mitos, mentiras e muitas estórias da carochinha (e zelados por organismos de praxe constituídos por ignorantes e incompetentes).
 
A confusão instalada está precisamente em confundir Praxe (lei) com "praxes" (gozo ao caloiro). E por uma questão de salubridade, dever-se-ia reabilitar o uso da designação "Gozo do/ao caloiro", ou pelo menos evitar confundir as praxes com a Lei Académica que rege não apenas estas.
 
COMISSÕES DE PRAXE
 
Incoerente, portanto, existirem "Comissões de Praxe" cuja finalidade não é serem responsáveis pelo Código de Praxe, zelarem pela sua observância, actualizações/correcções, e servirem de guardiães da justiça académica.
"Comissões de Praxe" que organizam praxes são comissões de gozo ao caloiro.
Pior ainda quando há "comissões" e, acima destas, um Conselho de Praxe ou de Veteranos. Quem, afinal, é  o organismo responsável pela Lei Académica?
Comissões de Praxe, seriam, então, a bom dizer, grupos colegiais encarregues de estudar propostas de revisão da legislação, de averiguações de casos, responsáveis por elaborar relatórios a apresentar ao organismo titular (como as comissões parlamentares).
As comissões, como o próprio nome indica, são instituições temporárias, razão pela qual, os organismos permanentes, responsáveis pela Praxe não se deveriam chamar de "comissões".

Mas este artigo é precisamente para falar desses ditos Ritos de Iniciação, as ditas “praxes” aos caloiros, que tanta tinta, argumentos e fratricidas “guerras” têm alimentado.

Para que servem as “praxes” aos caloiros?

Para os defensores das mesmas, serve para integrar os novos alunos; para os seus detractores, é uma humilhação gratuita que serve apenas para alimentar o ego dos veteranos.

O que, no meio disto tudo, mais me cria aversão é que, de ambos os lados, os argumentos são de gente ignorante, totalmente desprovida de reflexão séria e ponderada. De uma maneira geral, quer os auto-proclamados “anti-praxe”, quer os ditos praxistas (a começar pelos que lideram os organismos de praxe), colocam-se ridiculamente nos antípodas, ambos pecando por reduzida visão e saber.

As “praxes” servem para integrar?
Diz-se, à boca cheia, que sim, mas de que maneira?


Respondem os “praxistas” que criam amizades entre caloiros, entre estes e os doutores, que ganham espírito académico …….. (e outras baboseiras que escuso reproduzir).
Sempre que ouço este tipo de argumentos não sei se chore ou se ria. É assim que se define e resume a res praxis? Não me parece.
Fala-se em integração, quando nem sequer se percebe o alcance desse conceito ou se espera que ela se faça com acções muito pouco potenciadoras disso mesmo.
Os ritos são uma forma de promover a adesão e integração à cultura académica, mas tal não sucede no imediato e por magia das praxes, mas ao longo de toda uma vivência que se estende no tempo, e em que as “praxes” são uma parte, apenas, desse processo.

As “praxes”, neste caso os Ritos de Iniciação, visam, antes de mais, marcar uma separação clara de grau de ensino e vivência. Os ritos a que os caloiros são submetidos visam, sobretudo marcar uma fronteira, para o integrar numa nova matriz de cariz mais corporativista, conferindo-lhe espírito de corpo, de unicidade a um foro social e cultural totalmente díspar do restante da sociedade (e do que, até aí, pudera experienciar).
Através dos ritos, o indivíduo é consciencializado da existência de uma tradição, cultura e história que o transcende, que é maior que ele, levando-o a tomar conta que, neste novo “sistema operativo”, o indivíduo é parte integrante e não o contrário.

Os ritos servem, pois, para assinalar a entrada na vida universitária e a integração no grupo, com base na consciencialização do indivíduo para o respeito pelo património e cultura em que ingressa, e a necessidade de conhecer essa mesma cultura e património. Além disso, vinca-se o dever de respeitar a antiguidade, que assume papel paternalista de quem ali está para ensinar como as coisas funcionam e como o indivíduo se deve posicionar como parte do todo.
Muitas vezes (quase sempre) a ignorância e falta de educação dos "doutores" leva precisamente a abusos e a fazer fugir a "clientela" (e a dar lenha com que tantos incendeiam artigos contra as praxes).

O indivíduo que percebe e apreende a grandeza a que foi chamado a fazer parte, mais facilmente lhe dará valor, a irá promover, viver e defender.
Para isso, servem os ritos - no mesmo processo usado para obtenção do metal, de modo a separar as impurezas e apenas ficar o metal valioso, criar a predisposição para conhecer e, assim, melhor compreender e vivenciar o que irá pôr em prática.
Assim, as “agruras” por que passam os caloiros têm por finalidade imprimir um alerta: quem inicia o seu caminho deve perceber que muito tem a aprender, depois a defender e promover, antes de um dia poder ter algo a legar.
Não sejamos ingénuos a ponto de dizer que tudo se faz com palmadinhas nas costas e umas rodadas.
Há necessidade de uma depuração que passa por um processo que implica alguma “dor”, a qual não deve ser entendida como violência. Essa “dor” deve ser entendida como o esforço que implica ajustar-se, reajustar um modo de ser e pensar ao modo de viver de um grupo.
Um processo que não é exclusivo do foro universitário, como sabeis. Por isso é que há sempre um preço a pagar (essa sim, a verdadeira patente), algo que ninguém faz sem custo, pois mudar, desfazer-se do seu egocentrismo, perceber que os direitos pagam-se com o cumprimento de deveres, é um exercício que a todos custa, principalmente numa idade onde todos estamos a rebentar de “autodeterminação” e afirmação pessoal.

Não se trata de robotizar, nem mesmo deve ser entendido numa politização fascista, mas tão-somente como uma (re)educação, uma nova aprendizagem, necessárias, aí sim, a uma integração num grupo que tem regras de convivência próprias e que marcam o percurso do estudante universitário enquanto tal.
O grande problema queda-se, contudo, na forma como são esses ritos praticados. Como não existe a compreensão da finalidade dos ritos (porque a maioria existe como fim em si mesmo), cai-se na humilhação gratuita, com práticas abjectas e desprovidas de sentido (cuja natureza de muitas nem sequer sem insere na praxe, mas sim no foro do crime e, por isso, de natureza policial). As práticas, para surtirem efeito devem ter objectivos concretos a serem alcançados, algo que todos, a começar pelos caloiros, devem conhecer.
Nada há pior do que nos obrigarem a algo que não gostamos, principalmente quando não lhe compreendemos a finalidade.
As “praxes” não são para gostar, são para preparar o indivíduo – a primeira fase da formação (infelizmente, quase sempre se fica por aqui, ficando a formação na gaveta), predispondo-o a conhecer, alimentando a sua curiosidade em tomar conhecimento e parte da cultura em que se vai inserir.
Não esquecer, também, que uma larga parte dos jogos e brincadeiras a que chama "praxe" nada têm de Praxe, de praxe ou de praxes. São isso mesmo: brincadeiras. Assim sendo, em coerência, não deveriam estar inseridas nos ritos de recepção ou integração, nem sequer serem chamadas de praxes.
O que aprende o caloiro ao ficar com a cara cheia de farinha, saltar "á cabra cega", fazer jogos tradicionais, corridas, andar a rebolar, cantar músicas.......... o que aprende sobre tradições, Praxe......?
Serve para integrar? Ajudará, em muitos casos, mas a Praxe não é colónia de férias, grupo de escuteiros ou quejandos. Além disso, a integração numa instituição não precisa de praxes sequer (nem mesmo de Praxe). A integração em causa não é desse tipo; não se trta de ambientar-se às aulas, aos colegas, professores, cidade...... mas de integração na cultura, usos e costumes estudantis, regrados e definidos enquanto tal.

A esmagadora maioria dessas práticas esgotam-se passada a fase de recepção ao caloiro e não tem qualquer continuidade gradativa, ou seja, a continuação da formação do indivíduo – o qual só volta a tomar consciência da existência de ritos, quando chega a Queima das Fitas (e, por sua conta e risco, espera-se que lá chegue já integrado e conhecedor, de facto, do que é Praxe).

Nesse aspecto, os detractores da praxe acabam por ter muita razão quando se insurgem contra as práticas realizadas.
Quando os ritos servem apenas para alimentar o ego ditatorial e sádico dos veteranos e doutores (que quase só se mostram nessa altura, diga-se), reduzindo à condição de escravo ou empregado os caloiros, não podemos estranhar que nasçam associações anti-praxe (principalmente com a quantidade de excessos praticados que nada têm a ver com praxe) ou redobrem as queixas policiais.
Mas se os ditos “anti-praxe” são “alimentados” pela ignorância e estupidez de muito “doutorzinho”, não posso deixar de endereçar os mesmos adjectivos aos componentes desses grupos “anti-praxe”: que mostram a mesmíssima ignorância bruta daqueles que condenam, ao reduzir o significado de praxe apenas aos ritos de iniciação (e pior ainda – e isso é prova cabal de má-fé, acefalia e estupidez total – quando atacam tunas).

Qual o problema?

O problema reside em 3 aspectos essenciais:

A falta de formação, competência e saber dos organismos de praxe. O exemplo deve vir de cima e a aposta passa sempre por formar e informar, mais do que autorizar praxes e fiscalizar as mesmas. De nada vale fiscalizar pessoas que nunca foram, realmente, formadas e informadas. Um código escrito não basta, quando muitas vezes está, ele próprio, longe da realidade praticada (ou cheio de invenções e mitos ou inutilidades - o que sucede em 99% dos que existem em Portugal).
Vale mais o exemplo de conduta do que quilos de decretos e normas.
Mas como só se pensa em praxe, fazer desfiles, festas e afins, cada qual vai improvisando e/ou copiando o que vai vendo (nem sempre copiando bem, ou o que está bem), muitas vezes com total sentimento de impunidade.
E Espírito Académico passa a ser algo tão indecifrável que cada um tem o seu, e defini-lo fica no âmbito do “inexplicável” por palavras.
Antigamente, tendo em conta as academias serem pequenas, existia um espírito mais familiar, o que facilitava a passagem do saber oralizado, alicerçado numa real vivência da tradição, sendo o código bem mais do que um documento, pois era vivido e apreendido – fazia implicitamente parte de cada um, ao contrário da actualidade.
Os códigos de hoje, que mais parecem manual de inquisição, são uma sucessão de milhares de artigos (alguns dúbios) que a maioria desconhece, distantes da realidade (porque querem regrar em demasia, ao invés de acentuar o essencial), pejados de mitos e artificialismos, observados mais por obrigação do que por convicção (e onde as proibições e normas sobre caloiros ocupam parte considerável do documento).

A natureza da maioria dos códigos de praxe. Uma grande parte aparece pouco tempo depois da implantação da instituição, não sendo reprodução escrita (devidamente articulada e ajustada) de usos e costumes anteriormente praticados (e resultante da experiênciação da tentativa-erro de que resulta uma certa maturação das práticas e escolha das mais adequadas) , mas a imposição de regras nas quais poucos encontram eco ou se revêem. Um código, na sua primeira edição, deve reproduzir o que já era (bem) feito, o que já era tradição oral (regrando, ajustando esses usos aos objectivos desejados), para que possa ter o devido precedente e justificação histórica, social e cultural para se averbar código que possa servir de modelo aos vindouros.
Nesse aspecto, uma grande maioria dos códigos existentes são documentos artificiais que apenas vieram alimentar usos e costumes eles próprios vazios de significância, mais seguidos por serem lei, do que por serem aceites como pertinentes.
É facto que grande parte dos códigos que por aí pululam visaram, num primeiro momento, definir uma identidade própria, diferente das demais academias e cidades, nomeadamente de Coimbra, criando uma catadupa de “praxes”, regras e disposições “de plástico”, usos artificiais, a que a panóplia de “trajes académicos” (99% dos quais sem fundamentação válida), cada qual ao seu estilo, veio a reboque. Nesse aspecto, terá sido, esse, um dos maiores erros históricos e a maior falta de bom senso registados na história da praxe. Bairrismos inusitados e a força de ter de ser, à força, diferente, levou a trajes sem qualquer razão de ser perante a capa e batina – traje oficialmente definido como Traje Nacional (e, por isso, não apenas de Coimbra), identificativo do estudante universitário português.
Quando ainda por cima alguns abanam o argumento de "as nossas tradições" (achando que ao novo basta parecer "antigo"), fica claro o quanto a ignorância, e por vezes estupidez, grassa no foro académico de hoje (e de há uns largos anos a esta parte), desde os praxistas mais ferrenhos aos conselhos de veteranos e comissões de praxe.
Tantos são os absurdos repetidos que é de perguntar que gente temos no ensino superior que nem sequer questiona a origem, a validade das coisas (alguns artigos estão listado à esquerda, precisamente sobre essas "doutrinas" que alguns pregam como dogmas autênticos).

A formação de cada indivíduo. Um aspecto que resulta dos dois anteriores, obviamente, a que acrescem as características sociais e culturais das novas gerações.
À falta de formação dos futuros agentes da praxe (mais congressos, colóquios, tertúlias, fóruns, publicações urgem), a relação causa-efeito que daí advém surge natural e inexorável. A praxe perdeu a sua linearidade vertical e horizontal, passando a um “sistema de ilhas” e evento sazonal, centrado exclusivamente no parecer em detrimento do ser – fenómeno superficial que existe “para inglês ver”, numa de “Maria vai com as outras”!
Valores como o respeito, abnegação, espírito empreendedor, participação voluntária, desejo de valorização complementar vão dando lugar à apatia, indiferença, egoísmo, competição, materialismo e facilitismo que não são condizentes com o perfil de académicos activos, produtores e reprodutores de cultura e excelência que deveriam caracterizar o estudante universitário, o praxista. Mas se tal não acontece, não podemos imputar tudo à sociedade ou aos paizinhos ausentes ou permissivos.
Os ritos de iniciação servindo para formar, depurar, educar e preparar o indivíduo para compreender, apreender, aprender e tomar parte da comunidade universitária, deveriam bastar para garantir que cada um exercesse consciente e proficuamente a sua cidadania académica. O problema é que nem quem os pratica e aplica tem idoneidade e competência para essa tarefa, nem quem depois pretende mudar as coisas tem espaço para tal.
“Quando os princípios são maus, não se esperem bons fins”, diz o povo e tem razão.


Concluindo:

Perante o actual panorama dos ritos e práticas exercidos, temos de convir que são um fenómeno que carece de pertinência e que serve interesses que não interessam de facto.
Troque-se  as brincadeiras (que de maior ou menor gosto, não passam disso: brincadeiras) por momentos de formação, informação e debate, tertúlias animadas e outros momentos de convívio que possam preparar as pessoas para exercerem, de facto, a missão de integrar os caloiros, movidas pelo dever e competência e não por desejos recalcados de vingança, sadismo ou simples vontade de afirmação.

Quando a praxe está reduzida, na sua imagem pública, ao que se passa em Outubro e Novembro (pior ainda, quando inventam praxes pelo ano fora), seria bom que outra postura fosse adoptada e algumas medidas firmemente tomadas, de modo a que quer os protagonistas directos, quer os responsáveis pela praxe deixem de envergonhar e manchar os pergaminhos de uma tradição e cultura que merecia outro trato e respeito, e de quantos viveram, com elevação, a condição de académicos.

 

77 comentários:

Vasco Miguel Casimiro disse...

Caro Pena (WB),

Excelente artigo sobra a praxe. Gostei muito de o ler.

Cumprimentos

Vasco Miguel Casimiro

www.vascocasimiro.blogspot.com

Pena (WB) disse...

Essa dapetição dá vontade de rir. Petição para quê?
As instituições não perseguem a praxe, mas apenas os abusos que se praticam, tentando, é verdade, regrar os ritos de recepção aos caloiros (que, em certos casos, passa por proibir as actividades no seu campus).

Ponham-se no lugar de um reitor que tem a sua faculdade referenciada como antro de ilegalidades e abusos e cuja imagem pública está fortemente comprometida. Que fariam?

Não defendo a intromissão de terceiros em assuntos de praxe, mas percebo, até certo ponto, o "desespero" que força essa decisão, até porque nenhuma outra medida profiláctica ou remediativa encetada pelos próprios estudantes parece ter resolvido coisa alguma.

Como se costuma dizer, "casa roubada, trancas à porta"!!!

Anónimo disse...

O melhor artigo que li até hoje sobre as praxes. Só podia ser do meu antigo Dux.

Anónimo disse...

Fui praxado este ano.Ninguem me obrigou a nada, ninguem me obrigou a ir, nem sofri nenhum tipo de pressao psicologica ou de qualquer outro tipo para ser praxado.Fui , pura e simplesmente porque QUIS.
Se ao inves de escreverem textos a maldizer as praxes, fossem para o terreno perguntar as pessoas se la estao obrigadas, entao elas responderiam que nao.Posso tambem dizer que foram 3 semanas em que fiz bastantes amizades, nao da minha escola, ou curso ( que tambem fiz, como e obvio) mas tambem de outras faculdades, ja que fomos todos praxados em conjunto.Por isso, nao consigo desvendar em que ponto as praxes merecem tantos pontos de discordia entre pessoas, é na realidade muito simples, quem quer ser praxado é, quem nao quer nao é.

Pena (WB) disse...

Caro anónimo, praxado este ano,

Não foi obrigado e ainda bem.
Gostou do que viveu e ainda bem.
Não sofreu pressões físca sou psicológicas, que bom!
Foi porque quis, tanto melhor!

Mas há quem o seja e ainda mal.
Há quem não goste, infelizmente.
Há quem seja violentado fisicamente psicológicamente, para mal da praxe e do bom nome da tradição aademica.
Há quem vá sem querer, o que se lamenta, ou porque é coagido a tal ou porque não quer perder certas regalias futuras da condição de académico!


A realidadeé esta e não se pode escamotear.
Há, ainda bem, muitas e honradas excepções, contudo o fenómeno generalizou-se e criou má fama, pagando o justo e o pecador!

O texto que escrevi condena todo e qualquer acto que,pela sua natureza, não é praxe (embora certos inergúmenos achem que sim) e que conspurca e envergonha tudo e todos.

Este texto condena todos os muitos actos atentatórios à integridade física e moral dos caloiros. Isso não é praxe, mas sim matéria criminal.

Este texto não diz mal da praxe, mas de certas práticas e protagonistas que deveriam ou estar nums instituição psiquiátrica ou atrás das grades.
A crítica é feita por quem foi Dux-Verteranorum e tem uma enorme estima e respeito pela Praxe, contudo não se conforma com o que vai sucedendo na ditas "praxes".

O meu caro amigo anónimo é demasiado novo e inexperiente no assunto, mas daqui a uns anos realizará que não é com certas práticas (as que o meu amigo não viveu ou presenciou, mas que não significa não existirem) que se defendem e promovem as nossas tradições académicas.

Tomo a liberdade de lhe dar alguns conselhos, não apenas por o meu amigo ser ainda um"teenager", mas por ser caloiro (ignorante, à partida, sobre assuntos de praxe):

- Leia mais e fale/escreva menos sobre assuntos de praxe. Na sua idade e condição tem mais a aprender e a receber do que a ensinar ou julgar.

- Procure ouvir, informar e formar-se sobre os assuntos.Pesquise e não se contente com a primeira "solução" encontrada. Confronte as teorias, tenha espírito crítico e o descinermiento para aplicar os seus saberes académicos em prol da sua formação sobre praxe.

Se tiver esse cuidado, certamente que daqui a cerca de 2 décadas, conseguirá sentar-se à frente de um teclado e escrever com mais propriedade do que eu sobre o assunto.

Anónimo disse...

Ó caloiro, só porque gostaste da praxe e tiveste a sorte de ter pessoal porreiro a praxar-te isso apaga o que acontece a quem sofre na pele as maiores barbaridades?
Isso é mesmo desta geração: egoístas que só conseguem ver o seu mundinho e umbigo!
Ninguém está aqui contra a praxe, mas é preciso distinguir a praxe daquilo que não é.
Se a praxe na tua faculdade é boa lembra-te que em muitos outros sítios isso não acontece e é contra isso que o Pena está a falar.

Miguel Cardoso disse...

Eu fui praxado, este ano em Beja.No inicio sempre achei que a praxe não tinha nada de mal, até porque tenho diversos amigos que foram praxados, e todos eles me disseram que as praxes não tinham nada de mal, por isso decidi ser praxado,não vendo qualquer inconveniente nisso.O que se passou foi que, ao invens do que nos disseram, no primeiro dia de praxe, não foram as melhores tres semanas da minha vida, mas sim as piores, nunca tinha sido tao enxuvalhado na minha vida, como o fui nessas três semanas.Fiz de todo um pouco, apenas e so para poder usar o traje, para ser aceite,enfim para me socio-universitar nesse meio.Tive que fazer de homossexual ( nada contra as opçoes sexuais das pessoas, nem ha nenhum racismo aqui)comi papa, que no fim descobri, que tinha vomitado de um vet. la dentro,levei com comida de cao nas zonas pubicas,tive que fazer croquetes na relva onde os caes defecam,enfim... e muito mais, que não vale a pena estar aqui a escrever, porque voces podem-no imaginar.No ultimo dia de praxe, desisti, apesar de ter aguentado 3 semanas, o meu psicologico veio abaixo completamente, chamei todo o que sabia aos meus veteranos, ao dux, ao todos que me apareceram pela frente.Passei-me.Sou a favor das praxes, mas no sentido educativo, e de integraçao e recessão ao caloiro, não no sentido de ser enxuvalhado por toda a gente, isso não.
Anonimo,ainda bem que as praxes para ti foram fixes e porreiras, e ainda melhor, dou te as felicitações por teres feito bastantes amigos,e ainda bem que não passaste pelo que eu passei.

cumprimentos a todos.

Pena (WB) disse...

É sempre de lamentar quando toca a aponta ro dedo a práticas revestidas de praxe, mas que o não são.

É certo que não podemos esperar um serviço de luva branca, tapete vermelho e menu "à la carte".
Poderia, eu próprio, atirar: "Também, sabe Deus, o que passei no meu tempo - e nem por isso morri!", mas reconheço que não foram algumas más práticas a que me sujeitaram que ajudaram à minha integração.

Para tudo há limites, obviamente.
Condena-se, por isso, que se sujeitem caloiros a certas brincadeiras cujo o objectivo não apenas não existe (ou existe algum em por 2 caloiros em simulações de cariz sexual?), como nem sequer são, de facto, praxe, mas sim crimes públicos.

Bastaria dar o exemplo de "baptismos" feitos com uma mistela que, para além de muitos ingredientes estranhos, continha urina dos proprios veteranos.
Venha alguém dizer-me que isso é praxe!

Ainda assim, também não venham alguns "vidrinhos" pregar indignação só porque estiveram de 4a imitar os sons de um qualquer quadrúpede, (excepção feita se, como no meu tempo, tenham sido obrigados a percorrer mais de 500 metros nessa posição, em plena chuva, a ponto de rasgar umas calças de ganga, enquanto um veterano cowboy fazia dos caloiros a sua montada).

Ao caloiro de Beja, apenas dizer que, apesar de tudo, não se defendem direitos infringndo a lei. Quem tem razão deve manté-la e não revestir-se de telhados de vidro, por mais indignado e ofendido que se tenha sentido.
Ofender a hierarquia da praxe não é solução, mas antes usar a cabeça para servir-se da lei (código da praxe, para começar) para repor a legalidade e punir os infractores.

Se os caloiros tivessem, pelo menos, a sensatez de se informar sobre o código da praxe (não acredito que não lhe possam aceder - o que seri auma ilegalidade), melhor saberiam defender-se. Os veteranos abusam com base na ignorância dos caloiros.

A Praxe merece-nos todos o respeito, mesmo se alguns dos seus protagonistas não!

O seu testemunho torna-se, pois, útil, para servir de alerta e ajudar a uma maior reflexão e ponderação sobre os ritos de recepção aos caloiros.

Sir Giga disse...

Ainda sobre o tema das "praxes", mais concretamente sobre o artigo 121 dos novos estatutos da UTAD:

http://transmontunices.blogspot.com/2008/10/praxe-e-utad-uma-breve-reflexo-parte-1.html

http://transmontunices.blogspot.com/2008/10/praxe-utad-uma-breve-reflexoparte-2-da.html

http://transmontunices.blogspot.com/2008/10/praxe-e-utad-uma-breve-reflexo-parte-3.html

JoZeg disse...

Bem, antes d mais o texto tá impecável, posso dizer q discordo de alguns pontos mas é dos poucos textos que nao peca por só defender ou só atacar as praxes....

Acho q toda a gente concorda que uma praxe com fundamentos TÉM mto de bom...realmente alguém que vive uma praxe intensa deixa de ser caloiro mas nao volta mais a ser aquilo que era antes de entrar pa UNI...é realmente uma pena que maus actos praxisticos estejam a denegrir a praxe boa...

Anónimo disse...

O melhor artigo que li na minha vida sobre praxe. Verdadeira praxe era que ele fosse de leitura obrigatória por parte dos doutores e dos caloiros.
Parabéns ao autor pela qualidade do blog e deste artigo em concreto. Concordo que fazem falta debates e colóquios sobre as praxes para formar e informar os praxistas e os caloiros e o senhor teria muito a dizer e a ensinar neles.

Joana

Anónimo disse...

Muito bom este artigo. Fazem falta estas reflexões e ouvir quem fala com conhecimentos.

Ivone Silva disse...

Impressionante a qualidade do artigo e de outros do género. Uma exposição estupenda com a vantagem de o autor a fazer de forma realista olhando aos dois lados da questão.

Ivone Silva

Anónimo disse...

Sou anti-praxe apesar disso congratulo o autor do texto que se distingue de muitos outros que são ignorantes e extremistas.

Pedro Pinheiro disse...

Caro Pena (WB),

Sendo eu "anti-praxe" (ou melhor, "anti-praxes" já que não tenho absolutamente nada, muito pelo contrário, contra a tradição académica "fora" dos vulgares rituais de iniciação) não posso passar sem o felicitar por este excelente texto.

Concordo em absoluto com tudo o que diz e deixe-me dizer que fosse a Praxe como você a vê e deseja, eu teria todo o gosto (e orgulho) em fazer parte dela. Contudo, parece-me que incorre num erro comum neste género de análises. Refere que os actuais rituais de iniciação (leia-se: flexões, simulações de cariz sexual, pinturas e todas as alarvidades que podemos ver quando passamos por um qualquer campus universitário) não fazem parte da Praxe mas, o que é uma tradição senão a sua vivência? Neste momento, as praxes são em larga medida tudo o que compõe a Praxe (ou são pelo menos, uma parte significativa dela para uma franja significativa de pessoas) logo, a Praxe que defende (e a Praxe que eu esperava quando ingressei no ensino superior) está morta e dela só restam textos saudosistas como o seu.

Tenho pena que assim seja, tenho pena que as "elites" tenham deixado cair uma tradição tão intensa e cheia de orgulho num mero jogo de berros e urros no meio da lama. Tenho pena que as serenatas tenham dado lugar a jantares e "ralis tascas" onde se batem recordes de consumo de álcool. Tenho pena que a "noite universitária" se tenha tornado no símbolo de depravação e acima de tudo tenho pena por não ter vivido a Praxe de que ouço saudosamente falar (por textos e relatos de pessoas mais velhas).
Compreenderá então, que dado o estado a que chegámos, não tenha aceite à uns anos fazer parte desse jogo de humilhação com o qual me deparei nos primeiros dias como universitário. Compreenderá que deparado com um mundo académico distorcido qualquer pessoa com um pingo de valores e respeito próprio não possam aceitar fazer parte dele.
Tenho pena, porque pela parte quebra-se o todo, e com rituais de iniciação ridículos perde-se tudo o resto mas, isso torna-se imperativo para alguém (que como eu) se respeita minimamente.

Entretanto... continue com estes fantásticos textos para dar um vislumbre a todos que, como eu, não podem ter acesso a um mundo passado que só pela bestealidade de alguns não é o presente.

Pena (WB) disse...

Caro Pedro,

Percebo perfeitamente o seu ponto de vista e aproveito para agradecer as suas simpáticas palavras.

Ainda assim, dizer que não me faz mossa que os caloiros sejam sujeitos a alumas brncadeiras, como andar de 4, servir à mesa ou ajudar em tarefas várias, como criado (havendo, acima de tudo, contenção e sem abusos). Mas o problema é quando as praxes se resumem apenas a isso, quando essas brincadeiras não são somente coisas pontuais: quando apenas se humilhia gratuitamente e não se oferecem outras formas e outros meios ritualístico.

Os ritos são importantes, em qualquer sociedade, em qualquer etapa e situação, mas quando são um fim em si mesmo, deixam de o ser, para serem outra coisa qualquer que, neste caso, de praxe muito pouco terão.

Bem sei que caíu no uso generalizado, mas quem sabe não seja responsabilidade de todos, depois de caloiros, mudarem as coisas (o que não se consegue ficando de fora), mudarem esses novos "costumes".

Eu não sou anti-praxes, mas sim anti-abusos em nome delas, como percebo que o meu amigo será também.

Forte abraço

Rafael Ortega disse...

Caro Pena,

Apenas hoje vim ler o seu texto apesar de me ter deixado o link na caixa de comentários do meu blog há já algum tempo.
Concordo com a sua visão da Praxe e penso até que se, enquanto Dux, a pôs em prática, teria muito gosto em ter sido seu caloiro.

Infelizmente a praxe está a tornar-se um pouco as palhaçadas, e às vezes crimes, que se ouve nos media. Posso até referir o meu exemplo. Este ano estou no segundo ano e entrei para a comissão. Ia cheio de ideias, mesmo sabendo que muitas não seriam levadas para a frente. Muitos outros colegas de 3ºano também queriam envolver-se. As coisas acabaram por ser organizadas pela meia dúzia que faz sempre tudo. No primeiro dia muitos caloiros desistiram de ir as actividades depois de os obrigarem a rastejar por uma mistela com margarina, maionese, farinha e sei lá que mais.

O tribunal de praxe (para caloiros mais conhecidos) são sempre iguais, uma repetição do que os organizadores sofreram nas suas praxes (não são coisas humilhantes mas revela falta de ideias no mínimo).

Quando fala na perda das tradições concordo inteiramente. Eu, muito provavelmente, fui mais vezes trajado para a universidade que o resto da comissão toda junta. Cheguei a estar num anfiteatro cheio e só eu estava trajado.

Para finalizar apenas referir que no meu curso não se faz enterro do caloiro porque no fim do ano é altura de "muito trabalho".

É difícil mudar as coisas quando 99% das pessoas tem o traje "para praxar" e a ideia de praxe é ver caloiros a rastejar no chão.

Marco Oliveira disse...

Viva! Em primeiro lugar, queria dar os parabéns ao autor pelo texto. Eu sou aluno da Universidade de Aveiro, actualmente Mestre Marnoto (aluno de 4ª matrícula, para os que não estão por dentro do nosso código), tendo já pertencido à Comissão de Faina (Comissão de Praxe) e, como tal, tenho vivido a Praxe desde que iniciei a minha vida académica. Só um pequeno aparte, a nossa tradição académica está inspirada nos costumes da nossa cidade, tradicionalmente ligada à pesca, ou faina, e à produção de sal. Penso que seja um boa maneira de transmitir ao corpo académico um pouco da História da cidade que nos recebe, e criar uma certa empatia e respeito pela mesma.

Devo dizer que partilho da mesma opinião do autor, e, felizmente, posso dizer que a Praxe na nossa academia, tanto quanto tenho visto, tenta aproximar-se o melhor possível do descrito pelo autor. Isto não implica que já não tenha assistido às ditas "brincadeiras", como pinturas, flexões, ou até mesmo a cenas de cariz sexual que, pessoalmente, condeno e acho que demonstram mau gosto e falta de originalidade. Quanto às brincadeiras, penso que são inofensivas. Tirando casos de pessoas que possam ter algum problema físico, não vejo mal nenhum em fazer uma brincadeira, quando existe uma finalidade, quer seja esta melhorar a aptidão física do aluvião (dito caloiro nas demais academias), quer seja como forma castigo em caso de falta de respeito com a tradição, colegas ou veteranos.

Penso que o ponto fundamental da Praxe é precisamente a educação do recém chegado às tradições e costumes da academia que está a integrar, a criação de um espírito de comunidade em detrimento de um espírito individualista ("liceal", como o autor referiu) e também a criação de um ambiente de respeito, mais uma vez, com a tradição, com os colegas, e com os veteranos.

Por fim, em relação aos ditos "anti-praxe", penso que é uma pena que algumas pessoas sejam forçadas a isolar-se, e deixar de viver o ambiente e tradições académicas, por causa dos "doutorzinhos", que têm mais de sádicos que de académicos, possivelmente porque também já foram educados desta forma. Acredito que haja muito "anti-praxe" que gostaria imenso de participar na tradição, se esta fosse realmente cumprida, ao invés de uma visão distorcida da tradição. Os únicos que considero realmente "anti-praxe", são aqueles que se acham bons demais para participar nas actividades promovidas ou aqueles que acham que ficar a conhecer um pouco os costumes das academias que integram não é para eles. Estes podem-se chamar de "anti-praxes". Não querem, nem esperam nada da academia, por isso também não trazem ou fazem nada pela a mesma.

Não sei se o autor partilha de algumas das minhas opiniões, mas quis deixar aqui o meu parecer, por achar que este era um artigo imparcial e completo sobre o que foi, o que é, e o que deveria ser a Praxe.

Cumprimentos, Marco Oliveira.
marcooliveira [at] ua [dot] pt
MIECT - Universidade de Aveiro

Magrinho ;) disse...

Acabar com a praxe não seria só acabar com os actos de violencia e de humilaçao, mas seria também acabar com seculos de tradição universitaria portuguesa.
Desde sempre que a praxe poe em causa varios principios e desde sempre tem ocorrido incidentes, alguns devidos a abusos e outros não.
Já em 1727 a praxe foi pela primeira vez proibida por D.João v devido á morte de um aluno. Hoje, e quase 300 anos depois, a tradição é mantida.
Praxes que passaram pela implatação da republica, lutaram contra o Salazarismo e assistiram á Guerra Colinal, nunca irão cair.

IsaMar disse...

Gosto tanto do seu texto que o vou anunciar no meu blog, se me permitir.

obrigado

isamar

Caloira disse...

Adoro a praxe, estou a ser praxada e estou a viver momentos inesquecíveis (pela positiva, óbvio), posso mesmo dizer que estou a viver os melhores momentos da minha vida. Mesmo quando a praxe nos parece dura (e por vezes é, "Dura Praxis, Sed Praxis"), há que viver o momento, aproveitar ao máximo, se nos divertimos com a praxe, ou não, depende de nós, depende principalmente da nossa personalidade e da maneira como encaramos as coisas na vida, sinto que estou a crescer e a tornar-me numa pessoa melhor, já para não falar nas pessoas que conheci nas praxes... Claro que nem sempre depende de nós, estou a falar dos problemas que ocorreram devido às praxes, mas não podemos generalizar: "Lá porque uns são malucos, não significa que nós também sejemos", disse o Dux da minha faculdade na primeira semana de praxes. E com muita razão. Não vale a pena falar das praxes com alguém que nunca viveu este espírito, pois este só é sentido por quem as viveu (excepto aqueles que foram vítimas de agressões nas praxes, mas isso já é outro assunto).
Conclusão, para mim as praxes são algo absolutamente fantástico, é impossível descrever o que se sente ao viver esta maravilhosa tradição! Viva a praxe! Desde que esta seja practicada com bom senso.
As praxes têm também o intuito de 'semear' o orgulho pela escola ou instituto e pelo traje académico e toda a sua tradição.

P.S.- Acabei de vir da Noite Negra da minha faculdade, foi uma das melhores noites da minha vida, e confesso que fiquei muito emocionada hoje, quando os doutores e veteranos fizeram uma saudação aos caloiros, isso demonstrou que não só os caloiros devem respeito aos doutores e veteranos, como também os doutores e veteranos devem respeitar os caloiros... Para quem nunca viveu isto deve achar uma 'palhaçada', mas quem viveu, pelo menos da maneira que eu vivi, sabe do que estou a falar.

Avé!

Bastian disse...

Ressoa a inteligência de algumas pessoas quando a defenderem a praxe se recordam de crimes que já aconteceram (também estava familiarizado com a da proibição no reinado de D.João V), e entretanto defendem que esta se deve manter a todo o custo.

Exactamente que tipo de acéfalos são capazes de achar que um rito de iniciação que pode resultar na morte de alguém é aceitável não passa pela cabeça de ninguém com dois dedos de testa.

Quanto ao texto, está muito bem elaborado. Pena que na realidade as coisas nem sempre se processem desta forma...

Bastian disse...

Ressoa a inteligência daqueles que quando mencionam a praxe e a defendem, apesar de conscientes que este tipo de ritos de iniciação já resultaram em abusos ou até na morte de outras pessoas.

Não tenho nada contra as pessoas que realmente não se sintam incomodadas pela praxe e sintam que a têm de defender. É um direito legítimo.

Mas aqueles que o fazem e a promovem como algo de legítimo sabendo que já houve quem tenha morrido a propósito disso... vai para demonstrar a (pouca) inteligência dessas pessoas.

matrafisco disse...

Bastian,

O seu argumento é de uma desonestidade gritante.
É quase como defender banir o automóvel porque andam pessoas a matar com eles.
Ou pior, vamos tirar as pessoas do mundo porque elas matam outras pessoas.
A Praxe, ou a Tradição Académica, é uma forma de articulação social num estrato universitário.
Tudo o resto é problema de policia.

WB,

Agradeço-lhe muito as suas palavras.
Nunca conseguiria tanta eloquência apesar de ter andado imensos anos a pregar as suas ideias sem o saber.
É uma dialéctica constante transmitir a ideia que não estamos lá pela recepção, não estamos lá pela integração, nunca estamos lá pela humilhação (e como cada pessoa é um caso, o que é para uns não é de todo para outros).
Queremos estar lá por um ideal de humildade e de aprendizagem constante seja com quem for! Um estudante universitário deve ser a imagem do que queremos para um país; excelente!
Não é fácil.

Anónimo disse...

Caro Pena. Caros comentadores.

>> Praxe em Coimbra

Está tudo dito.

Marta disse...

Dos melhores artigos que alguma vez li sobre Praxe.

Ricardo disse...

Muito bom artigo, e um dos primeiros que vi que realmente consegue abordar as praxes de uma perspectiva sensata. Mas apesar de tudo permita-me discordar nalguns pontos (que verdade seja dita, se fosse tudo como o expõe, não existiriam).

Não consigo aceitar que a maioria dos praxantes se considere superior aos caloiros simplesmente por ter um número maior de matriculas. Dentro de uma universidade todos sao estudantes, e como tal, todos têm os mesmos direitos. Não é por estarem a estudar a mais tempo que simplesmente ganham o direito de mandar em quem quer que seja. Muito menos humilhar quem quer que seja como se vê em tantos sitios. Simplesmente não me entra na cabeça que rastejar no chão, gritar obscenidades na rua, olhar para o chão, não rir, não olhar para as pessoas nos olhos, não falar, e não poder ir a casa quando se quer (seja por cansaço, por querer ir estudar, ou simplesmente por não aguentar mais), tenha alguma coisa de integração. Apenas fiz praxe durante uma semana. Por motivos pessoais não quis, nem aguentava, passar mais tempo. E embora pouco tempo posso dizer que não conheci absolutamente ninguém nesse tempo. Seria de esperar que depois de passar todos os dias com os meus colegas, durante uma semana, de manha a noite, daria para conhecer alguém. Mas a verdade é que não. No 2º ano tentei fazer pelo menos a latada e o baptismo com os meus colegas de 1º ano. A verdade é que me expulsaram e nem o baptismo de curso me deixaram fazer. E eu pergunto-me. Que autoridade têm estas pessoas para dizerem o que podemos ou não fazer? O código de praxe não é lei, e muito menos são eles força de autoridade para poder mandar. Desde o 1º dia me disseram que para trajar, e fazer bênção das pastas teria de passar pela praxe, latada e baptismo. Não é o traje símbolo de igualdade? Onde está ela quando supostamente para o obter necessitamos de nos rebaixar e humilhar perante pessoas sem esse direito?
Desconheço o que são realmente as tradições académicas, e como foram as coisas antigamente, admito-o. Mas neste momento e pelo que vivi até agora, não aceito qualquer autoridade a quem praxa, a comissões de praxe, nem a qualquer outra organização ligada a praxe. Fui ameaçado de que se saisse à rua com o traje vestido corria o risco de me o rasgarem por não ter feito praxe. O que não só é ameaça, como tentativa de agressão caso o tentem realmente, como destruição de propriedade privada caso o realizem. Para além disso, dizer a alguém que não o pode vestir senão fizer o que lhe mandam pode ser considerado coacção. Não sou advogado, nem perto disso, mas pelos fundamentos básicos da lei portuguesa acho que não disse nenhuma baboseira.
Se sou anti-praxe? Não. A praxe poderia ser muito útil se bem utilizada. Poderia servir de ponte para novas amizades. Conhecer novas coisas, trocar ideias e culturas diferentes. Mas a partir do momento em que alguém sofre uma humilhação, e em que alguém a faz contra vontade, por medo ou intimidado, e apenas com o objectivo de não perder certas coisas que ninguém tem direito a tirar, perde toda a utilidade para ser uma forma de violência gratuita.

Isto é apenas uma opinião pessoal, pelo que vivi na minha universidade. Admito que provavelmente muitas das coisas que disse não são nada de mais, e muito menos relevantes no que trata a tradições académicas. Contudo, neste momento foi esta a definição de praxe que me mostraram. Teria todo o gosto de viver uma praxe como a expõe no seu artigo.

Anónimo disse...

Este foi sem dúvida o melhor artigo de praxe que eu li.Desde que entrei na Universidade (este ano) que tenho feito várias pesquisas sobre este assunto e formulado 1 pequena opinião sobre este mundo tão vasto.A verdade é que me fartei das praxes,fui à semana de recepção do caloiro e confesse-vos que quando cheguei a casa no primeiro dia senti-me extremamente entusiasmado com a praxe,embora tivesse ficado com os joelhos todos queimados,ao contrário de outros colegas meus que ainda continuam na praxe.Mas esse entusiasmo começou a degradar-se nos últimos dias da semana de recepção, senti que as coisas já estavam a ser feitas só por mera tradição e não com o intuito da integração.Depois da semana de recepção começaram a controlar quem ia às "aulas de praxe",uma atitude que detestei,visto que só anda lá quem quer e num dos dias tive de me declarar "anti" para poder sair da faculdade.
Cumprimentos,

Susana disse...

Boa noite,

Há algum tempo li alguns posts deste blog, muito interessantes, devo dizer.

Quanto a este artigo, foi uma benção. Isto porque concordo e identifico-me com o que aqui está escrito. No meu curso Praxe é exactamente isto, nós não fazemos "praxes", nós fazemos com que ela viva durante o ano inteiro, criamos objectivos, temos uma hierarquia onde cada um tem o seu papel com o objectivo comum de fazer viver uma tradição de alimentar o bom uso do termo Praxe, e de criar uma vivência académica não só saudável, mas que nos orgulhemos.

Obrigada por este artigo, é muito bom saber que não somos assim tão poucos a pensar e viver assim. : )

Susana Silva

Anónimo disse...

Boas!

Gostei muito do artigo, como muitos já por aqui disseram, devido ao seu cariz. Muitos veteranos/doutores/engenheiros defendem as suas atitudes escondendo-se atrás de um código que não justifica as suas acções, mas talvez devido a ignorância deles próprios - que não foram formados e não pretendem formar os seus caloiros - continuam com as suas atitudes.

Posso assim partilhar a minha opinião. Fui, por 2 anos, lama (caloira) na Universidade de Aveiro. Como já disse o Marco Oliveira anteriormente, é uma Universidade em que toda a Praxe (ou Faina) é ligada aos costumes da nossa cidade.

Ingressei no meu primeiro ano de universidade num curso maioritariamente constituído por mulheres, e apesar de nunca ter sido psicológicamente forçada a nada, ou humilhada, não achei que as praxes tivessem muito o cariz de nos integrar, mas talvez fossem as Veteranas, que mesmo depois do Desfile do Enterro do Caloiro continuavam a passar por nós e a fingir que não nos conheciam.

Felizmente no fim desse ano consegui entrar no curso onde estou hoje, e decidi ser novamente praxada. Não tive que ir a todas as praxes, porque já era de segunda matrícula, mas aproveitei todas as que participei. Sim, houve brincadeiras de cariz sexual, mas nunca um aluvião foi impedido de rir - ainda que entre dentes - das situações caricatas que ali presenciou ou realizou (cada um tinha que demonstrar a nossa posição favorita, que não tem mal nenhum, nem estava implícito). Sim, sujámos a cabeça com porcaria, mas não era nada de especial, e não continha nenhum tipo de detritos pertencentes a veteranos ou animais. Foram praxes carregadas de ovos, cantorias, corridas, "ri-me f*di-me", rebolar na relva depois de uma luta de iogurtes, com ordem e respeito mas sem demasiado autoritarismo.

Ao contrário do meu curso anterior, logo no fim da primeira semana todos os Veteranos socializavam com Aluviões. Eu própria e vários colegas caloiros fomos a jantares a casa de vários Veteranos, fizemos festas juntos, ao contrário do que tinha acontecido no meu curso anterior. Nunca, dentro ou fora da praxe, fomos desrespeitados ou inferiorizados por sermos caloiros da UA.

Penso que esta mentalidade vem logo desde o dia das Matrículas. Para quem não sabe, no final das Matrículas, todos os caloiros são obrigados a assistir a uma palestra sobre a Praxe em Aveiro, dada por pelo menos um Veterano pertencente à Salgadíssima Trindade (ou seja, os três Veteranos que "mandam" na Praxe, para ser breve). Eles explicam-nos o que é ou não permitido, explicam-nos para que servem os nós na lapela, as restantes insignias, o que devemos fazer que algum Veterano tentar "abusar" de nós. Incitam-nos a ler o Código de Faina, para nos ajudar a perceber melhor o que vamos viver nos próximos anos.

(continua... lol)

Anónimo disse...

(continuação)

Infelizmente, sei que nem em todo o lado isto funciona assim. Tenho dois casos bem presentes, infelizmente da mesma Faculdade, em Tomar. Duas das minhas melhores amigas foram para lá estudar.

Uma declarou-se anti-praxe antes de qualquer praxe, e teve o desprazer de mais do que uma vez ser obrigada a sair de um local público por pressão dos colegas Doutores, que diziam "não podes estar neste café porque estamos a tratar de assuntos da Praxe" ou "Não podes passar nesta rua porque está aqui a acontecer uma praxe".

Outra deixou-se ser praxada uma vez, mas depois declarou-se anti-praxe. Os seus Doutores puseram-na em frente de todos os seus colegas e disseram "Esta aqui é anti-praxe, se virmos algum de vocês a socializar com ela, serão castigados na praxe". Esta minha colega anulou a matrícula um mês depois de começarem as aulas, e veio para casa com uma depressão por ser ostracizada pelos seus colegas.

Quando, em Aveiro, eu alguma vez vi isto, podem perguntar? NUNCA! Nunca nenhum anti-praxe foi impedido de assistir à praxe. Nunca nenhum anti-praxe foi impedido de aparecer nos jantares de curso. Nunca ninguém deixou de se dar com eles por não quererem participar. Sim, é uma escolha pessoa, e claro, não terão a mesma relação que o resto dos caloiros têm entre si, mas ainda assim cada um é que sabe o que faz ou deixa de fazer.

Pelo que vi até hoje, a Praxe em Aveiro é bastante organizada e fiscalizada, além de que os caloiros têm ordens específicas da Salgadíssima Trindade para não se deixarem ser abusados, pois não permitem esses comportamentos da parte dos Veteranos, e que qualquer um que seja provado ter abusado um caloiro seja física, psicológica ou moralmente, é castigado e, se em caso grave, proibido de participar da Faina.

Acho que todas as Faculdades deveriam procurar ser assim. Tenho noção que muitas coisas são tradição, mas nao concordo com cortar cabelo a caloiros só porque estão na rua, nem com mandá-los rebolar em estrume porque estão a tirar uma Licenciatura em Veterinária. Há brincadeiras e brincadeiras, e se tratarmos os nossos caloiros com respeito, conseguiremos torná-los em Veteranos responsáveis.

Peço desculpa pelo testamento!
Continuem com os bons textos,
Ana (Veterana de 3ª Matrícula na UA)

Anónimo disse...

Boa noite,

Em primeiro lugar gostaria de dizer que gostei do seu artigo caro(a) WB... Só uma coisa a apontar você deveria falar nas coisas boas da praxe, aliás os exemplos que deu não são de praxe mas sim, de pessoas que descarregam as suas raivas nos caloiros, não respeitam os caloiros nem a eles próprios. Uma vergonha. Fui praxado à 2 anos e digo lhe que a praxe não é isso. A praxe é integrar? Ok. Integrar é subjectivo.... A praxe acima de tudo é criar laços fortes para os caloiros se ajudarem entre si durante a sua vida académica e no seu mundo de trabalho. Haver um trabalho de equipa entre todos, e para mal de si, WB, isto resultou perfeitamente no meu ano em que fui praxado. Tenho pena que o senhor nao tenha sido praxado .

Continuação
José Faria

WB disse...

Caro José Faria,

Desde obrigado pela participação.
Como poderá imaginar, nestas coisas de Praxe importa relevar o erro com vista à sua correcção. O problema, a meu ver, actualmente, até é o constante ignorar dos problemas que existem no seio praxístico ou a tendência em os menorizar.
Como diz, e bem, há casos que nada têm de Praxe, mas muitos não sabem sequer distinguir tal, daí a necessidade de reparo e alerta.
Já os objectivos que enuncia sobre Praxe estão algo deturpados ou superficializados. A Praxe não tem a função de criar entreajudas ou amiguinhos; nem a Praxe, nem as praxes. Os laços de fraternidade, companheirismo, entreajuda...., são valores que devem ser incutidos em qualquer situação, de que a Praxe não é instrumento previlegiado ou porta-voz. São valores educativos que se cultivam "à la longue".
Quando as coisas correm bem, temos mais é de nos alegrar com isso. Se foi o seu caso (ao que relata), óptimo, mas, infelizmente, o país não se resume ao seu caso, e porventura nem a sua academia.
Ora, pelo seu texto, imagimo que seja terceiranista, contudo parte do princípio que eu não fui praxado. Mas fui e pude viver na pele o lado positivo, mas também o menos agradável dos ritos de iniciação, conforme foram protagonizados por pessoas esclarecidas como por meros frutrados e incompetentes que descarregavam nos caloiros as mágoas daquilo por que tinham passado. Não fiquei traumatizado, nem pro sombras, mas desde logo me apercebi do que era a falta de transversalidade, de uniformidade, onde uns faziam assim, outros assado; uns com propriedade e saber, outros inventando e abusando.
Apesar doJosé Faria ainda não ser gente, quando fui praxado (ou andaria de culotes), lembro-me perfeitamente disso, como dos anos em que fui estudante (e Dux, já agora) e tuno, a par daquilo que ao longo destes últimos 20 anos, pude observar, ainda enquanto aluno e tuno e, posteriormente, como investigador do fenómeno. observado em diversas academias.
Há de tudo. Há quem faça bem e quem faça menos bem. Há quem faça bem, apesar de também não se Praxe, como quem faça mal e o seja muito menos (confundindo-se rito de iniciação, e seu propósito, com brincadeiras à escuteiro ou jogos tradicionais).
Mas se está bem feito, pois bem fica.
O que está menos bem é que merece maior atenção. Como dizia Cristo, se me permite esta analogia, ele veio para os pecadores, e não para os justos (que os justos são como pacientes sãos que não precisam de médico); significando que temos é de nos preocupar com o que está mal e não escamotear com o que está nos conformes (tapando sol com peneira) - exemplo em que, de modo nenhum, tenho a presunção de ser Cristo ou sequer Rabi, nestas matérias.

Anónimo disse...

Depois de ler este artigo e comentários devo dizer que há coisas em que os aclamados não-praxistas não entendem e isso é o espírito da Praxe. Quem faz Praxe como os não-praxistas tão seguramente dizem que fazem não são praxistas. São reles aclamados de doutores que levam o significado da Praxe para brincadeiras de mau gosto para passarem o seu tempo livre a visualizarem caloiros em posições absurdas e a fazer coisas que não lembram a ninguém!
Quem alguma vez conseguir definir A PRAXE está a mentir. A praxe não se define, é um sentimento que só os verdadeiros praxistas o vao partilhar e compreende-lo.
Tenho o prazer de estar em jantares com o Primus Dux-Veteranorum Antonius Megafonis e sei que se algum dia entender todo o significado da PRAXE, foi muito graças a ele.

WB disse...

Caro anónimo,

Apenas uma correcção se impõe: a Praxe é perfeitamente definível, tanto que até é alvo de estudo pro parte de investigadores, de há longos anos a esta parte.
Não confunda o que cada um sente na sua vivência, com awquilo que é um conjunto de práticas, protocolos, etiqueta, hierarquia e ritos.
Praxe não é um sentimento, nem nunca foi (aliás, se assim o fosse, assim viria esplanado nos dicionários).
Não confunda Praxe com "Espírito Académico".
Abraço

Vicente Tavares disse...

Moro ao pé de uma universidade. Ainda ontem passei ao lado de uma rapariga, completamente suja e mal cheirosa a quem tinham esfregado merda de cão na cabeça. Integração? Espero que os praxistas tenham este tipo de integração nos seus empregos e lhes façam a vida miserável. A minha mulher que é estrangeira ficou chocada e disse: "Vocês portugueses, são tão selvagens!". No país dela não há nada deste comportamento e esta é a imagem que nós passamos a todos os estudantes estrangeiros que vêm para Portugal: Selvagens!

Anónimo disse...

1 - Caro WB, muitos parabéns pelo artigo, está realmente muito bem estruturado. Concordo com tudo o que diz sobre Praxe, apenas lhe peço que não coloque todos os "praxistas" no mesmo saco.

2 - Caro Vicente, infelizmente existem cada vez menos "defensores da Praxe" e cada vez mais déspotas de Capa e Batina. Peço-lhe que limpe essa imagem dos olhos da sua esposa e que possa um dia ter a sorte de presenciar um verdadeiro acto de Praxe.

Quanto aos abusos aqui relatados (e os que aparecem agora na comunicação social), só tenho uma resposta:
Artigo 80º do Código de Praxe da Universidade de Coimbra

b) É expressamente proibida a realização de qualquer tipo de pintura sobre os caloiros e os novatos mobilizados ou
gozados.
c) É igualmente proibida qualquer forma de extorsão ou usurpação exercida sobre bens cuja propriedade seja do
caloiro ou do novato, mobilizado ou gozado

Acrescente-se ainda que, desde o dia em que entrei na Universidade de Coimbra, me foi ensinado que nenhuma praxe pode por em causa a integridade física do Caloiro.

João Ferreira
Antigo Veterano da FCTUC
Veterano do I.S.E.C.
Tertuliano da Real Tertúlia Copus Erectus

Anónimo disse...

Um artigo muito bom como todos os outros que escreve sobre as tradições académicas.
Só não percebo é porque razão os conselhos de veteranos não vêm aqui a este blog aprender alguma coisita ou não convidam especialistas como vocé para falar destas coisas.
Eu se aprendi alguma coisa de praxe foi aqui neste blog porque na faculdade não ensinam merda nenhuma é só fazer o que o outro faz e de preferência sem fazer grandes perguntas.
Estou farto de ver merdas e de ver gente parvinha que não sabe puto a comandar a praxe Eu quando fui caloiro não fui praxado porque me recusei a certas merdas mas sou a favor das tradições. Só não sou a favor de humilhações que não servem pra nada mesmo a não ser para alguns se acharem superiores.

Dou-lhe os meus parabens e o meu obrigado pelo seu fantástico trabalho.

João (ISCAL)

Micael disse...

eu digo: se gostas fazes praxe, se nao gostas sais!

chorar por ser praxado é que não, praí isso ficavam em casa e não iam estudar!

Obvio: que existem casos pontuais de abusos, façam o favor de reporta-los.

se nao gostas sais!

AGORA FAÇAM UMA PESQUISA: VEJAM O NIVEL DE INTEGRAÇÃO DOS "ANTI-PRAXE" E DOS PRAXADOS.

lol.

podiam dizer-me em que Universidade estudaram e se foram praxados ?? (autores do blog)

Eduardo disse...

Micael:

Li o teu comentário com uma atenção directamente proporcional ao conteúdo do mesmo e faço-te notar alguns aspectos:

1) não usaste um único argumento que demonstre a validade dos teus pontos de vista - ao contrário do autor do artigo, que suportou todas as afirmações com argumentos;

2) limitaste-te a fazer UMA afirmação: a de que existem casos pontuais de abuso; para afirmares isto, é porque sabes (ou pensas que sabes) do que estás a falar: aponta-os, para todos ficarmos a saber até que ponto são pontuais;

3) o restante do teu comentário é constituído por frases imperativas - isto é, ordens ou conselhos:

a) não se deve chorar por se ser praxado;
b) deve-se ficar em casa se não se quiser ser praxado;
c) fazer pesquisa;
d) ver o nível de integração comparativo entre os que foram praxados e os que o não foram;
e) que declaremos onde estudamos e se fomos ou não praxados.

Partindo do princípio de que não choraste quando foste praxado e que não ficaste em casa, podemos igualmente partir do princípio de que fizeste a pesquisa que nos aconselhas e que viste o nível comparativo de integração de uns e outros.

Fica a faltar declarares 1) onde andas, 2) o que és pela Praxe e 3) o que fizeste e fazes pela Praxe na tua escola.

Se fizeste tudo o que nos aconselhas a fazer, agradecemos que partilhes os dados de que dispões, para que então nós, autores do blogue, façamos figura de urso à frente de todos e fiquemos de uma vez por todas desacreditados.

Mas eu respondo desde já por ti: "Praxe não se estuda nem se discute - vive-se! Os autores do blogue são dois frustrados e ressabiados! Arranjem uma vida" - etc., etc., etc.

Ou seja: não dispões de um único argumento que suporte o que afirmas e limitas-te a servir de câmara de eco de chavões e frases feitas, sem qualquer realidade ou apoio na realidade. Ou seja: o que tu dizes e nada é a mesma coisa.

Vens para aqui acusar os autores de não terem feito o trabalho de casa quando tu próprio não o fizeste?

Berros (usar maiúsculas)? Muitos. Frases feitas ? Aos montes. Argumentos? Zero.

Uma vez que tenhas dito aqui publicamente o que és pela Praxe e o que fizeste e fazes pela Praxe na tua escola, então farei o mesmo.

Estou curioso para ver essa pesquisa e esses dados sobre integração - e escusas de vir para cá com "Toda a gente sabe..." "Argumentos" (?) desses valem zero.

Eduardo

Anónimo disse...

Estou para ver como é que esse ganso responde a esta.

Anónimo disse...

O Gansolino ficou sem pio!!!

Anónimo disse...

Acho que hoje em dia desde que não meta copos não é praxe... A julgar pela serenata do caloiro onde havia quem bebesse e pedisse mais copos durante a serenata, lá no alto ao lado de quem estava a tocar...

WB disse...

Então, Gansolino, onde anda? Para onde lhe foi tanta jactância? Ficou sem fala?

Anónimo disse...

Boas,
Felicitações pelo artigo.
Estive numa faculdade em que a praxe era muito de improviso, não deixando claro as músicas e gritos do curso de lado; Nunca me faltaram ao respeito, e de certa forma todo este ambiente proporcionou a que os novos caloiros se sentissem bem na praxe, respeitando todos os trajados e de alguma forma não se sentissem arrependidos por vir voluntariamente para a praxe. Não deixei de ir e sempre que podia, ia...Presenciei o enterro e finalmente trajei...
Por razões pessoais, decidi mudar de faculdade. Nesta, expliquei o meu caso e mesmo assim sendo eu do 2ºano (já tendo passado pelas praxes e tendo me sido dado as equivalências das cadeiras) disseram que para puder vergar o trajar teria que me sujeitar de novo as praxes... Fiquei impressionada com o nível de organização em todos os aspectos que penso serem um dos problemas de hoje em dia na praxe. O pior estava para vir... Foi muito estranho ter de ver colegas da minha turma me praxarem e me olharem como se eu fosse inferior a todos eles... Tive que engolir muita coisa na praxe, ouvir berros (nos ouvidos) de doutores com mania que eram alguém...Eu não era do 1ºano e não me dava com os caloiros que efectivamente estavam... E digo-vos, a minha integração nesta faculdade foi horrível... Todos os dias me apetecia sair desta faculdade. Todos os dias enchiam-se (subentenda-se:flexões a toda a hora), la tinhamos uma ou outra activadade interessante; vi muita gente a chorar e a desistir a meio, mas eu mantive-me na minha e continuei porque pensei "não vou acabar algo que começei"... Depois de humilhações, calendário extenso de praxe, folha de presenças, eis que me dizem que eu não posso trajar e continuar como membro do departamento so porque não tive percentagem suficiente para tal.
Quer dizer, depois de ter tido o meu ano de caloira e voluntariamente quis me inserir no espirito academico desta faculdade e no final recusam caloiros assim? Praxe é integração... Vi coisas impressionantes, como trajados a não promoverem a minha integração estando fora da praxe, e ironicamente quem me recebeu melhor de braços abertos foram as pessoas que desistiram da praxe ou que são anti-praxes... Esta praxe tinha bastantes regras mesquinhas de mais, tudo para que o verdadeiro sentido "dura praxis, sed praxis" fosse levado ao extremo... Escolha de padrinhos, de baptismo, 8 horas ou mais de praxes...
Este meu depoimento pode não estar bem relacionado com o artigo, mas quis prestá-lo para mostrar que tanto a integração de caloiros como novos alunos transferidos nestas condições é complicado e de certa forma contribui para um mau estado psicológico sem motivação ou vontade de meter os pés na faculdade... Tenho pena. Muita mesmo, tendo já o meu traje sem puder usa-lo com o objectivo de continuar com as actividades académicas que considero importantes para qualquer universitário... De certa forma, seria injusto não referir que aprendi um pouco mais sobre a praxe e que conheci mais rostos... Mas nesta faculdade não me valorizaram a minha matrícula de onde eu estava; o nº de anti-praxes na primeira faculdade onde estive, era de 1/2 enquanto que nesta era às dezenas.
Saudações Académicas (peço desculpa pelo texto extensivo )

Anónimo disse...

Boas,
Felicitações pelo artigo.
Estive numa faculdade em que a praxe era muito de improviso, não deixando claro as músicas e gritos do curso de lado; Nunca me faltaram ao respeito, e de certa forma todo este ambiente proporcionou a que os novos caloiros se sentissem bem na praxe, respeitando todos os trajados e de alguma forma não se sentissem arrependidos por vir voluntariamente para a praxe. Não deixei de ir e sempre que podia, ia...Presenciei o enterro e finalmente trajei...
Por razões pessoais, decidi mudar de faculdade. Nesta, expliquei o meu caso e mesmo assim sendo eu do 2ºano (já tendo passado pelas praxes e tendo me sido dado as equivalências das cadeiras) disseram que para puder vergar o traje teria que me sujeitar de novo as praxes... Fiquei impressionada com o nível de organização em todos os aspectos que penso serem um dos problemas de hoje em dia na praxe. O pior estava para vir... Foi muito estranho ter de ver colegas da minha turma me praxarem e me olharem como se eu fosse inferior a todos eles... Tive que engolir muita coisa na praxe, ouvir berros (nos ouvidos) de doutores com mania que eram alguém...Eu não era do 1ºano e não me dava com os caloiros que efectivamente estavam... E digo-vos, a minha integração nesta faculdade foi horrível... Todos os dias me apetecia sair desta faculdade. Todos os dias enchia-se (subentenda-se:flexões a toda a hora), la tinhamos uma ou outra activadade interessante; vi muita gente a chorar e a desistir a meio, mas eu mantive-me na minha e continuei porque pensei "não vou acabar algo que começei"... Depois de humilhações, calendário extenso de praxe, folha de presenças, eis que me dizem que eu não posso trajar e continuar como membro do departamento so porque não tive percentagem suficiente para tal.
Quer dizer, depois de ter tido o meu ano de caloira e voluntariamente quis me inserir no espirito academico desta faculdade e no final recusam caloiros assim? Praxe é integração... Vi coisas impressionantes, como trajados a não promoverem a minha integração estando fora da praxe, e ironicamente quem me recebeu melhor de braços abertos foram as pessoas que desistiram da praxe ou que são anti-praxes... Esta praxe tinha bastantes regras mesquinhas de mais, tudo para que o verdadeiro sentido "dura praxis, sed praxis" fosse levado ao extremo... Escolha de padrinhos, de baptismo, 8 horas ou mais de praxes...
Este meu depoimento pode não estar bem relacionado com o artigo, mas quis prestá-lo para mostrar que tanto a integração de caloiros como novos alunos transferidos nestas condições é complicado e de certa forma contribui para um mau estado psicológico sem motivação ou vontade de meter os pés na faculdade... Tenho pena. Muita mesmo, tendo já o meu traje sem puder usa-lo com o objectivo de continuar com as actividades académicas que considero importantes para qualquer universitário... De certa forma, seria injusto não referir que aprendi um pouco mais sobre a praxe e que conheci mais rostos... Mas nesta faculdade não me valorizaram a minha matrícula de onde eu estava; o nº de anti-praxes na primeira faculdade onde estive, era de 1/2 enquanto que nesta era às dezenas.
Saudações Académicas (peço desculpa pelo texto extensivo )

Eduardo disse...

Cara anónima:

fizeste bem em deixar o teu testemunho.

De facto relatas uma situação que não é só em Aveiro que se verifica (penso que será Aveiro, pois falas do enterro).

Desconheço a praxe de Aveiro, mas não faz qualquer sentido que alguém seja caloiro duas vezes (ainda mais dentro da mesma universidade...)

Outro absurdo é esse de "percentagens". Outro é o de impedir que um aluno (caloiro ou não) use o traje.

Por alguma razão a praxe tradicional impedia que os alunos do 2.º ano praxassem caloiros - exactamente para impedir que se tentassem "vingar" do que lhes tinha acontecido no ano anterior... Enfim.

Hoje em dia as coisas estão estupidamente militarizadas, sem qualquer justificação. Foi uma estupidez que pegou nos fins dos anos 90, por influência de um reality show. Não tem pés nem cabeça.

Se o que te mostraram de praxe foi o que relatas, então devo dizer-te que não aprendeste "um bocadinho mais" sobre praxe: não aprendeste foi nada sobre praxe, pois tudo o que referes não passa de invenção de pessoas que, como dizes, pensam que são alguém.

É triste quando um indivíduo precisa da praxe para se sentir "alguém". Deve ser mesmo uma nulidade.

Abraço e obrigado pelo teu contributo.

Eduardo

Anónimo disse...

Caro Eduardo,
Permita-me que lhe informe que o sentido de "enterro" do que sei há em muitos lados; o que eu quis dizer é que este momento simboliza a passagem de um caloiro para um trajado, digamos. Não sou perita nestes assuntos mas penso ser o mais acertado para assim o definir...
De facto, ainda hoje é complicado assimilar tudo e pensar que mais nada posso fazer e que sempre lutei para continuar porque não sou anti-praxe (respeito quem o seja). Nunca me entrou na cabeça ser caloira uma segunda vez e por isso é que a minha revolta é ainda maior. Para além de que me disseram para me sujeitar de novo,se quisesse, as praxes...Espero estar enganada, mas há vezes em que as ditas "regras" são muitas vezes "improvisadas" em prol de assuntos pessoais. Bem me podem negar, direito de qualquer um; e se como me disseram (ao justificar o porque de eu nao puder trajar) que compreendiam a minha situação, então teriam outra mente e outro sentido das coisas; fora da praxe, somos todos alunos, colegas e cada vez que se rejeita alguém desta forma, além de cruel, é impedir que um aluno tenha um percurso académico diferente daquele que sonhava... (ser caloiro, trajado, padrinho, e outros tantos rituais académicos que daí advém).

Obrigada eu. Abraço.

Eduardo disse...

Cara "Anónimo":

reparo no seguinte, que escreveste:

"ser caloiro, trajado, padrinho" (etc.)

É curioso que digas "caloiro", "trajado" - como assim? os caloiros não podem trajar?

Anónimo disse...

Boa tarde

Caro Eduardo,
Refiro-me a trajado a alguém que tenha uma matrícula acima da minha, que verga o traje. Existe um CV (conselho de veteranos) que é o orgão máximo que decide quem traja e quem não traja (com base lá nas contas que eles fazem e que são um segredo de estado). Eu posso trajar, até porque tenho o traje já do meu ano propriamente dito de caloira... Agora não posso trajar pela faculdade, pelo departamento, não posso praxar nem continuar supostamente na "praxe deles"... Tenho que ficar de fora, não ir às actividades e nem sequer por os pés na zona onde fazem a praxe... Posso fazer isso tudo, se para o ano for fazer tudo de novo, voltando à estaca 0...

Anónimo disse...

E sobre grupos académicos, o que podem falar?

Saudações,

Anónimo disse...

Não percebi a sua pergunta. A que grupos académicos se refere?

Eduardo disse...

Cara Anónima:

quando falo de "praxe" refiro-me à praxe coimbrã ou de inspiração coimbrã (como serão os casos do Porto e Lisboa, embora não só, evidentemente).

Não me posso pronunciar sobre o Minho ou Aveiro (p. ex.), pois desconheço os repectivos códigos e pormenores.

Se a instituição que frequenta se reclama da praxe coimbrã, então o tal CV não faz a mínima ideia do que anda a promover/defender. O que relata é um absurdo completo.

No entanto, devo ressaltar que essa estupidez de caloiros por 2 vezes, reprovar na praxe, orais de praxe, etc., também se pratica no Porto... Para grande espanto e vergonha minha.

Não sei de facto que lhe diga, a não ser que faça o que a sua consciência lhe ditar - mesmo não participando nas "cerimónias oficiais".

Abraço,

Eduardo

WB disse...

Essa dos "grupos académicos" também não percebi.

João Pinto disse...

Boas tardes a todas e a todos.
Há que questionar os dogmas!
Não esquecer que as hierarquias devem ter algum sentido lógico, i.e, não devem ser distinguidos "caloiros" de "doutores".
Vejamos, são de facto, todos alunos da instituição, não é verdade? Pois bem, são alunos então.

Hierarquia, numa instituição de ensino prende-se com o papel de cada membro e a função que exerce. Ora, tratar os estudantes por igual será o mais correto, como afirmei.

Entretanto, resta-me apontar a pertinência daquilo que é referido como "Nada há pior do que nos obrigarem a algo que não gostamos, principalmente quando não lhe compreendemos a finalidade."

Aí está o cerne de tudo isto! Veja-se, o respeito pela hierarquia (que como referi é uma ilusão, para o caso em estudo), deve crescer naturalmente e jamais ser incutidas de forma abrupta.
O pretenso respeito que cresce desta forma de "educação" é bastante pernicioso e, sabe-se, apenas serve de boneco.
Respeito pelos mais velhos, isto é, idade, fará sentido em alguns casos. Mas é atroz pensar sequer que um sujeito de 18 anos possa ser subjugado/coercido por outro de 24, apenas com a idade a servir de pretexto.
Será então o respeito revestido de algo mais?... Número de matrículas? Cadeiras em atraso? Média aritmética? Horas de contacto?

Ora, atente-se, não há cabimento para esta inversão. O Respeito quer-se exigível por mútua troca!

Não há qualquer sentido neste sistema, é o que eu quero dizer.

Parte-se de uma falaciosa organização hierárquica que, tanto e tanto, só poderá degenerar. Conclui-se com a imposição desta a um grupo de estudantes recém-chegados que nada mais ouvem que a não praxe (anti-praxe) é o falso dilema transformado em bode expiatório.

Então, atrocidades que só por elas se atropelam resultará sempre no mesmo: incoerência.

É isto. Acho que faz falta uma séria ponderação sobre aquilo que se quer dos outros e aquilo que se oferece em troca. Relembro, tratando-se de uma ínfima disparidade etária a questão de respeito (e só este, jamais hierarquia fabulista) deve ser trabalhada de dentro para fora. Valores, atitudes e acções. Isto sim é material verificável e no qual poderão os recém-chegados estudantes [futuros colegas, aliás] depositar confiança, crédito e o Respeito.

Bem haja a todos!
Cumprimentos a esta clemente, formidável e fervilhante comunidade estudantil.

WB disse...

Caro João Pinto,

A hierarquia faz todo o sentido, quer pelo nº d ematrículas, quer pelo cargo ocupado.
Contudo importa é que ela seja respeitada porque se dá ao respeito e sabe respeitar e não porqu eé imposta de forma coerciva e violenta.


Toda e qualquer comunidade detentora de uma cultura secular deve estar organizada, o que é de sublinhar é a necessidade dos agentes e protagonistas saberem dignificar quer o seu estatuto quera cultura em que se inserem - coisa de qu emuitos abdicam por apenas quererem mordomias, direitos e regalias de status quo, ignorando os deveres, exemplo e excelência que concomitentemente se lhes exige.

Anónimo disse...

Caro WB

Muitos parabéns pelo artigo, concordo por completo com a sua perspectiva e é, sem dúvida, alguém com "calo" no assunto.

Enquanto caloiro, pouco conhecedor do assunto, escrevo este comentário devido à minha revolta para com o estado da Praxe.

1º Neste ano de caloiro, participei em todas as actividades: serenata, cortejo... Em todas elas, na maioria do tempo, ouviam-se insultos de faculdade para faculdade, 90% das músicas apresentavam cariz sexual e/ou ofensivo, ouve desacatos entre estudantes ... Sinto-se realmente triste por ser esta a imagem que se transmite a todos os que observam estas actividades que deveriam ter a intenção de espelhar a beleza da tradição académica, que, supostamente, deveria incutir espírito de união e colectividade, ao invés de tornar as faculdades "batalhões" onde, antes de cada actividade veteranos gritam "vamos fo*** aqueles **** da faculdade x que vão atrás de nós".

2º Durante múltiplos jantares e praxes realizadas, verifiquei que muitos doutores e doutoras, por vezes veteranos, discutiam e faltavam ao respeito uns aos outros por mero jogo de poder, doutores que querem ser mais influentes do que aqueles que se encontram no seu nível hierárquico tentam desesperadamente ser o "protegido" do veterano ... a corrupção é agora praticada na praxe, o que considero detestável.

3º Nas diversas praxes praticadas, a maior parte era baseada em "brincadeiras" de cariz sexual ou pura agressão psicológica. O caloiro mais "protegido" pelos doutores mais influentes na praxe sofria pouco ou nada, enquanto que os outros eram humilhados. Alunos aplicados eram punidos por não faltarem a algumas aulas para participarem nas praxes. "No meu tempo..." argumentam eles. Durante horas estivemos de 4 ou a encher, simplesmente porque os doutores não se lembravam de nada para fazer. Se alguns cedessem à pressão, física ou psicologica, posições dolorosas eram a punição usual. As brincadeiras preferidas dos doutores, maioritariamente homens (assim como acontecia com os caloiros), eram fazer caloiras simular orgasmos e posições sexuais. Que raio de praxe é esta, onde pára a educação e transmissão de bons costumes?!

4º Nas piores praxes, tive de pegar em excrementos, tripas de animais, comer misturas nojentas, fazer esforço até chegar ao limite e vomitar... Este tipo de agressão não deveria ser evitada por uma fiscalização mais eficaz?

Aguentei a praxe durante todo o ano por uma única razão: a esperança de me poder afirmar como praxista e retomar a boa tradição académica. Mas valerá a pena, visto estar no meio de um grupo de idiotas vestidos de preto (digo isto sem intenção de falar ao respeito à Praxe, digo isto apenas por a tradição não lhes dizer absolutamente nada)?


Maria Madalena disse...

Também fiquei com a sensação que o seu texto embora ofereça múltiplos e interessantes argumentos contra as praxes, que mais comummente se veem por ai a acontecer, falha em contextualizar o porquê de se terem criado em primeiro lugar estes rituais de iniciação.

Talvez houvesse realmente maior benesse se estes jovens fossem levados a reflectir e questionar sobre a origem destas formas de organização, ao que se prestam, que valores defendem efectivamente, que futuro pretendem para a humanidade, e de que que forma visualizam a organização social ideal, ao invés de se procurar levar estas novas pessoas a seguirem regras várias cuja origem e fins desconhecem.

Talvez daqui resultasse para a sociedade indivíduos então capazes de reflectir no simbolismo e significância das suas acções, responsabilizando-os pelos seus actos.

Será a praxe mais uma forma de militancia de novos agentes para a manutenção do status quo? para a manutenção do eterno feudalismo?
para a manutenção da mentalidade do superior/inferior?

As universidades enquanto espaços especialmente dedicados às ciências não deveriam ser lugares de respostas dadas, mas lugares de experimentação.

Neste sentido concordo com o João Pinto quando diz que
"a questão de respeito (e só este, jamais hierarquia fabulista) deve ser trabalhada de dentro para fora. Valores, atitudes e acções. Isto sim é material verificável e no qual poderão os recém-chegados estudantes [futuros colegas, aliás] depositar confiança, crédito e o Respeito.", e não na hierarquia.

Com amor, Maria Madalena

Maria Madalena disse...

´´o João Pinto levantou uma questão interessante que não é de descurar

Anónimo disse...

Quero começar por afirmar que reconheço muito valor no que é feito por o autor deste blog, e é com ávida curiosidade que como um estudante da Universidade de Aveiro com apenas 2 matrículas pergunto o seguinte:
Ao longo deste texto e de outros que aqui li foi feita varias vezes referência ao que não é praxe, ao que está errado. Como seria então o rumo correcto a tomar após tentar entender ao máximo toda a historia por trás da Praxe? Seria possível apresentar-se aqui uma descrição de como decorreria para si uma típica praxe na sua altura (se é que aceita que a forma como praxou/foi praxado foi a correcta)? Existe se quer uma "praxe típica" querendo eu dizer com isto os acontecimento típicos de uma praxe aleatória (não contando baptismo ou outras "cerimónias" do género).
Espero que tenha conseguido explicar-me correctamente, e espero ainda mais que a sua resposta seja tão genial como o resto do que aqui vi escrito.
Desde já obrigado e cumprimentos.

WB disse...

Caro Anónimo(a),

Penso que o primeiro raciocínio óbvio é pensar-se que se eliminarmos das nossas (vossas, neste caso, pois o meu tempo passou há muito) práticas tudo quanto tem sido apontado como errado, certamente que o que ficar se enquadrará como aceitável.
Assim, bastará perceber que as praxes devem ser consentidas e propostas, mas nunca impostas pela força ou coacção.
Respeito, dignidade, decoro, educação e civismo devem ponderar sempre e em qualquer situação, dos actos à linguagem, da postura à intencionalidade.
No meu tempo, já que pergunta, fui sujeito a algumas “brincadeiras” menos agradáveis que até poderia inscrever como nada tendo a ver e sem qualquer propósito, mas que não puseram a minha integridade física e moral em causa, senão apenas um caso, muito grave, que foi eu ter sido, junto com muitas dezenas de colegas, roubados por colegas mais velhos que, numa aula fantasma, venderam sebentas inexistentes, pedindo dinheiro adiantado para reservar/encomendar as mesmas (700 escudos foi em média o que conseguiram de cada aluno. Eu, porque até tinha possibilidade, encomendei 1500 escudos – tótó que eu fui).
Não se fez queixa na PSP nem à reitoria apenas por receio, mas era o que deveria ter sido feito.

Quando praxei, também dei continuidade a algumas práticas que reconheço serem banalidades sem sentido e sem qualquer objectivo ou ligação à Praxe, contudo, até por uma questão de formação e educação, jamais ultrajei ou desrespeitei fosse quem fosse (â parte os berros e os gritos – muitas vezes desnecessários, – mas que eram como que o papel que o actor ali desempenha (e onde o uso do palavrão era proibido); e não mover-me qualquer sentimento de hostilidade), tal como nunca caí na brejeirice, boçalidade ou obrigando caloiros a actos indecentes ou que pusessem em causa a imagem do estudante e da instituição (uma coisa que muita gente se esquece quando traz para a rua as suas praxes e caloiros).

Alguns exemplos da minha conduta:

- Na altura fumava e tinha sempre um caloiro a servir-me de criado que me transportava o meu tabaco, isqueiro e cinzeiro. Nunca cravei ninguém. Também não lhe oferecia tabaco, porque na praxe os caloiros não fumam.

- No bar ou num café ou tasco, jamais deixei que caloiros pagassem a doutores. Quando eu queria beber, mandava o meu caloiro buscar com dinheiro que eu lhe dava e dando sempre igual quantia para se ele quisesse também beber (era eu que pagava ao caloiro, como ”paga” do serviço). Contudo, apenas se proibia, precisamente, que bebesse álcool (podia pedir sumos, água, leite…), para evitar descuidos e a eventualidade de se vir a dizer que os caloiros se enfrascavam nas praxes ou quando iam com doutores.

- As ordens/pedidos eram sempre antecedidos das fórmulas de educação “se faz favor”, “se não se importa”, “queira….”…….

- Muitas vezes, as “brincadeiras” a que os submetíamos eram introduzidas por “o que acha de ir fazer isto ou aquilo?”. Se notássemos uma qualquer resistência por razões plausíveis, logo se encontrava uma alternativa que tivesse o mesmo sentido do gozo, mas que não implicasse que o caloiro se sentisse “violentado”.

Resumindo, há que perceber que não se caçam moscas com vinagre e que estamos perante colegas. O trato cordial e educado, mesmo perante uma relação hierárquica bem definida não impede o gozo ao caloiro, antes potencia a integração.
Há que saber manter as distâncias (não há cá “tu” para ninguém, nem confianças, enquanto o caloiro não é baptizado e, assim, considerado académico), mas com simpatia, afabilidade. Podemos ser firmes sem no entanto isso impedir de devermos ser cordiais e bons anfitriões.

Fazemo-nos respeitar não por nos impormos, porque quem tem de se impor, por si, é a Praxe a Tradição, aceite e reconhecida de forma voluntária. Cabe-nos dá-la a conhecer pelos nosso actos e conduta, que quanto mais digna e séria, mais a dignifica e eleva.


Abraço

Daniel Silva disse...

Bom dia, de momento sou de 2º ano pois tive um problema na praxe em que os meus engenheiros me obrigavam a berrar ate nao poder mais, andei bem um mes sem conseguir dizer piu. A custa disto ia arranjando problemas la em casa a custa da praxe. Todos os dias ia avisando os meus engenheiros que estava a arranjar problemas la em casa a custa de me obrigarem a berrar constantemente. Certo dia cheguei a casa ao forçar demasiado a voz correu me um pouco de sangue da boca e ai pronto foi a gota de agua. Acabando por ir ao medico este disse me que se nao parasse de berrar poderia ter consequencias muito graves ao nivel da voz. Mesmo gostando eu da praxe o meu pai obrigou-me a ameaçar os meus engenheiros. Sabendo desde ja que na minha faculdade exsteum conselho de veteranos. PPor e simplesmente os meus engenheiros expulsaram sem pedir justificaçoes (apesar de terem sido avisados todos os dias do problema criado) e sem recorrer ao exponete maximo da praxe um Veneravel ansiao e o concelho. Acabei por arranjar madrinha na mesma e ser batizado. Pergunto alguem me pode impedir de trajar ou de praxar?
Atenciosamente Daniel Silva

WB disse...

Caro Daniel,

O que relata é grave e deveria ter apresentado queixa formal. Por outro lado, também vocé deveria ter-se oposto, pois ninguém o pode obrigar seja ao que for.

Obvisamente que pode trajar (já o podia fezer desde o dia em que entrou na universidade) e praxar (leia o artigo deste blog sobre os anti-praxe).
A Praxe é um conjunto de actividades, usos e costumes às quais tem direito qualquer estudante, tenha sido ou não praxado.

Abraço

Jorge Ferreira disse...

Boa tarde,
Depous de ver a reportagem de ontem (25 de janeiro de 2014)na RTP1, de ler vários artigos deste blog, de ler alguns dos comentários feitos por ex-alunos e alunos, fico com ulagumas questões que gostaria de colocar:
1.ª - Porque razão permite o Estado que se perpetue um regime de exceção onde, como é também afirmado neste blog, "quase tudo é permitido?
2.ª - Se a praxe é tão boa, como é amiúde afirmado, tantos caloiros acabam por ficar com sequelas graves para o resto da vida e, alguns, acabam mesmo por morrer? É desculpável esta situação, ainda que seja um único caloiro a sofrer tal provação?
3.ª - Quais os "atos praxísticos" que poderiam ser elencados como razoáveis?
4.ª - Quantas mais pessoas terão que morrer para acabar com esta "selvajaria"?

Anónimo disse...

Para Jorge Ferreira
Na minha opinião meu caro,julgo que o problema foi o surgimento de muitas faculdades e sem
saberem nada de tradições...inventaram tradições académica, tipo fast food e mostrando que na minha faculdade a "praxe" é melhor que na tua... na verdade quem disser que a praxe é
para integrar, isso é mentira, porque tenho colegas meus que estão matriculados na universidade e mudaram de curso e de escola e tem que ser "caloiros" novamente! e eles não
aceitam ser praxados outra vez... logo, não é integração, senão aceitavam fazer as ditas "brincadeiras" outra vez...e o ironico é que eles agora são considerados anti-praxe... coisa que
não eram quando entraram na faculadade!! Isto parece coisa das Coreia do Norte! mas eles tem desculpa porque os norte coreanos são mantidos na ignorância!

Por outro lado o nome praxe deriva do grego "praxis" que significa prática... ou "ensino pelo exemplo"... praxis é o inverso da teoria. Por exemplo, o meu professor de durante uma aula
explica um teoria, mas só ficamos com uma ideia de como pode ser aplicada...por isso o professor faz uma aula prática de "como se faz". Temos o exemplo dos médicos, enfermeiros,
mestres de karaté, polícias e por aí fora...se tivessem só a teoria não sabem aplicar bem a teoria ensinada.

Ou seja se o senhor tem filhos, é pela sua "praxis" que o seu filho é educado à sua imagem por exemplo (consciente ou inconscientemente. A sua postura de como está sentado à mesa
durante o jantar, mostra pelo exemplo as boas maneira.. Agora dizer ao nosso filho que não se
pode dizer asneiras, falar muito alto, ter conversas improprias e depois exemplifica o contrário é má pratica!
E a praxe de hoje é exemplificada pela idiotice! Eu posso, eu quero e mando! dizer asneiras,
ser porco, boémio, reprovar o máximo de vezes...é o ensino que se transmite! logo o caloiro
quando for a vez dele de ensinar, vai fazer o que foi ensinado pelos acéfalo anteriores....
A sua praxis é feita diáriamente e sempre com a intenção para que ele se torne alguém importante, correcto, educado e etc...

Os caloiros aderem à praxe porque existe muita coacção! Já ouvi muitos acéfalos a dizer na TV
que só adere quem quer...mas não dizem que depois os que não aderem são colocados à parte
dos estudantes e existe escolas que nem sequer podem inscrever-se em orgão
académicos...como não podem ser sócios da associação de estudante!

código praxe Ualg:

Artigo 12º -Implicações Anti-Praxe

O aluno que se declare anti-praxe será excluído de uma série de rituais e actividades
académicas como sejam:
a) Perde automaticamente o direito de praxe sobre qualquer outro colega
independentemente do seu grau hierárquico;
b) Perde o direito a ser designado por qualquer título hierárquico;
c) Perde o direito ao uso do traje académico;
d) Perde o direito a participar em jantares de curso e outras actividades de convívio
desenvolvidas por INSIGNES PERSONAS.

Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Objectores à Praxe
Todo o Caloiro é praxado de forma voluntária, portanto, todo o
Caloiro se pode desvincular da Praxe. Para esse efeito foi
criado no seio desta Mui Nobre Academia
Artigo 2º - Ao Objector à Praxe Está Expressamente Proibido:
1. Praxar, assistir ou colaborar em qualquer forma de
praxe.
2. Ser praxado.
3. Usar Traje Académico.
4. Participar activamente na Semana do Caloiro, nos
Jogos Populares, na Semana Académica, na latada
ou e no Cortejo Académico.
5. A desvinculação da Praxe é um acto único, final e
irrevogável.

Anónimo disse...

(continuação)

Instituto Politécnico de Viana do Castelo

ARTIGO 62º - DAS PROIBIÇÕES DO OBJECTOR DE PRAXE
O Objetor de Praxe por sua própria iniciativa, tanto fica excluído de todas as
atividades praxísticas e académicas (tal como, Queima das Fitas, participação no
Cortejo Académico, Serenata da Receção ao Caloiro e Serenata da Semana Academica),
como igualmente de participar em todo e qualquer evento Académico. Não podendo
igualmente, e sob qualquer razão, praxar elementos desta Academia ou interferir de
qualquer forma nas atividades praxísticas.
É obrigatório que aquando do uso do Traje Académico não façam uso de
quaisquer uma das insígnias referidas no Artigos 82º,83º e 84º. (AQUI PODEM USAR TRAJE..
MAS SEM AS INSÍGNIAS PARA QUE TODOS OS ESTUDANTES POSSAM VER ----> OLHA ALI O
ANTI-PRAXE!!!! Parece coisa de extrema esquerda e direita...)

Como pode ver meu caro, não é só a "selvajaria" como refere... existe imoralidade! Para mim
isto é ensino à corrupção... ou entras ou ficas sem benefícios
Não existe anti-praxes, um anti-praxe é anti-tudo (serenatas monumentais, tunas, benção das
pastas, queima das fitas)incluindo a própria academia. Existe sim anti-acéfalos!
Uma vez um almirante disse-me que não existem maus praças, apenas maus líderes... Logo má
praxis = maus alunos...
boa praxis = bons alunos
e o que se tem visto por aí é de facto algo que os estudante do ensino superior não deviam de
ensinar ao caloiros quando entram para a faculdade!
O ensino que se transmite é gritar, humilhar, fazendo do traje académico o uso de poder, ser
obediente, respeitar as regras...
Eu sinto que a massa estudantil perdeu a força de outros tempos... estão amorfos como o
resto da sociedade portuguesa. Não há reivindicação, nem são pro-ativos.. visto que afinal em
vez de lutar pelo seu país, emigram como o resto dos cidadãos... Só se vê os estudantes juntos
quando estão nas praxes (recepção do caloiro, baptismos, desfiles, serenatas, benção das
pastas) e quando é para se manifestarem ou reivindicar...nem se vêem...
Julgo eu que a praxe de hoje, impõem uma obediência por coacção... que é muito comum em
Portugal... e corrupção é o que não falta por aí... não quero afirmar que a praxe de hoje é um
ensino à corrupção...li em alguns códigos de praxe que quanto maior é o cargo, menor é o
castigo...o maior castigado é o "caloiro" esse tipo de doutrinas só existe em estados de
extrema direita, idade mediaval e estados corruptos...
O nome praxis está sujo nos dias de hoje pelos actos que se vai vendo pelo país..nem é
necessário ver nas notícias para sabermos isso.
Posso dar o exemplo da suástica nazi que na verdade é um símbolo de renascimento e
utilizado em muitas civilizações antigas (gregos, romanos) e religiões.. Hitler fez como que esse
símbolo de 2000 ou 3000 anos, mudou o significado em menos de uma década para o
significado que hoje representa.

Deixa-me triste, ver o tipo de praxe que existe hoje em dia..de uma imoralidade cabal!

David

Anónimo disse...

O traje noturno existe? Disseram-me que a praxe noturna e a praxe à noite são coisas diferentes e que na noturna os doutores realizam as tarefas nus ou praticamente nus. É verdade? Já alguém o fez?

Agradeço resposta.
Obrigada

WB disse...

Caro anónimo,

Não sei onde ouviu isso, mas é perfeito non-sense.
Fique descansado que nem há traje nocturno, nem praxes despidos. E se há, não é Praxe!

Anónimo disse...

Eu sou praxista de uma casa de excelente nome a nível praxístico, sempre correctos, nunca fui obrigada a nada, sempre fui tratada com respeito e tudo. Mas sei que dentro da minha casa, há esta "praxe noturna" que me deixa um pouco de pé atrás, porque não quero andar só com algumas peças do traje vestidas ou estar sem roupa interior a fazer o que quer que seja pela praxe. Adoro praxe, falar sobre praxe, estar em praxe e tudo mais, mas tenho receio de ao recusar-me a tirar algumas peças para fazer algumas brincadeiras, que me impeçam de fazer o que quer que seja, mesmo sabendo que eu quero estar lá.
Mas obrigada pela resposta WB ;)

Fernando disse...

Não dando por totalmente certo ou errado o escrito, conheço muito bem os costumes, origens, tradições e tudo o resto que não é, para de forma sabedora poder falar sobre o tema praxe, no entanto há muitos pontos em que sou contra alguns "factos" citados.

Sim, fui praxista e fui um caloiro, não papel em actos também. Desde o primeiro momento, e ainda enquanto caloiro, fui ao conselho de veteranos por curiosidade e apresentei mais um amigo meu, também caloiro, alterações ao código, por achar que não estava esclarecedor para quem não se quisesse dar ao trabalho de ler com olhos de ler o código.

A praxe é boa, a praxe faz falta, o que estraga são os maus praxistas, com em tudo existe maus exemplos (seja no futebol, politica ou economia). A praxe não magoa, a praxe não faz doí-doí, ou não devia enquanto praxe. Aceito que haja por esse pais fora coisas que se fazem que nem se deviam auto-intitular-se de praxe.

Em 8 anos de faculdade (só para que conste andei na de Coimbra) quantos casos ouve de abusos ou melhor maus praxistas, que conte foram 3 e todos eles foram de resolução célere e dura.

Isto para poder dizer duas coisas: discordo do pensamento demonstrado, talvez pessoal sobre o tema da praxe aqui apresentada e chamar "ignorantes" a qualquer pessoa que fale da praxe. Possivelmente neste enorme leque de comentários muitos o deverão ser e opinaram porque estão no seu direito (claro que prefiro que antes façam um bocado pesquisa para estarem minimamente dentro do assunto, porque também não doí).

WB disse...

Caro Ferando, chamamos ignorantes não a qualquer pessoa que fale sobre praxe, mas que fale sem saber do assunto. São coisas distintas.

E se atentarmos aos muitos códigos de praxe que por aí andam, aos muitos mitos que pro aí circulam e às muitas asneiradas e atentados á Tradição que registamos, não há como dizer que existe demasiada gente a falar do que nao sabe e a praticar o que não conhece, de facto.

E precisamente por ignorância (e às vezes parvoíce pura) é que se desrespeita a Tradição, pois como s epode promover, defender e respeitar aquilo que não se conhece, de facto?

Infelizmente, temos demasiada gente, nomeadamente m organismos de Praxe, que tem a prsunção de saber e faz da sua incompetência o modelo a ser seguido.

Elísio Estanque disse...

Um favor:
Solicito ao/s autor/es deste blogue uma ajuda para identificar a FONTE
de 2 ou 3 fotos antigas que encontrei neste blogue. Estou a editar um livro sobre Praxe e Tradições Académicas e gostaria muito de poder incluir essas fotos; o que requer autorização para tal ou a identificação da fonte, no caso da foto ter sido editada. Agradeço muito ao Blogue N&M e ao seu autor se fizer o favor de me contactar.
Deixo email: elisio.estanque@gmail.com.
Telemovel: 917750186

WB disse...

Caro Elísio, há muito lhe foi dada resposta via mail.
Estamos dispostos a ajudar, conquanto aponte as fotos em questão.

Elísio Estanque disse...

Caros amigos,
de facto nao cheguei a receber essa resposta por email. provavelmente foi culpa minha.
seja como for, acabei por prescindir de algumas fotos (historicas):
em todo o caso aqui ficam os meus agradecimentos pela v/ atenção.
cumprimentos

JoãoMarques* disse...

Boa tarde.

Sou caloiro este ano numa Faculdade do Porto (mais precisamente, no ISMAI) só que a praxe não me atraí. Adoro a ideia de trajar (sei que não é, de todo, uma atividade praxista) mas se não for à praxe significa que não vou puder estar presente na serenata, escolher uma madrinha, nem nada?
Respondam-me pf para o email: joaopedromarques97@gmail.com

Estou com tantas dúvidas :(

WB disse...

Caro João Pedro Marques,

Não participar em praxes não o impossibilita de trajar e participar nas actividades académicas.
Quem lhe disser isso está não apenas a mentir como a violar a Tradição.
Não ligue, portanto, a isso e usufrua do traje e das actividades a que tem direito pelo simples facto de ser aluno do ensino superior e da instituição em que está matriculado.
Quaisquer dúvidas podem ser colocadas no grupo de Facebook "Tradições Académicas & Praxe".

Porta férrea disse...

Caros participantes:
Gostei muito de ler os Vossos comentários. Vou referir-me apenas às tradições de Coimbra, as que vivi na década de 50/62. Eram tradições e praxes não humilhantes (não digo que não tivesse havido excessos - sempre condenados-), nunca no sentido de ofender, antes de cariz brincalhão. Aliás, quase todas as "mobilizações", eram INDIVIDUAIS, e nunca "COLECTIVAS" (género as rebanhadas)a que hoje assistimos! Sempre terminavam como o início de uma sã convivência académica. Era esta a praxe/tradição que vinha já de décadas anteriores. Ia sendo cada vez menos "violenta" como tinha sido no passado. Tudo evolui! O problema coimbrão é diferente. Foi aqui que a praxe se iniciou. Ninguém duvida. Referir, que, nessa altura, não se misturava política com praxe. Fosse qual fosse a ideologia política de cada um, o uso do traje académico e a praxe eram exercidos de igual modo. Por outro lado, a praxe era exercida em ambiente académico e não público. A praxe, sempre foi de estudantes para estudantes e transmitida de geração em geração, ORALMENTE.
Dos vários "códigos da praxe" que foram aparecendo, nunca nenhum foi seguido! Nem mesmo o de 1957!
Tudo isto acabou em 1969 no "luto académico" sem data! Como o luto académico não permitia qualquer praxe, esta foi-se esquecendo e, 7 ou 8 anos depois, não havia ninguém para a transmitir! E ai de quem tentasse usar capa e batina! Era o que o luto académico pretendia!
Entretanto, abriram novas Universidades que criaram "códigos" de "praxes", (quanto a mim, alguns condenáveis), baseando-se no "imaginário coimbrão", mas que infelizmente nada tinham a ver com a verdadeira praxe coimbrã. Quando, mais tarde, a Academia de Coimbra procurou restabelecer-se (com as dificuldades impostas por certa corrente política), os estudantes da altura, em vez de procurarem elucidar-se sobre como eram as tradições e praxes da sua Academia não, seguiram os erros das praxes de outras Universidades! Até o uso da capa e batina deixou de ser usado correctamente! Claro que estes estudantes não têm culpa... ninguém lhes transmitiu a verdadeira tradição! Seria bom é que se elucidassem e, estou certo, as ideias que muitos têm sobre a praxe e tradições coimbrãs, seria decerto substancialmente alterada.
Mas, atenção, procurem livros de antigos estudantes, imparciais e que tenham sentido o calor da capa e batina! É que a tentação de acabar esta tradição está na ordem do dia. Até em Docentes, alguns ao mais alto nível, infelizmente!