domingo, maio 13, 2012

Notas a um Cortejo sem Tradição (Parte II)

Nem de propósito.
Como diz o povo, "cada tiro cada melro".
 

 




Bonito serviço!
A legenda é dúbia: Percebe-se o FEP (Faculdade de Economia do Porto), mas não o nº 150.
Seja como for, é um "non-sense"

Mas não apenas de vermelho como também de ténis brancos:


 

Dirão alguns que os cartolados não estão trajados porque não andam de capa ou de gravata. Nada mais errado.



Recordo que desde há décadas que já  se institucionalizou a figura do cartolado na forma de como se apresentar vestido e das "insígnias" próprias dessa condição no cortejo.


A Cartola, bengala, laço e Roseta, surgidos no ano de 1931-32, adendam algo que era muito ligado ao traje académico, o qual é uma versão laicizada do deposto traje de "abatina".
Com efeito, a versão aburguesada do traje discente, está em tudo próxima (porque pretendia, precisamente, essa similitude) da indumentária usada pela dita "alta sociedade", pelos "gentlemen" da época.

Assim a cartola e a bengala (tal como laço e roseta) remetem para a figura que se pretendia evocar, aquela que se pretendia atingir: a do estatuto - traduzido pelas roupagens de quem ocupava um estrato social e posição superiores (e a alta sociedade, os endinheirados, os deputados, os doutores..... usavam precisamente a toilette ditada por essa etiqueta: fato, bengala, cartola...).
O uso da cartola, bengala, laço e roseta prefiguram, assim, na génese, uma antecipação daquilo que o recém formado sonha(va) e espera(va) atingir com canudo na mão.

Já os ténis em nada se conjugam com o simbolismo e analogia da cartola e da bengala, pois não são os ténis próprios à toilette burguesa ou, neste caso dos dias de hoje, associáveis a uma toilette formal.
Não vêm pois acrescentar nada, mas deturpar. Veja-se que cartola, laço, bengala e roseta não alteram o traje na sua essência, antes o aproximam ao modelo que lhe serviu de paradigma. Já os ténis substituem-se ao sapato. Ora os ténis não são próprios seja de que fato for, a não se o  fato de treino.
O que vemos na foto não é traje, mas ultraje.
Assim vão as modas no Porto.

SOBRE A ORIGEM  DA BENGALA, LAÇO, CARTOLA E ROSETA, CLICAR AQUI.
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Fotos de João Pedro Rocha, publicada pelo Facebook da FAP - Federação Académica do Porto em 10 Maio 2012: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151686207005284.835265.432040235283&type=3)

16 comentários:

Anónimo disse...

Ocorre-me uma expressão que ouvi pela primeira vez em Viseu, bastante gráfica, indicada para comentar esta foto ridícula… “quem não têm cu não se põe a paneleiro”… o traje académico deve ser usado sempre que assim o entendam, mas sem nunca o vilipendiar, ninguém é obrigado a trajar, quando o fazem devem…ou melhor, TÊM que respeitar o traje e a Academia que representam! Que palhaçada, os pezinhos doem? Ou aguentam ou então não trajam, tão simples, porquê complicar?

PS- por último, e como o autor – e bem! – refere, não deixa de ser pertinente saber o que andavam a fazer os membros do órgão regulador da praxe, no cortejo académico em causa (aparentemente do Porto).
Paulo

Eduardo Pinto disse...

"Assim vão as modas no Porto." Pena que um post tão coerente e cuidado tenha terminado de forma tão sensacionalista. De facto, não é essa a moda no Porto, e qualquer pessoa que tenha estado presente no cortejo poderá testemunhar isso mesmo. De qualquer maneira, o facto de essa não ser a moda permite-me que não necessite de me alongar no comentário.

WB disse...

Caro Eduardo Pinto,

As modas no Porto são várias!
Também lá há moda das mangas arregaçadas por baixo da batina, para não se ver o branco; a moda de expulsar caloiros da Praxe, a moda de haver alunos que são caloiros mais do que uma vez, a moda de não se deixar trajar caloiros, a moda de praxar doutores só porque são inferiores hierárquicos, a moda de fitados de pasta e sem traje...............
Há muitras modas no Porto, conforme vamos fazendo zoom nas suas diversas casas.

Há muita gente que segue a tradição, é facto. Mas já a há em demasia que segue, precisamente, "modas".

Forte abraço

Anónimo disse...

Mas e isto? https://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/560457_3453410406285_1001539926_32548071_1181834841_n.jpg como se explica? A fotografia é da UCP-Braga.. Fala-se muito dos erros da praxe no Porto mas nessa, a bem ou a mal ainda se vão vendo alguns exemplos mais ou menos bons. Mas e na "periferia"? Em todas essas Escolas, Faculdades e Universidades onde se inventa o que bem se quer e apetece á força das necessidades e das questões

Eduardo Pinto disse...

Há certamente muitas modas no Porto e muitas delas erradas e ridículas. Curiosamente, concordo genericamente (isto porque para discutir algumas ter
íamos que entrar em detalhes e casos particulares) em todas as que referiu e sinto-me lisonjeado por pertencer a uma casa que ainda vai percebendo umas coisas.

Porém, e tal como eu disse, eu refutei a moda referida no post. De facto, não é uma moda ainda, e graças a Deus (ou aos muitos bons praxistas ou simplesmente com dois dedos de testa) que não o é. Nada mais.

Cumprimentos

WB disse...

E ainda bem, caro Eduardo Pinto, que a infecção ainda não atinge todos da mesma forma.
Mas deixo umas perguntas, em jeito de provocação: proibem o relógio de pulso com traje? Usam mangas arregaçadas com o traje para não se verem à noite? Metem os escudos/símbolos na capa segundo a tradição original?
Pequenos pormaiores. Forte abraço

Eduardo Pinto disse...

Sobre o relógio de pulso: simplesmente ninguém usa, que me tenha apercebido.

Não, não usamos mangas arregaçadas. Também não arregaço as mangas da camisa de um fato quando vou ao casamento e estou de casaco vestido.

Não sei se percebi a pergunta dos símbolos... Refere-se a emblemas? Não uso, mas há quem use.

Anónimo disse...

é verdade, há muitas modas pela nossa Academia. Eu no Cortejo vi várias pessoas de all stars, já para não falar dos óculos de sol, das saias bem acima do joelho, dos grelos colocados nas capas, ou mesmo capas complemente rasgadas (já estou no meu terceiro ano e ainda não consegui perceber a graça de ter a capa cheia de rasgões...) sou apologista da capa negra...

mas tenho algumas perguntas a propósito de comentários aqui deixados:

eu arregaço as mangas da camisa, simplesmente para não se ver o branco, isso faz com que esteja mal trajada?

é errado andar de pasta grelada sem estar trajado? é que eu ando, na verdade a pasta dá-me imenso jeito!
O mesmo se passa com as pastas fitadas?
Já ouvi dizer que sim, mas a doutrina diverge...Na minha Casa cumprimos rigorosamente as regras do bem trajar, mas quanto ao uso da pasta nunca me disseram que não podia usar a pasta grelada sem estar trajada.

Anónimo disse...

Meus Caros

Como é obvio não ha uma praxe perfeita, em lado nenhum,vivemos numa sociedade que de perfeita não tem nada, como tal é de esperar que numa praxe que envolve milhares de estudantes, nem tudo corra bem.
Em relação á foto, posso dizer que não esclarece mt bem, se a praxista esta de traje ou não. Pessoalmente quero acreditar que não esta trajada e esta sim a futrica, como é normal ver no cortejo do porto (nos meus 16anos de academia/praxista, fui desde pequeno habituado a ver um cortejo colorido, em que cada casa/finlista não ia trajada).
Quanto aos orgãos da praxe, não me parece correcto virem questionar onde estariam e porque razão não viram ou fizeram que não viram situaçoes desta, pois basicamente é o que querem dizer neste post. Para quem conheçe bem o Cortejo do Porto, sabe que é impossivel vislumbrar este tipo de coisas, principalmente quem esta na tribuna. A FEP por exemplo, é uma instituição que tem aproximadamente 200 a 300 finalistas por ano. No meio de tanta gente, parece-vos facil detectar isto?
Saudaçoes Academicas
João

Anónimo disse...

Concordo com o que disseste. Acho que o correto é ir trajado. No entanto, não exageres nas ofensas.

Ass: Piny

Lis LVA disse...

Para começar, quando se cartola a capa é dobrada e arrumada, como sinal do FIM da vida académica. Assim, não é por mero acaso que os cartolados não andam com capa, NAO PODEM andar com capa. Depois, estando sem capa não estão devidamente trajados,mesmo que tenham as restantes peças do traje. Não estando trajados, podem usar o calçado que entenderem, tal como se estivessem com outra roupa qualquer. Relacionado com a FEP, para quem não sabe, Economia está de "relações cortadas" com o Consilium Veteranorum da UP, ou melhor, as relações são de mera coexistência. Não participamos na semana de recepão da UP, nem outras actividades do género. Estamos no cortejo porque qualquer estudante do Porto tem direito a estar lá, apenas. Daí, os senhores da tribuna não serem tidos nem achados no que os estudantes de Economia fazem ou deixam de fazer.

WB disse...

Cara Lis LVA,

A sua resposta, desde já, revela profunda ignorância do que é protocolo, rito e Praxe.

Quando se cartola não se arruma a capa, mas apenas se permite prescindir dela no cortejo (quem a quiser levar pode fazé-lo).
Diga-me de onde, historicamente, tira essa ideia de que "não podem" usar capa.

Sabe como eram os cortejos há 40, 50 ou mais anos?

O cartolado, para o efeito em causa ESTÁ DEVIDAMENTE TRAJADO SEM A CAPA onde o protocolo define que deve usar cartola, laço, roseta e abas da lapela em seda e bengala da cor do curso, isto no traje (e não em t-shirts com calções e afins).

Não podem portanto usa ro calçado que querem só porque não trouxeram a capa.

Estarem, ou não, de relações cortadas com o MCV não vem sequer ao caso.
É um ultraje à Praxe (e o MCV não é "A" Praxe) e à tradição.

Os seus argumentos explicam muita coisa, desde logo a profunda ignorância, que leva ao desrespeito e desprezo pelo património académico.

E lado algum se permite uso de ténis com traje, estejamos de capa ou não.
Quem achou que podia fazer tal não apenas é parvo como atenta ao próprio respeito que deveria ter para com a Praxe, não sendo sequer merecedor de usar capa e batina.

WB disse...

Cara Lis LVA,

A sua resposta, desde já, revela profunda ignorância do que é protocolo, rito e Praxe.

Quando se cartola não se arruma a capa, mas apenas se permite prescindir dela no cortejo (quem a quiser levar pode fazé-lo).
Diga-me de onde, historicamente, tira essa ideia de que "não podem" usar capa.

Sabe como eram os cortejos há 40, 50 ou mais anos?

O cartolado, para o efeito em causa ESTÁ DEVIDAMENTE TRAJADO SEM A CAPA onde o protocolo define que deve usar cartola, laço, roseta e abas da lapela em seda e bengala da cor do curso, isto no traje (e não em t-shirts com calções e afins).

Não podem portanto usa ro calçado que querem só porque não trouxeram a capa.

Estarem, ou não, de relações cortadas com o MCV não vem sequer ao caso.
É um ultraje à Praxe (e o MCV não é "A" Praxe) e à tradição.

Os seus argumentos explicam muita coisa, desde logo a profunda ignorância, que leva ao desrespeito e desprezo pelo património académico.

E lado algum se permite uso de ténis com traje, estejamos de capa ou não.
Quem achou que podia fazer tal não apenas é parvo como atenta ao próprio respeito que deveria ter para com a Praxe, não sendo sequer merecedor de usar capa e batina.

Anónimo disse...

lis

realmente de praxe sabe muito pouco. é uma vergonha vir dizer o que disse em relação ao uso do traje (capa).

para piorar da a entender que é uma pratica comum na FEP.

Sinceramente não me parece que o praxista da FEP tenha sido ensinado dessa forma.

Como foi dito atras "Estarem, ou não, de relações cortadas com o MCV não vem sequer ao caso"

Acho muito engraçado esse ressabiamento com o MCV.

A Lis deveria saber, ja que parece estar muito bem informada, que a FEP nao esta de costas voltadas pra o MCV, tanto é que o Dux da FEP sempre que é chamado comparece em MCV. O problema da FEP era outro e esta neste momento sanado (segundo me chegou aos ouvidos).

Algumas pessoas que comentam este foram, de certo podem explicar o problema da FEP com a Academia do Porto, pois alguns são desse tempo.

Anónimo disse...

Por mim era rapar esta gente toda! Vão mas é estudar que é para isso que andam na faculdade!

Anónimo disse...

"Anónimo disse...

Por mim era rapar esta gente toda! Vão mas é estudar que é para isso que andam na faculdade!
09 Dezembro, 2012 22:16 "
o unico comentario que li.. a minha reaçao: eu conheço muito boa gente activa em praxe que acabou o curso em 5 anos, e eu proprio tenciono fazer o mesmo..

so para dizer que o facto de os finalistas nao irem de capa para o cotejo nao e porque "ah e tal dá mais jeito", mas sim porque a capa simboliza o estudante e as regalias e protecçoes a ele associado, e sendo finalista deixa-se de ser estudante, perde-se essa protecçao