segunda-feira, abril 08, 2013

Notas à Pasta e Fitas de Finalista

Poderia aqui discorrer sobre as origens da Pasta, mas não é isso que agora importa ao caso.

Importa, isso sim, e de forma expedita, ou seja sendo curto e grosso, alertar para aquilo que é uma Pasta da Praxe, que os finalistas usam com as fitas, e para aquilo que para alguns parece (ou até será), mas não passa de uma imitação introduzida por duvidosas lógicas comerciais, e que atentam à tradição.

Já em anterior artigo (clique AQUI) se falou sobre esse verdadeiro circo de fitas e de pseudo-pastas que inundam o mercado por força das novas praxes criadas não por estudantes, mas inventadas pelo comércio que vive das tradições estudantis, como também nos mereceu artigo (ver AQUI)

Aliás, os códigos (pelo menos os que têm algo de pés e cabeça) não contemplam sequer essas falsificações, esses estúpidos "faz de conta" de Pasta.

Pasta da Praxe é preta, em pele (ou imitação de pele), lisa e simples. Serve para transportar livros, sebentas, apontamentos.

A Pasta da Praxe não foi expressamente criada para transportar fitas.
Se a sua foi, não é Pasta da Praxe, nem é da Praxe.

Pasta da Praxe, como manda a Tradição, é assim (e só assim) e só permite 8 fitas (8 apenas):


As fitas são da cor da faculdade (área de estudos) que se frequenta. Mais recentemente (anos 90), vieram as "cores de curso" (outra parvoíce), e as fitas passaram a contemplar essa subdivisão (por isso temos pastas com fitas de mais de  uma cor, pois temos cursos com 2, e por vezes 3, cores).
As fitas, no total de 8, são "pregadas" pasta por meio de colchetes ou de velcro, sendo que por serem poucas, a escolha de quem as assina é usualmente muito criteriosa. Há sempre a possibilidade de permutas, caso uma das fitas fique por assinar, como disso pode ser exemplo a fita reservada a professores ou a irmãos que se não tenha (podendo nesse caso serem reservadas a colegas, amigos...).
As fitas dos finalistas têm origem nas fitas que eram utilizavadas para abotoar a pasta dos estudantes, sendo inicialmente 6  (duas talas de cartão dobradas, fechando com o auxílio de 3 ordens de pequenas fitinhas de cada lado, que serviam para atar a mesma com nós e laçarotes.Mais tarde passaram a 8, dividindo-se em 4 pares, ocupando, assim, cada lado da pasta.
A partir dos anos 70 do século XIX, começam a surgir as chamadas "Pastas de Luxo", começando as pastas a  já apresentar fitas largas, caídas para fora, presas às telas.

As 8 fitas de finalista são simples, lisas, sem brasones, estampados, desenhos ou quejandos. Todo o seu espaço é para assinatura das pessoas e não devem ser ostentadas com iconografia, como se fossem emblemas da capa.


As Fitas dos Fitados, apresentam-se com cerca de 7,5 cm de largura e 40 cm de comprimento.

Simplicidade e sobriedade, sem espaço a show-off, por muito que isso possa irritar os mais vaidosos ou ainda certas indústrias, mais ou menos caseiras. 

A fazer negócio à conta das tradições, que estas sejam respeitadas.



O resto, o que vemos por aí (e que abaixo exemplificamos) são contrafacção, são anti-praxe, são a subordinação da Praxe à lógica comercial, e só usa quem se está realmente nas tintas para a tradição.
A Praxe não é um traço pessoal ou individual e, nestas coisas, há que saber distinguir o nosos umbigo daquilo que é a pertença e observância de uma cultura transversal, usualmente regrada em código.

Poderiam, alguns (apesar de nunca esse argumento ter sido apresentado - indiciando claramente que não era, nem é, essa, sequer, a intenção) alegar que as actuais pastinhas da treta são como que uma cópia das antigas Pasta de Luxo que vigoraram até inícios do séc. XX, como que uma reabilitação da mesmas, tendo em conta que estas eram, e passo a citar:

"... pastas de acabamentos de veludo e monogramas de prata, que de tão estreitas para nada serviam, mas que tinham umas fitas largas, imponentes e lustrosas como as fitas largas de hoje. Eram oferecidas aos quartanistas pelos padrinhos ou pelas noivas e, naturalmente, não serviam para transportar nada, muito menos sebentas. Mas também não era preciso, porque diz a tradição que depois do 4º ano nunca se chumbava." in Penedo d@ Saudade - As (verdadeiras) Origens da Queima -  artigo de de 17 Maio 2010

Contudo as pastas de luxo eram isso mesmo: um luxo; pelo que de uso não generalizado, mesmo se bem presente.
Ainda assim, estamos a falar de algo que já há décadas que não faz parte da praxis e e que em momento algum foi sequer contemplado em qualquer código. Para além disso, caberia sempre a organismso de Praxe reintroduzir e definir as Pastas de Luxo e nunca a empresas ou lógicas comerciais (que não têm legitimidade para tal).
A única Pasta da Praxe consagrada é pois a que acima ilustramos em imagem e não outra. Só ela pode receber as ditas fitas que, repetimos, são 8 apenas.


Fixando um ponto de referência, podemos dizer que na segunda metade do séc. XIX apenas os estudantes Quintanistas, usavam Pasta – Pasta de Luxo.
Já utilizadas em 1850, estas eram de qualquer cor (mas normalmente da faculdade), em tudo similares às pastas vendidas nas livrarias da especialidade: duas talas de cartão dobradas, fechando com o auxílio de 3 ordens de pequenas fitinhas de cada lado, ou seja, cada Pasta tinha 6 pequenas fitas que serviam para atar a mesma com nós e laçarotes.
Mais tarde, com a magnificência das Récitas dos Quintanistas é que se definiram as famosas Pastas de Luxo nas Faculdades de Direito e Teologia, já de Fitas Largas, caídas para fora, presas às telas forradas de rico cetim bordado, veludos com embutidos de prata, ouro e mármore.
 
As Pastas de couro ou cabedal, embora menos vistosas, mas bem  mais baratas, generalizam-se na primeira década do séc. XX, introduzidas nomeadamente pelos estudantes militares (e também em voga nos geógrafos, arqueólogos e outros especialistas nos seus trabalhos de campo, contrastando com o luxo ostensivo das pastas dos quintanistas e podendo ser usadas pelos demais estudantes no seu quotidiano, então sim, para transportar sebentas (as de luxo serviam apenas para a festividade de fim de curso).
O seu uso generalizado no Porto  desde finais do séc. XIX, alargou-se a Coimbra e a todo o país.



NÃO É DA PRAXE O QUE SE SEGUE:




A imagem acima ilustra uma outra "versão": que a cor das fitas é conforme quem as assina (uma cor para pais, outra para colegas, outra para professores....) numa concepção sem nexo, sem senso algum.










Quem quer respeitar a tradição segue a mesma e não a que é ditada pelas lojas ou pela "lógica da carneirada" em que se copia o vizinho (e de preferência se ultrapassa o mesmo) sem sequer se atender ao código, ao respeito que deve merecer a Praxe.
Obviamente que os Conselhos de Praxe ou de Veteranos, as comissões e afins têm enorme culpa no cartório, mas a incompetência generalizada dos organismos de praxe não pode justificar o surto de ignorância colectiva que, repentinamente se verifica nos finalistas, nesta época do ano.

O mesmo se aplica a certos fundamentalismos como o que diz que caloiros não podem traçar a capa sem ser antes o padrinho ou que só usam traje pela 1ª vez na serenata (ver AQUI), que é mais um mito alimentado pelo ignorância de uns ou má fé de outros.

Fica este reparo, uma vez mais, para quem o quiser levar em linha de conta.


Para os estudantes que, contudo, pretendam ter muitas outras fitas, pois que o façam e as guardem, evitando ostentar na sua pasta mais que as 8 que a Tradição contempla.

Para os finalistas, o nosso FRA!


--------------------
As fotos utilizadas foram obtidas na net, via motor de pesquisa google.

24 comentários:

Anónimo disse...

Caro N&M,
Boa noite!

Acompanho frequentemente o seu blog e admiro-o pela sua intensa pesquisa e conhecimento sobre as Tradições Académicas.

Li a sua última entrada, àcerca das pastas da Praxe.
Felizmente que pelo Porto não tenho visto nehum dos últimos exemplos que mostrou, de fitas com aqueles desenhos e pastas assim.

Mas aproveito para dizer que as pastas de luxo são usadas apenas para os fitados (e, consequentemente, a única insígnia que comportam são as fitas). E, das que eu conheço (actuais e desde há mais de 150 anos), nem sequer têm a divisória para transportar os livros.

Pelo menos, são bonitas que se fartam.
:)

Cumprimentos,
ST
Sextanista de Medicina, Porto

WB disse...

Não há pastas de luxo há décadas, nem sequer estão contempladas em qualquer código da Praxe, meu caro.

Não se trata sequer de uma disposição provinda deorganismso de praxe, mas de inundação do mercado com mercadorias por parte de empresas e lógicas comerciais.
Que eu saiba, não estão legitimadas a decidirem op que é da Praxe; não estão mandatadas para criar Praxe; não têm de se substituir à tradição, perverté-la ou explorá-la para finalidades lucrativas pessoais.
Não é a Praxe que move a criação desses adereços e acessórios.

E aceita-se que as lojas se transformem em "Praxe-makers"? Em autênticos conselhos de praxe paralelos?

Não creio.

Abraço.

Anónimo disse...

boa tarde

aproveitando o facto de se falar em Pastas e Fitas, deixo aqui uma questão:

Qual o "protocolo" a seguir para se impor uma insignia?

ou seja, de que forma se deve impor uma semente ou fitas?

ha algum criterio a seguir?

obg

Rui disse...

Existe um protocolo que está descrito no "Manual do Cerimonial Académico da Academia do Porto", Real Confraria Académica Portuguesa, 2000. É daqui que foi adaptado, pelo menos, o protocolo da Cerimónia de Imposição de Insígnias do IST, e penso que o seja também na maioria das faculdades no Porto.

Antigamente estava disponível no site Wiki-Praxe, mas este está offline neste momento...

WB disse...

A Tradição manda que a imposição seja feita por um aluno mais velho. Em vários casos estipulou-se ser preferencialmente um padrinho/madrinha, mas isso não é obrigatório de todo; tal como noutros casos quem impõe são elementos do Conselho de Praxe (ou equiparado).

A ordem a seguir é começar pela imposição das insígnias aos mais novos (nalguns locais há insígnias para todos e todos os gostos).

A queima do grelo faz-se logo após a pira ser acesa com as cábulas dos finalistas.

Depois de queimarem o grelo, a imposição segue a ordem crescente, até chegar aos finalistas que colocam a rosetae põe a cartola na cabeça.

Soltam-se os FRA da praxe, os vivas e quejandos.

Tudo isto pode ainda conter discursos (Dux, finalista, comissão de...), assim como um abenção do Dux a aspergir todos so presentes no final, dando como que a benção final.

Ofogo da pira da queima eram antigamente apagado com os finalistas a urinarem para lá, mas é uma daquelas coisas que ainda bem que caíu em desuso.

Anónimo disse...

Engraçado, sempre pensei que os primeiros a impor seriam os Finalistas e por ultimo os Caloiros :)

ha algo escrito, para alem do "Manual do Cerimonial Académico da Academia do Porto", que fale das imposiçoes de insignias?

ST disse...

Boa tarde,

Penso que nos confundimos.
Claro que ha pastas de luxo.
Na Academia do Porto nao ha muitas, mas vao aparecendo e fazem parte da Praxis de quam as usa/oferece/contempla.
Eu propria estou a fazer uma para oferecer.

Se o NM fala das pastas que mostrou nas ultimas fotografias como pastas de luxo, eu nao me refiro a essas. Alias, aqui no Porto nunca vi isso a venda.

As pastas de luxo nao estao contempladas em nenhum codigo, e qual e o problema? Existiam antigamente em abundancia, existem agora para poucos sortudos. Por muitas razoes, talvez por serem caras se mandadas fazer, ou por darem imenso trabalho se feitas a mao.
Isso de ser uma Comissao de Praxe a reintroduzir ou regulamentar as pastas de luxo nao tem cabimento. Alias, se quem oferece a pasta de luxo e alguem de fora da faculdade, como a noiva, pais, padrinhos, etc, iriam mesmo ver aos supostos Codigos de Praxe como teria que ser feita.
Uma das ultimas que vi, no ano passado, foi mandada fazer na Casa das Luvas e foi oferecida ao feliz contemplado - fitado - pelos padrinhos de Baptismo.

Quanto as lojas, querem ganhar dinheiro. Se ha quem compre, problema deles. Como ja referi, aqui no Porto ainda nao vi nenhum desses exemplares.
E, penso que se criou confusao neste ponto, nao as considero pastas de luxo por muitas razoes, sendo uma das quais o facto de nao terem qualquer apontamento luxuoso.

Espero ter sido mais clara desta vez.

Cumprimentos,
ST
Sextanista de Medicina, Porto

PS. Peco desculpa pela falta de acentuacao mas o teclado nao a possui.

WB disse...

Cara ST,

Que as há, há-as mas são rareadas e mais por iniciativa pontual e particular.
Que as havia antigamente em abundância? NÃO!
Aliás, nomeadamente no Porto, cuja origem da Queima é precisamente essa 8Festa da Pasta), os últimos anos do curso (quintanistas) procediam à venda da sua pasta aos quartanistas.

Só os de famílias mais abastadas podiam ter o previlégio de receber uma pasta de luxo no fim do seu curso, a qual servia apenas para ostentar e lavar as fitas.

Não está no código, precisamente porque caíu em desuso.
Não estão proibidas, mas não deixa de ser um pouco "fora de tempo", assim como, a meu ver, demasiado artificial que as pessoas, aind apro cima em tempso de crise, optem por algo que, como o próprio nome indica, é um luxo (sem utilidade, de facto, aliás).
Mas cad aum sabe de si.

Uma coisa é certa: as pastinhas que o artigo ilustra não são de luxo, mas de LIXO! lol

Obrigado pela sua valiosa e pertinente participação e partilha.

Anónimo disse...

Ola N&M,
Sou aluna e finalista da Universidade do Algarve e por acaso reparei que há uma fotografia que referencia a minha academia.
De facto concordo que o que está atrás desta tradição é puro marketing, no entanto acho que não se pode monopolizar as tradições de forma a que sejam todas iguais.
Cada universidade tem a sua tradição, na minha , a pasta de finalista é como a que está na primeira fotografia "errada" e não há hipotese de escolher essa pasta "simples de 8 fitas".
As tradições são divergentes de universidade para universidade, portanto e peço desculpa a minha sinceridade, mas não concordo com certo conteúdo deste artigo.

WB disse...

(Parte I)

Cara aluna,

Seria desde logo indicado que se informasse melhor sobre o que é uma tradição, e principalmente o que a legitima como tal, os precedentes históricos que justificam a mesma, em detrimento de “novas tradições” (um oximoro sem nexo), baseadas em coisa nenhuma que não seja a ignorância.
Isso desde logo a ajudaria a evitar confusões sobre conceitos.

Para que se possa falar me Tradição Académica no Algarve (ou noutra academia), a mesma tem de conter em si um conjunto de pressupostos que pertencem a uma cultura que é já património nacional (cuja raiz é Coimbra e Porto), precisamente a base à luz da qual todas as instituições se inspiraram.
Faltando essa base, o que cada instituição passa a ter, como o caso da sua, é artificialismos e não “tradições”. Não existem “novas tradições”, isso é um paradoxo total (como se algo de novo/recente pudesse ser tradição).


As instituições, as academias, não têm de fazer exatamente igual, é certo, mas a base que justifica que se fale em Tradição Académica, essa, se não for, então o resto não tem nem validade, nem legitimidade para se apelidar de Tradição.

Você, contudo, parece também desconhecer as próprias regras académicas da sua casa, pois terá de me dizer onde é que está isso, das fitas e da pasta, contemplado no seu “código” (documento que nada tem de código, mas apenas um elencar de regras para caloiros e sobre condições hierárquicas). O Artº 7 fala em fitas, de facto, na alínea 7, ponto B, mas apenas as refere, Nada mais.
Pois: não encontra. Não encontra porque o código da sua academia afunila tudo para caloiros, tribunais e praxe, insignes personas, mas sobre a Queima das Fitas, pasta de praxe, fitas e afins, népia. Sobre explicar o porquê das práticas e até a razão de ser do vosso traje, isso nem uma linha. Aliás, nem sequer o vosso traje está contemplado no código, o que acho, no mínimo, estranho.
Caricatas, todas essas lacunas, não acha?

WB disse...

(Parte II)

Aliás, chega ao cúmulo do disparate e da estupidez ao dizer, sobre a Semana Académica, e passo a citar, do Artº 7º, alínea A, ponto 3:

“….a Semana Académica, decorrendo no mês de Maio. Este tem como principal objectivo a comemoração da passagem de perus a caloiros, assim como assinalar o término das praxes.”

Eu que pensava que existia em razão das comemorações dos finalistas (inicialmente os quintanistas com o dia do ponto no séc. XIX). É triste ver códigos cuja grande força é a quantidade de disparates que contém ou de omissões que possui.

Também terá de perceber que nestas coisas de Tradição, isso não é ao jeito do “como eu quero” ou do “como eu acho”.

Isso faz-me lembrar uma analogia bem simples:

Cada cidade tem a sua equipa de futebol (de 11), mas depois a sua decide que joga num campo de basquete, com as regras do volley e equipamento de Hóquei, continuando a dizer que a sua equipa é de futebol.
Mas pior, porque depois há sempre alguns marmanjolas que decidem, ainda pro cima, ir mais além, e então trocam a bola de futebol por uma de bowling, levam capacete de motard e decidem dançar hip-hop em vez de jogar.
Mas continuam a dizer que são “as suas tradições”.
Pois bem, de uma equipa de futebol, para o resultado final, é precisamente o que ocorre, sempre que alguém decide inventar, desrespeitar e fazer da ignorância uma ciência (porventura porque dá menos trabalho do que pensar e ter bom-senso).
E isso é o que se constata em muito lado.

Só é pena que depois venham as pessoas refilar e espernear, só porque alguém lhes diz que as suas práticas resultam de erros e equívocos. E pena que haja gente que, achando que nada tem a aprender, ou porque é casmurra, prefere não ver, não saber e, assim, contribuir para uma imagem do estudante que é medíocre na exigência do saber e do conhecimento, do respeito pelo património cultural a que pertence, pelo saber valorizar e promover o que de facto é tradição, em vez de se escudar nas suas “tra(d)ições”.

Você pode não concordar, mas o facto é que não consegue justificar essa discordância com precedentes históricos, explicar e justificar a pertinência desse folclore todo, dessa lógica da ostentação e do carnaval de fitas e pastinhas cartonadas, que as empresas inventaram (e que o estudante, incauto, compra, sem pensar sequer).

Por isso, minha cara estudante, faça jus à sua condição e estude melhor sobre estas matérias, para, de facto, ter uma opinião, e não palpites.
Quem quiser seguir as lógicas comerciais que o faça, mas não diga que é uma tradição, pois que eu saiba, as lojas não são nem organismos de Praxe, nem estão legitimadas ou empossadas para se tornarem legisladoras ou inventoras da Praxe.
Para muitos, e ainda bem, a Praxe não está nem à venda, nem é acessório de moda.

Cumprimentos.

João Caramalho Domingues disse...

Tenho de me meter...

Há alguma confusão no Porto (pelo menos) entre pastas de luxo e um certo terceiro tipo de pastas, que por fora são de pele e pretas mas por dentro são de tecido e da cor da faculdade (e têm apenas duas bolsas grandes, uma de cada lado, e só se usam com fitas); à falta de melhor termo, chamo-lhes pastas de finalista.

É verdade que as pastas de luxo caíram em desuso há décadas; e creio que as últimas (digamos, dos anos 40) eram bastante menos luxuosas do que a média algumas décadas antes (digamos, por volta de 1900).
Parece-me evidente que as "pastas de finalista" a que me referi acima são o resultado de uma evolução das pastas de luxo, num sentido decrescente de luxo.

Confesso que, pastas de luxo dos últimos 50 ou 60 anos, só vi (ontem) a que a ST fez. Mas acredito que na FMUP tenha havido mais (o Museu de História da Medicina tem uma colecção muito boa de pastas de luxo que é natural que tente alguns alunos).
E acho muito bem que sejam feitas mais. Não será uma tradição muito comum mas, graças pelo menos à colecção da FMUP e a alguns fados/baladas, é algo que ficou na memória.

Quanto às "pastas de finalista" eram muito comuns no Porto nos anos 60 e continuaram (mais raras) nos anos 80 e 90. Eu tive/tenho duas (uma por cada uma das minhas licenciaturas). Não eram muito caras. Eram inúteis? Sim. E as fitas não são inúteis?

Nada do que eu disse acima tem a ver com lojas de praxe ou pastas com mais de oito fitas. Nem me vou meter na questão das tradições e pseudo-tradições. Estou a falar só das tradições académicas portuenses.

Mais algumas observações:
- Nunca ouvi falar em os quintanistas venderem as suas pastas aos quartanistas. Antigamente um quintanista entregava simbolicamente uma pasta a um quartanista, como passagem de testemunho. A Venda da Pasta era (e é) uma venda de miniaturas de pastas (mais ou menos tamanho A7 ou A8) de cartolina, na rua, a qualquer pessoa que passe, com fins beneficentes.
- Não é verdade que só os estudantes abastados tivessem direito a pasta de luxo. Havia luxo e luxo... Tenho uma pasta de "luxo" de Direito (Coimbra, claro) do séc. XIX, comprada num alfarrabista por 5 euros, que de luxo não tem nada. Aliás, o termo mais correcto para essa época é "pasta de quintanista".

Sobre a Imposição de Insígnias:
- Claro que os primeiros a impor devem ser os finalistas; depois os novos fitados, e por aí adiante.
- Mais precisamente do que "um aluno mais velho", a imposição deve ser feita por um aluno que tenha a insígnia imediatamente acima, de preferência acabada de impor (ver acima). É a ideia da passagem de testemunho: os finalistas passam o testemunho aos novos fitados, os novos fitados aos novos grelados, etc.
- Em tempos li esse Manual de Cerimonial online. A ideia de que seja seguido na maioria das faculdade do Porto é disparate (ou pelo menos espero que assim seja! Nas faculdades mais antigas não é seguido com certeza).
- Se tiverem paciência, podem ler o seguinte:
http://portoacademico.blogspot.pt/2011/12/apontamentos-sobre-imposicao-de.html

Saudações Académicas
João Caramalho

Anónimo disse...

Artigo 151º do código de Praxe da UBI:
- As fitas de finalistas serão NO MÍNIMO 8 sendo as suas dimensões 7,5 cm de largura e 40 cm de comprimento, presas à volta da
pasta segundo a Figura 9.

Por isso, há informações erradas neste artigo. Não são 8 e só 8 fitas como está sitado e destacado. Quando se quer dar informações e passar "ralhetes" deve-se ler as respectivas com atenção.

Ubiano disse...

No código de praxe da UBI não há qualquer referencia quanto aos emblemas e desenhos das fitas.

Este artigo parece mais uma "Ode" aos caloiros que nunca leram o código de praxe, procurando culminar interesses pessoais de quem escreveu este artigo.

WB disse...

Ao anónimo da UBI, que refere o artº 151.
Seo seu código disser que a Serenata Monumental se faz com Samba isso passa a ser válido?
Se o seu código afirmar que a Queima das fitas se faz no início do ano isso tem validade?
O Código da UBI tem quantos anos, quando comparado com a prática da Tradição Académica e da Praxe em Portugal, com a real origem das fitas e de como estão definidas e devem ser usadas?

Não, caro anónimo, não há informações erradas, antes sim no seu código que, porventura, por lapso, disse "mínimo" em vez de máximo. Tanto que se podem ser tantas quantos quisessem, teria de me dizer como conseguiria pregar (com colchetes ou velcro), pro exemplo, 20 fitas.

Nem tudo o que um código contém está correcto, pois muita coisa é também produzida por lapso, equívoco ou ignorância de quem o redigiu ou vai actualizando.

Cumprimentos.

WB disse...

Ao Ubiano,

Sublinho o que ainda agora respondi ao anónimo da UBI, que citava o artº 151:

Não é o código da UBI referência ou a fonte da Tradição Académica. Antes desse código há dezenas deles que o antecedem, e todos vão beber no de Coimbra (o código de 1957 que tentou a formalização do patromónio e tradição oral - mesmo se com erros também).
Aliás eu lembro-me das práticas da UBI antes de ter código, veja lá você, algumas delas que depois o código, estranhamente, preferiu omitir e destruir (como o uso da cape e batina).

Também não consegue aqui citar algum lado onde se afirme que o código da UBI contempla ou fala de fitas com emblemas ou desenhos. Foi referido esse código no artigo?
Então qual o propósito da sua intervenção?

O artigo é ma "Ode"?
E você sabe o que é uma "Ode"?
Este artigo é para todos quantos foram mal doutrinados, mal informados ou caíram em confusões, misturando folclore e circo com Praxe. E isso não é especialmente para caloiros, porque não são eles que usam fitas e pasta, mas para outro tipo de "caloiros". lol

Já você dizer que isso é para culminar em interesses pessoais.....pode dizer-me quais?
Descanse, que não sou comerciante.
A única coisa que forneço são os meus artigos, ou umas palestras e esses são de graça.

Se está a falar em livros, olhe que não os imponho em nenhum Kit do Caloiro ou Kit de finalista.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Mas então, segundo a tradição mais antiga, as insígnias são impostas primeiro nos finalistas ou nos caloiros?

WB disse...

Isso varia.
Tanto se pode começar por ordem crescente como decrescente.
A origem era começarem primeiro os finalistas, dado que os demais não tinham sequer insígnias.

´Mas isso não carece de ortodoxia.
Começar pelso calorios e acabar nos finalistas é, no fundo, dar maior importância a quem, de facto, nesse dia, a tem: os finalistas, que ficam para o fim (como fica, usualmente, para o fim o melhor).

Assim, começar pelo topo (finalistas) ou pela base (caloiros/pastranos) é indiferente.
Importa é que as coisas se façam com respeito e seriedade, com a solenidade e dignidade que são exigidos.

Patrícia disse...

Boa tarde,
Peço desculpa mas discordo do que afirma, pois em Évora, nem o tamanho nem a pasta são como as que refere serem "pastas da praxe" e são em conformidade com o código académico em vigor. Acho que muitas das criticas que faz, são baseadas única e exclusivamente na sua opinião pessoal, sem ter em conta a realidade académica que é diferente de Universidade para Universidade, tendo em conta a localização geográfica da mesma, além de questões culturais associadas. Na sua opinião, generaliza esta questão, dando-lhe um cunho muito pessoal, muito do género Sr. da Verdade, e os outros estão todos errados, desconhecendo a realidade global. Se é melhor ou pior, cada um tera a sua opinião, que será tão ou mais válida que a sua.

WB disse...

Cara Patrícia,

Se em Évora não seguem o estipulado pela Tradição, então não passa de artificialismo e invenção.
Se se desse ao trabalho, pelo menos isso (que é o que se espera de um estudante universitário) de ler o trabalho desenvolvido pelo N&M (espreite, ao menos, a lista de artigos à esquerda do blogue), perceberia que o trabalho se faz com base no estudo e investigação e não em meras opiniões pessoais.
Opiniões pessoais é o que você emite, ao não conseguir sequer justificar historicamente a introdução de pastinhas cartonadas com dezenas de fitas lá dentro.
Apenas, quando muito, virá com o argumento costumeiro de "está no código" ou "cá fazemos assim" ou "disseram-me que era assim".
Conhece a Tradição da Pasta e Fitas?
Sabe, pro acaso que ela tem décadas no liceu de Évora, cuja tradição académica é mais válida, nesse aspecto, do que as invenções que depois se fizeram na UE?
Pena que nem sequer consiga perceber que aquilo em que você faz fé, decorre de erros e ignorância de quem não sabia de Praxe, não sabia da Tradição Académica nacional, e vivenciada desde o séc. XIX no Liceu de Évora e se pôs a inventar.

Não, minha cara, o N&M baseia-se naquilo que está documentado, em muitos anos de investigação e longos anos de experiência nestas matérias, algo que muito provavelmente lhe falta a si, para se pronunciar com propriedade.

Convido-a a participar no grupo de FB "Tradições Académicas&Praxe", onde poderá ver esclarecidas as suas dúvidas.
Visite igualmente o artigo dedicado à análise do código de praxe dos estudantes da UE (CEGARREGA) e seja capaz de o ler com o devido distanciamento e espírito crítico que se supõe fazer parte da formação dada nas universidades (verificar as fontes, conhecer as origens, perceber a partir de onde ocorreram os desvios que fogem á Tradição e se colocam foram dela).

Se ler alguns comentários anteriores ao seu, lerá uma passagem em que (e a propósito da sua afirmação "... conformidade com o código académico em vigor") se pergunta se podemso considerar uma Serenata Monumental, algo feito em ritmo de samba (e por que não, já agora, com cavaquinho brasileiro e bombos). Se isso viesse no seu código tornaria essa noção de Serenata Monumental algo de válido? Obviamente que não.
Não se fie muito em códigos feitos por pessoas incompetentes.
Tente conhecer a Tradição e as origens e cedo perceberá onde, no seu código, se respeita a Tradição Académica e a Praxe (que é só uma, mesmo com as pequenas diferenças locais que não agridem o essencial e basilar) e onde se faz, precisamente, o contrário.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Quanto ao tema das pastas de finaslistas, tenho a dizer que quem escreveu este artigo foi basntante cego, no ponto em que, cada Universidade/local onde se realiza estas tradições tem o seu hábito ou maneira de criar a "pasta". Saiba que não gostei de ler este artigo, e fiquei banstante desapontado com este mediocre blog. Tenho a afirmar que vou proceder à partilha desta página, como algo sem importância literata alguma, e que é algo de banstante inutilidade, sendo que deveria ser eliminada e descrita como desnecessária para bem público. As informações prestadas nesta página são de extrema insignificância e estão completamente desajustadas ou incoerentes, ou até erradas.
Obrigado,
Com os melhores incumprimentos,
Um utilizador desapontado.

WB disse...

Lamento que esteja desapontado, mas este blogue defende e promove A Tradição e a Praxe genuínas e não invenções que as descaracterizam, delapidam e desrespeitam.
Você quer Tradição ou evolução? Se quer evoluir, tem ao menos de conhecer a tradição, caso contrário não evolui: inventa.
Se deitamos fora tudo o que está para trás, então estamos a começar uma coisa nova, não a evoluir (e muito menos nos colocamos dentro de uma Tradição).
Já era tempo de assumir que se está a borrifar para a Tradição, não?
A Tradição dá muito jeito quando está de acordo com a sua vontade. mas quando não está já não presta não é (e é preciso evoluir)?
Muito coerente, portanto. Dura Praxis Sed Praxis - a Praxe é exigente, mas é para se cumprir. Ponto.
E é-o tanto para o que me dá jeito como par ao que me desagrada.
Não chame, pois "praxe" ou "tradição" ao que você faz e que não se apoia na Tradição. E como tanto lhe desgostam os factos, é razão para dizer que não (re)conhece a Tradição que supostamente anda a dizer que defende - e pior do que tudo - que despreza e acha incómoda, quando a mesma não apoia ou suporta os disparates que defende.

A sua noção de Tradição estará, pois, algo inquinada.

Se para si o blog é medíocre, é opinião sua. Nem sequer me melindra tal.
Uma coisa são gostos e outras são factos.
Você não gosta de factos, nada posso fazer quanto a isso. Negá-los, aí sim, comprova tolhimento intelectual.
Por analogia, sabe o que mais incomoda o ladrão? É que lhe acendam a luz e, assim, apanhado em flagrante.
O ladrão tem todo o direito de não gostar da luz; não pode é negar que a luz o é, em contraponto à escuridão.
Você não gostou do artigo e está no seu direito.
O que não consegue é apresentar argumentos que ponham em causa os factos apresentados.
Os detratores de Galileu também não gostaram da sua teoria heliocêntrica, ficaram aliás indignados, mas ele tinha provas concretas, eles apenas fundamentalismos demagógicos. Um pouco como você que recusa as evidências porque elas colidem com o seu desejo de viver na mitologia e na invenção de 3/4 de mês. A diferença é que não tem poder para me ameaçar com autos de fé. Longe vão os tempos em que a cegueira intelectual impedia a razão e a verdade de serem abertamente difundidas. Pode fazê-lo lá no seu burgo (onde certamente cultivam o totalitarismo da ditadura da ignorância, propalando conceitos e regras disfarçadas de Praxe e Tradição), mas acaba aí o seu espaço para vender calcitrim praxístico e outros produtos mágicos (vender a banha da cobra, portanto)..

Obviamente que, para quem gosta de viver na escuridão e no mito, qualquer facto lhe provoca comichão.
Nem todos convivem bem com os factos. Temos pena.
A verdade e os factos costumam desagradar a quem gosta de viver e transmitir patranhas e mentiras.
Natural, pro isso, que não goste do que lê. Afinal, há quem não goste de saber, só não se percebendo por que diabo andam a tirar um curso, quando fazem prova de maior mediocridade que um analfabeto que nunca teve oportunidade de aprender a ler e escrever, embora o quisesse.

O que acho, a todos os títulos, verdadeiramente cómico, é ajuizar da inutilidade do conteúdo do blogue, mas não apresentar, então, outras fontes que considere fidedignas.
Ah, já sei: é leitor assíduo de códigos de praxe e dos cancioneiros de caloiros e tem um conhecimento destas matérias outorgado pela revista Maria, é isso?

Está, pois, à vontade para achar o que bem entender. Afinal, "na boca de quem não presta, quem é bom nada vale"!
Não tenciono perder o sono com isso, acredite.

Não gosta "come menos", como diz o chavão.
Uma coisa não poderá desmentir: o N&M faz um trabalho sério e criterioso de investigação, apresenta provas documentais do que afirma e faz mais na defesa da Tradição e da Praxe do que você a destilar opinativos ressabiados e incapaz de justificar o que afirma.

Passar bem.

Tiago Marques disse...

"As fitas são da cor da faculdade (área de estudos) que se frequenta. Mais recentemente (anos 90), vieram as "cores de curso" (outra parvoíce), e as fitas passaram a contemplar essa subdivisão (por isso temos pastas com fitas de mais de uma cor, pois temos cursos com 2, e por vezes 3, cores)."

Quando se refere no post a cores de curso e cores de faculdade, quer dizer que o mais correto seria cada faculdade ter a sua cor? Haver uma cor para cada faculdade da UP, cada faculdade da UCP, cada instituto do IPP?

Ou o mais correto seria cada area de estudos ter a mesma cor independentemente de ser uma faculdade da UP, faculdade da universidade católica, lusíada, fernando pessoa, etc, ou um instituo do IPP? (por exemplo, todos os cursos de engenharia serem tijolo, todos os cursos de direito serem vermelho, saúde ser amarelo...)

WB disse...

Tradicionalmente cada faculdade tem uma cor (Letras, direito, medicina. ciências.....) e independentemente do curso, deve usar-se a cor da faculdade a que o curso pertence.
Se a UCP tem uma faculdade de letras, pro exemplo, usa-se a cor de letras e assim por diante.
A cor das faculdades é transversal. A cor de direito é sempre a mesma, tal como medicina, letras ou ciências, seja em que universidade portuguesa for.