quarta-feira, maio 21, 2008

Notas sobre a Praxis Olissiponense (II).

Realizada que foi a Benção das Fitas na cidade universitária, em Lisboa, oferece-me lançar alguns considerandos que irão ao encontro do já dito, em anteriores artigos, sobre praxe, pasta, fitas, entre outros.

Não é a primeira vez que urdo um reparo à praxis lisboeta (daí esta 2ª Nota) e ao modo como ela é entendida e vivida, até porque, como os leitores mais atentos se recordarão, por mais que uma vez afirmei, não se poder falar propriamente de praxe, de verdadeira praxe, nesta academia, mas, desta feita, julgo que importa que os leitores alfacinhas, ainda ligados a esta vertente do exercício da cidadania académica, possam sair da sua letargia e imprimir um outro caminho, sob pena de “abandalhar”, definitivamente, o actual circo em que se tornou a praxe por estas bandas.

Este fim de semana que passou, as televisões, como é costume, deram alguma atenção à celebração da Missa dos Finalistas, com alguns canais a entrevistarem alunos em conclusão de curso. Nada de anormal, pelo contrário, neste particular (pena é não o fazerem noutras ciades). Anormal, isso sim, é o que se continua a ver e ouvir.

Saberão os académicos, os estudantes do ensino superior em que consiste a Pasta da Praxe? Não sabem, isso é um facto, bastando ter visto os simulacros de pastas abanadas com uma parafernália de fitas que mais parecia um carnaval carioca.
Saberão, estes mesmo estudantes, que as fitas a usar são em número de 8 apenas, e que existe uma ordem de colocação e atribuição das mesmas para assinar?
Não sabem, é facto, não apenas pelo que na TV se ouve (a roçar o ridículo ou o cómico por tanta ignorância junta) ou pelo que eu próprio constatei por antigos alunos meus.

Já nem vou falar, sequer, no trajar com malas e malotes de senhora, porque me dá voltas ao estômago.
O que prendeu a minha atenção foi ouvir uma finalista a explicar ao jornalista a simbologia do seu traje, símbolos, pins e afins.
Hilário e tantos outros académicos devem ter dado muitas voltas “em número ímpar”, onde quer que estejam!

Com que então, o grelo, pregado na lapela esquerda com in pin (!?!), é composto por duas fitinhas de seda?
Com que então usa-se grelo e fitas ao mesmo tempo em missa de finalistas?
Com que então a colher de café, posta na gravata é símbolo académico?
Com que então, o traje serve de uniforme militar, onde nem as golas se véem de tanta “medalha” (vulgo pins) ganha, e que se usam, principalmente, em cerimónias oficiais?
Com que então pasta comprada “na stapples” (ou equiparado), brasonada por fora com logotipo, é Pasta da Praxe?
Com que então usa-se pasta e fitas sem traje?
Com que então ela, a Pasta, só serve para transportar milhentas fitas (na moda de que é uma por cada subscritor)?

Tenham lá paciência, mas pergunto quem andou a formar, ensinar e orientar estas pessoas na praxe, porque, esses sim, são os verdadeiros culpados e hereges, num acto de vandalismo à tradição e cultura académicas sem precedente.

Não posso, em consciência, colocar o todo o ônus da culpa apenas nos finalistas e outros, porque muitos não têm culpa de quem inventou ou deixou que se inventasse tanto. Tenho pena, apenas, que a classe estudantil seja tão pouco esclarecida e desconhecedora das práticas e regras, da sua história e significado, para a viverem de forma mais consciente e crítica.
Onde estão os responsáveis, os veteranos, conselhos de praxe Dux e afins?
Que formação, idoneidade e competência têm para assumir essas funções?
Se não são solução, são parte, ou a grande parte, do problema e, por isso, como dizia uma colega minha, “quem não tem competência, não se estabelece”!
Se a cidade é incapaz de se colocar sob os auspícios de um organismo inter-academico, em termos de coordenação da praxe, pelo menos que cada instituição prime pela excelência em termos de praxis, de modo a evitar-se aquele ajuntamento que mais não é do que uma passerelle vergonhosa daquilo que ainda têm a distinta lata de chamar de praxe.

Desculpem o tom mais azedo, mas nestas coisas, entenda-se, de uma vez por todas, que não há meias medidas: ou é ou não é.
Diz o chavão que “Dura Praxis sed Praxis”, máxima que muitos, tolhidos intelectualmente, apenas ligam ao ritual de acolhimento dos caloiros, quando o significado se prende muito mais com a forma de se ser e estar, pois a praxe não é dura (como já o foi em tempos remotos), mas é firme, séria, primando pelo rigor. Esse é o sentido de Dura Praxis, reforçada pela adversativa “Sed Praxis” - nesse tal sentido de que não tem outra forma de o ser (porque, quando não, passa a outra coisa qualquer).

Não quero, com este artigo, deitar qualquer bréu sobre a festividade da Missa dos Finalistas – longe mim!
O facto de finalizar um curso, o estatuto de finalistas é motivo de gaúdio, júbilo, de festa rija e, numa época tão competitiva, de conjunctura económica e social tão apertada, temos mais é que dar os parabéns a toda esta gente, mesmo se paira no ar a incerteza de um futuro tão risonho quantodesejado, para a maioria deles, no mercado e trabalho.

Mas se, naturalmente, nos associamos à alegria daqueles que obtêm, após tanto esforço, o merecido canudo, tal não nos deve coibir de apontar o dedo e repudiar tudo quanto é perpetrado em nome da praxe e da tradição. ou desculpado só porque é festa!

Se certos senhores que se dizem “praxistas” (expressão que erradamente é tida como o acto de praxar) tivessem, isso sim, a lucidez de pensar em informar-se e formar-se, para depois informar e formar os outros (em vez de andarem a perseguir caloiros e em festiolas etílicas – resumindo nisso a sua acção), quem sabe as coisas não tivessem chegado a esse ponto.
É que certos indivíduos ainda não passaram da pré-primária da praxis, por isso só ainda sabem pintar e fazer desenhos nos caloiros ou brincar ao “faz de conta”.

A Praxe Académica, sua cultura e tradição, não é assunto de enclaves, mas diz respeito a todos, porque a praxe é um património nosso. E não falo, obviamente, dos pequenos aspectos que vão diferindo de instituição para instituição, sem se perder o essencial.
Neste caso, sobre capa e batina, pasta da praxe, grelo, fitas………. não há cá lugar a modas ou invenções, não há cá lugar a “praxe à moda de Lisboa” (ou qualquer outra localidade)!

Fica o reparo e o alerta, que espero possam servir de repto às forças vivas e sérias da academia lisboeta (muitos também ligados ao mester tunante), no intuito dela poder encetar uma mudança profícua que a dignifique, enquanto tal.

Os ditos líderes da praxe, responsáveis pela aplicação e respeito dos usos e costumes universitários, se não sabem, não podem ou não querem, que se demitam e possam dar lugar a quem assuma essa função com elevação, excelência, conhecimento e saber sobre praxe, para que lhe restituam todo o seu brilho e carisma, toda a sua significância (e possa assim ser vivida por todos).


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18 comentários:

Anónimo disse...

Os responsáveis pela praxe só aparecem na altura dos caloiros depois só aparecem na queima para ter bilhetes e entradas à borla nos eventos e alguns sabem tanto de praxe como eu de física nucelar: nada!

João Teixeira disse...

Caro amigo nem imaginas o que se anda a passar por Coimbra, mete medo, digo mais mete nojo ver até onde se estica 'a tradição' como se nunca tivesse sequer existido ...

Ainda por cima de momento voltei a aluno e estou a estudar na Universidade de Coimbra, Imaturidade, atrevo-me a dizer 'canalhada' ... que nem o traje merecem envergar ou melhor dizendo ... albardar

Anónimo disse...

Em Lisboa não há noção de Praxe e/ou de Academia, há que o dizer de forma clara. O que se vê é resultado dessa não existência de fundações claras e históricas sobre a Praxe.

Anónimo disse...

Lisboa é a vergonha da praxe.Até mete dó ver raparigas de traje com mala castanha e pins que nunca mais acabam, com altas pulseiras, brincos enormes e a andarem com a capa abotoada com colchetes -isso é só um exemplo.

Anónimo disse...

lisboa não tem praxe nenhuma...eu entrei na unl na primeira fase e em termos de praxe...eskece...os caloiros serviam pra ir buscar cafes e cervejas...tratar os veteranos por tu, fazeres o k kiseres..tudo e mais alguma coisa...é k eles têm a arte de bem praxar e a arte de bem trajar...pk sabemos bem k a praxe é mto mais do k por alguns caloiros a encher,ou de4.na segunda fase entrei na utad e digo aki aprendi o k realmente era a praxe,o espirito dela!

ahh o ultimo anonimo esqueceu-se de acrescentar os oculos de sol,k é das coisas k se vê mais nos olhos dos veteranos em lx...

Anónimo disse...

Estudei na FMUL e depois fui para o Porto e concordo que Lisboa é uma pobreza e chega a ser uma vergonha. Há excepções em certas faculdades, mas concordo que olhando para a cidade como academia, como um todo, ela não tem praxe nem ponta por onde se pegue. É uma imcompetência pegada e um grande circo onde só alguns ainda respeitam a tradição.

Alessandra disse...

Sr. Pena, já fiz a devida referencia em meu blog, deixo aqui minhas apologias, pois que não sendo de cá, "vendi o peixe, pelo preço que comprei". Grata pelo esclarecimento.

Anónimo disse...

ola, eu sou novo neste mundo académico, o qual tinha reparado que não andava bem, o que me revolta. É uma falta de respeito pelos nossos costumes e pela nossa historia.
por isso fiquei curiosos sobre o que é ser académico(peço desculpa se utilizei mal o termo) e vinha pedir lugares onde me possa informar, para tentar mudar o rumo.

tem aqui o meu email para me dar mais informações: ppapedro.aparicio@gmail.com

Anónimo disse...

Enquanto estudante da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa não poderia deixar passar esta oportunidade de comentar um dos muitos posts aqui lidos. Para começar concordo no que diz respeito á quase inexistencia de tradiçao academica por estes lados e quando se diz que há é uma vergonha chama-la de PRAXE. Mas também sei que existem pequenos grupos que tentam combater isso, procurando informação em Coimbra, Porto, outras cidades e alguma pela internet tendo sempre o cuidado de confirmar se é fiável. Sinto vergonha por não existir uma Academia unida em Lisboa mas sinto orgulho no trabalho que temos (eu e mais uns poucos) tentado fazer enquanto praxistas para com os "nossos", digo "nossos" referindo-me aqueles (graus hierarquicos inferiores) por quem somos responsáveis a nível de formação e ensinamentos. A PRAXE em Lisboa já esteve muito pior tem-se vindo a notar uma pequena evolução em algumas instituições, como por exemplo a FCUL que quando cá cheguei não se via viva alma trajada mas os mais velhos "praxavam" na mesma agora passado uns anos já exitem um numero de trajados razoável (durante o ano todo) e só praxa quem está em PRAXE, entende-se com isto quem envergue Capa e Batina/Casaco. Aos poucos e poucos la vamos evoluindo para a verdadeira PRAXE e muito nos ajuda ter uma tuna como deve ser. o problema é que como não há união (a cidade é grande com 4 instituições publicas mais umas quantas privadas em que cada um tem a sua tara) as coisas evoluem devagarinho, não sendo notado quando se olha para a Academia no seu todo. Ainda falta muito trabalho pela frente mas enquanto houver praxistas corajosos que nao se deixam levar pela maioria ignorante as coisas tendem a evoluir.

DVRA PRAXIS SED PRAXIS

Canina Ginjinha Pequeno

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Não posso deixar de comentar tamanho testemunho...Sou estudante na FCUL e concordo plenamente embora cada vez mais se note a diferença nestes últimos anos. Tenho e temos remado no sentido de proporcionar aos novos estudantes a verdadeira noção e sentimentos da PRAXE contudo nada saberíamos se não procurasse-mos informação pois existe um vazio enorme desta. Existem vários problemas que passam de ano para ano sem serem solucionados. Existem problemas que de tão básicos que são nos induzem numa boa piada azeda como por exemplo ter vergonha de andar trajado na rua, vergonha de ser diferente, vergonha de defender algo em que acreditam. Para dar uma ideia do que se passa como um todo, é como ter 40 putos numa loja de doces forrada de alto a baixo com caixas de gomas num espaço de 4m2. Como solucionar? Com informação!! Mas quem a tem? Quem tem legitimidade para dizer "isto é que é a praxe"? O que é a praxe? Quem recebeu a informação correcta? ninguém...essa informação perdeu-se nos tempos pelo menos em Lisboa. Tem tudo que ser recomeçado do zero, reunido do zero e em pouco tempo para poder ser transmitido e ainda fazer sentido. Tem de ser rápido e coeso como que se dum elixir se tratasse e quando bebêssemos já sabíamos, já sentíamos. Para mim os problemas da praxe são poucos mas fulcrais como ser uma tradição passada oralmente, não haver nada escrito para alem de códigos de praxe, algumas vezes compostos por uma pagina A4 arial 18 e pouco mais (cadé das historias que fazem parte dos alicerces da PRAXE?), a PRAXE exige maturidade ninguém pode ensinar ninguém a sentir, meditar, pensar, confiar no próximo, etc e finalmente é que a praxe requer tempo, dedicação. Um agricultor não esta sempre a colher a fruta é necessário semear, regar, podar, enxertar, adubar e esperar muitas vezes anos até que esta dê frutos. Quanto tempo fica cada um de nós a tirar o curso? Nós demorámos anos a recolher informação, a saber estar, a reunir um grupo que soubesse envergar o traje, que soubesse os usos, costumes e preceitos da praxe, a tentar unir em torno dos valores da PRAXE, a tentar reunir histórias que estam por detrás de cada uso, costume e preceito da PRAXE. O problema e que ainda existem campos enevoados já que a PRAXE e um campo demasiado vasto, o problema é que dá trabalho e é preciso amor a camisola, o problema é que nem todos remamos para o mesmo objectivo mesmo tendo caminhos diferentes, sendo isto verdade em Lisboa quanto mais no país inteiro.
Para finalizar queria perguntar se sabe onde posso encontrar o primeiro código de praxe de Coimbra e livros antigos sobre a praxe.
Obrigado pelo tempo dispendido e pela informação disponibilizada.

AP

Rui disse...

Já tinha passado neste post há uns tempos, e foi sem dúvida dos textos que mais mexeu comigo e me incentivou a "mexer" na Tradição Académica (desde já, Obrigado caro Pena).

Sou estudante do Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, e tal como aqui os meus colegas da FCUL já disseram, tem-se feito uma pesquisa em prol de procurar uma essência digna de se chamar a PRAXE em Lisboa. Como já disseram, textos, informações sobre a Praxe em Lisboa são quase inexistentes. Perdoem-me, mas actualmente qualquer "bronco" é capaz de escrever meia dúzia de palavras num motor de busca e obtém tudo o que precisa sobre a história da Praxe em Coimbra ou no Porto. Facilmente se descobrem factos e não apenas "dizeres". Facilmente se tiram dúvidas e se perde qualquer desculpa por qualquer infracção à Praxe.

Daquilo que "oiço dizer", e de certas situações das quais tenho conhecimento próprio, parece-me que nas Academias em que mais se sabe da história, dos valores, dos costumes, da tradição, da Praxe... cada vez mais se deseduca, cada vez mais se atropela. Nesta nossa Academia, carenciada de Tradição Académica, um bocado à deriva, cada vez mais os estudantes se unem, cada vez mais há a sede de saber a verdade, de extrair a essência da PRAXE, de respeitar e seguir a PRAXE na sua forma mais pura (aquela que muitos ainda seguem em Coimbra) e acabar de vez com a pseudo-praxe e a má imagem que reina da nossa Academia. Cada vez mais, por cá, se tenta seguir Isto bem, se tenta respeitar Isto. Parte do meu contributo é envergar Capa e Batina regularmente, com orgulho. Os olhares de lado já não surtem qualquer efeito. P: "Então porque estás trajado?" R: "Porque me apetece. Porque quero."

"Neste caso, sobre capa e batina, pasta da praxe, grelo, fitas………. não há cá lugar a modas ou invenções", disse o Pena, e estou totalmente de acordo. O problema está em mudar muitas "cabeças duras" que teimam em fazer a coisa à moda deles.

Resta-me dizer que não estamos parados a olhar. Estamos a trabalhar com o sonho de ter um dia um "Código da Praxe Académica da Academia de Lisboa", que seja respeitado tanto em Lisboa como fora desta.

'Bora lá malta! Vamos andar com Isto p'rá frente!
Ao Pena, obrigado por este texto, e por muitos outros que teimo em acompanhar.

Rui Morais

Anónimo disse...

bem andava eu à procura de algumas ideias e comentários fundamentados para escrever algo sobre a tradição académica em Portugal, quando me deparei com um monte de "asneiradas" atiradas para o ar como sinónimo de superioridade por parte de certas pessoas.
Pelo que me sinto no dever de tb eu lançar umas qts mais axas nesta fogueira, caindo tb na mm asneirada se calhar, mas lá vai então.
Pois bem: adoro quando falam em pseudo-tradições, sobretudo para quem vive delas, o traje é efectivamente uma tradição, que remonta de já há vários sec. atrás. As praxes na altura existentes não contemplavam o inúmero nº de regras e aldrabices pegadas que são impostas aos caloiros hoje em dia.
Após o luto académico de 1969 surgiram mts supostos códigos de praxes, alguns que contemplam um nº elevado de regras que nada tinham a ver com a tradição. Por isso n csg perceber, pq se acham vocês no direito de pensar que tem um tradição tão regrada e mais perto do que realmente acontecia à séc. atrás do que outras cidades.
Todas as tradições vão sendo alteradas, de uma forma ou outra, até com o próprio surgimento do traje feminino, o uso de cartolas e bengalas coloridas não está nos antípodas da tradição, no entanto essas figurinhas tristes que fazem são por vós tidas como uma tradição. Então porque a pasta de fitas em Lisboa é tão criticada?? Parece-me mais uma guerrilha entre cidades do que uma discussão sobre tradições . Quem segue a praxe e as tradições com atenção, deveria saber que tb em Lisboa há quem siga a tradição e use a dita pasta de praxe, sobretudo para carregar os livros quando se encontra trajado e não uma folha escrita para fingir o seu correcto uso, sendo tb colocadas as 8 fitas que no entanto e como foi dito não podem ser usadas no cortejo. A pasta de fitas apenas equivale ao uso que outras academias fazem da bengala e da cartola, tendo o mm e exacto significado, que no entanto é expresso através não só das cores do curso mas também pelas palavras de todos aqueles que no nosso percurso académico de alguma forma deram um contributo. E não é apenas usada na missa celebrada para a sua bênção mas tb num cortejo que é feito até ao local da mm, pelo que não é usada a tal dita pasta de praxe.
Preocupa-me mt mais as meninas todas pintadas e cheias de adereços, a usar tão incorrectamente o traje... o q se vê um pouco por todo o país, bem como rapazes com as fraldas de camisas de fora, num completo desrespeito pela tão afamada tradição mas que é tudo desculpado pelas mts bejecas bebidas.
E acho tb mt engraçado acharem q lisboa n tem tradição académica só porque depois do luto académico ocorrido afinal de contas apenas no séc. passado, no qual a maioria de nós que aqui escrevemos nasceu, n tenha logo feito um código de praxe, tendo em conta todos os séc. para trás de tradição que tinha, afinal e se tiverem em atenção foi em 1228, época marcada pela evolução económica, social e cultural, que D. Dinis fundou os Estudos Superiores de Lisboa, aprovados pelo Papa Nicolau IV, em 1290, n mais que a primeira instituição de ensino superior do nosso país, sendo só depois em 1308, que a instituição devido a distúrbios se muda para Coimbra,tornando-se assim a Universidade de Coimbra numa das mais antigas da Europa. Ora por um acaso não vejo aqui o nome do Porto (que pensa q tem mais tradição académica que Lisboa).
Por isso não sejamos hipócritas e aceitemos as tradições no mm pé de igualdade. As tradições vão-se criando e alterando ou então nunca o seriam, não é mais tradição uma cartola colorida que quase faz lembrar as faculdades americanas do que uma pasta de fitas (e não de praxe).

WB disse...

Caro anónimo,

Uma correcção se impõe, desde já:

A pasta com fitas não equivale à cartola e bengala, nem em Lisboa nem em lado algum. São coisas díspares, cada qual com a sua significância e história (mais antiga a pasta, como saberá).

Não se considera tradição a prática de 3/4 de mês resultantes da deturpação e do desvirtuar de uma tradição transversal.

Que haja, em Lisboa, boas e honrosas excepções no uso da pasta, pois há-as, certamente, mas são isso mesmo: excepções.

Falar em tradição em Lisboa é erróneo, quando o que temos não é uma academia, mas a soma de diversas, cada qual com seus códigos, regras e patetices à mistura que escuso enunciar.
No meio haverá quem faça bem? Sim, mas infelizmente poucos; e infelizmente uma boa prática que não é de todos, antes de uma minoria.

O Porto não tem melhor ou pior tradição que Lisboa, mas tem uma (basicamente a mesma que Coimbra, porque nela, e bem, inspirada, com as respecitvas diferenças pontuais); contrariamente à capital onde uns têm, outros não (e outros, ainda, são uma mistura sem nexo).

Concordo plenamente com a confusão e inutilidade de regras e regraszinhas que muitos desses codigozinhos promovem, a ponto de se dar maior importância ao acessório do que ao essencial. Chega-se a legislar sobre coisas que não têm sentido, nem historicidade (e, aqui, não só Lisboa, mas o país inteiro tem desses casos). è o caso das fitas, dos emblemas e quejandos.

Não se podem aceitar as tradições num mesmo pé de igualdade, quando muitas delas são artificiais e inócuas. O Porto, pelo menos, baseia-se naquilo que é (ou foi) uma tradição transversal, mesmo se, como em todo lado, haja sempre aspectos criticáveis (fruto de invenções sem nexo).

Em todo lado se véem atentados ao rigor e à praxis do trajar, mas isso só se combate com formação e informação - a começar pelos organismso de praxe - que são quem tem mais culpa no cartório, não apenas porque não promovem uma cultura de excelência, como são, esmagadoramente constituídos por gente incompetente que nem de praxe sabe, de facto (mas "sabe" muito de praxar).

Não: Lisboa, como academia, como um todo, não possui tradição. Não é culpa de não ter um código (o Porto não tem - ficou o projecto do Balau e Soromenho apenas no rascunho), mas culpa das instituições não tentarem terem um de jeito, baseado nos precedentes existentes e naquilo que existia em Portugal.

Termino dizendo o seguinte: 99% dos praxistas e dos conselhos de praxe, nem sequer sonham da origem de muitas normas e leis de praxe e, por isso, as reinventaram e desvirtuaram, numa atentado intelectual e histórico de bradar, que os estudantes continuaram a repetir cegamente, sem critério e sem reflexão, no velho hábito acéfalo do copy-paste.

Saber de Praxe não é saber de códigos, mas saber de tradição e do seu porquê e origem.
Os códigos deveriam contemplar essa parte explicativa e serem, acima de tudo, a impressão gráfica da tradição e não, como se verifica, criadores artificiais de "tradições".

Anónimo disse...

Era praxar toda esta malta que anda com dezenas e dezenas de fitas, algumas com pinturas e tudo e ainda por cima sem traje.
Sou contra permitirem que essas pessoas apareçam com essas merdas de pastas com brasão impresso e com milhares de fitas que dão a assinar a qualquer um, como se se tratasse de um concurso a ver quem mandou assinar mais (uma espécie d e"likes" da praxe).
Cambada de otários e de bestas é o que são, que os caloiros são bichos mas é porque não sabem nada, agora os finalistas já tinha obrigação de saberem e são piores que caloiros.

Anónimo disse...

sempre me preocupei em perceber de onde vinham as regras da praxe e ver o que estava bem e o que estava mal na minha academia tentando mudar o que estava mal, resultado disso? fui afastado de praxe porque não gostaram do que eu disse!

Anónimo disse...

Um estudante que tenha a pasta com o grelo ou com as fitas não a pode usar sem estar trajado? Fora de praxe estas insígnias podem ficar a mostra?

WB disse...

A pasta pode ser usada sem traje, desde que não contenha insígnias. No caso das pastas greladas, ainda concedo que estar a meter e tirar o grelo seja algo que não faz sentido, pelo que não creio ser "crime", ir à futrica com pasta grelada.
Mas com fitas é que só mesmo trajado.

Nenhuma insígnia de praxe deve, ou pode, à partida, ser usada sem ser nesse âmbito.