Eram denominados de "Bando(s) Precatório(s)" o(s) grupo(s) de pessoas que ia(m) pelas ruas implorando a caridade pública em benefício próprio ou alheio.
Já há tempos aqui se abordou esta questão, num artigo dedicado à acção das Tunas neste aspecto, que podem (re)ler AQUI.
Numa época de muita miséria (quem não ouviu já falar na famosa "Sopa do Sidónio"?), de muita fome, encontramos inúmeras manifestações com fins de beneficência.
Fosse para asilos (infãncia desvalida, crianças pobres, etc.), caixa dos estudantes pobres, para socorrer vítimas das cheias ou outras intempéries, para acudir a diversas necessidades de gentes em aflição, os "cortejos de oferendas", os peditórios, os leilões (que ainda hoje se fazem por iniciativa das comissões fabriqueiras, mordomos ou outros grupos paroquiais), as quermesses, saraus, missas e matinés, tinham quase sempre, entre finais do séc. XIX e início do XX um cariz solidário. Podemos dizer que até aos anos 40, essa é uma característica inata e presente ao meio cultural e artístico: a arte em favor dos que mais precisam.
Com o alvor do Estado Novo, e querendo esconder a miséria do povo (pois o Estado queria passar a ideia de governar bem), esse tipo de iniciativas praticamente desapareceu, embora a fome não (nomeadamente nos anos 40-50, anos marcados pelo racionamento), daí que a continuasse a "sopa dos pobres" (que ficou sempr com o nome de Sidónio Pais, que a instituíu) e que os nossos pais e avós recordam sem grande saudade.
Numa recente incurssão à Torre do Tombo, encontrei alguns clichés, datados de ca. 1909, sobre este tipo de desfile (a que os periódicos da época davam grande destaque), no qual as pessoas estendiam os cestos ou sacos, para receberem donativos.
Esses grandes desfiles (que iam das poucas dezenas às centenas ou mesmo milhares) eram quase sempre acompanhados por bandas ou filarmónicas, ou pelas Tunas, bem como, no caso de iniciativas académicas, pelos estandartes e docentes das escolas envolvidas.
Nesse especto, muito há que salientar a acção meritória e altruista dos estudantes (que não apenas os das Tunas), que redobravam em esforços e iniciativas caritativas.
Eis alguns desses clichés, tirados às portas dos jardins da Escola Politécnica.
Às portas dos Jardins da Escola Politécnica, podemos ver o pormenor do traje estudantil, com as características fitas no ombro direito e, em primeiro plano, dois deles levando o cesto/balde para recolher as oferendas/dádivas. Vemos ainda os alunos da Escola do Exército (devidamente uniformizados), lembrando que a larga maioria dos cursos ministrados (salvo o 5º, que era geral e o 1º que também dava acesso a engenheiros civis) servia a formação militar (exército e marinha), só numa fase mais recente serão ministrados estudos preparatórios ou acessórios para engenheiros hidrógrafos, professores do ensino secundário, alunos de veterinária e alunos de medicina.
Cota: PT-TT-EPJS-SF-008-03034_m0001
Em destaque a banda que acompanhou o bando precatório, servindo de chamariz à população, como era costume, já desde o tempo das bigornias nos desfiles carnavalescos, mais tarde as comparsas e estudantinas (Vd. "QVID TUNAE? A Tuna Estudantil em
Portugal".)
Cota: PT-TT-EPJS-SF-008-03035_m0001
Neste imagem vemso algo bastante comum nos desfiles onde se incorporavam estudantes trajados: as capas abertas (também se fazia com eleas enroladas, como cordas), que os estudantes seguravam pelas extremidades.
Cota: PT-TT-EPJS-SF-008-01370
Foto do actual portão de onde, em 1909, saiu o bando precatório acima descrito.
Dois clichés que provam que mesmo no interior do país, em pequenos núcleos escolares, o uso da capa e batina era generalizado e simbolizava, inequivocamente, o estudante (fosse liceal ou universitário), independentemente de ser de Braga ou Faro, Coimbra, Porto ou Lisboa.
Neste caso, estas fotos dizem respeito aos primeiros alunos do antigo Colégio Lafonenses (Oliveira de Frades - Viseu), diririgido pelo Dr. Mário Oliveira e Silva, antigo docente dos liceus de Aveiro e Bragança, que trajam capa e batina (a menina que se vê na segunda foto, ao centro, apenas tem capa pelos ombros, pois não teria traje), apesar de estar tão distante da sede de distrito ou dos grandes meios urbanos.
Estávamos em 1935-36.
Pormenor interessante, é ver que na primeira foto temos, à porta, um estudante trajado com laço, como também era usual.
Fonte:
GOUVEIA, Luis Alberto C. Fernandes e GOUVEIA, António Castanheira F. - 75º Aniversário dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Frades - Pontos nos is, 2004, pp.97,99.
O Notas&Melodias tem a honra e o prazer de anunciar, Urbi et Orbi, que o dileto Eduardo Coelho, amigo de longa data, aceitou colaborar de forma mais estreita e directa com este blogue. Passará a, também ele, assinar diversos artigos sobre o fenómeno das Tradições Académicas e das Tunas, áreas onde é um dos mais reputados especialistas da actualidade (ele que, nos anos 80, foi, entre outros, Dux Facultatis e Magister Tunae).
O Notas&Melodias congratula-se com esta preciosa colaboração, a qual irá a todos, certamente, enriquecer.
Este artigo é sobre uma cerimónia que foi recentemente inventada (nem 15 anos terá sequer) decorrente de um erro grave e doloso: que o caloiro não pode trajar.
Fique claro: o caloiro pode trajar, logo que se matricule no Ensino Superior. Qualquer determinação em contrário atenta à Tradição (que está acima de "tradições de 3/4 de mês").
As provas cabais e documentais sobre isso, podem ser AQUI encontradas.
Eu próprio fui assim doutrinado no passado (que os caloiros não trajavam). Mas o simples facto de ouvir quem disesse que tal não tinha razão de ser, que Coimbra (Alma Mater) nunca tal impusera (porque nunca fora tradição ou regra) levou-me desde cedo a colocar em causa as doutrinas avulsas e procurar apurar as coisas.
Se no passado não havia o acesso facilitado à informação, hoje parece-me não haver desculpa, embora saibamos que os meios informáticos também ajudaram a que mitos e erros fossem mais amplamente divulgados.
Nunca percebi essa fixação do traçar a capa. Aceito que alguns queiram valorizar o momento em que um caloiro traja pela primeira vez, mas haja inteligência para não ir além disso.
O baptismo/imposição da capa é bonito, é simbólico, o padrinho impõe a capasimbolicamente........ tudo muito certo e nada a obstar e é precisamente essa a origem desta cerimónia: a imposição das capas (e não o traçar das mesmas) .
O problema é quando se ouve, em mais do que uma academia (é passar, por exemplo, os olhos em alguns fóruns) o seguinte (e similares):
- "Só podes começar a traçar a capa a partir da segunda matrícula" - "Não podes traçar a capa enquanto alguém não ta traçar na cerimónia"
Não há outro modo de o dizer: é de uma estupidez que nos leva a perguntar como é que esta gente anda no ensino superior.
Qualquer dia arranjam algo para o nº de furos do cinto das calças ou para o apertar do fecho da saia, ou ainda paa a colocação do primeiro emblema ou do primeiro pin. Haja pachorra!
As cerimónias ditas do "traçar da capa" são
invenções recentes que, na sua quase maioria, nem existiam há 15
anos e que são uma deturpação daquilo queb originalmente se pretendia evocar: a imposição e baptismo da capa (mesmo que já tivesse sido usada).
Foram uma invenção criada para assinalar e festejar o facto de muitos
caloiros trajarem pela 1ª vez na sua 1ª serenata da Queima (motivado pela
estupidez de dizer-se que os caloiros não trajam).
Em rigor, no início (e vejam como rapidamente dão cabo das coisas) estes eventos nem sequer eram para "traçar as capas", mas sim para as benzer, seguindo-se depois a sua imposição pelo padrinho/madrinha.
Com efeito, tal tradição da bênção das capas, já vem de longe. Em Coimbra, conforme nos relata António Nunes, [Havia a tradição dos padrinhos dos caloiros lhes "baptizarem" a capa e o gorro, atirando-os ao chão, pisando-os e salpicando-os com gotas de vinho, costume que ainda se praticava na década de 1980] in Identidade(s) e moda, Percursos contemporâneos da capa e batina e da sinsígnias dos conimbricenses. Bubok, 2013, p.73, nota n.º 237. Por se tratar de um momento solene, a capa era colocada descaída e nunca traçada. O traçar, esse, ocorria já só no local da Serenata. Aí sim, se preciso fosse, e porque o caloiro muitas vezes ainda não dominava o gesto técnico de traçar a capa, era ajudado. Mas era judado pelos colegas e não necessariamente pelo padrinho ou madrinha.
Em casas onde permitem (e bem) aos caloiros trajar, vêm depois com a palermice de os proibir de traçarem a capa. Haja pachorra para tanta acefalia.
O traçar, em si, não tem
significado rigorosamente nenhum. A imposição da capa ou o seu baptismo, aí sim, poderá reflectir algum simbolismo e solenidade. Traça-se a capa como se abotoa um botão:
quando dá jeito e é preciso, seja caloiro ou veterano, mas nunca numa cerimónia, onde a capa se usa descaída pelos ombros. Ninguém dita quem pode, ou não, traçar a capa.
Qualquer pesoa, seja caloiro ou veterano, traça quando bem lhe
apetecer, para além da Serenata Monumental ou da Praxe em Trupe (excepto os tunos quando em serenata ou grupos de fado - e é opcional) .
Em mais nenhum momento é preciso traçar a capa , nem sequer para "praxar" (outro mito estúpido e sem fundamento histórico).
Pare-se lá, pois, de dar corda a mais um mito.
É disso que
muitas vezes falo quando critico os códigos (os ditos "codigozecos") da quase
maioria das casas: que estão cheios de "lixo", de coisas que não têm fundamento
histórico, que são artificialismos, invenções e que, muitas vezes, colidem com a própria
tradição (como sucede com o proibir de relógios de pulso ou de lavar a capa).
Estão tão cheios de
picuinhices, de papismos e "paneleirices" que complicam o que em Praxe sempre se
quis simples e sóbrio (ao contrário de lapelas à general, de mangas arregaçadas
para não se ver o branco e outras palermices do género).
Entretanto, também referir que se há cerimónias muito engraçadas, feitas com seriedade (e apenas se condena aqui proibirem caloiros de trajar ou, então, de traçarem a sua capa - isso sim uma aberração), e que são importantes, outras há que merecem total repúdio, onde praxam os estudantes sem nenhum motivo, quando não tem nenhum sentido ou fundamento o gozo ao caloiro nessa altura:
Por hoje é tudo.
Num próximo artigo, trataremos de mais umas quantas aberrações e invenções palermoides.
Veremos a questão do estar em Praxe, de estudantes que são caloiros N vezes, de Comissões de Praxe, Inscrições na Praxe, Regime de Faltas, Ser Praxado para estar na Praxe ou usar Traje.
Como podem ver, são N conceitos estapafúrdios e sem nexo que merecerão esclarecimento.
A carta aberta que o Reitor da Universidade do Porto dirigiu ao OUP.
Parece-me claro, definitivo e, pela primeira vez, um claro demarcar de certas pandilhas.
Par aalém do apoio renovado ao OUP, e de lamentar o sucedido nesta última Queima das Fitas, é de reter, e sublinhar, que a UP repudia e nem sequer reconhece legitimidade ao actual "Conselho de Veteranos" em representar a Universidade do Porto, chegando mesmo a acusá-lo de querer impor tradições que não o são, nem nunca o foram.
Quem souber ler este "atestado de menoridade", passado ao MCV, perceberá que os órgãos de Praxe da UP, e seus Dux, deveriam pensar, desde já, em constituir um órgão de Praxe da UP, à séria, e protagonizado por estudantes de facto, que pudesse repor dignidade e qualidade às tradições da Invicta.
num organismo .
O actual MCV deixou de ter legitimidade para representar as tradições da UP, tendo sido renegado e e condenado pela UP.
O Sr. Américo e o seu séquito, se tiver um pingo de vergonah na cara, fazem as malas e dão o lugar que há muito roubaram aos verdadeiros estudantes da academia do Porto.
Aqui fica o conteúdo da carta:
"
Data: 2012.06.06
Assunto: Carta aberta do Orfeão Universitário do Porto
Caros orfeonistas, Consideramos que uma universidade não se resume a um mero espaço de transmissão, produção e aplicação de conhecimentos. Há toda uma dinâmica de convivência social que enforma os destinos da instituição e é determinante para o desenvolvimento pessoal de quem a ela pertence. Isto significa que, para lá da sua função formativa, as universidades devem ser territórios de convívio, companheirismo, cultura e diversão. Só assim se poderá falar, com toda a propriedade, de vida académica no seu sentido mais lato e nobre. É para nós indiscutível que na Universidade do Porto, essa dinâmica de convivência social tem sido promovida e perpetuada, em boa medida, pelo Orfeão Universitário do Porto, desde a sua fundação em 6 de Março de 1912. As atividades do Orfeão têm contribuído para que a Universidade do Porto proporcione uma vida académica que comtempla a função pedagógica e científica da instituição, que extravasa as fronteiras do seu campus universitário e que promove a interação com a cidade. Entendemos, pois, que as atividades do Orfeão Universitário do Porto, para além do contributo cultural que dispensam à sociedade, são de importância capital no processo educativo dos nossos estudantes. Por tudo isto, o Orfeão Universitário do Porto merece ser acarinhado e reconhecido não só pela própria Universidade do Porto, mas também pela sociedade civil, por instituições de relevância pública, por empresas e por todos aqueles que integram a comunidade académica do Porto, designadamente os seus atuais estudantes, os antigos alunos, os docentes no ativo e os professores já aposentados. Face ao carinho e consideração que nos merece o Orfeão Universitário do Porto, é imperioso que sintamos uma profunda indignação pelo desprezo de que foi alvo na Semana da Queima das Fitas e pelos maus tratos que foram infligidos a vários dos seus elementos durante esse mesmo período. Repudiamos com veemência tais acontecimentos e a falta de solidariedade e respeito académico que estiveram na génese dos mesmos. Somos contra todas as formas de intimidação, violência, coação física ou psicológica e desrespeito pela pessoa humana. Por isso, não podemos deixar de condenar e lamentar profundamente o sucedido, que consideramos em grave desrespeito ao Orfeão Universitário do Porto e à própria Universidade do Porto. O sucedido é tão mais de lamentar quanto tais desacatos são promovidos por um denominado “Conselho de Veteranos” que nada tem a ver com a Universidade do Porto e que se arroga o direito de impor o que apelida de “tradições académicas” aos estudantes da U. Porto, “tradições” essas que não têm qualquer tradição na nossa Universidade.
É com preocupação que constatamos na vossa carta aberta uma referência à Federação Académica do Porto, instituição que merece o nosso maior respeito e com quem temos mantido uma colaboração profícua em prol dos nossos estudantes. Queremos acreditar que não terá tido qualquer intervenção nos problemas que nos relataram. Contudo, consideramos que a FAP deveria tomar uma posição clara de demarcação relativamente ao tal “Conselho de Veteranos”. Nesta hora difícil, queremos manifestar a nossa maior solidariedade ao Orfeão e a todos os seus membros. A melhor resposta é procurar fazer sempre melhor, dignificando e prestigiando cada vez mais o Orfeão e a própria U. Porto. Podem contar com o nosso continuado e interessado apoio!
Tropecei no seguinte video a que derma o título de "Benção das Pastas".
Curioso, cliquei, esperando ver um excerto da referida benção, até para perceber de alguma semelhança ou diferença de monta.
Obviamente que a diferença foi de monta, foi abismal, até. Com efeito, isso da publicidade enganosa faz que muito patinho caia, como eu caí.
Afinal, não se trata de nenhuma benção, mas de uma "estranha" cerimónia onde uma qualquer autoridade (que não se consegue identificar só pelo vídeo, mas presume-se que um docente) entrega as pastas fitadas aos finalistas.
Não se percebe muito bem de onde vem essa prática.
Em lado algum se entrega uma pasta fitada ao próprio dono. Qual o sentido ou simbolismo?
Certamente que gostaríamos de saber, para melhor entender.
Mas dou de barato ao acto que, ao que parece, pretenderá assinalar o rito de finalista (embora o que a tradição consagrou chegasse perfeitamente).
Não dá para perceber muito bem em que moldes é isso e quando foi inventada tal cerimónia, mas é algo que só os próprios nos poderão esclarecer.
Seja como for, um erro crasso ali ocorre: os estudantes, finalistas, apresentam-se de capa ao ombro, quando em qualquer cerimónia oficial o devem fazer de capa descaida pelos ombros.
Benção não é, fique claro, e pena é que os autores do vídeo (que serão estudantes da academia em causa) não tivessem tido o cuidado de atribuir correctamente o título àquilo que as imagens ilustram.
Já o vídeo que se segue, apenas consta para que se veja e perceba a estupidez de certa gente. Uma vergonha que alunos assim se comportem e sejam tão mal educados, grosseiros e brejeiros, principalmente num acto público, numa cerimónia oficial.
Se aquilo é um hino, é lamentável que o tivessem adoptado, de tão porco e nojento que é.
Se há gente que o entoa, ainda mais lamentável, pois não se esperava tal conduta em estudantes do superior.
Geração rasca? Os que estão ali retratado, sem dúvida!
A legenda é dúbia: Percebe-se o FEP (Faculdade de Economia do Porto), mas não o nº 150.
Seja como for, é um "non-sense"
Mas não apenas de vermelho como também de ténis brancos:
Dirão alguns que os cartolados não estão trajados porque não andam de capa ou de gravata. Nada mais errado.
Recordo que desde há décadas que já se institucionalizou a figura do cartolado na forma de como se apresentar vestido e das "insígnias" próprias dessa condição no cortejo.
A Cartola, bengala, laço e Roseta, surgidos no ano de 1931-32, adendam algo que era muito ligado ao traje académico, o qual é uma versão laicizada do deposto traje de "abatina".
Com efeito, a versão aburguesada do traje discente, está em tudo próxima (porque pretendia, precisamente, essa similitude) da indumentária usada pela dita "alta sociedade", pelos "gentlemen" da época. Assim a cartola e a bengala (tal como laço e roseta) remetem para a figura que se pretendia evocar, aquela que se pretendia atingir: a do estatuto - traduzido pelas roupagens de quem ocupava um estrato social e posição superiores (e a alta sociedade, os endinheirados, os deputados, os doutores..... usavam precisamente a toilette ditada por essa etiqueta: fato, bengala, cartola...). O uso da cartola, bengala, laço e roseta prefiguram, assim, na génese, uma antecipação daquilo que o recém formado sonha(va) e espera(va) atingir com canudo na mão.
Já os ténis em nada se conjugam com o simbolismo e analogia da cartola e da bengala, pois não são os ténis próprios à toilette burguesa ou, neste caso dos dias de hoje, associáveis a uma toilette formal.
Não vêm pois acrescentar nada, mas deturpar. Veja-se que cartola, laço, bengala e roseta não alteram o traje na sua essência, antes o aproximam ao modelo que lhe serviu de paradigma. Já os ténis substituem-se ao sapato. Ora os ténis não são próprios seja de que fato for, a não se o fato de treino.
O que vemos na foto não é traje, mas ultraje.
Assim vão as modas no Porto.
SOBRE A ORIGEM DA BENGALA, LAÇO, CARTOLA E ROSETA, CLICAR AQUI.
Para os verdadeiros Académicos, os Tunos, os Praxistas, os estudantes, que não apenas do Porto.
Leiam com tempo e paciência. É longo, mas de sobremaneira importante pela gravidade e pela necessidade de informar e formar.
I PARTE
Começar por dizer que tem sido, nestes últimos
dias, um corrupio em torno deste lamentável incidente, o qual, contudo, veio
apenas confirmar o que toda e qualquer pessoa de bem e com dois dedos de testa
sabe: é o “Magnum do Porto” (o dito "Conselho de Veteranos" - que é
mais um grupo geriátrico de ressabiados, isso sim) um organismo
que parasita a Praxe e é liderado por uma pessoa que me escuso adjetivar
para não cair no insulto grosseiro.
O video que se segue retrata a ponta o icebergue:
O que se passou, de facto? Bem, apesar do que,
precipitadamente, e sem ouvir as partes, referiu a publicação "Porto24" (publicação que, mais tarde,
então sim, trouxe a lume a outra versão), o que sucedeu, segundo as fontes
consultadas, e que assistiram in loco, foi o seguinte:
a) O Grupo de Fados do OUP (instituição que
celebra no corrente ano o seu centenário e à qual se deve a manutenção das
tradições académicas no Porto, nomeadamente a Serenata), foi, como é costume,
convidado para a Serenata.
b) Houve uma reunião, com presença dos grupos
envolvidos, da FAP (organizadora da Queima) e do Dux e alguns elementos do
"Magnum". Tudo ficou acertado, sem problemas.
c) Ficou acordado que o Grupo de Fados do OUP, o
qual estava no ano do seu Centenário, levaria mais elementos do que o costume,
num total de 19 pessoas, pertencentes a várias gerações do grupo - algo que
todos acharam boa ideia - por ser este ano o dos 100 anos do Orfeão.
Apesar disso, alguns elementos do “Magnum”
(devido a questões antigas, algumas pessoais, nomeadamente o facto de OUP não
se vergar ao Conselho de Veteranos), queriam que o grupo do OUP não fosse a
palco com essa gente toda ou nem fosse sequer.
O Dux, numa atitude surpreendente (pois foi
caloiro "expulso" do OUP), tomando a defesa daquilo que ele considera
“carinhosamente”, ainda o assim, “o seu Orfeão” afirmou que não, que o grupo de
fados do OUP ia (como tinha de ir, forçosamente) e que era ele que mandava.
Tudo isto se passou à frente da própria esposa do Dux (antiga orfeonista) que
ali estava também.
Como tradicionalmente acontece, o OUP
cedeu os estrados onde os fitados convidados assistem à serenata, em cima do
palco, em representação das diferentes faculdades.
No dia da Serenata, estava agendado um check-sound da parte da tarde. O grupo
de fados do OUP compareceu, tendo-lhe sido dito que afinal não se realizaria e
que comparecesse ao fim do jantar.
Tudo decorreu com normalidade, até à hora em que o
Grupo do OUP (que não era composto só de estudantes, mas de muitos antigos estudantes)
se apresentar, como combinado, para entrar, tendo chegado ao local por volta
das 23:30. Dirigiu-se ao palco para fazer a calibração de som, sem que tivesse
havido qualquer impedimento. Cerca de 5 minutos depois, um elemento da
organização pediu com todo o polimento que saíssem a fim de se fazer um
controlo de entradas – pretensão razoável, face ao exagero de “acompanhantes”
que se verificou em anos anteriores.
O grupo assim fez, tendo-se dirigido para uma
“zona de aquecimento” na parte de trás da Cadeia da Relação. Ao regressar à
zona do palco (cerca das 23:45), foi então barrado pelo Dux do ISEP (mais uma
vez o nome dessa instituição metido onde há distúrbios - e começa-se a perceber
porquê, tudo por causa de uns quantos que denigrem os demais) que os não quis
deixar passar, alegando que só poderiam entrar 10 elementos.
Tendo reunido, decidem os elementos mais antigos
do Grupo de Fados do OUP não actuar, pois o OUP, a Queima e a Praxe são para os
actuais estudantes.
Os elementos do Grupo de Fados protestaram,
dizendo que não fora isso o combinado com o Dux Veteranorum e a FAP, sem
resultado. Entraram em contacto directo com o Dux Veteranorum, tendo o mesmo
solicitado que passassem o telemóvel ao Dux do ISEP.
Este recusou, alegando que “Não tenho nada que falar
com o [Dux Veteranorum] por telemóvel”. Pediram então para falar com o
Coordenador da Serenata e o responsável da FAP, e o mesmo indivíduo continuou a
recusar chamar fosse quem fosse. Continuaram as tentativas de o chamar à razão, sem sucesso.
Declara então que afinal só poderiam entrar 5
elementos: já não 10 nem os 19 acordados.
Está bem de ver o ridículo e a má fé e uma
"vingança pessoal", abusando de um poder que não tinha sequer.
A ideia era fazer arrastar a questão com o
objectivo de atrasar a entrada do OUP o mais possível, para dar pretexto a que
se mandasse um outro grupo abrir a serenata, colocando a culpa na “intransigência”
do OUP – eventualmente fazendo-os desistir, vencendo pelo desgaste.
Lamentavelmente, houve um outro grupo que se
prestou ao papel: o de Medicina.
ATENÇÃO: Tradicionalmente, cabe ao Grupo de Fados do OUP abrir a Serenata,por ser o mais antigo.
Porque eram assim injustificadamente impedidos, e
já fartos daquela palhaçada, passava pouco da meia noite (dá para ver pela hora
do vídeo), deram voz à sua indignação os orfeonistas (e antigos orfeonistas)
cantando a "Samaritana", ali mesmo onde estavam.
Esta atitude de protesto enfureceu o Dux do ISEP,
que investe da forma que se vê no vídeo e empurra diversas vezes um elemento do
OUP (segundo 16 do vídeo), que, farto de se ver agredido – apesar de outros
elementos do OUP o tentarem dissuadir – mais não fez do que reagir a uma
agressão (segundo 20 do vídeo): quem “atirou a primeira pedra” foi o dito cujo
veterano da praxe.
O Grupo de Fados do OUP retira-se, então, do
local
Pouco depois (por volta das 00:30), e muito convenientemente,
chegava o Dux Veteranorum.
O que fica, contudo, para a história, é que, formalmente, a serenata começou já
quase às 00:30, sem abertura oficial por parte do grupo que deveria fazê-lo: o
do OUP.
MAS PIOR DO QUE ISSO: A SERENATA COMEÇOU SEM QUE
HOUVESSE A TRADICIONAL ABERTURA COM A FÓRMULA DA PRAXE: “ In nomine Solenissima Praxis, Serenatae Queimae Fitarum MMXII aberta
est.”
A vaidade pessoal, o ódio incontido, a vontade de
insultar e humilhar foi mais forte do que a Praxe que dizem defender. Triste.
Nos estrados cedidos pelo próprio OUP, estiveram
todos, menos quem devia.
Note-se que o OUP poderia ter exigido que os
estrados que emprestara lhe fossem imediatamente devolvidos., mas não quiseram estragar a festa. Mesmo estando
a ser insultados, humilhados e agredidos – também fisicamente.
É uma atitude
pequenina? É.
É daquelas atitudes sem impacto mediático, mas
que mostram claramente quem respeita a Academia e quem a não respeita.
Vergonhoso.
II PARTE
Na madrugada desta terça-feira, os elementos do
OUP, reunidos de emergência, em razão dos incidentes ocorridos, foram
importunados pelos dito "Conselho de Veteranos" à porta da sua sede,
procurando estes últimos a intimidação e desafiando os elementos reunidos a
apresentarem-se na Praça dos Leões para ali serem, pelos vistos, expeditamente
julgados e, pasme-se, praxados.
Poderá o Dux Veteranroum alegar que era só para conversar com o Presidente do OUP, mas só um néscio acredita, pois quando queremos conversar, pegamos no telefone e falamos com a pessoa, combinamos um lugar ou vamos ter com ela.....e não mandamos a matilha fechar a rua, fazendo cerco à sede do OUP.
Um clima de ameaça por parte de gentalha que não
tem qualquer legitimidade, não existe juridicamente, é claramente anti-praxe na
sua forma de agir e estruturar e, contudo, veste a pele de uma qualquer milícia
do 3.º mundo, pronta a ajustes de contas à boa maneira de um gangue de
meliantes.
Essa trupe de facínoras, composta pelos líderes e
dezenas de ultra-radicais (que nem devem saber do que se passa, mas seguem o líder
da matilha sem questionar) manteve-se de pedra e cal até bem perto das 5 da
manhã.
Só não se percebe por que razão não foi pedida intervenção da PSP. Eram identificados os senhores e acabava-se, logo ali, a brincadeira.
III PARTE
O que espantou, ou não, meio mundo (pelo menos aqueles que andam atentos e/ou não se deixam levar em conversas), foram as declarações do Dux ao "Porto24" (acima linkadas), contradizendo-se, contrariando o que dissera na reunião preparatória (como se pode assim mentir, quando a própria esposa desse senhor estava presente na reunião onde concordara com tudo?) e dando o dito pelo não dito, num claro exercício de perjúrio e de total falta de carácter.
Só que a versão que o "Porto24" tão depressa publicou (sem ouvir as partes - quase parecendo um artigo feito por encomenda) foi logo desmentida nos comentários que a ela se seguiram (às dezenas).
Fica aqui apenas um deles (datado de 7 de Maio e colocado às 22h54), por parte de quem assistiu, que se identifica como "Tiago", e que não era parte envolvida:
"Eu estive a 2 metros do acontecimento. Vi tudo e ouvi tudo.Facto 1 – A FAP convidou o Grupo de Fados do OUP a abrir, como sempre aconteceu, a Serenata Monumental. Facto 2 – Às 23h40m o Grupo de Fados foi informado no local que apenas poderiam entrar 10 elementos. 3 semanas antes o Grupo de Fados do OUP havia informado a FAP que iria levar 25 elementos Facto 3 – O Grupo de Fados do OUP realizou o Sound Check normalmente. Facto 4 – O Orfeão Universitário do Porto cedeu os estrados à FAP para a realização da Serenata. Facto 5 – Os elementos do Grupo de Fados do OUP ao dirigirem-se para entrar no acesso ao palco foram informados que em vez dos 10 afinal só poderiam entrar 5 elementos. Facto 6 – Um elemento do Grupo de Fados do OUP telefonou ao Américo Martins relatando o sucedido. O Américo pediu para passar o telemovel ao Dux do ISEP que barrava a entrada, que recusou dizendo “Eu não falo com o Américo pelo telefone” Facto 7 – Passado 5 min da meia noite e cumprindo a tradição que criou, o grupo de Fados do OUP juntamente com outros estudantes começaram a cantar a Samaritana o que levou o Dux do ISEP partir para a agressão. Facto 8 – O Américo quando chegou já esta situação tinha terminado."
Perante tudo isto, claro está que foi grande o burburinho, com amplo eco nas redes sociais e na Net (informar, já agora, segundo se sabe, que o "Magnum" proíbe os seus seguidores de comentarem na Net, porque dizem que a Praxe não se discute aí, como se a Net fosse "anti-praxe", só para verem a tarimba dessa gente que no seu autismo prepotente, nem se submete ao contraditório, pois sabe que seria ridicularizada pela sua falta de competência, saber e argumentos).
Recentemente houve uma discussão acesa no blogue do Praxe-Porto, sobre a Praxe no ESEIG e ficou bem patente os muitos insultos de certos partidários radicais e fundamentalistas (acabando muitos deles por retirarem os posts, depois de terem sido, como se veio a saber, advertidos pelo seu pseudo-organismo de praxe, para não comentarem mais ou retirarem as intervenções,nas quais se cobriam de ridículo, diga-se).
IV PARTE
Em razão do sucedido, o OUP deliberou e expressão tal numa carta aberta que publicou ontem:
Uma deliberação que vem já com anos de atraso, mas que veio, finalmente.
Resta esperar que possam os prevaricadores, esses tais, porventura frustrados por não terem lugar nas juventudes partidárias, e que só conseguem polir seus egos no meio dos putos (nomeadamente dos mais ingénuos e desinformados), serem devidamente punidos, desde logo lhes retirando todo a autoridade e reconhecimento; ignorando-os, simplesmente.
V PARTE
Decorrente da deliberação do OUP, é publicado o seguinte cartaz, em jeito de comunicado:
É de aplaudir, porque finalmente se bate o pé a um evento que, pasme-se, deve observância ao Dux e ao seu séquito (com direito a subir a palco e tudo, vejam só a lata), quando é um certame de Tunas.
Lá está: quando as pessoas misturam Praxe Tunas........
Bem sabemos do que sucedeu há pouco tempo, com o Magnum a atacar vergonhosamente as Tunas da Portucalense (apenas como consequência de terem exonerado o Dux de lá), declarando-as anti-praxe, e ameaçando todas as demais que aceitassem ou lhe fizessem convites do mesmo ostracismo.
Obviamente que grupos houve que despiram a sua condição de Tunas e se venderam, passando a Trupes Musicais da Praxe (claro está, com o ISEP à cabeça).
Desta feita, a TUP e a TFOUP, responderam à altura, não se misturando e deixando claro que o que é de Tuna não é de Praxe.
Mas tarde se seguiram outros grupos do OUP, não participando no Sarau.
Pena, ainda assim, que só agora, e porque lhe
pisaram os calos, é que se insurgissem, quando ficaram (como tantas outras)
caladas aquando do vil ataque do “magnum” às Tunas da Portucalense.
Quem sabe se com estes exemplos, o mundo tunante
não passa a agir e a pôr em campo a devida auto-regulação, a unir-se e a
defender a sua comunidade como um todo. O mesmo com os praxistas, os académicos
e com os que querem uma Praxe digna.
EPÍLOGO
A resposta adequada a tudo isto seria que todas
as demais tunas, Tunas de facto, procedessem do mesmo modo, mas bem sabemos que
o palco do FITA é razão suficiente para trocarem a sua idoneidade e venderem a
própria alma.
O mesmo dizer de outros grupos académicos, os
quais deveriam rejeitar ter esses ditos "veteranos" como interlocutores
e rejeitar-lhes qualquer subserviência.
Cabe aos estudantes e forças vivas da Academia do
Porto uma resposta. Será mediante ela, ou falta da mesma, que se verá quem é
quem e que tipo de Praxe, de académicos e de carácter dita e define as gentes
de capa e batina na Invicta; quem assobia pró lado, quem baixa as calças e quem
se decide, de uma vez, a bater o pé e a mudar o estado das coisas.
O certo é que, como dizia o “Saraiva das Forças”:
"Quando a Academia faz m*rd*, limpa o c* à Capa".
Alongo-me, ainda mais, com uma citação de um
artigo fabuloso, escrito em 2007, e já nessa altura mostrava precisamente estas
ingerências do Conselho de Veteranos, demonstrando a pequenez intelectual, a
mediocridade praxística, e falta de chá de uma pandilha que nem o seu lugar
sabe ocupar, pensando poder ombrear com o OUP.
O artigo em causa teve que ver com o facto de o Grupo
de Fados do OUP não ter sido convidado para a Serenata de Recepção ao Caloiro.
A coisa já vem de longe.
"Ora, ou muito me engano, ou há aqui veteranada. Fartos de não terem autoridade, as cabecinhas pensadoras da nossa praxe viraram-se para o autoritarismo. Deu-lhes para porem no mesmo pé de igualdade o OUP e os restantes agrupamentos circum-escolares (se é que têm esse estatuto). E aqui começa o erro fatal:
1 - o OUP é uma instituição mais antiga do que a maioria das faculdades da Universidade do Porto;
2 - o OUP, do alto dos 95 anos de História e de memória viva da Academia - para o bem e para o mal -, não aceita lições de praxe de ninguém, nem precisa de ser chamado às responsabilidades académicas que sempre soube cumprir - quando para isso teve condições;
3- o OUP trajou capa e batina durante o PREC, numa altura em que os pais de alguns dos actuais "Duces Facultis" ainda nem haviam começado a namorar...
4 - o OUP sempre manteve um grupo de fados, dentro da medida das suas possibilidades artístico-etílico-voluntariosas e, com isso, criou uma escola e uma continuidade - coisa que nenhuma das outras faculdades da UP (e não só) mantém, sequer; regra geral, esses grupos foram (são) intenções espúrias e sobrevivem para Queimas e afins graças a velhas glórias que só aparecem nessas alturas;
5 - este vosso criado, que tantos ouvidos arranhou com as suas guitarrices, por exemplo [não desfazendo o enorme Zé Costa, o supremo Ruizão, o academíssimo Misha, o incansável Astro, o veteraníssimo Tocas, o esforçadíssimo Tutan, e tantos outros (perdoem-me a não-inclusão no rol) que actualmente militam na Veterana] deixou o OUP e, por consequência, o Grupo de Fados, ainda as cabecinhas (muito "inhas"...) pensadoras não sabiam as primeiras letras; (...) onde estavam esses "senhores" quando o OUP: 1. reintroduzia a capa e batina no Porto?
2. constituía o acervo da memória da Praxe? 3. cedia as suas instalações e o seu potencial humano na adopção da capa e batina como traje académico nacional em detrimento da velha "loba"? 4. aderia aos lutos académicos de 1914, 1939 e 1969? 5. levava aos quatro cantos do mundo o nome da Academia, ao som dos Amores de Estudante? 6. criava o conceito de Festival de Tunas em Portugal? 7. moldava o rosto da queima com a Romaria Académica?
8. manteve a Praxe viva, contra ventos e marés politiqueiras? 9 . criava o traje feminino?... 10. era agraciado com a Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Cidade do Porto? 11. a sua alta conduta cívica e moral lhe valiam a Comenda da Ordem de Benemerência (atente-se bem no significado desta comenda)? 12. o seu papel inigualado na divulgação da cultura portuguesa junto das populações mais isoladas lhe valia a Comenda da Ordem de Instrução Pública (e reflicta-se no significado deste galardão) - quantas ambulâncias foram compradas com o dinheiro angariado pelos espectáculos que o OUP ofereceu? Quantas igrejas recuperadas? Quantas agremiações culturais reestruturadas, reequipadas, "re-sedeadas"?
14. dava dos estudantes do Porto a imagem de generosidade, daqueles que, mais favorecidos pela sorte, partilhavam com irreverência e galhardia o seu tempo, sempre com o mesmo brio, no palácio como na choupana?
Quantas outras instituições de cariz académico desta cidade, e mesmo sem este cariz, pode apresentar algo que sequer se assemelhe? Não certamente o Magnum... Sem desprimor para os outros grupos de fados, que não devem ser responsabilizados por esta fantochada: também eles não podem fazê-lo...
Para tudo resumir: onde estava o Magnum Consilium Veteranorum quando o OUP cumpria SOZINHO as OBRIGAÇÕES DE TODOS?Espera lá: NÃO estava, pura e simplesmente. E pasme-se: PORQUE NEM SEQUER EXISTIA!...
Isto, se mais não fosse, deveria fazer corar de vergonha os perpetradores da aleivosia. Como Académico, sinto-me desconsiderado e injustiçado. Como Orfeonista, sinto-me muito acima desta tropa fandanga de veteranos de 3/4 de mês - tanto que a surpresa é maior do que o real valor do insulto. Pessoalmente, reajo muito mal às injustiças. Não me critiquem por reagir ainda mais a uma injustiça que considero pessoal." in http://tvpenianos.blogspot.pt/ (artigo de Eduardo Coelho, de 22 Outubro 2007).
Termino deixando o link para 2deliciosos artigos de opinião, precisamente sobre esta questão:
Estava eu ontem à conversa com a minha afilhada, que me apareceu toda bonita de capa e batina (só agora passou a vestir, porque na sua faculdade - Lisboa - dizem que os os caloiros só na noite da Serenata é que trajam pela 1ª vez; prova de que continua a haver muita gente ignorante e que só diz besteiras), quando reparei na sua capa, ainda tão recentemente estreada, já suja com grandes manchas beje-acastanhadas.
Logo lhe disse que devia, na 1ª ocasião, depois da Semana Académica, tratar de limpar aquilo, a que se seguiu a seguinte conversa (aqui abreviada):
- A capa não se limpa!
- Mas onde ouviste isso? Que parvoíce é essa de não se poder lavar?
- Foi o que me disseram.
- Ah, pois, mas não faz sentido nenhum.
- Mas está no nosso código e diz que nunca se lava a capa!"
Está bom de ver que algo de errado se passa naquela faculdade, e em tantas e tantas outras, no que toca a coisas tão simples que querem transformar em papismos de meia-tigela.
Para o lixo com códigos que colidem com a Tradição e se arrogam o direito de inventar, deturpar e desvirtuar com base na ignorância, na pequenez intelectual e na falta de dois dedos de testa para pensasr e perguntar, antes de se armarem aos cucos!
Para o lixo com todos eles, com todos esse libelos da treta que conseguem ser mais anti-praxe do que outra coisa qualquer, enganam e induzem em erro os estudantes.
Já neste blogue se demascararam outros mitos (pins, emblemas, colheres de café na gravata, relógios, pasta de praxe, origem do traje, o nº impar, latim macarrónico, o grito FRA, insígnias......) e este é mais um.
Desde quando é Praxe e Tradição não se limpar a capa?
Desde quando é Praxe ou Tradição andar porco e sujo, trajando-se um uniforme (capa e batina ou qualquer outro traje académico)?
Propalam-se muitas patetices, a começar por esse supostos "líderes da praxe", cujos cargos são verdadeiros hinos à ignorância e incompetência, secundados pelos praxeiros em rebanho obediente no seu balir praxístico.
Depois a justificação é "o nosso código diz...", como se um codigozeco inventado à pressão se pudesse sobrepor à Praxe e à Tradição que lhe são anteriores e que são património basilar e transversal para a própria fundamentação de qualquer código de Praxe digno desse nome.
Não percebem que é imperativo haver um precedente e uma justificação na Tradição para validar um código que se arroga, ele próprio, repositório de tradição?
O traje e a capa devem ser limpos, sempre que andrajosos, sempre que sujos. Na capa não se colecciona esterco ou sujidade como se de medalhas se tratassem. A sujidade não é brasão que se cosa à capa e não é marca que digifique seja quem for. Se assim fosse, alguns sem-abrigo seriam Super-Dux.
Quem pensa e diz tais besteiras não é só a capa que devia limpar, mas o cérebro.
Aprumo e limpeza sempre foram exigidos em qualquer uniforme, em qualquer traje, e o Traje Nacional ou Traje Académico não foge à regra.
É uma questão de civismo, educação e excelência.
Aturar maus praxistas é uma coisa, mas que ainda por cima sejam porcos..........
Legislar a dizer que se tem de andar com uma peça de roupa mesmo que imunda é vergonhoso, triste e completamente parvo. Nem parece vindo de estudantes do superior.
Essa "moda" já não é nova, tem alguns anos, sabemo-lo.
Advém da mente de gente que queria, à força toda, (para darem nas vistas) imitar os antigos estudantes que só tinham o seu traje como indumentária diária (quando o porte era obrigatório, ou mesmo depois quando era a pouca roupa que possuíam) e que se rompia e sujava devido ao seu uso intensivo.
Só que o traje não é de porte obrigatório há 100 anos, nem o recurso a quem tem pouca roupa - que hoje é bem caro, até, comprá-lo!!!
E mais: não existem registos de estudantes andrajosos, sujos e com o seu traje/uniforme imundo! Não, não existe, porque era obrigatório, precisamente, o aprumo.
Em lado algum existe referência a não se poder lavar a capa. Só mesmo em codigozeco de meia-tigela.
As capas, e o restante traje também, sofriam com o passar dos anos, e andavam bem rompidos no caso dos mais veteranos, mas não consta que andassem sujas como hoje alguns as deixam (sob pena de nem poderem entrar nas salas de aula). Aliás, não era invulgar alguns estudantes comprarem novas capas ou mesmo calças, batinas ou coletes, a par com sapatos.
Note-se que há quem propositadamente suje a sua capa, a deixe pelo chão, só para lhe dar um ar "veterânico" (a lembrar aqueles filmes onde se amachuca uma folha, se passa por café e outros quejandos, para imitar um papel antigo), naquilo que é um desrespeito total pelo uniforme que envergam, inventando depois essa coisa estapafúrdia que não se limpa a capa porque as nódoas são recordações da vivência académica!
É preciso ter lata e ser muito estúpido para tal argumento, tamanho é o ridículo e absurdo do mesmo.
Quem assim faz, faz triste, patética e ridícula figura, pretendendo obter veterania pelo que aparenta e não pelo que deve ser e saber.
Historicamente, tradicionalmente, fique claro, não há nada que justifique não se limpar o traje e a capa também, muito pelo contrário.
Com efeito, bastaria recordarmos aqui o Edital da Vice-Reitoria de 22 de Abril de 1839, e depois o Decreto de 25 de Novembro (Regulamento da Polícia Académica) desse mesmo ano, que determinava que quem entrasse nos Gerais e nas salas de aula o fizesse com "vestuário próprio", ou seja envergando o traje académico. Determinava explicitamente o art.º 27º que o traje reservado aos lentes, doutores, professores e estudantes deveria ser limpo e decente.
No entendimento da época, como refere António Nunes [in Identidade(s) e moda, Percursos contemporâneos da capa e batina e da sinsígnias dos conimbricenses. Bubok, 2013, p.73], "limpo e decente" abrangia a higiene corporal e vestimentária. Assim, o traje e a capa eram limpos/lavados, sempre que se apresentavam demasiado sujos para exprimirem o aprumo que se exigia a um uniforme como era o traje estudantil.
No edital datado de 24 de Abril de 1862, pouco depois do reitor Basílio Pinto ser reconduzido no cargo, ordena-se que"qualquer estudante que for encontrado em público com vestido talar académico, sem ser limpo e decente, como ordena o art.º 27 do Regulamento da Polícia Académica de 25 de Novembro de 1839, será recolhido à casa de detenção académica pelso empregados da Polícia Académica que o encontrarem, ou dele tiverem notícia, dando-me logo parte de assim o terem praticado".
[idem, p. 84]
In "Legislação académica desde o anno de 1851 inclusivamente até ao presente" , editada em 1954 pela UC. Edição Impressa colligida e coordenada por José Maria de Abreu.
Aliás, como podemos esquecer, por exemplo, que o acto de passar em revista o traje não concerne apenas o correcto porte, mas igualmente o aprumo, a sua limpeza (capa incluída)?
Nota: Como disso damos conta no artigo sobre "Foro Académico", no qual também abordamos a questão da Polícia Académica, é possível perceber que, em finais do séc. XIX, fruto de um crescente descontentamento interno e externo (desde a revolução vintista e guerras liberais que a UC vive tempos conturbados), muitos estudantes que eram contra o traje talar (e reclamavam "modernidade" - que resultaria na transição para a "abatina") se apresentavam propositadamente com os seus trajes em condições lastimáveis ou então com adereçso proibidos pelo regulamento de disciplina em vigor, como forma de provocar as autoridades e atitude reaccionária. Convirá não confundir tal com o romantismo ficcionado dos velhinhos estudantes de trajes puídos pelo uso.
Nota: também me disse essa minha estimada afilhada que só era Pastrana quando inciasse o seu 2º ano na faculdade, revelando que na instituição que ela frequenta andou muita gente a aparvalhar a Praxe, deturpá-la e a espalhar mitos; gente que manda na Praxe lá do quintal deles, mas que destes assuntos não passou ainda de caloiro.
Pastrano é a designação dada ao estudante que deixou de ser caloiro com o início da Queima das Fitas (época que marca a emancipação), até à 2ª matrícula.
É caloiro, mas já pode usar a pasta da praxe.
No palito métrico, "pastrano" é um nome equivalente a "caloiro"/"felpudo"/"loiraça" ou "boroeiro" - expressão injuriosa para designar os novatos. Aliás, o próprio João Fernandes do Palito Métrico é descrito como tendo descido do monte/casal até Coimbra. Termina a aventura a guardar cabras e ir à tábua. mesmo em Espanha, era frequente nos colégios dizerem ao recém-chegado que era filho de lavradores/pastores, etc.
Pastrano deriva de "pastorano" - pastor, daí o significado de "rústico, grosseiro". Cf. http://www.lexico.pt/pastrano/
Como lho disse a ela, digo-o para qualquer outro do género:
-Para o lixo esses codigozinhos da treta. Para o diabo tanta ignorância e estupidez disfarçadas de grandes heranças do passado. Rasguem-se as páginas desses manuais e deixem apenas o que é TRadição, de facto. Os códigos ficavam mais magros, mais fáceis de conhecer, transportar e respeitar, por só conterem o essencial, o genuino, o que de facto importa.
Desta feita as imagens são da cidade de Viseu, a 4ª maior academia do país em nº de alunos.
Os excessos do costume, a alegria habitual ........... nada de anormal, portanto, não fosse o olhar atento a coisas que envergonham e enojam qualquer praxista que se preze ou qualquer um que tenha respeito pelas tradições.
Com que então temos agora cartolados de calções (de ganga, de pano...), de vestido, de leegins e afins?
É nesses tristos preparos que uma academia se revê?
Quem agora define a tradição é gentalha que a delapida e transforma um cortejo académico numa mera "Carnaval Parade"?
Onde estão os organismos de Praxe, as comissões de curso tão activas nas recepções ao caloiro, a pujança e o dito "espírito académico"?
Ele é isso?
Este é apenas um exemplo, numa cidade que, durante muitos anos, foi tida como paraíso na vivência e preservação das tradições académicas (baseadas em Coimbra).
Estas imagens ilustram que até isso por lá se está a perder.
Como será no resto do país?
Merece especial destaque o Museo Internacional del Estudiante pelo facto de ter sido considerado o melhor Website de 2011, na XIV edição dos Prémios Internet, realizada este ano e promovida pela Comunidade Iberoamericana de Associações de Utilizadores da Internet.
São 100 anos de história, e estórias mil.
O OUP será, porventura, a maior, e mais prestigiada instituição cultural/artística académica do país, a par com o orfeão Académico de Coimbra (e os Antigos Orfeonistas), a TAUC (como grémio associativo) e os Antigos Tunos da TAUC.
O OUP prestou ao país e aos estudantes, nomeadamente na região do Porto, um serviço benemérito e de valor inigualável.
Merece o respeito, justifica-se, até, a inveja de quem, como eu, nunca teve a sorte de pertencer a um organismo assim (pois nunca fui estudante do Porto).
No que concerne à comunidade tunante, bastaria apenas referir que é pela mão do OUP que se introduz em Portugal o conceito de Festival de Tunas, sendo o seu certame o mais antigo do país.
Já a sua Tuna, embora mais antiga que o Orfeão, foi, desde sempre, uma das suas mais prestigiadas facetas, sendo a TUP, a par com a TAUC e a Tuna do Liceu da Évora, as mais antigas agremiações tunantes académicas do país.
Entre muitos e muitos galardões, recebeu a Medalha de Ouro de Mérito
Artístico da Cidade do Porto, aComenda da Ordem de
Benemerência (assinalável esta distinção) e a Comenda da Ordem de Instrução Pública (pelo
seu papel na divulgação da cultura portuguesa junto das populações
mais isoladas, bem como no estrangeiro). Poucos se podem gabar de tal, a sublinhar, precisamente, o impacto e o mérito do Orfeão, muitas vezes, e injustamente, esquecido, menorizado ou relativizado.
A actividade do OUP não se ficou pela simples performance artística per si, pois o seu altruismo, generosidade e sensibilidade pelo meio onde se inseria, levou a que muitas ambulâncias fossem compradas com o dinheiro angariado nos espectáculos, muitas igrejas ou instalações paroquiais fossem recuperadas, a um sem número de agremiações culturais pudessem ser
reestruturadas, reequipadas ou vissem realizado o sonho de uma nova sede.
Quantas gerações ali fizeram/iniciaram a sua formação artística , ali beberam valores e saberes que nenhum dinheiro paga, ali encontraram uma família de muitas gerações, de muitas histórias, de muitas glórias e passado ilustre?
Podem orgulhar-se todos os que contribuíram para estes 100 anos de história, tal como todos nós que apreciamos o trabalho bem feito e sabemos reconhecer o méritoa quem o tem, de facto, nos orgulhamos de ainda ter instituições neste país que produzem com qualidade, muitas vezes sem subsídios, sem apoios, e quase sempre na abnegação e gratuidade dos seus componentes.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso, já nos deixou há 25 anos.
Muito tempo passou, mas ele não.
O seu legado perdura e perpetuar-se-á, dada a qualidade do mesmo, potenciado pela época em que floresceu.
Nunca como então, a música era tão mais algo do que apenas música. Talvez por isso, ainda hoje, ouvir Zeca seja ouvir para além da simples melodia.
Não detinha uma voz portentosa, mas o seu timbre era inconfundível.
Aqui fica um "remeber" do tema "Ronda das Mafarricas" na interpretação da Estudantina Universitária de Coimbra, outra, "Venham mais Cinco", pelo Chorus CSD de Lisboa e, finalmente, os "Indios da meia praia" por um grupo de cordas (Guitarras e guitarras portuguesas) liderado por Paulo Soares:
Cumpre-se, hoje, dia 18 de Fevereiro, o 6º aniversário deste blogue.
Atravessando, actualmente, uma fase de menor produção (visível pela escassez de artigos, nestes últimos meses), espera, após o lançamento do "QVID TUNAE?" (que tarda por contratempos técnicos na editora), poder avançar mais um conjunto de artigos, pois não pretende avançar dados que cabem, em primeiro lugar, serem trazidos à tona pela obra referida.
Também o facto da actividade tunante estar para arrancar novamente, levará, obviamente, a mais regulares intervenções.
Fica apenas, pois, esta nota, para assinalar a data.
Uma vez mais, obrgado a quantos continuam leitores assíduos deste espaço.
Mas não é apenas aí que se regista a enorme catadupa de calinadas e de
erros no uso do dito latim macarrónico (que em certos casos não
passa de “latim de macarrão”), por parte dos praxistas.
Não basta, com efeito, acrescentarmos “ae”, “um” e afins, a palavras portuguesas, para
estarmos perante latim macarrónico.
O conhecimento e domínio, pelo menos mínimo (saber umas coisas de declinações e conjugação), de latim são exigíveis, dado
que várias fórmulas e chavões o devem ser em latim puro, alternadas com o
macarrónico, num exercício que não deixa de ser literário, mesmo se jocoso,
demonstrando que para se brincar com as coisas é preciso dominá-las q.b. E recorde-se que, actualmente, com os meios disponíveis, algum tempo dispendido na web permite encontrar algumas soluções e informações sobre o assunto.
Uma outra coisa que convirá esclarecer é que, em Praxe, se permite o uso de
termos na língua vernácula (Português, neste caso), embora de forma isolada e
sempre que o termo latino (ou a expressão/frase) impeça o entendimento
(nomeadamente nos decretos – que se pretende que sejam percebidos por qualquer
um que os leia). Nem sempre, pois, é preciso fazer macarrão, quando podemos lá
ir com um pouco de esparguete. Mas, uma vez mais, atente-se que se trata de
algo pontual, de palavras isoladas. Do mesmo modo se deve atentar às invenções a metro. Veja-se, a título de exemplo que, querendo escrever-se "velho(a)" ou "velhíssimo(a)" em latim macarrónico, em caso algum se pode redigir algo como "velhissimae", sendo obrigatório, neste caso, procurar o termo latino (similar ou equivalente), como "Senex-senis", "Vetus-veteris", "Antiqua-antiquae", "Decanus-decani".......... escolhendo o termo mais apropriado, segundo o contexto.
Outro exemplo é o termo "Invitatis" que em algumas academias é usado para designar convite (embora, em Praxe, não se perceba a lógica e historicidade de tal - mas é mais uma daquelas invenções de meia-tigela feita por praxeiros de outra metade.....da tigela).
Ora o termo correcto seria "Invitatio", como substantivo, e não "Invitatis" que é uma forma verbal (2ª pessoa do plural, no presente do indicativo).
Também é comum vermos escrito (e não é de agora - existem decretos escritos há décadas, a conterem esse mesmo erro) "in nominae soleníssima praxis", contudo a expressão correcta é "In NOMINE solenissimae praxis". Maior erro é vermos "in nominae solenissimae ad semper potentissimae praxis", pois, com efeito, "ad" significa "para". Ora, querendo usar-se a conjunção "e" (em nome da solene e sempre poderosa praxe...", deve usar-se "In NOMINE solenissimae ET semper potentissimae praxis".
O mesmo dizer do termo "Facultis", usado no Porto para os denominados "Dux Facultis", quando o termo adequado seria "Facultatis" (do termo Facultas), no genitivo (que determina a posse ou origem).
O mesmo dizer do termo "Informatis" (supostamente a querer ser sinónimo de Edital - ou coisa que o valha), que se deveria escrever "Informatio" (de "Informatio-informationis"), e onde, mais uma vez, se usa (erradamente) um verbo em vez de um nome/substantivo. O termo mais apropriado seria algo similar ao "Decretus", como "Editu" ou "Editus".
Passo agora a citar um belíssimo post do ilustre Eduardo Coelho,
precisamente sobre algumas regras de uso, com algumas dicas a levar em linha de
conta por todos os que se aventuraram neste, nem sempre fácil, exercício de
escrita.
Uma nota ainda, sobre o "Decretus", muitas vezes, e erradamente, escrito "decretum".
“Ainda não há muito tempo, o latim era a língua universal da ciência. Há
razões históricas para isso (o facto de o latim ter servido como língua comum
aos países que emergiram do fim do império romano), mas também razões de ordem
prática (o facto de o latim ser uma língua extremamente lógica).
Nas universidades, tal como hoje se publica tudo em inglês, tudo se
publicava em latim. Era uma forma prática de divulgar ideias e partilhar
ciência.
Os diplomas, os impressos, as fórmulas de juramento, etc., eram em latim. Não é de estranhar que os estudantes começassem a gozar com o latim,
adulterando-o para obter efeitos cómicos.
O latim macarrónico é uma adulteração do latim: usam-se as regras do latim,
mas "falsifica-se". Quando se usam palavras portuguesas que o latim não contempla (ou torna difícil o entendimento e adequação) aplicam-se ao termos portugueses as
terminações próprias do latim - seja em substantivos, seja em verbos, etc, observando-se, contudo, as regras da gramática latina, quanto aos sufixos adicionados (as terminações adequadas à declinação para substantivos ou para as conjugações).
Claro que a maioria dos actuais alunos não sabe latim. Tem vagamente a
ideia de que há terminações "ae", "us", "um" que
parecem latim. Não é bem assim. O latim macarrónico é extremamente exigente.
Para se perceber a piada, é preciso perceber de latim a sério. Mas isso era
dantes.
Se a praxe evoluísse, então hoje o lógico seria o "inglês
macarrónico". Já que tudo é em inglês... Mas isso são contas de outro
rosário.
Evidentemente, não há aqui lugar para um curso de latim, mas vou procurar
responder [a algumas dúvidas correntes]:
Em latim, a terminação
"ae" podia ser:
- o plural das palavras terminadas em "a"; por exemplo, o plural
de "caloira" seria "caloirae" (não "caloiras");
- o determinativo de posse de palavras terminadas em "a"; por
exemplo "da academia" seria em latim "academiae"
A terminação "um" podia ser:
- a terminação normal de palavras que em português terminam por
"o", mas que são por sua natureza de género neutro - p. ex.
"templo" em latim era "templum" (o templo não é
"homem" nem "mulher"); assim, "cimento" seria, em
macarrónico, "cimentum"; "vinho" / "vinhum"; etc.
(o plural destas palavras em latim formava-se com "-a": templUM
(o templo)/ templA (os templos))
A terminação em "-i" podia ser:
- plural dos nomes masculinos terminados em "us":
"decanus" (o decano); "decani" (os decanos);
"semiputus" (o semiputo) / "semiputi" (os semiputus)
NOTA: "caloiro" não tem sexo; como tal, em boa regra macarrónica
será "caloirUM" (a terminação em "-us" é para o
masculino...) - o plural macarrónico correcto é "caloirA" (os
caloiros) (tal como templum/templa) - :)
A terminação em "_arum" /
"_orum":
é, respectivamente, o determinativo de posse plural dos nomes terminados em
"a" ou "us": "pastA" (a pasta) / "pastARUM" (das pastas);
"fitA" (a fita) / "fitARUM (das fitas);